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Temas atuais relacionados ao Futebol

Archive for setembro 2011

Treinador, escolha: jogador especialista ou versátil?

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Da base ao profissional, do clube formador ao grande clube, dos atletas que você tem a sua ideia de jogo. Qual a melhor opção?

Diversas opiniões são manifestadas acerca das características de um determinado jogador. É bastante comum se estabelecer um julgamento de valor privilegiando os que são mais versáteis em detrimento dos que exercem somente uma posição.

Como argumentos inegáveis a favor da versatilidade, para muitos, estão a possibilidade de mudar o jogador de posição durante uma partida, ou então, de alterar a distribuição das peças da equipe no campo de jogo sem necessariamente ter que fazer alguma substituição. Danilo, lateral direito, volante e meio campista do Santos e da seleção brasileira principal é um exemplo atual de atleta versátil.

Para outros, ser versátil é sinônimo de saber um pouco de tudo e muito de nada. Já li matérias de cronistas esportivos e pronunciamentos de treinadores respeitados no cenário do futebol que primam pela especialização em uma posição. Em opiniões mais simplificadas, afirmam que só é possível conhecer profundamente os “atalhos” de uma determinada função e se tornar acima da média, caso atue especificamente nela. Já numa sábia opinião mais complexa, a especialidade aliada à multifuncionalidade (dominar várias regras de ação da mesma posição) é o argumento que se opõe aos que preferem os atletas poli-valentes. Sneijder, meio campista da equipe Inter de Milão, é um exemplo atual de um especialista em faixa central ofensiva que não conseguiu bom desempenho como meia aberto no Modelo de Jogo da ex-equipe de Gasperini.

Mas, afinal, o que é melhor para um treinador: Ter um jogador especialista e multifuncional ou um jogador versátil? 

Quer aprimorar sua função como treinador? Matricule-se no Curso Master em Técnica de Campo feito pela Universidade do Futebol em parceria com a Federação Paulista de Futebol. 

O futebol é feito, leia-se administrado, de diversas formas. Existem clubes com filosofias e culturas de jogo muito bem definidas, existem os que estão perdendo a identidade, existem os que perderam a identidade, os clubes de formação com muitos recursos, com poucos recursos, existem clubes que jogam pelo acesso a qualquer custo (a ponto de planejarem somente após subirem), existem os que trocam de treinador a cada instante, os que mantêm o treinador, os que te cobram exclusivamente pelo resultado de campo, existem os que não olham para a base, os que olham para a base, os que dirigentes trazem seus jogadores de confiança, os que dirigentes trazem os jogadores de confiança do treinador, os que dirigentes trazem jogadores de empresário com bom relacionamento com o clube, os que formam equipes às pressas…ufa! Enfim, para cada “tipo” de clube, existem milhares de outros que são combinações entre os mencionados acima e cada treinador de futebol encontra-se em um clube com particularidades que caberá a ele perceber quais são.

Após analisar o que esperam as pessoas que o contrataram, além do ambiente em que ele está inserido, inicia-se a gestão da equipe a partir das suas ideias de jogo.

Se o treinador estiver num clube que privilegia a formação de alto nível, promover a poli-valência deve ser pré-requisito para o exercício da função, pois se aumenta significativamente o valor agregado ao produto no final do processo. Porém, se o treinador assume uma equipe alguns dias antes da estreia ou do próximo jogo (ocorrência comum no futebol), o tempo hábil é muito curto para executar a leitura dos seus jogadores e lhes exigir poli-valência ou até multifuncionalidade.

E, para desenvolver sua ideia de jogo, não é suficiente o conhecimento das características (táticas-técnicas-físicas-emocionais) de cada jogador. É preciso saber que possíveis baixas podem ocorrer ao longo de uma temporada, como lesões, negociações, suspensões ou quedas de rendimento e a eficaz gestão destas baixas é fundamental para sustentar a performance da equipe.

Quanto mais o treinador estiver atento às respostas (e o mais rapidamente possível) que cada um dos seus jogadores lhe oferece em relação ao desempenho de campo, melhor será a sua intervenção com os especialistas (multifuncionais ou não) e com os poli-valentes.

