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Archive for fevereiro 2011

O MODELO DE JOGO DO BRASIL NO SUL-AMERICANO SUB 20

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Recentemente, encerrou-se o Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub 20, realizado no Peru, e que, após nove jogos sendo a equipe que mais venceu (sete vitórias, um empate e somente uma derrota), a seleção brasileira sagrou-se campeã e conquistou uma das vagas do continente para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Todos os jogos tiveram transmissão em canal fechado, porém, acredito que o horário dos mesmos dificultou o acompanhamento pela maioria da população. E este é o principal motivo da escolha deste tema para o artigo da semana, afinal, torcedores, treinadores, ou quaisquer outras pessoas que apreciam o futebol brasileiro precisam conhecer a dinâmica de jogo apresentada pelos possíveis integrantes da seleção olímpica ou, até mesmo, da principal, nos próximos anos.

Os resultados dos jogos da primeira fase foram:

 Brasil 4 x 2 Paraguai

Brasil 3 x 1 Colômbia

Brasil 1 x 1 Bolívia

Brasil 1 x 0 Equador

 No Hexagonal final, os resultados foram:

 Brasil 5 x 1 Chile

Brasil 2 x 0 Colômbia

Brasil 1 x 2 Argentina

Brasil 1 x 0 Equador

Brasil 6 x 0 Uruguai

 Além dos 81% de aproveitamento, o Brasil, comandado pelo técnico Ney Franco, conquistou outros números invejáveis:

  •  O melhor ataque da competição, com 24 gols marcados e o artilheiro do torneio:

               – 9 gols – Neymar

               – 4 gols – Lucas

               – 3 gols – Casemiro e William

               – 2 gols – Diego Maurício e Henrique

               – 1 gol – Danilo

  •  A segunda melhor defesa, por média de gols sofridos, por jogo. Sofreu somente 7 gols em 9 jogos (0,78 gol/jogo), contra 5 gols sofridos do Equador (0,55 gol/jogo);

 Todos estes números ratificam o desempenho superior obtido pela seleção brasileira ao longo da competição, porém, não explicitam como foi o futebol apresentado pela equipe nos Momentos do Jogo (Ofensivos, Defensivos e de Transição), durante as 9 partidas que a tornaram campeã do Sul-Americano Sub 20.

Nas próximas linhas, será feito um breve resumo do padrão de jogo da seleção brasileira, apontando as origens dos gols marcados, dos gols sofridos, além do comportamento coletivo nas ações ofensivas (após recuperar a posse e com a posse de bola) e nas ações defensivas (ao perder a posse de bola e ao tentar recuperá-la). Para finalizar, um breve apontamento dos jogadores que mais se destacaram na competição.

Como ponto de partida, será apresentada uma descrição das origens dos 24 gols feitos na competição, que podem traduzir pontos fortes da equipe (claro que não se deve desconsiderar as falhas do adversário) e, em contrapartida, a observação dos gols sofridos, lembrando que também ocorrem por potencialidades do adversário, mas também podem identificar eventuais falhas cometidas pela equipe brasileira.

Segue, abaixo, a origem de todos os gols marcados pelo Brasil, no torneio, com a identificação da ação prévia ao gol:

  • 6 gols (25%) por Posse de Bola em progressão, dentre eles:
    • 2 gols a partir de cruzamento /

    www.youtube.com/watch?v=2ccu8meGvrY

    • 1 gol a partir de penetração
    • 1 gol a partir de um passe horizontal
    • 1 gol a partir de um drible
    • 1 gol a partir de rebote do goleiro
  • 5 gols (20,8%) por Transição Ofensiva, dentre eles:
    • 2 gols a partir de assistências
    • 1 gol a partir de cruzamento
    • 1 gol a partir de lançamento

    www.youtube.com/watch?v=c9UHB0a135E

    • 1 gol a partir de interceptação com chute longo
  • 5 gols (20,8%) por Bolas Paradas, dentre eles:
    • 2 gols a partir de escanteios
    • 1 gol a partir de uma falta lateral

    www.youtube.com/watch?v=5HxbIG1aaEw

    • 1 gol a partir de uma falta frontal
    • 1 gol de pênalti
  • 4 gols (16,6%) por Jogadas Individuais, dentre eles:
    • 2 gols a partir de transição ofensiva

