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Archive for julho 2011

Ao campeão da América, parabéns!

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Cinco anos foram suficientes para Oscar Tabárez impulsionar o ressurgimento do futebol uruguaio

Em 2006, a seleção uruguaia não figurava entre os países que disputavam a Copa do Mundo do referido ano. Quatro anos mais tarde, após conseguir vaga na repescagem, conquista uma surpreendente quarta colocação sob o comando do técnico Oscar Tabárez, caindo somente nas semifinais diante da seleção holandesa. Em 2011, surpreende também nas categorias inferiores ao alcançar os vice-campeonatos sul-americano e mundial com a equipe sub-17 e ao obter a segunda colocação do sul-americano sub-20.                                                                                                                                                     

Na recém-encerrada Copa América, frustrante para os brasileiros mais imediatistas, o futebol uruguaio recebe elogios mundiais ao conquistar o 15º título continental e se tornar o país que mais vezes venceu esta competição.

Por trás dos resultados, obviamente, muito trabalho. Trabalho que abrange a cobrança feita pelo treinador aos dirigentes uruguaios em relação à necessidade de investimentos nas categorias de base, à detecção de talentos em todas as cidades do pequeno Uruguai (3,4 milhões de habitantes), ao planejamento de longo prazo para as seleções menores e à definição e aperfeiçoamento de um time-base vislumbrando resultados como consequência de um trabalho bem estruturado na equipe principal. O encerramento do ciclo de alguns jogadores na seleção, a promoção de novos talentos e as peças de substituição também são temas do projeto coordenado por Oscar Tabárez e que pode ser acompanhado por entrevistas em diversos meios de comunicação.

Nestas entrevistas, o “pensar” do treinador é manifestado com a utilização de palavras e expressões que deveriam ser multiplicadas no universo do futebol: ser humano, exemplo, educação, trabalho em equipe, evolução e responsabilidade.

O ser humano, analisado não só por sua qualidade técnica ou tática, mas também pelos seus sonhos, desafios e dificuldades. O exemplo que a seleção atual é para as seleções inferiores e futuras gerações do futebol uruguaio ao resgatarem o respeito mundial. A educação, também denominada pelo treinador de formação integral, como meio fundamental para obtenção dos resultados em longo prazo. O trabalho em equipe, muitas vezes esquecido nas gerações anteriores. A evolução, esperada por saber que estava no caminho certo e a responsabilidade de representar a nação que, hoje, sai às ruas não com as camisas de Barcelona, Boca Juniors ou Internaziole, e sim com as dos selecionáveis Lugano, Forlán ou Suárez.

Se nas entrevistas fica evidente o “pensar” do treinador, é no campo de jogo que o comportamento dos jogadores traduzirão se, de fato, este “pensar” se transformou no “jogar” de sua equipe.

Nas seis partidas disputadas, foram 3 vitórias, 3 empates, 9 gols marcados e apenas 3 gols sofridos. O grande jogo antes da final foi, sem dúvida, o duelo contra a anfitriã Argentina, vencido nos pênaltis, após partida impecável defensivamente e nas transições ofensivas, com um jogador a menos desde o final do primeiro tempo.

Entre os gols marcados, 3 foram feitos por posse em progressão (a partir de penetração, cruzamento e rebote do goleiro); 2 por bola parada ( a partir de uma falta lateral e falta frontal); 2 por transição ofensiva (a partir de assistência e drible) e 2 por transição defensiva (a partir de passe vertical e assistência).

Nos primeiros jogos, o Uruguai foi ao campo no 1-4-3-3, porém, desde o último jogo da fase de grupos, estruturou o espaço no 1-4-4-2 (duas linhas).

E, na partida final, conquistou o título sendo superior ao Paraguai durante todo o jogo.

O goleiro Muslera praticamente não foi acionado em situações de proteção do alvo. Agiu principalmente em ações de reposição e em uma interceptação.

A linha defensiva Maxi P-Lugano-Coates-Cáceres não circulou a posse, subiu em bloco ofensivo com os laterais em amplitude e apoio frequentes, foi muito veloz nas transições defensivas, especialmente nas ações de recomposição e fechou todos os espaços possíveis de ação ofensiva paraguaia, ora equilibrando com os laterais a circulação da posse feita pela seleção paraguaia, ora subindo para diminuir o espaço entre-linhas. Nas bolas aéreas, Lugano-Coates foram superiores.