E você, leitor, que chegou a este ponto do texto e exerce qualquer função na Comissão Técnica que não a de treinador, não se isente de suas responsabilidades em conhecer o jogador numa visão holística. Mais do que passes errados e certos, limiar maior ou menor, o jogador de futebol é um ser-humano em movimento que te transmite quem ele é em cada jogo e sessão de treinamento. Ajude seu treinador!

Por que, no final das contas, colocar os jogadores certos, dispostos nos lugares certos e com as dinâmicas que lhes sejam possíveis é um bom caminho para as vitórias.

Mas, afinal, o que é melhor para um treinador: Ter um jogador especialista e multifuncional ou um jogador versátil?

Quando souber, escreva-me a resposta!

O Centro do Jogo e a Organização Defensiva

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Comportamento da equipe a partir da mudança do centro do jogo é um indicador de qualidade defensiva

Em uma das minhas primeiras colunas, apresentei indicadores de qualidade ofensiva de uma equipe a partir dos comportamentos realizados em função do centro do jogo. Naquele texto, foram descritos os mecanismos individuais e coletivos que favorecem a recusa da inferioridade numérica com consequente busca pela superioridade numérica.

Uma vez que para a organização ofensiva as ações coletivas que permitem a obtenção de êxito devem ocorrer possivelmente com maior número de jogadores que o adversário, para as ações defensivas não é diferente. Em oposição à cobertura ofensiva e movimentações para dentro ou fora do centro do jogo, a organização defensiva de uma equipe deve realizar contenção, cobertura defensiva e equilíbrio defensivo, com o objetivo de impedir uma ação ofensiva de qualidade feita pelo oponente. 

Para saber mais sobre Organização Ofensiva e Defensiva matricule-se no Curso Master em Técnica de Campo feito pela Universidade do Futebol em parceria com a Federação Paulista de Futebol. 

Na coluna desta semana, será feita a discussão destes três mecanismos e, em seguida, algumas identificações de centros do jogo em uma partida do Campeonato Brasileiro 2011.

A contenção é feita pelo oponente direto ao portador da posse de bola e tem como finalidades diminuir em espaço e tempo e ação do adversário, permitindo a recuperação da posse, o atraso da ação ofensiva ou a mudança do centro do jogo para locais de menores riscos.

Como somente a contenção não promove a desejável superioridade numérica, a cobertura é indispensável para manutenção de uma boa organização defensiva, com ação indireta no centro do jogo, que passará a ser direta caso o responsável pela contenção seja ultrapassado.

Quanto mais próximo da zona de risco, mais próxima deve ser a cobertura defensiva.

Já o equilíbrio defensivo, que também deve assegurar a superioridade numérica setorial, é feito pelo(s) atleta(s) responsável(is) pela interpretação da ação de movimentação dentro ou fora do centro do jogo pela equipe que detém a posse de bola. A correta aplicação deste mecanismo defensivo faz com que o adversário não tenha espaços para progressão, que dificulte o recebimento da bola pelos atacantes que executam movimentação em setores livres e de perigo e que a estabilidade no centro do jogo seja alcançada.

A análise do comportamento defensivo de uma equipe em função do centro do jogo possibilita a compreensão de quais são os princípios defensivos da ideia de jogo de um treinador. Nas trocas de passes do adversário, é possível perceber a (re)organização da equipe nos comportamentos funcionais de recuperação/impedir progressão/proteção do alvo. E nestas trocas, pode-se observar quais jogadores fazem contenção, qual a qualidade desta ação e até a partir de qual região ela se inicia. Esta análise também pode ser feita em relação à eficácia da obtenção da superioridade numérica no centro do jogo, que, por sua vez, decorre de adequadas coberturas e equilíbrios defensivos ou até mesmo por meio de ataques desordenados à bola, que resultam em espaços vazios para serem explorados pelos adversários.

Durante todo o jogo, ter os jogadores preparados (técnica-tática-física-emocionalmente) para agir no centro do jogo é a chave da vitória.