    www.youtube.com/watch?v=wCcQD081AXc

    • 1 gol partir de um passe vertical
    • 1 gol a partir de posse em progressão
  • 2 gols (8,3%) por Transições Defensivas, dentre eles:
    • 2 gols a partir de cruzamento

              www.youtube.com/watch?v=t2lCINtS-hw

  • 2 gols (8,3%) por Reposições de bola em jogo, dentre eles:
    • 1 gol a partir de tiro de meta
    • 1 gol a partir de lateral

              www.youtube.com/watch?v=6Gkm-Tat5EU

 Na sequência, a origem dos gols sofridos pela seleção, também com a identificação da ação anterior que resultou em gol: 

  • 3 gols (42,8%) por Bola Parada, dentre eles:
    • 2 gols a partir de pênalti
    • 1 gol a partir de escanteio
  • 1 gol (14,2%) por falha no Balanço Defensivo
    • A partir de transição ofensiva do adversário

                  www.youtube.com/watch?v=9eAYQ2E3caQ

  • 1 gol (14,2%) por falha na Organização Defensiva:
    • A partir do erro na transição defensiva da equipe
  • 1 gol (14,2%) por falha do goleiro e 1ª linha de defesa da equipe:
    • A partir de reposição de bola pelo adversário
  • 1 gol (14,2%) por falha da 1ª e 2ª linha da equipe:
    • A partir de jogada individual do adversário

 Após a descrição dos gols, é momento de apresentar, sob minha ótica, o Modelo de Jogo da seleção brasileira, que fora aplicado ao longo da competição e que jogo a jogo se aperfeiçoou.

 Plataforma de Jogo e Regras de Ação

 A Plataforma de Jogo 1 x 4 x 3 x 3 foi utilizada durante toda a competição.

Após o goleiro, com participação exclusiva de proteção do alvo, a primeira linha da equipe foi formada por dois zagueiros e dois laterais. Tal linha tinha regra de ação defensiva de marcação zonal e, ofensivamente, dois laterais que apoiavam bastante o ataque, pelas faixas laterais do campo.

A segunda linha, composta por dois volantes, em que, em alguns jogos um deles tinha uma regra de ação mais ofensiva, ocupando o espaço à frente da linha da bola, sendo mais uma opção de ataque e, em outros jogos (geralmente os que a exigência defensiva era maior) a regra de ação com a equipe em posse de bola, era mais recuada. Defensivamente, exerceram muitos combates à frente da linha de defesa e ofensivamente alternavam jogo vertical e horizontal utilizando recursos de passes curtos e longos.

A terceira linha da equipe era formada por um meia ofensivo, com liberdade de movimentação e responsabilidade de ocupação de espaços entre linhas do adversário. Com a posse de bola, a ação era de busca de linha de passe com um dos três atacantes, ou então, de jogada individual. Defensivamente, o meia posicionava a frente dos volantes, geralmente do lado em que se encontrava a bola.

 Para terminar, a última linha da equipe, composta por três atacantes, sendo um mais avançado e centralizado, caracterizando uma estrutura mais fixa, e outros dois, mais móveis, atuando por cada uma das faixas laterais do campo, com trocas de posição entre si e com o meia ofensivo. Defensivamente, marcavam por setor retardando/dificultando a saída de bola do adversário.

Somente em um dos jogos a seleção brasileira modificou estruturalmente a plataforma. Na quarta partida do Hexagonal, contra o Equador, em que, após uma sequência de ações ofensivas perigosas do adversário, Ney Franco recuou um dos volantes nos minutos finais da partida, compondo a 1ª linha de defesa com 5 jogadores.

                          www.youtube.com/watch?v=fmSo2nrIE9w

Organização Defensiva

Sem a posse de bola, a seleção brasileira iniciava sua linha de marcação predominantemente na linha 2 do campo (intermediária defensiva do adversário). Em alguns jogos, porém, em menor incidência, alternou marcação na linha 1 (grande área adversária), ou então, na linha 3 (meio-campo).

