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Archive for março 2011

Por que tantas críticas?

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Há cerca de duas semanas acontece o Sul-Americano sub-17, no Equador. Neste período, houve tempo suficiente para a imprensa não poupar críticas a seleção brasileira, aos jogadores, ao futebol apresentado, ao trabalho do treinador Emerson Ávila e até ao Sistema de Jogo utilizado.

Classificada para o Hexagonal final com 3 vitórias, diante de Venezuela, Chile e Colômbia e somente uma derrota, diante do Paraguai, o presente texto não se prenderá ao desempenho apresentado pelo Brasil e nem ao comportamento da equipe nos diferentes Momentos do Jogo. O objetivo será, ao contrário da grande maioria dos veículos de comunicação, defender a seleção, o projeto que se iniciou recentemente e a importância de uma análise além do resultado imediato.

A nossa seleção principal, nas duas últimas Copas do Mundo, não agradou a nenhum dos brasileiros. As eliminações precoces nas quartas de final, em 2006 para a França e em 2010 para a Holanda, deixaram a certeza que renovações seriam necessárias para a manutenção da hegemonia de títulos.

A renovação pós-Copa 2006 gerou a substituição do treinador Carlos Alberto Parreira pelo ex-jogador Dunga, símbolo da seleção no tetra-campeonato em 1994.

Ao contrário de Parreira, conhecido por todos como um grande estudioso da modalidade, Dunga assumiu a seleção graças ao bom relacionamento com a CBF e, auxiliado por Jorginho, tinha a missão de levar o país à conquista do sexto mundial.

O resultado da renovação, mensurado no torneio de seleções disputado na África do Sul, foi decepcionante. Um país com potencial para apresentar um futebol dinâmico, imprevisível, veloz e de desempenho superior, demonstrou sérias dificuldades para transpor as barreiras defensivas dos oponentes e sucumbiu diante da seleção holandesa, que ao virar o placar viu (juntamente com todos os torcedores brasileiros) os jogadores da seleção brasileira perderem a identidade e buscarem o empate a qualquer custo com comportamentos de jogo até então não observados.

Após a eliminação, nova mudança. O convite para o comando do Brasil é feito a Muricy Ramalho que permanece no Fluminense-RJ para o cumprimento do contrato. Oportunidade para Mano Menezes, que ao longo de 14 anos como treinador de futebol profissional (iniciou a carreira no Guarani-RS, passou também por XV de Novembro, Grêmio e Corinthians), chegou à seleção respaldado por formação de bons elencos, conhecimento teórico, acessos, bom futebol e títulos.

Ainda estão sendo dados os primeiros passos dessa renovação, afinal, são apenas 6 meses de trabalho. É pouco tempo (o que dirá 2 semanas!) para afirmar que os passos seguirão, ou não, o melhor caminho.

O que já se pode afirmar é que os dois treinadores anteriores não tinham a visão (ou ao menos não demonstravam publicamente) da importância da integração entre as Comissões Técnicas das seleções de base juntamente com o profissional para a obtenção de bons resultados em médio prazo.

Marquinhos Santos (sub-15), Emerson Ávila (sub-17), Ney Franco (sub-20) e Mano Menezes já se pronunciaram em relação à formação de atletas e equipes da base que cheguem à seleção principal com total conhecimento da filosofia de jogo de Mano Menezes, o perfil de atleta desejado, que tenham gradativa evolução ano após ano e, consequentemente, o bom resultado de campo.

A seleção brasileira continuará com dezenas de jogadores muito habilidosos, acima da média de todos os demais países, capazes de definir uma partida numa jogada individual. No entanto, o trabalho integrado aponta para um grande desenvolvimento de um projeto organizado, profissional, que privilegia o coletivo e que dentro de poucos anos pode refletir uma sensível melhora no nível de jogo apresentado pelo Brasil.

Posto isso, dizer que o futebol apresentado pela seleção brasileira sub-17 está limitado, que a plataforma de jogo 1x4x2x3x1 não dá certo para esse elenco, que Lucas Piazon está com a cabeça no Chelsea, o jovem Andrigo está rendendo menos do que o esperado, que os reservas são melhores que os titulares e que Emerson Ávila não tem se mostrado um bom treinador, não faz sentido, pois todas essas análises consideram exclusivamente os resultados de campo obtidos nos quatro primeiros jogos da primeira fase do Sul-Americano.