Há momentos que o centro do jogo está distante de determinado jogador e uma simples flutuação é suficiente para se executar a melhor decisão para a emergência do jogo, porém, há várias situações que o centro do jogo muda tão rapidamente que o milésimo de segundo separa o vencedor do perdedor.

E, nos últimos dias, uma equipe que é soberana nas decisões acertadas no centro do jogo em organização ofensiva e defensiva, não esteve preparada para agir durante os 90 minutos. Num escanteio cedido à equipe adversária, a concentração mental do líder da equipe para uma das últimas ações do jogo, ao invés de centrar-se na proteção coletiva do alvo e possível participação no centro do jogo, foi direcionada para a reclamação com o assistente. O placar do jogo penso que vocês já sabem. A bola não perdoa e os bons também não!

Se o placar do jogo teria sido diferente caso não houvesse a reclamação? Não saberemos nunca! Deve ser por isso que gostamos tanto de futebol…

Para encerrar, acompanhe o comportamento do Santos em função do centro do jogo e faça uma breve análise sobre o processo defensivo desta equipe em algumas ações do jogo contra o Corinthians. 

http://www.youtube.com/watch?v=dnbAoKcDTWU

Written by Eduardo Barros

17 de setembro de 2011 at 19:12

Perfil FC Barcelona: características individuais de cada posição

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Sequência da palestra feita por Jordi Busquets apontou especificações individuais do 1-4-3-3 catalão

Para finalizar o conteúdo da palestra do gerente de prospecção da equipe espanhola, Jordi Busquets no II Seminário de Futebol realizado em Porto Alegre, a coluna desta semana irá descrever as características individuais de cada posição. Tais características servem tanto para os jogadores que atuam no clube como para os que são captados pelos observadores. As descrições estão divididas em situações com e sem posse de bola. 

Arquero/Goleiro 

Com a bola: A primeira opção a jogar com passe curto. Capacidade de ler o jogo e encontrar a melhor opção possível. Colocação adequada para dar linha de passe ao companheiro que tem a bola, sem precipitação, oferecendo segurança. Boa técnica de domínio e chute. Boa reposição de bola com as mãos.

Sem a bola: Boa colocação em relação à bola e o gol. Liderança, caráter, capacidade de decisão e antecipação às possíveis ocasiões do jogo. Capacidade de salto e bom jogo aéreo. Bom bloqueio da bola. Agilidade, velocidade de reação e elasticidade. Bom no 1×1. 

Centrales/Centrais 

Com a bola: Adotar uma posição aberta na fase de início de jogo, com personalidade e sem medo. Boa técnica de domínio e passe. Oferecer segurança. Passe longo em diagonal e em profundidade aos atacantes. Superar linhas de pressão rival com passes verticais. Subir ao ataque quando houver espaço e criar situações de 2×1. Voltar rápido.

Sem a bola: Contundente e com personalidade. Capacidade de marcação. Não ir ao solo, nem bater. O primeiro, é defender. Jogadores ágeis. Quando a bola for à faixa lateral, bascular em sua direção e realizar coberturas. Não perder de vista o outro central e o atacante adversário. Nunca perder o conceito de marcação. Jogador de costas com a bola não gira nunca e o obriga a jogar de primeira. Não fazer faltas. Não permitir que corram em suas costas. 

Laterales/Laterais 

Com a bola: Abrem o campo na fase de início de jogo para dar saída. Recebem de lado e bem posicionados. Capacidade para incorporar ao ataque pela faixa ocupando o espaço que o atacante deixou livre. Sempre atento à formação de triângulos. Boa técnica de domínio e passe. Boa técnica de cruzamento.

Sem a bola: Com jogador de costas, não fazer falta. Fechar a defesa quando o lateral do lado contrário apoiou o ataque. Controle do jogador adversário que caiu pela faixa lateral. Evitar os cruzamentos do rival. Não permitir que corram em suas costas. 