González-Perez-Arévalo-Alvaro Pereira compuseram a linha de meio campistas. Orientados para recuperação da posse, ou conseguiam recuperá-la, ou apressavam o jogo paraguaio forçando-lhes o erro, nas transições ofensivas, o passe procurava por Suárez ou Forlán, com as subidas dos meias abertos para a construção do jogo ofensivo com muita progressão e rara manutenção; nas transições defensivas, a busca imediata pela posse.

E no ataque, Suárez-Forlán alternavam desmarcações, com Forlán mais próximo à zona de risco e Suárez movimentando muitas vezes nas faixas laterais. Na transição defensiva, queriam a bola e dificultavam a saída jogando do adversário. Defensivamente, a linha 2 foi referência de marcação durante todo o primeiro tempo e, na etapa final, atraíram o Paraguai, recuando mais uma linha. Nas transições ofensivas, Suárez era apoio imediato e Forlán dava profundidade à equipe.

Veja, abaixo, os gols da final da Copa América, com a identificação de algumas falhas da equipe Paraguaia: 

http://www.youtube.com/watch?v=vjUdmqOHn7E 

Ao perguntarem para Oscar Tabárez se pretende jogar como o Barcelona, ele afirmou que nas condições do futebol uruguaio, é improvável conseguir tal feito. Como nem todo bom futebol é tão belo quanto o do clube catalão, o do campeão da América merece parabéns e obrigado pelo competente exemplo!

Written by Eduardo Barros

30 de julho de 2011 at 14:21

O Team Coaching, o Futebol e as Vitórias

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O treinador e o auxílio de uma grande ferramenta para aperfeiçoar o desempenho (técnico-tático-físico-emocional) do Time

Em diversas ocasiões, os treinadores têm um tempo relativamente curto para reverterem uma situação desfavorável. A preleção para uma equipe que se encontra na zona de rebaixamento da competição, a conversa no intervalo do jogo em que os jogadores parecem ter esquecido tudo o que foi treinado na semana e, inclusive, uma breve conversa antes das cobranças de penalidades máximas numa partida em que “só” faltou o gol. 

http://www.youtube.com/watch?v=NchP9bRGzTA 

Neste pouco tempo, tudo que for pronunciado tem que ser internalizado para que o “jogo jogado” na cabeça do treinador seja o mesmo na cabeça de cada um dos seus jogadores.

Muitas vezes, nestas partidas, mais do que usar os minutos que se tem para discutir a tática-estratégia da equipe, usa-se o tempo para questões aparentemente “sine qua non”. Cobranças de atitude, comprometimento, concentração, tranquilidade, foco, coragem, responsabilidade e superação são feitas com o objetivo de melhorar a performance do Time.

Enquanto passes errados se quantificam, não se sabe o quanto os jogadores estão comprometidos com suas obrigações profissionais. Enquanto as finalizações erradas aparecerão no canal esportivo no intervalo do jogo, mensurar a tranquilidade da equipe é algo impossível. Conhecer o tempo de posse de bola é seguramente mais fácil do que o percentual de superação da equipe.

Atualmente, métodos inovadores de ensino de futebol têm sido discutidos e aplicados com sucesso, porém, no multifatorial desempenho esportivo, sabe-se que eles não lhe garantirão a vitória. No leque de variáveis, treinar jogando é apenas uma delas. Outra variável, há tempos presente no mundo corporativo (muitas vezes tão distante do mundo do futebol), é a aplicação do Team Coaching.

Resumidamente, o Team Coaching é uma ferramenta de desenvolvimento efetivo de times na busca de um objetivo comum. No mundo empresarial, é missão de Diretores, Gerentes, Coordenadores e Supervisores aplicá-lo, para que, ao atuarem como Coaches, gerenciem e desenvolvam suas equipes para entregarem resultados.

Já no ambiente esportivo (muitas vezes distante do mundo empresarial?!?!), o Coach pode ser o próprio treinador.

A certificação em Coaching e as competências para a aplicação do Team Coaching são oferecidas em institutos especializados no Brasil e no mundo. Neles, a observação do estado inicial da equipe e os estágios de formação de Times são algumas das ferramentas aprendidas que, posteriormente, serão utilizadas na prática.

A primeira, realizada aconselhadamente com princípios de honestidade, chama-se Roda de Competências e permite a compreensão do perfil do grupo. Nesta roda, feita individualmente, cada pessoa preenche (sim, com papel e caneta) seu índice (de 0 a 10) em todas as competências analisadas, que são fundamentais para o bom desempenho do time.

