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Archive for janeiro 2011

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 Caros leitores:

O objetivo deste Blog será  levantar  ideias e proporcionar  discussões a partir da minha visão sobre o Futebol Moderno. Serão publicados artigos sobre Futebol de Base, Futebol Profissional, Gestão em Futebol, Análise de Jogos entre outros temas atuais relativos à modalidade.

Porém, antes de iniciar as publicações, preciso falar sobre minha história no Futebol, minha formação, as combinações de fatores que contribuíram para a decisão que tomei em relação a minha carreira, enfim, faz-se necessário responder a seguinte pergunta, muito conhecida no universo do futebol: “Jogou aonde?”

Há três anos, sou técnico de futebol das Categorias de Base do Paulínia Futebol Clube. Equipe profissional de futebol que atualmente se encontra na terceira divisão do futebol paulista e desde sua fundação, em 2004, vem conquistando resultados expressivos nas competições que disputa.

Pela modalidade, sou apaixonado desde que me entendo por gente. Não preciso me esforçar muito para relembrar da infância com as inúmeras “peladas” na rua, campos de várzea, quadras de futsal, campos soçaite, campos oficiais de grama ou quaisquer outros lugares que possibilitassem a prática do futebol com as mais diversificadas variações de espaço, número de jogadores, bolas (leia-se lata, papel, garrafa, bolas de plástico, futsal, capotão, etc).

Desde cedo, com 10 anos de idade, tal esporte já se tornara algo mais sério em minha vida. Havia conquistado a vaga de titular na minha categoria pela equipe Lousano Paulista, ex-Etti e atual Paulista de Jundiaí. Com essa idade comecei a prestar muita atenção em cada treinador que tive para um dia alcançar o que já era o meu grande sonho (e o da maioria dos brasileiros na infância): ser jogador de futebol profissional.

A dificuldade para conseguir treinar três vezes por semana fora de minha cidade, fez com que meu pai buscasse outro lugar para eu tentar jogar, chegava o momento da primeira peneira:

O clube em questão era tradicional no estado de São Paulo e revelador de grandes craques para futebol brasileiro, a Associação Atlética Ponte Preta. Com 12 anos de idade, friozinho na barriga e muita vontade, eu tinha pouco mais de 30 minutos para mostrar ao treinador que poderia ser o ponta-direita que ele procurava.

Por dois anos, fiz parte de uma das melhores equipes da região e, sempre no 4x3x3 (comigo sempre na ponta direita), continuei atento aos conselhos e orientações do meu treinador. Daquela equipe, uma revelação para o futebol brasileiro: Roger, atacante, ex-Ponte Preta, São Paulo, Palmeiras, Vitória e, desde 2010, no Kashiwa Reysol-JAP.

Com idade de infantil, hoje Sub 15, a primeira grande frustração. Ouvi do treinador da categoria em questão da Ponte Preta que não tinha corpo para suportar o futebol de campo, ou seja, a primeira dispensa. Nesta categoria já era permitido o alojamento de atletas e perdi meu lugar na equipe para alguns brutamontes de diversos lugares do Brasil.

Com isto, tinha duas opções: acreditar que o que este treinador havia me falado era uma verdade absoluta (afinal eu sempre estava atento nos conselhos dos meus treinadores) ou então procurar algum lugar em que tamanho não fosse problema.

Resolvi procurar em vários e, por dois anos, tive uma prazerosa overdose de futebol. No colégio, num extinto time de empresários de Campinas, no Futsal da AAPP (onde não jogavam atletas alojados), no Primavera de Indaiatuba e, quando sobrava um tempinho, nos campinhos de várzea.

O exagero da prática me deixava com decisão mais rápida, acertada, conhecedor de “atalhos” e condicionado para jogar Futebol (respostas normais para quem faz muitas vezes a mesma coisa).

Tive diversos treinadores durante esses dois anos, mas um em especial me chamou a atenção. Seus treinamentos eram diferentes dos demais lugares e as abordagens eram diferentes dos demais treinadores (e eu aproveitava para utilizar os conhecimentos adquiridos nos outros lugares em que competia) só que ainda não conseguia entender o porquê. E tinha algo que me incomodava: muitas das coisas que ele dizia que seriam importantes para se tornar jogador de futebol, eu já tinha 15 anos e ainda não havia ouvido de ninguém e, teoricamente, ele era quem menos deveria saber, afinal era somente meu treinador no colégio (eu não sabia que, na ocasião, ele trabalhava para o Agente Juan Figer).

Com quase 17 anos chegava o momento de retornar a Ponte Preta…

Mas como um clube/treinador havia me dispensado e agora eu recebia o convite de retorno do vice-presidente?

Com a idade, chegou também a maturação (eu não sabia que tinha demorado mais para maturar que os meninos da mesma idade que a minha) e, num confronto entre Primavera-SP e Ponte Preta, terminar como um dos destaques da partida renderia o convite.

Convite aceito e em pouco tempo de Clube cheguei à seguinte conclusão: eu havia igualado a condição física em relação aos jogadores que antes ganhavam com folga de mim na força, resistência, velocidade e impulsão.

Percebi também que os dois anos de overdose de futebol em diversos ambientes, jogando em vários tamanhos de campo e em diferentes funções, estavam me ajudando na AAPP e, com um ano e meio de Clube, 12 kg a mais (adquiridos com muita musculação e suplementação) e um bom desempenho como volante me colocavam como titular do elenco Sub 20.