Como mencionei, é pouco tempo para muitas críticas. Andrigo, com apenas 15 anos está sendo criticado por jogar fora da posição que joga no Inter. Se, com 16 anos, ele não aprender (ou ao menos tentar) fazer isso, quando fará? No profissional, após estar formado? Seguramente, não!

Lucas Piazon não está com a cabeça no Chelsea! Somente está sendo negociado por todo o potencial que apresenta. E este é um dos objetivos das Categorias de Base de um clube. E caso ele esteja com a cabeça na equipe inglesa, é absolutamente compreensível, afinal, tem somente 17 anos e está envolvido em uma negociação que, segundo informações, girou em torno de R$ 12 milhões.

Emerson Ávila ainda faz suas primeiras partidas no comando do Brasil, é muito precoce qualquer observação sobre seu exercício da liderança, o Modelo de Jogo da equipe, o desempenho estratégico em diferentes situações-problema, o resultado nas competições, ou seja, qualquer julgamento será um grande equívoco.

Finalizando, gostaria que as análises feitas pela mídia fossem imparciais, mas sei que é algo improvável. O título do Sul-americano sub-17 pode acontecer e, rapidamente, como todas as coisas no dinâmico mundo atual, as críticas serão esquecidas. Que o 1º lugar venha, para confirmar o início de um bom trabalho que aparenta estar sendo realizado. Se ele não vier, que a CBF, Mano Menezes, Ney Franco e os demais treinadores e profissionais envolvidos continuem acreditando neste projeto de formação para a seleção brasileira.

Sobre a Copa de 2014, talvez ainda não dê tempo de vermos o resultado (título) esperado. No entanto, poderemos claramente observar uma evolução no nível de jogo apresentado. Será uma grande confirmação de que os passos, iniciados em 2010, seguiam pelo melhor caminho.

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Written by Eduardo Barros

27 de março de 2011 at 16:40

Champions League 2010/2011 – 8ª de Final – Real Madrid x Lyon: A história dos confrontos que teve a equipe espanhola como classificada para a próxima fase da competição.

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Lyon 1 x 1 Real Madrid

No primeiro jogo do confronto entre as equipes, o primeiro tempo foi bastante equilibrado. O Lyon, com a plataforma de jogo 1x4x3x3 e o Real Madrid com 1x4x3x2x1 tiveram um primeiro tempo sem riscos, sem exposições desnecessárias, com organizações defensivas muito eficazes, poucos jogadores à frente da linha da bola com a equipe em posse e um consequente 0 x 0.

A plataforma de jogo das duas equipes pode ser observada na figura abaixo:

 A primeira finalização da equipe de José Mourinho aconteceu somente aos 29 minutos, com o meio-campista Di Maria, que arriscou um chute rasteiro cerca de 30 metros distante do gol.

Defensivamente, durante todo o primeiro tempo, as equipes se posicionaram com 10 jogadores atrás da linha da bola quando estavam sem a sua posse.

Ainda nesta etapa, em que nenhuma equipe apresentou um comportamento de manutenção da posse de bola e sim de transições ofensivas verticais tentando se aproximar da zona de risco adversária em poucos segundos, o Lyon apresentou as seguintes dificuldades: 

  • Criação de superioridade numérica pelas faixas laterais, setor predominante de ataque desta equipe, ora com Michel Bastos, ora com Delgado;
  • Ausência de um passe de qualidade para o “passe-gol” da transição ofensiva construída. 

As dificuldades apresentadas pelo Real Madrid foram: 

  • A estruturação de espaço de Di Maria, que na linha dos volantes deu maior consistência defensiva, porém, com a equipe em posse não conseguiu criar linhas de passe eficientes;
  • A superioridade numérica imposta pelos 3 meias do Lyon, que fecharam todas as linhas de passe para Ozil;
  • A participação de Cristiano Ronaldo, muito distante do alvo;
  • A má atuação de Adebayor, na função de pivô.