Já na formação do Time, são aprendidas quais as questões que devem ser trabalhadas em um determinado estágio (Formação, Conflito, Normalização, Desempenho, Suspensão/Término). Por exemplo, no estágio Conflito, é momento de encorajar a interdependência entre elementos do Time e permitir desacordos produtivos. Já no estágio Desempenho, será necessário desafiar o pensamento do Time e também propor metas mais desafiadoras.

A execução de todos estes estágios pode durar semanas, dias, horas ou, até mesmo, poucos minutos. Depende, é claro, do Coach.

Mas para que melhorar a performance do Time? Porque Time ideal não existe! Cada um tem seus pontos fortes, que precisam ser extremamente explorados, e pontos fracos, que precisam ser emergencialmente minimizados. E também, porque no multifatorial desempenho esportivo, tudo que puder ser feito para aperfeiçoamento da sua equipe pode lhe proporcionar a esperada vantagem competitiva.

Vocês devem estar se perguntando se eu tenho formação em Coaching! A resposta: Não, mas está no meu planejamento de carreira.

No entanto, tive uma grande oportunidade no final do ano de 2010 com o Executive Coach (do mundo corporativo) Rogério M. Z. de Caro. Ser capacitado por ele foi um privilégio e um imenso aprendizado.

Se já tenho um caso de sucesso?

Ainda como técnico do Sub-12, foi definido com o time os cinco grandes pontos fracos: 

  • Três atletas inteligentes para o jogo e habilidosos que discutiam entre si e apontavam erros uns dos outros ao invés de coletivamente tentarem recuperar a bola;
  • Um atleta importantíssimo que se tornava violento e nervoso quando estava perdendo;
  • Dois líderes com dificuldade de comunicação;
  • Fazer com que os suplentes, ainda crianças, não ficassem tristes por jogarem menos;
  • Dois atletas que tinham medo de errar, logo, eram muito inseguros. 

Ferramentas em mãos, várias conversas com meu Coach e transferência prática em minha equipe com o auxílio do Treinador Adjunto.

Em jogos com grandes clubes do futebol paulista, a equipe fez belíssimas apresentações (com exceção do jogo em que o atleta nervoso ofendeu o árbitro) e perdeu na semifinal da competição para a SE Palmeiras por 1 a 0 com um gol de bola parada, no ângulo.

Continuei sem saber qual a porcentagem de comprometimento dos meus jogadores, o quanto eles se superaram ao enfrentar o Campeão Paulista do ano anterior (AA Ponte Preta), ou então, em que nível estavam tranquilos para resolverem os problemas do jogo. Porém, descobri que o Team Coaching faz gols!

Para quem tem me acompanhado com frequência: o espetáculo foi cobrado.

Até a próxima semana e obrigado pelos contatos feitos por e-mail.

Written by Eduardo Barros

23 de julho de 2011 at 9:45

O Currículo de Formação do Atleta – Parte III

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A classificação dos diferentes tipos de jogos no processo de treinamento

É consenso que o jogar de uma equipe é construído no dia-a-dia de treinamentos, porém, como construí-lo já não compreende uma opinião comum de todos os profissionais do futebol. No processo de ensino-aprendizagem, os treinamentos analítico, integrado ou sob uma perspectiva sistêmica dividem seus seguidores de acordo com o olhar que cada um tem sobre a modalidade.

Pensando o futebol em sua totalidade e os treinamentos em função do jogo que se quer jogar, o Currículo de Formação já apresentado em colunas anteriores divide cada jogo (treino) em quatro diferentes classificações de acordo com a Lógica do Jogo de futebol.

A primeira, denominada Jogo Conceitual, apresenta dimensões distintas das oficiais, número de jogadores (ou até mesmo de equipes) diferentes e alvos em maior, menor ou igual quantidade em relação ao futebol formal. A manipulação destas variáveis, além das regras do jogo, permite a criação de infinitas atividades para aprendizagem, aperfeiçoamento ou domínio de determinado conceito.

As figuras abaixo ilustram alguns exemplos dos elementos que constituem os Jogos Conceituais:

 

 

 

 

 

 

 

 

Diversas regras podem ser utilizadas nos jogos acima, entre elas: tempo para recuperar a posse, tempo para ultrapassar o meio de campo, tempo para finalizar, limitação de toques, passes errados, drible obrigatório, utilização de perna não dominante, não devolver para o mesmo jogador que fez o último passe, quantidade mínima de passes para finalizar, quantidade máxima de toques para finalizar, setor de recuperação da posse, quantidade mínima de jogadores atrás da linha da bola, defesa completa do goleiro, etc. Para todas as regras e pontuações que compuserem um determinado jogo, logo, para cada jogo, uma nova lógica interna existirá e que poderá estar muito próxima ou muito distante da Lógica do Jogo de futebol.