A compactação entre linhas da equipe foi muito boa ao longo da competição, o que possibilitava coberturas imediatas em todos os setores do campo.

                       www.youtube.com/watch?v=RStnYai6AEM

No campo de defesa, a ação de combate em busca da recuperação da posse era constante, com boas recomposições atrás da linha da bola dos demais jogadores. Dificilmente, nas ações ofensivas do adversário, o Brasil tinha menos do que 8 jogadores atrás da linha da bola, o que gerava superioridade numérica defensiva com frequência.

Com uma linha defensiva bem equilibrada, a recuperação da posse em inversões ou chutes longos do adversário foi satisfatória.

Nas bolas paradas, somente uma falha, no jogo de estreia contra o Paraguai, resultou em gol. Nos demais jogos, a equipe esteve sempre bem postada, com marcação individual e pelo menos 7 jogadores dentro da grande área.

Defensivamente, uma ressalva somente em relação à flutuação, que também foi bem executada pela 2ª linha da equipe (zagueiros e laterais), porém, perdia organização zonal nas linhas dos volantes e meia.

Transição Ofensiva

A transição ofensiva foi uma arma poderosa do Brasil no Sul-Americano. Responsável por 20,8% dos gols feitos, a retirada vertical da bola, da zona de recuperação, foi a ação coletiva mais utilizada.

Na primeira etapa do primeiro jogo, contra o Paraguai, por pouca mobilidade dos volantes, a transição ofensiva não acontecia com qualidade, pois obrigava o recurso do chute longo dos zagueiros ou laterais. O outro jogo em que a transição ofensiva do Brasil não ocorrera de forma eficiente foi contra a Argentina, pois, com superioridade numérica em campo (devido à expulsão de um jogador brasileiro no pênalti a favor da Argentina) e à frente no placar durante grande parte do jogo, tal seleção se expôs pouco ao ataque e se apresentou muito bem organizada defensivamente.

Nos demais jogos, muitas ações de perigo do ataque brasileiro ocorreram em jogadas de contra-ataque e, como foi mencionado, 5 delas terminaram em gols, sendo estes contra Paraguai, Colômbia e Chile.

                www.youtube.com/watch?v=-YPFUy1XicM

Um destaque em relação à transição defesa-ataque brasileira foi sua ótima execução por todas as linhas (jogadores) da equipe, demonstrando ser um comportamento coletivo muito bem estabelecido pelo técnico Ney Franco.

Organização Ofensiva

O Brasil, no Momento Ofensivo do jogo, demonstrou seu grande diferencial em relação às demais equipes. Com jogadas individuais, ações imprevisíveis, tabelas, fintas e dribles, em sua grande maioria buscando o alvo, as jogadas que possibilitavam situações de gol foram diversas.

A evolução ofensiva do Brasil, na sequência dos 9 jogos, foi extremamente nítida, sendo observada pelos seguintes pontos:

  • Melhora da ocupação de espaço dos volantes com a equipe em posse de bola. No início da competição, o posicionamento se dava muito próximo aos zagueiros, o que resultava em menos opções de linhas de passe no setor intermediário.
  • Melhora da ocupação de espaço dos laterais, que ao longo da competição deram maior amplitude à equipe, ampliando espaço efetivo de jogo.
  • Melhora da ocupação de espaço dos atacantes, que, assim como os laterais, deram maior amplitude à equipe, fazendo um campo grande a atacar.

                             www.youtube.com/watch?v=N1U3l8cMyaU

 Apesar do alto percentual de gols com posse de bola em progressão, 25%, grande parte deles foi marcado somente no último jogo contra o Uruguai, que após sofrer 2 gols nos minutos finais do primeiro tempo e perder um pênalti no início do segundo tempo, “desistiu” de recuperar a posse coletivamente e permitiu que o Brasil circulasse a bola no campo de ataque com facilidade, resultando em mais 4 gols no segundo tempo, sendo três deles com posse de bola em progressão e um com jogada individual.

Muito bem nas bolas paradas, que originaram 20,8% dos gols do Brasil o ataque à bola e até uma jogada ensaiada contribuíram para vitórias importantes na competição.