No segundo tempo, o Real Madrid voltou a campo com uma alteração estrutural. Adiantou Di Maria, para um setor do campo em que tem mais recursos, manteve dois volantes e com 1x4x2x3x1 conseguiu maior posse de bola que no primeiro tempo com maior participação de Khedira e Di Maria.

Defensivamente, ambas as equipes continuaram defendendo com 10 jogadores atrás da linha da bola, como pode ser observado no pequeno trecho a seguir: 

http://www.youtube.com/watch?v=ClRFZ9wSffw 

Apesar da maior posse conseguida pelo Real, as únicas chances de perigo desta equipe foram conseguidas em situações de bola parada, porém, foi na transição ofensiva que o placar do jogo foi alterado. Benzema, que havia acabado de entrar no lugar de Adebayor recebeu em penetração um passe de Cristiano Ronaldo, cortou o zagueiro e finalizou. Na origem da jogada, a roubada de bola de Ozil, a proteção da mesma e um bom passe para Cristiano Ronaldo que, de primeira, assistiu Benzema. 

http://www.youtube.com/watch?v=CS01GUNw8CU

 Diarra e Marcelo entraram na equipe do Real, nos lugares de Khedira e Ozil, respectivamente. As substituições do Lyon foram de Pied, Briand e Pjanic, nos lugares de Delgado, Bastos e Kallstrom.

O Lyon não apresentava ações ofensivas que permitiam finalização à meta de Casillas, pois os problemas apresentados eram os mesmos do primeiro tempo. Clique no link abaixo para ver a superioridade numérica defensiva imposta pela equipe do Real em um dos ataques da equipe francesa pela faixa lateral. 

http://www.youtube.com/watch?v=WNNpWTRaBZo 

Como alternativa restante, aquela que se permite o cumprimento da lógica do jogo com facilidade, a bola parada foi quem possibilitou o empate aos 38 minutos do segundo tempo. Três jogadores marcaram somente a bola e Gomis ficou livre para deslocar Casillas. Final de jogo, 1 x 1. 

http://www.youtube.com/watch?v=qrl8FTaKYdI 

Real Madrid 3 x 0 Lyon

No confronto final, um primeiro tempo com muitas ações ofensivas da equipe mandante. As duas equipes fizeram modificações em relação ao primeiro jogo e foram a campo com as seguintes formações:

 

Num jogo mais aberto, em que a equipe visitante precisava de pelo menos um gol para ter chances de classificação, em que a entrada do brasileiro Marcelo (com suas ultrapassagens) e a composição com três meias proporcionou maior poder ofensivo à equipe espanhola, a primeira grande chance de gol foi da equipe francesa que, após um ataque pela faixa lateral, dessa vez em igualdade numérica (com o apoio do Cissokho que quase não desceu no jogo de ida), conseguiu um cruzamento e na finalização de Delgado, Casillas fez ótima defesa:

http://www.youtube.com/watch?v=afzbmKDDOR8 

A resposta do adversário não demorou e ela surgiu no característico jogo de transição ofensiva, entre os jogadores Di Maria, Ozil e Cristiano Ronaldo, que terminou com uma bela intervenção do goleiro Lloris. 

http://www.youtube.com/watch?v=agiJh3qbnNg 

Construir o jogo apoiado não foi um comportamento ofensivo observado na equipe do Real Madrid mesmo como mandante. O vídeo abaixo ilustra a falta de mobilidade, linhas de passe e desmarques (mesmo que por mínimos 3 segundos), que são fundamentais para a conservação da posse de bola.

 http://www.youtube.com/watch?v=O7_q7idSzmk 

Na semana passada, no artigo referente à Compactação, fiz a seguinte observação: 

“Para o adversário, em uma situação ofensiva que tem a progressão ao gol impedida diante de uma equipe bem compactada, resta mudar sua ação ofensiva para tentar gerar desorganizações na organização oponente, ou então, “forçar” a jogada com dribles, penetrações, tabelas, improvisações. É diante de conflitos como estes que se constroem a beleza tática do Futebol Moderno.” 