A segunda classificação se refere aos Jogos Conceituais em Ambiente Específico, com a mesma possibilidade de intervenções, respeitando o espaço formal de jogo. Neles, mantém-se também a estrutura de alvo a atacar e a defender como podem ser vistas nas figuras abaixo:                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim como na classificação anterior, as regras do jogo e as pontuações definirão o quanto o jogo criado se aproxima do futebol.

O terceiro tipo de jogo denomina-se Jogo Específico e assemelha-se ao conhecido “coletivo apronto”. Nestes jogos, com a presença das regras oficiais, observa-se a aplicação do Modelo de Jogo da equipe e a transferência das aprendizagens dos dois tipos de jogos anteriores. Há possibilidade de alterações de caráter estratégico e também de treinos com superioridade ou inferioridade numérica.

A última classificação abrange os Jogos Contextuais, que são Jogos Específicos pensados em função das características de jogo do próximo adversário. A plataforma, os comportamentos ofensivos, defensivos, de transições e as características dos jogadores em cada posição tentam ser simulados pela equipe reserva com o objetivo de se aproximar da realidade da competição.

Então, a partir dos quatro tipos de jogos descritos, quais fatores considerar na elaboração do planejamento de treinos de uma equipe? São eles: 

            – Faixa etária

            – Dia da semana

            – Nível de aplicação do Modelo de Jogo pretendido

            – Competição

            – Objetivos do clube 

Não existe receita pronta da quantidade de cada tipo de jogo e as melhores combinações para determinada equipe. Esta trabalhosa tarefa deve ser coerentemente definida por todos os membros da comissão técnica a fim de que as demandas técnicas-táticas-físicas-emocionais da competição sejam suportadas e para que as respostas coletivas ideais de cada problema do jogo sejam aplicadas.

Por exemplo, quem trabalha com categorias de transição (sub-11, 12 e 13) deverá perceber qual tipo de jogo melhor se adequa à realidade da sua equipe. Em outra situação, numa categoria sub-20 na antevéspera de uma partida, deverá ser pensado qual o tipo de jogo e por quanto tempo será aplicado. Outro exemplo, de acordo com o Modelo de Jogo pretendido numa equipe sub-17, em determinada fase do jogo, montar o treino que será mais eficaz para evolução do jogar da equipe. Há também a definição da atividade de acordo com a situação na competição e, ainda, o que o clube espera do elenco em questão.

Vale ressaltar que a correta distribuição destes jogos num processo de formação é somente uma das inúmeras variáveis que podem trazer resultado (lucro e sustentabilidade) em longo prazo para um clube. Como parte do Currículo, os diferentes tipos de jogos estão sendo aplicados em cada categoria do Paulínia FC considerando os fatores acima identificados. Em colunas futuras, exemplos de Jogos Conceituais e Jogos Conceituais em Ambiente Específico serão apresentados para propor discussões teórico-práticas acerca do treinamento em futebol.

Treinamento este que, atualmente, é feito correndo em volta do campo, saltando, driblando cones, finalizando sem adversários para aperfeiçoar o gesto técnico; ou então, por meio de jogos reduzidos, de alta intensidade, em que o desenvolvimento da vertente física é a grande preocupação; e até mesmo, através de jogos que levem a performance da equipe ao utópico Modelo de Jogo da comissão técnica. Depende do olhar que cada um tem sobre a vida…

A hora de decidir

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Informações complementares do desempenho de Arouca e conclusões

Na última semana, os vídeos publicados de Arouca mostravam um resumo do seu comportamento defensivo e de transição ofensiva nas duas partidas da final da Copa Libertadores da América. Para finalizar o tema, serão apresentados outros dois vídeos, desta vez, em relação ao comportamento ofensivo e de transição defensiva do volante, completando os quatro momentos do jogo.

É importante mencionar novamente, caso alguém não tenha lido a coluna anterior, que o objetivo dos vídeos e dos demais dados divulgados não é de estabelecer julgamentos de valor e que será responsabilidade do leitor refletir sobre as informações e construir sua opinião a respeito da hipótese de convocação do atleta santista para a seleção brasileira.