O jogo vertical foi predominantemente aplicado pela equipe de Ney Franco. Jogo a jogo, a eficiência nas trocas de posições das estruturas móveis, com mobilidade e desmarques do meio-campista e dos atacantes, as linhas de passe constantes, a regra de ação de pivô do atacante de referência, o apoio com ultrapassagens dos laterais e o surgimento de um volante como elemento surpresa, confirmaram a seleção brasileira como a melhor equipe ofensiva da competição, com predomínio de finalizações na maioria dos jogos e, como descrito anteriormente, o melhor ataque do Sul-Americano.

 Transição Defensiva

 O comportamento coletivo predominante após a perda da posse de bola era o ataque imediato a ela em busca da recuperação. Demais jogadores, distantes da bola, ocupavam espaço em marcação zonal de acordo com sua função.

Em uma das ações de recuperação imediata, contra a Colômbia, originou-se um dos gols do Brasil.

Neste momento do jogo, em minha opinião, o Brasil se apresentou mais vulnerável. Pois, quando a ação de recuperação imediata não ocorria e a transição ofensiva do adversário era eficiente, a seleção apresentava problemas no Balanço Defensivo (estrutura geométrica dos defensores da equipe que ataca). Com igualdade numérica ao adversário, e consequente falta de coberturas, os oponentes geravam situações claras de gol. Bolívia, Paraguai, Colômbia e Equador foram seleções que tiveram oportunidades de aproveitar as falhas brasileiras. Destas, somente a Bolívia converteu em gol a oportunidade criada.

Destaques Individuais

Até o momento não foram mencionados jogadores na apresentação do Modelo de Jogo da seleção brasileira SUB 20. Para jogadores diferentes, obviamente, características e comportamentos diferentes, que refletem em padrões de jogo distintos na aplicação do Modelo de Jogo.

Abaixo, para finalizar o artigo, uma breve opinião de jogadores que se destacaram no torneio e que favoreceram o cumprimento do padrão de jogo da seleção brasileira.

 Juan – Zagueiro do Internacional-RS

Excelente posicionamento defensivo, estruturou zonalmente a linha de defesa sendo “imbatível” no 1×1 e muito eficaz em bolas aéreas. Quando o volante se distanciou na estruturação de espaço, demonstrou bom passe para sair jogando.

Oscar – Meio-campo do Internacional-RS

O “cérebro” da seleção brasileira. Fez uma má estréia diante do Paraguai por não conseguir se adaptar ao posicionamento de atacante nas trocas de posição com o Lucas. Ao voltar à equipe titular, a qualidade do passe foi seu diferencial. Um dos poucos jogadores da seleção que soube desacelerar o jogo, jogando horizontalmente. Como meia moderno, ajudou muito a equipe sem a posse de bola.

Vindo desde a intermediária, pensava situações para suas assistências perfeitas, em uma delas, com um passe de calcanhar, deixou Henrique de frente para o gol.

Lucas – Meia/Atacante do São Paulo-SP

O mais versátil dos selecionáveis. Atuou como meia, atacante, pela esquerda, pela direita. Em todos os setores ofensivos, sabe o que fazer com a bola nos pés. Quando a equipe perde a posse de bola, apresentou uma transição defensiva muito rápida.

Com habilidade ímpar, fez dribles, fintas de corpo, passes, cruzamentos, lançamentos e gols. Jogou para a equipe durante todos os jogos. O melhor!

Neymar – Atacante do Santos-SP

Parece não entender o jogo coletivamente. Troca pouco de posição, joga por vezes centrado na bola, mas, com pequenos espaços, faz absurdos.

Apresenta muitas qualidades que podem definir um jogo: cobrança de faltas frontais, dribles precisos, finalizações ambidestras e capacidade de fazer o… IMPREVISÍVEL, que é característica do jogo de futebol e que encanta a todos!

Abraços e até a próxima semana!!!

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Written by Eduardo Barros

27 de fevereiro de 2011 at 17:10

Conquistando resultados nas Categorias de Base: muito além das vitórias entre as quatro linhas*

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Tanto para os gestores, quanto para quaisquer membros das comissões técnicas, encontrar as melhores respostas é a chave para o lucro e a sustentabilidade

Inicia-se o ano de 2011, momento oportuno para as empresas analisarem os resultados obtidos em 2010. Cada área funcional de uma organização (Recursos Humanos, Projetos, Finanças, Marketing e Operações) deve analisar sua contribuição para aplicação do planejamento estratégico da Empresa e mostrar os resultados obtidos no ano anterior.