Marcelo e Cristiano Ronaldo preferiram a 2ª opção e após a recuperação de Xabi Alonso, construíram uma jogada que terminou com um belo lance individual do brasileiro e 1 x 0 no placar. 

http://www.youtube.com/watch?v=ruOheM78qmg 

Na segunda etapa, a definição da classificação foi questão de tempo. Bem estruturada ofensivamente com ocupações inteligentes do campo de ataque, o Real Madrid tentava chegar ao alvo com diversas ações. Xabi Alonso e Khedira circularam mais a bola; além de Marcelo, Sergio Ramos apoiou mais ao ataque; Ozil, Ronaldo e Di Maria jogavam quase sempre com 2 toques; já a equipe francesa atuava com o mesmo comportamento defensivo seguido das transições ofensivas com as limitações apresentadas no primeiro jogo.

Aos 20 minutos do segundo tempo, a definição do jogo. Em mais um ataque em inferioridade numérica pela faixa lateral, o Lyon perdeu a posse de bola e foi surpreendido (?) por uma transição ofensiva em passe longo, Benzema recebeu lançamento de Marcelo e finalizou na saída de Lloris, 2 x 0 Real. 

http://www.youtube.com/watch?v=Rai8GQNmF0k 

No Real Madrid entraram Adebayor, Granero e Diarra, nos lugares de Cristiano Ronaldo, Di Maria e Benzema. Já no Lyon, Briand, Gourcuff e Delgado deram lugar a Gomis, Pied e Pjanic.

O Lyon incomodou a equipe de Mourinho somente em uma bola parada aos 28 minutos e em um chute de fora da área de Gomis que Casillas desviou para a linha de fundo.

A definição do placar (já que pelo comportamento do Lyon a classificação já estava definida) ocorreu a partir de um tiro de meta de Casillas, em que Cris abandonou a linha de defesa para disputar a primeira bola com Adebayor, porém, ela passou dos dois e sobrou para Ozil, que de cabeça serviu Di Maria, posicionado no “vazio” da linha defensiva francesa e com habilidade finalizou por cima de Lloris. 

http://www.youtube.com/watch?v=b9QvXzTvMtM 

Na sequência da competição, o Real enfrenta o Tottenham, que no jogo de ida venceu o Milan por 1 x 0 e, na volta, bastou um empate sem gols para conseguir a classificação.

Até a próxima semana!

Written by Eduardo Barros

20 de março de 2011 at 18:40

Momento Defensivo: a Compactação como meio tático fundamental para impedir progressão adversária

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 Ter a bola sempre sob o domínio de sua equipe (seja com um jogo de posse ou com um jogo vertical) é desejo de qualquer treinador, porém, é certo que ao longo de 90 minutos, invariavelmente isso não ocorrerá. Sem a posse de bola, quanto melhor uma equipe for defensivamente e em suas transições defensivas, maior a probabilidade de recuperá-la mais rapidamente.

Inúmeras são as ações que cada jogador deverá executar para aumentar a eficácia da organização defensiva da equipe e, atualmente, dentre as ações mais realizadas pelos clubes de alto nível, pode-se observar: 

  • recomposição com pelo menos 9 jogadores atrás da linha da bola;
  • marcação com referência zonal, respeitando linhas da equipe e plataforma de jogo;
  • flutuação de acordo com posicionamento da bola e do alvo;
  • superioridade numérica no setor próximo à bola;
  • fechamento de linhas de passe importantes do adversário;
  • compactação entre linhas da equipe;
  • coberturas defensivas;
  • pressing zonal;
  • equilíbrio defensivo;
  • proteção do alvo na zona de risco. 

O presente artigo irá abordar o meio tático compactação, o seu cumprimento no comportamento defensivo de algumas equipes, os benefícios da sua realização visando o bloqueio da progressão adversária e, possivelmente, posterior recuperação da posse de bola, além da importância de ser um conteúdo trabalhado nas Categorias de Base do futebol brasileiro.

Entende-se por compactação a aproximação vertical e horizontal das linhas de jogadores da equipe no momento em que a mesma encontra-se sem a posse, levando em consideração a bola  e o alvo. Na figura a seguir, será identificado um exemplo de uma equipe descompactada:

Uma ressalva somente em relação a não inserção dos demais jogadores adversários: o objetivo da figura é somente a identificação da descompactação da equipe. Abaixo, os motivos que caracterizam tal descompactação: 

  • Distância do goleiro até a bola de aproximadamente 45 metros (verticalmente);
  • Distância de zagueiros e laterais, da bola, de aproximadamente 35 metros (verticalmente);
  • Distância de zagueiros ao volante central de aproximadamente 12 metros (verticalmente);
  • Distância dos volantes à bola de aproximadamente 15 metros (verticalmente);
  • Distância entre laterais de aproximadamente 50 metros (horizontalmente). 