Na final da Copa Libertadores, ofensivamente, a atuação de Arouca está resumida no vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=kcBb3Kk-4v0 

A seguir, o trecho restante correspondente ao comportamento de transição defensiva do jogador nas duas partidas: 

http://www.youtube.com/watch?v=MI7V7r7I-WQ 

Para observar o desempenho ofensivo, é possível analisar sua criação de linhas de passe, sua desmarcação, sua mobilidade em diferentes setores e com isso definir em qual região do campo o atleta pensa melhor o jogo. Com a posse de bola, é possível observar os comportamentos mais utilizados e os recursos técnicos para realizá-los bem como sua qualidade de execução. Além disso, analisar seu desempenho quando se encontra mais próximo ou distante do centro do jogo.

Em relação à transição defensiva, quando o próprio jogador perde a bola, permite-se a compreensão da atitude realizada predominantemente e a classificação quanto a sua eficácia. O mesmo pode ser feito quando um companheiro de equipe perde a bola e Arouca executa um dos seguintes comportamentos: ataque imediato à bola, retardamento da ação ofensiva adversária ou então recomposição para sua área de atuação defensiva. Finalizando, ainda sobre esta questão, é importante interpretar o tempo gasto para a mudança de atitude do atleta em caso de perda da posse.

O treinador da seleção nacional (e sua comissão) deve ter acompanhado lance a lance os 180 minutos da decisão. E se você fosse o treinador da seleção brasileira: convocaria o volante Arouca para sua equipe? É hora de decidir…

Obviamente, os 16 minutos (somatória do tempo das imagens do volante nos quatro momentos do jogo ao longo da final) não são suficientes para uma escolha desta magnitude. Apesar da dimensão do confronto, somente a análise de uma sequência de jogos possibilita um completo relatório de desempenho do jogador.

Como o Modelo de Jogo do técnico da equipe santista é diferente do seu (lembre-se que você é o treinador da seleção brasileira), é sua responsabilidade interpretar se os comportamentos nos quais o atleta está acostumado a cumprir se assemelham ao esperado por você para a função do volante. Se não se assemelham, pode ser importante observar o potencial de transferência de pelo menos alguns princípios de jogo para o seu modelo. Se os comportamentos ofensivos, defensivos e de transição se assemelham ao esperado por você, o próximo passo é compará-lo aos demais jogadores em potencial para o exercício desta posição. Uma boa análise qualitativa e quantitativa, com dados, imagens, percentual de aproveitamento e desempenho perante adversários de alto nível de dificuldade facilitará a escolha.

Após as convocações, sabemos que o tempo para treinamento e aperfeiçoamento do Modelo de Jogo será extremamente reduzido. Logo, convoque quem você julgar que terá condições de colocar em prática sua ideia de jogo.

A reflexão proposta nesta coluna se estende para muito além de uma situação hipotética de convocação para a seleção brasileira. Mais do que observar Arouca no Santos, Jorge Henrique no Corinthians, Fábio no Cruzeiro, Nei no Internacional ou quaisquer outros jogadores e suas possibilidades de vestirem a camisa amarela, cada profissional do futebol deve analisar o maior número possível de jogadores próximos do seu ciclo de ação para realizar variados tipos de intervenção. Por exemplo: dentro de uma mesma equipe, como está o desempenho de cada zagueiro segundo os quatro momentos de jogo e em relação ao seu Modelo? Comparando todos os meio-campistas de uma determinada competição de curta duração, qual apresentou princípios de jogo mais condizentes com o futebol europeu? Para a contratação de um lateral direito, que é carência de uma determinada equipe, quais as características do jogador que se procura? Promover um atacante da categoria de base ou contratar um jogador?

O exercício de analisar um atleta de forma completa e ver as influências que as características (táticas-técnicas-físicas-emocionais) do mesmo podem gerar em sua equipe, sendo um integrante ou um adversário, é apenas mais uma das inúmeras funções de um treinador.

Para finalizar, duas perguntas: você costuma fazer este exercício?

E, como não poderia ser diferente, você convocaria o Arouca para a seleção brasileira? Aguardo sua resposta!

Written by Eduardo Barros

10 de julho de 2011 at 11:25

Você convocaria o Arouca para a seleção brasileira?