No Futebol Moderno, em que cada vez mais se preconiza a gestão de um Clube como qualquer empresa inserida no mundo capitalista, onde o lucro e a sustentabilidade são fundamentais, a análise de inúmeras variáveis faz-se necessária para se obter a posição atual do Clube no mercado e definir quais serão os planos de ação seguintes para a posição que se deseja alcançar.

No meio corporativo, para a área de Recursos Humanos, uma das variáveis analisadas pode ser a quantidade de contratações de profissionais de talento da concorrência pelos Head Hunter’s (grupo de pessoas designadas à busca de profissionais de destaque no mercado) da empresa. Para a área de Projetos, uma variável interessante pode ser o desenvolvimento de um produto inovador no segmento em que a empresa atua. Para Finanças, a análise da DRE (Demonstração dos Resultados do Exercício) de 2010 permitirá a observação dos lucros acumulados e, dessa forma, possibilidade de distribuição de dividendos aos acionistas. Na área de Operações, saber se a aplicação do Lean Manufacturing (Produção Enxuta) reduziu o tempo de produção de um determinado produto, pode ser uma boa análise. E, para a área de Marketing, conhecer a exposição da marca em visibilidade espontânea sem custo (aparição da marca em TV, internet, jornais, revistas), resultante de patrocínio, pode compreender uma variável coerente de ser analisada.

Como pode ser observado, diversas são as variáveis passíveis de serem estudas por uma organização ao longo de um ano. Nos exemplos acima, com termos muito utilizados no mundo corporativo, está expressa somente uma variável, das inúmeras possíveis, de cada área funcional de uma determinada empresa. Se as pessoas que a administram agem de forma coerente, planejada, sendo eficazes nas ações que agregam valores para a empresa, a possibilidade de resultados positivos conquistados é grande, do contrário, provavelmente a empresa se verá ultrapassada pelos demais concorrentes.

Posto isso, que variáveis analisar e como mensurar os resultados obtidos por todos os gestores e pelas Comissões Técnicas das Categorias de Base de um Clube formador, a partir de uma visão empresarial?

No futebol brasileiro, uma resposta imediata afirmará que a análise dos resultados conquistados dentro do campo é suficiente. Nesta análise, soma-se três pontos nas vitórias, um ponto nos empates e zero ponto nas derrotas e, após dividir o número total de pontos obtidos pelo número total de pontos disputados, obtém-se o percentual de aproveitamento de cada Comissão Técnica. Em análises mais rígidas, o título é o único símbolo do bom resultado.

O percentual de aproveitamento e o título devem, sem dúvida alguma, ser variáveis consideradas. No entanto, nas Categorias de Base de um clube formador, é incompreensível que sejam as únicas. Nas próximas linhas, gestores, treinadores, auxiliares, preparadores ou adjuntos poderão perceber o quão amplas se apresentam as variáveis passíveis de intervenções nas Categorias de Base que, a médio e longo prazo, serão determinantes no cumprimento do que deve ser o objetivo principal de um Clube: lucro e sustentabilidade.

Quais os perfis dos atletas que chegam ao Clube?

Qual o predomínio das idades dos atletas que chegam ao Clube?

Quais os perfis desejados dos atletas que se formam no Departamento de Base do Clube? Os variados perfis se encaixam no mercado interno, externo ou Departamento Profissional?

Quantos anos são necessários para formar, por completo (Tática, Técnica, Física e Emocionalmente), um atleta?

Quantos atletas alojados existem por Categoria?

Qual o custo de cada atleta (alojado ou não) de determinada Categoria, por ano, para o Clube?

Quantos atletas de cada Categoria são necessários que passem pelo Clube durante todo o Processo de Formação (Sub 11 ao 20)?

Cada Categoria deve ser composta por quantos atletas?

Em média, quantos atletas são dispensados por ano, por Categoria? Qual foi o tempo de permanência do atleta no Clube?

Existe um relatório individual de desempenho (banco de dados), que acompanha a performance (tática, técnica, física e emocional) de cada atleta ao longo dos anos?