Na sequência, o posicionamento da equipe compactada, com o adversário na mesma localização:

Para esta figura, os motivos que caracterizam a compactação, em contraposição a figura anterior são: 

  • Distância do goleiro até a bola de aproximadamente 37 metros (verticalmente);
  • Distância de zagueiros e laterais, da bola, de aproximadamente 20 metros (verticalmente);
  • Distância de zagueiros ao volante central de aproximadamente 8 metros (verticalmente);
  • Distância dos volantes à bola de aproximadamente 6 metros (verticalmente);
  • Distância entre laterais de aproximadamente 35 metros (horizontalmente). 

O trecho abaixo, retirado da final da Champions League 2010, ilustra um bom exemplo de compactação de toda a equipe do Bayern, com exceção do goleiro e do atacante (este estava compondo o Balanço Ofensivo), que não apareceram no vídeo: 

   http://www.youtube.com/watch?v=0mjNb4YbSTY 

Ainda como exemplo, este mais recente, válido pelas oitavas de final da Champions atual, Arsenal e Barcelona se enfrentaram na Inglaterra. A equipe local esteve muito bem defensivamente e parou (ao menos na partida de ida) as perigosíssimas penetrações do rival. Quando falhou, Messi desperdiçou um gol feito e David Villa abriu o marcador no confronto que terminou 2 x 1 para os Gunners.

Clique no link abaixo e veja a eficiente compactação do time inglês, evidenciando um comportamento defensivo muito realizado ao longo do jogo: 

http://www.youtube.com/watch?v=TAjDJpQtBrQ 

Acredito que esses dois exemplos possibilitam boa compreensão do meio tático referido que, se bem aplicado, neutraliza significativamente as ações ofensivas do adversário.

É importante mencionar que nenhuma equipe em seu processo defensivo, recuperará a posse de bola com uma ação tática isolada, seja ela compactação, flutuação, pressing, ou qualquer outra. O que ocorre é uma sequência de decisões e ações previamente treinadas, ou até mesmo intuitivas, que coletivamente podem resultar na retomada da posse.

A compactação neutraliza as ações do adversário, pois sua aplicação possibilita: 

  • Superioridade numérica entre bola e alvo;
  • Diminuição de espaço efetivo de atuação do adversário;
  • Redução do espaço entre linhas da equipe;
  • Redução do espaço na mesma linha da equipe;
  • Coberturas imediatas;
  • Fechamento de linhas de passe. 

Para o adversário, em uma situação ofensiva que tem a progressão ao gol impedida diante de uma equipe bem compactada, resta mudar sua ação ofensiva para tentar gerar desorganizações na organização oponente, ou então, “forçar” a jogada com dribles, penetrações, tabelas, improvisações. É diante de conflitos como estes que se constroem a beleza tática do Futebol Moderno.

Futebol Moderno que deve ser ensinado desde as Categorias de Base, pois o sonho de cada atleta em formação é de um dia vestir a camisa de sua seleção nacional ou então de um grande clube do futebol europeu. E para chegar até este nível profissional, o domínio na aplicação da ação discutida no texto será fundamental.

Esta tendência (e não só essa) pode ser observada nas equipes das primeiras divisões dos países de alto nível do futebol mundial, nas Copas do Mundo e, é claro, no melhor torneio de clubes do mundo, a Liga dos Campeões.

Written by Eduardo Barros

13 de março de 2011 at 19:05

A Comissão Técnica Ideal

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Prezados leitores,

 Muita discussão tem ocorrido no ambiente futebolístico no que se diz respeito às funções de cada membro de uma Comissão Técnica e até que ponto deve chegar a atuação dos mesmos no trabalho técnico/tático do Head Coach (treinador).