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Analise comportamentos do atleta nos quatro momentos do jogo nas finais da Copa Libertadores

“Acho que o Mano {Menezes} tem que olhar com carinho para esse jogador. Se não fossem as lesões ele já poderia pintar numa convocação.” Esta foi a opinião de um comentarista esportivo durante a transmissão da final da Copa Libertadores, oportunamente, alguns minutos depois da participação do volante santista na jogada em que terminou com a finalização de Neymar e o 1 a 0 no placar. Como sabem, a partida terminou 2 a 1 para a equipe brasileira, que conquistou o título diante do Peñarol.

Para iniciar a análise individual de Arouca, é válido mencionar que todas as informações e vídeos divulgados na sequência da coluna não têm como objetivo estabelecerem julgamentos de valor, definindo acertos ou erros para cada ação. Caberá ao leitor a partir da interpretação das informações relatadas e observação das imagens, formar/melhorar uma opinião a respeito do referido atleta.

A final da Copa Libertadores permite uma análise do jogador exercendo regras de ação semelhantes em regiões distintas do campo de jogo. No confronto de ida, ainda com a ausência de Paulo Henrique Ganso, Arouca fez a função de volante com razoável estruturação do espaço pelo lado direito do campo e, na volta, com a presença do camisa dez, Elano retornou à posição de origem e Arouca exerceu a função de volante pelo lado esquerdo, predominantemente.

Na primeira partida, a plataforma de jogo utilizada pelo técnico Muricy Ramalho foi a 1-4-1-3-2 e como mandante utilizou a plataforma 1-4-4-2 (losango) como podem ser vistas nas figuras abaixo:

                                                                                                             

 

 

 

 

 

 

 

As ações técnicas de passe realizadas pelo volante na partida disputada no Uruguai totalizaram 30 ações. Dentre elas, 12 tiveram predomínio vertical no sentido do alvo adversário, 10 predomínio horizontal, 2 cruzamentos, 2 passes para trás e 4 passes errados. Além disso, Arouca realizou 2 interceptações, cometeu 2 faltas e perdeu 1 vez a posse de bola. Neste jogo Arouca não finalizou e não executou nenhum desarme.

No Pacaembu, Arouca foi o maior passador da equipe santista somando 43 ações.  Destas, 19 tiveram predomínio vertical, 16 predomínio horizontal, 4 passes para trás e 4 passes errados. Em outras ações, recuperou 6 vezes a posse de bola em desarmes e realizou 2 interceptações. Perdeu a posse de bola por 4 vezes. Arouca também não finalizou neste jogo.

Os dados dos fundamentos técnicos acima (sem demais contribuições visuais/espaciais dos locais e situações de jogo nas quais tais ações aconteceram, não possibilitam uma análise global de desempenho do jogador. Com esses dados) é possível somente perceber quais ações técnicas do futebol o jogador analisado executa com predominância.

Posto isso, a observação do jogo em sua fase ofensiva, defensiva e de transições em situações com e sem bola precisam ser inseridas para permitir uma análise mais completa.

Abaixo, veja uma sequência de lances sobre o comportamento do jogador santista na organização defensiva de sua equipe diante do Peñarol: 

http://www.youtube.com/watch?v=rLeLnyvvLL8

Dando continuidade na observação, o vídeo seguinte compreende uma síntese do comportamento de Arouca nas transições ofensivas da equipe santista: 

http://www.youtube.com/watch?v=xePXWDXE4w8

Nos dois trechos publicados, informações importantes a respeito do desempenho de jogo do atleta podem ser obtidas. Para a fase defensiva, é possível perceber qual a região do campo mais utilizada para realizar suas ações defensivas, sua referência predominante de marcação, sua velocidade de recomposição, seu posicionamento entre bola e alvo, sua ação de recuperação da posse, sua velocidade de flutuação, entre outras questões. Já para a transição ofensiva, pode-se visualizar sua predominância de comportamento em relação à movimentação, pode-se diferenciá-lo quando ele está mais próximo ou mais distante do centro do jogo, e ainda, quando recebe a bola é possível identificar setores/jogadores mais procurados.

Na próxima semana, o encerramento da coluna com a síntese das ações de Arouca na organização ofensiva e de transição defensiva da sua equipe contra o mesmo adversário e as conclusões.

Enquanto isso veja a estreia da seleção brasileira na Copa América, analise o desempenho dos volantes que participarem do jogo e comece a estabelecer as devidas comparações.

Arouca poderia estar no lugar de Ramires, Lucas, Elias ou Sandro?

Written by Eduardo Barros

4 de julho de 2011 at 11:43