Quais são os atletas-destaque existentes em cada Categoria?

Os atletas-destaque nas Categorias menores, de maneira geral, são os mesmos a se destacarem nas Categorias maiores?

Existe um plano de carreira para ser apresentado aos pais e ao atleta-destaque das Categorias maiores?

Quantos atletas o Clube pretende promover das Categorias de Base ao Departamento Profissional e negociar com mercado interno e mercado externo, por ano?

Na profissionalização de um atleta, qual o percentual dos direitos econômicos relativos ao Clube? O atleta está “preso” a algum Agente?

Do elenco Profissional atual, quantos jogadores são oriundos das Categorias de Base do Clube?

O Clube apresenta um Plano Metodológico de Treinamento para utilização das Comissões Técnicas, de modo que conteúdos treinados em Categorias menores (Sub 11/13/15) não sejam repetidos desnecessariamente em Categorias maiores (Sub 17/20)?

A Comissão Técnica está atualizada em relação às novas tendências de Ensino do Futebol?

A Comissão Técnica apresentou o planejamento anual da Categoria?

O planejamento anual da Categoria condiz com a opinião do Clube em relação à Formação de Atletas?

O planejamento anual apresentado contém o Modelo de Jogo (comportamento da equipe no Jogo, nos Momentos Ofensivos, Defensivos e de Transição) pretendido pela Comissão Técnica?

O Modelo de Jogo pretendido está de acordo com a Filosofia e Cultura de Jogo do Clube?

O Modelo de Jogo pretendido favorece o cumprimento da Lógica do Jogo de Futebol?

Existe uma ferramenta de análise quantitativa de desempenho da Equipe?

Existe uma ferramenta de análise qualitativa de desempenho da Equipe?

O Modelo de Jogo alcançado, ao longo do ano, se aproxima do Modelo de Jogo pretendido?

Quais as carências de posições de cada Categoria?

A Comissão Técnica consegue suprir as carências com atletas das Categorias menores?

Existem, no mercado, atletas com condições de suprir as carências da equipe?

Quais os números de vitórias, empates e derrotas de cada Categoria em Amistosos e Competições?

Qual o Nível de Jogo da Equipe (Excelente, Ótimo, Bom, Regular, Ruim) em cada jogo, independente do placar?

E, para concluir, os dois questionamentos finais, que são (ou ao menos devem ser) os objetivos finais de um Clube em relação ao seu Departamento de Formação:

Qual o retorno financeiro obtido pelo clube, de atletas oriundos das Categorias de Base, no último ano?

Qual o retorno financeiro esperado pelo clube, de atletas oriundos das Categorias de Base, nos próximos anos?

Após todos os questionamentos, parece claro que gestores e demais profissionais envolvidos nas Categorias de Base têm um longo trabalho a ser desenvolvido que vai muito além da simples análise de resultados de jogos. Afirma-se, também, que tais questionamentos não compreendem todas as variáveis que podem ser avaliadas pelo Departamento de Formação (a infra-estrutura, por exemplo, não foi abordada). Cabe ao Clube estabelecer as variáveis que lhe sejam mais pertinentes de acordo com seus propósitos e metas.

Caro leitor, esteja certo que a “melhor resposta” para cada questionamento supracitado existe. É importante frisar que tais respostas variam de acordo com objetivos e realidades de cada Clube. Aquele que conseguir encontrá-las, indubitavelmente, se posicionará à frente da concorrência no disputado mercado do futebol. E, nos clubes que estiverem à frente, ao invés de repatriarem “Ronaldinhos” e “Adrianos” nos inícios de temporada, revelarão dezenas de novos craques para o futebol brasileiro, pois, as revelações, ao contrário do que muitos pensam, não são simples obras do acaso e sim resultados do trabalho, planejamento estratégico, coerência e visão de futuro.

Finalizando, acredite: para aqueles que alcançarem as respostas ideais, os resultados de campo e títulos, surpreendentemente (ou não), os acompanharão.

* Artigo publicado no site www.universidadedofutebol.com.br no dia 20/02/2011.

Written by Eduardo Barros

20 de fevereiro de 2011 at 19:06