Nestas discussões, algumas linhas de pensamento são bravamente defendidas e cada uma vale-se dos argumentos que lhe são convenientes para sustentar e justificar seus meios e métodos de trabalho.

Diante disso, apresentarei minha visão em relação à Comissão Técnica ideal, onde acreditar exclusivamente na aplicabilidade do seu trabalho e fragmentar a modalidade em ações isoladas, sem transferência otimizada para a prática, podem distanciar a equipe do que é mais esperado por cada integrante da comissão, ou seja, as vitórias.

Uma Comissão Técnica, tradicionalmente, é formada pelo Treinador, Auxiliar Técnico, Preparador Físico e pelo Preparador de Goleiros. Em comissões mais elaboradas (leia-se em clubes com mais recursos financeiros), há auxiliares de preparação física e de preparação de goleiros além de Analista(s) quantitativo/qualitativo de jogo.

Antes de expressar minha opinião, contarei uma breve história que acontece cotidianamente (claro, com algumas adaptações) nos gramados brasileiros, do Futebol de Base ao Futebol Profissional, da primeira a última divisão:

“Dia ??/??/2011

Aquecimento do Jogo entre Equipe A x Equipe B.

Equipe A

Preparador Físico em campo com a equipe. 16 jogadores, perfilados, fazendo dezenas de fundamentos técnicos do futebol além de coordenativos de corrida. Sob o comando do professor, realizam alongamentos intercalados com os estímulos de aquecimento. Para finalizar, um jogo reduzido: 8 x 8, 2 toques na bola, 10 passes equivalem a um ponto.

Paralelamente ao aquecimento dos jogadores de linha, aquecem os goleiros, sob instruções de seu preparador. Após muitos “punhos”, chutes frontais a curta, média e longa distância e saídas do gol em cruzamentos com posteriores reposições com os pés e com as mãos, contabiliza-se cerca de 80 ações diretas com bola.

O técnico, aguardando o aquecimento da equipe nos vestiários, fica conversando com os dirigentes, sobre a importância da vitória no jogo em questão.

Equipe B

O mesmo aquecimento!

O técnico? Este não fica nos vestiários, porém, tem a conversa com os dirigentes próxima ao banco de suplentes.

A mentalidade das Comissões Técnicas pré-jogo:

Técnico: Vitória

Auxiliar Técnico: Vitória

Preparador Físico: Vitória

Preparador de Goleiros: Vitória

Analistas: Vitória

O Jogo

Jogo muito disputado. É um confronto entre duas equipes distantes na tabela, mas a diferença de pontos não é traduzida em superioridade durante a partida.

Em um jogo com um nível técnico abaixo do esperado pelos espectadores, as equipes correm, correm, correm, mas o jogo parece lento. A quantidade de faltas exageradas e o excesso de bolas aéreas tiram a beleza do que deveria ser um espetáculo. O primeiro tempo termina em 0 x 0.

Na segunda etapa, algumas modificações e jogo mais “aberto”. A equipe mandante, atrás na tabela de classificação, precisa da vitória para melhorar a sua posição e, quem sabe, salvar a pele do treinador. A equipe visitante, mais confortável na tabela, pode aguardar um descuido do adversário para surpreendê-lo, ou então, cadenciar a partida e terminar o confronto com um ponto a mais na competição. O que acontece é a primeira opção e, após um ataque mal concluído da equipe local, o adversário “encaixa” um contra-ataque que termina em um golaço de cobertura. Das 2 finalizações no alvo em todo segundo tempo, a última selou o placar final: 0 x 1 e 3 pontos para os visitantes.

A opinião da Comissão Técnica vitoriosa pós-jogo:

Técnico: Fiz boas substituições, explorei o contra-ataque e surpreendi o adversário.

Auxiliar Técnico: Tentei dar minhas opiniões, mas o treinador não aceitou, preciso ser mais ouvido.

Preparador Físico: Sobramos em campo fisicamente.

Preparador de Goleiros: O goleiro esteve bem, foi testado 4 vezes em todo o jogo e fez boas defesas.

Analistas: faremos um relatório para entregar ao treinador.

A opinião da Comissão Técnica derrotada pós-jogo:

Técnico: Fiz boas substituições e fui surpreendido pelo adversário num contra-ataque, será que o goleiro não devia ter saído?