Paralelamente ao futebol, resolvi seguir com os estudos. Há bastante tempo no “meio” e, mais consciente de que clubes de alto nível, seleção brasileira, transferências milionárias, carros e casas de luxo são para poucos e nem sempre para os mais competentes, resolvi prestar vestibular em Educação Física e dias depois das provas, obtive o resultado e a aprovação para o curso noturno da UNICAMP.

Lembro com saudade desse período, seguramente fora meu auge em minha curta carreira de jogador de futebol. Dênis (São Paulo), Dênis (Bahia), Rafael Santos (Atlético Paranaense), Alex Silva (São Paulo), Bruno Aguiar (Santos), Nei (Internacional), Ricardo Conceição (São Caetano), Roger Rodrigues (Japão), Rafael Ueta (Figueirense), Rafael Marques (Japão) são alguns dos que jogaram comigo e atingiram o sucesso como atletas profissionais, todos em atividade atualmente.

Ser uma das promessas do elenco Sub 20, capitão da Categoria durante um ano, conciliar a graduação e transferir a aprendizagem teórica obtida sobre treinamento físico para a prática, era fantástico. Eu tinha duas certezas: que precisava estar muito bem fisicamente para ter um alto rendimento, pois era o que estava aprendendo na faculdade e escutava do meu treinador e preparadores físicos (nessa altura, a overdose era de treinos físicos e não de futebol), e que a promoção à equipe Profissional estava próxima.

Somente não contava com uma entorse de joelho e sucessivos deslocamentos de ombro que necessitaram intervenções cirúrgicas e que me afastaram dos campos por 10 meses. Após o retorno, a mudança de treinador, a desconfiança de muitos e a demora para voltar a atingir o pico de performance uma vez alcançada foram determinantes para a minha segunda dispensa no clube, desta vez, após a Copa São Paulo de Futebol Jr. em 2006.

Desanimado com a dispensa, no 4º ano da faculdade e me deparando com leituras mais aprofundadas sobre ensino de Futebol, uma disciplina dizia que eu deveria ler mais Julio Garganta, Claude Bayer, Alcides Scaglia, Pablo Juan Greco do que Verkhoshansky, Bompa e Matveiev.

Após leituras e mais leituras uma surpresa: um respaldo teórico que afirmava não existir melhor maneira de se tornar um bom jogador de esporte coletivo, no caso, futebol, senão jogando futebol!

Durante um ano e meio (não sei com aguentei tanto) tive três passagens por clubes que, ao invés de alimentarem meu persistente sonho de ser atleta profissional, minaram. Eu não conseguia mais correr em volta do campo, levantar toneladas na musculação, saltar, saltar, saltar e treinar sem adversários, sem me incomodar. As rápidas passagens por União Barbarense-SP, Primavera-SP e Huracán (Tres Arroyos, ARG) alteraram meus objetivos profissionais e ao regressar da Argentina resolvi “pendurar as chuteiras”.

Com 22 anos de idade, muitas ideias e a faculdade pra terminar, uma dúvida: continuo como profissional do futebol ou sigo outros caminhos?

Após uma longa conversa com o Fábio (lembram do meu professor do colégio com treinos e abordagens diferentes? Pois é, ele havia se tornado Gerente de Futebol do Paulínia Futebol Clube e, atualmente, é Presidente Executivo), tive que fazer uma escolha entre ser Auxiliar Técnico num clube sem nenhuma expressão no cenário futebolístico nacional ou então iniciar uma carreira em Suporte de TI em uma multinacional.

Titubeei, mas escolhi o Futebol e bastou uma semana de treinamentos para o surgimento de um novo sonho: SER UM GRANDE TÉCNICO PROFISSIONAL DE FUTEBOL!

Após três anos no Clube, muitas vitórias, empates e derrotas, muita prática, muitas discussões, muitos aprendizados, muitos treinamentos, alguns erros e muitos acertos e trocas de experiências com um bom número de profissionais competentes, sinto que é momento de divulgar o meu trabalho, de escrever o que penso sobre o Futebol. Um conhecimento que foi construído dos meus primeiros chutes quando criança ao dia-a-dia no Paulínia Futebol Clube e que quero compartilhar com os Profissionais desta modalidade, abordando dos treinamentos aos jogos, da Gestão Administrativa à Gestão de Pessoas (aprendi bastante na pós em Administração), da Base ao Profissional, do Brasil à Europa, do 1x4x4x2 ao 1x4x(2×3)x1, com o intuito de discutir o que é tendência no Futebol atual, como, por exemplo, a vencedora filosofia Mourinho, o futebol espanhol (tendo sua máxima expressão no mágico Barcelona), o futebol holandês (um país minúsculo com uma seleção gigante) e também Mano Menezes e Rafael Vieira, que foram do Grêmio à Seleção Brasileira e, pelas conversas do futebol, muito têm estudado sobre a Periodização Tática, oriunda de Portugal.

Serão muitos temas, que gerarão diversas opiniões, muitas vezes polêmicas, mas necessárias para todos que almejam crescimento profissional no competitivo mercado do futebol. Espero despertar questionamentos em alguns profissionais, contribuir para a formação de outros e, consequentemente, aprender.

Written by Eduardo Barros

16 de janeiro de 2011 at 18:07

Publicado em Eduardo Barros