Auxiliar Técnico: Ajudei o treinador com minhas opiniões, mas não deu certo.

Preparador Físico: Corremos bastante, o técnico não pode reclamar que “faltou físico”.

Preparador de Goleiros: o goleiro quase não foi acionado durante o jogo, quando foi, “não estava atento” e demorou pra sair.

Analistas: faremos um relatório para entregar ao treinador. Os problemas da nossa equipe se repetem.”

A pequena história, aparentemente, pode ser interpretada por leigos como “normal” no universo do futebol, porém, a mesma interpretação não pode ser feita por profissionais da modalidade. Nas entrelinhas do texto acima, existem inúmeros problemas que se repetem dia após dia no futebol brasileiro. Problemas estes que reduzem o imenso potencial que nosso contexto sócio-cultural possibilita.

E quais são as origens dos problemas? Empirismo? Sim. Comodismo? Sim. Medo do novo? Também! Incompetência inconsciente (são aqueles que não sabem e não sabem que não sabem)? Sim.

A Comissão Técnica ideal não pode ter o seu treinador distante da equipe no momento prévio ao jogo. A preleção, o aquecimento, a conversa final antes de subir para o campo podem trazer informações suficientes sobre o que está passando na mente de cada jogador, afinal, “o corpo fala”.

A Comissão Técnica ideal não pode ter um preparador físico que cuida exclusivamente do físico de seus atletas, pois, o futebol, além dessa vertente, também é tático, técnico e emocional, a cada lance, para cada jogador, durante os 90 minutos.

A Comissão Técnica ideal não pode ter um auxiliar cuja função resume-se a montar o campo nos treinamentos (com cones, tartarugas, gols-caixote, etc), quando muito, comandar a equipe reserva em amistosos e, quase sempre, ser “parceiro de resenha” do treinador e jogadores.

A Comissão Técnica ideal não pode ter um preparador de goleiros que chuta, incansavelmente, 200 bolas/dia em cada um dos seus goleiros, quando os analistas de jogo já disseram, em inúmeros relatórios, que o número de finalizações dos adversários ao gol, no máximo chega a dez.

E por falar em analistas de jogos, a Comissão Técnica ideal lê, interpreta e utiliza os relatórios de jogo realizados.

O que mais faz a Comissão Técnica ideal?

A Comissão Técnica ideal planeja os seus objetivos de forma conjunta e para atingi-los entende que não poderão existir treinos somente físicos, somente técnicos ou então táticos, pois estarão distantes da realidade do jogo.

A Comissão Técnica ideal entende que devem existir as especialidades (preparação de goleiros, preparação física, análise técnico-tática), mas a atualização (tática, técnica, física e emocional) e capacitação de todos sobre a tendência do treinamento em futebol deve ser constante para refletir diretamente nos treinamentos e jogos.

A Comissão Técnica ideal cria um Modelo de Jogo, utópico, entendido por cada integrante do corpo técnico e por cada jogador do elenco e, em cada treino (pensado a partir da Lógica do Jogo de futebol e do Modelo Pretendido), ele é aperfeiçoado para que em cada partida seja colocado em prática.

A Comissão Técnica ideal analisa seus próximos adversários tentando encontrar comportamentos padrão que estabeleçam pontos fortes e pontos fracos da equipe. Os pontos fortes, obviamente, devem ser anulados estrategicamente e os pontos fracos, explorados. Como se consegue isso? Treinando!

A Comissão Técnica ideal treina um período por dia, afinal, pra que treinar 4 horas em um único dia, em dois períodos (muitas vezes 3 em pré-temporada), se o jogo não passa de 90 minutos?

A Comissão Técnica ideal dificilmente repete treinamentos, pois os problemas e adversários da equipe, também dificilmente, são os mesmos.

Enfim, a Comissão Técnica ideal PENSA (e age) A PARTIR DO OLHAR PARA O MESMO FUTEBOL!*

PS: E o técnico da equipe derrotada? Provavelmente, “caiu”…

* Alguns clubes e profissionais já buscam a Comissão Técnica ideal…

Written by Eduardo Barros

5 de março de 2011 at 19:15

Publicado em Futebol Brasileiro

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