Mediocentro/Volantes 

Com a bola: Ler as situações de jogo para posicionamento em relação à bola. Saída rápida, passes e conduções curtas. Evitar riscos de perda da bola quando recebe de costas ao gol adversário, jogar de primeira. Movimentos laterais para facilitar a ação dos meias na fase de criação. Capacidade de mudar a orientação do jogo com passes curtos ou em profundidade. Boa técnica de domínio e passe.

Sem a bola: Capacidade de comunicação e liderança. Pressão para recuperação da bola. Cobertura dos meias. Fechar espaços e linhas de passe pra o adversário. Diminuir o espaço entre linhas. 

Interiores/Meias 

Com a bola: Visão de jogo e alta qualidade técnica. Muita segurança. Fundamentais em gerar situações de gol. Assistências e chegadas ao gol. Boa finalização de fora da área. Chegada com triangulações ou jogadas individuais. Receber de lado e jogar de primeira. Mover-se entre-linhas e oferecer-se constantemente.

Sem a bola: Pressão para recuperação da bola. Comunicação com o volante. Defender dentro e junto. Ajudas constantes. Fechar espaços e linhas de passe. 

Extremos/Atacantes 

Com a bola: Muita profundidade. Bom 1×1 por velocidade e qualidade. 1×1 perto da área, nunca no meio campo. Normalmente se vão pelas faixas e passam bem. Se cruzam a bola do lado oposto, devem chegar dentro da área para alcançar as bolas que passarem. Jogadores rápidos e ágeis. Inteligentes na tomada de decisão.

Sem a bola: É o primeiro defensor. Não tem que recuperar a bola. Frear o ataque e fechar linhas de passe é suficiente. Não lhes podem passar com facilidade. Não bater. Quando um companheiro perde a bola do lado oposto, recuperar muito rápido em diagonal para as posições 8 e 10 (meias). 

Delantero centro/Centro avante 

Com a bola: Deve entrar no primeiro pau nas ações pelas faixas laterais. Buscar finalização. Tem que ser goleador. Bom de cabeça, rápido e explosivo. Ter muita visão de jogo. Dominar jogo de costas, favorecendo paredes e entradas. Jogar de primeira, proteger a bola e profundidade.

Sem a bola: Posicionamento entre os dois centrais. Saber o momento correto de apertar o adversário. É o primeiro defensor. 

Quem é leitor assíduo da Universidade do Futebol saberá que o produto final da equipe espanhola é muito maior que o somatório das características individuais de cada posição. Antes da plataforma de jogo e regras de ação, a filosofia do clube catalão permite o desenvolvimento de uma equipe que da base ao profissional privilegia as técnicas de domínio e passe para controlar o jogo.

Segundo o palestrante, o segredo (que não é segredo para ninguém) do sucesso do clube catalão deve-se a La Masía, ao Sistema de Treinamento e ao update feito pelo treinador Pep Guardiola.

Para finalizar, em relação a La Masía em dados publicados em 2008, dos 422 jogadores que residiram no centro de formação espanhol, 10% debutaram com a equipe principal, 18% ainda estavam em alguma das categorias inferiores, 9% jogaram a primeira divisão espanhola ou estrangeira, 27% jogaram a segunda divisão e 36% jogaram amador ou abandonaram o futebol.

Gostaria de saber se os gestores e dirigentes brasileiros têm estes números em mãos. Os percentuais poderiam lhes traduzir se os trabalhos de formação que estão realizando vêm ou não sendo bem executados.

No clube espanhol, a produção já está maior que a demanda. Bojan, Romeo e Oriol não tiveram espaço na equipe principal. No Brasil, formar melhor os jogadores poderia acabar com o problema de muitos treinadores que culpam o excesso de rodadas dos campeonatos para o baixo nível do espetáculo e excesso de lesões nas competições nacionais.

Um clube grande no Brasil não conseguir ter 30 atletas de alto nível para competir a primeira divisão nacional, sinceramente, é difícil de compreender.

Written by Eduardo Barros

10 de setembro de 2011 at 11:26

Perfil FC Barcelona: protocolo de avaliação de jogadores

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Conheça detalhes da palestra feita por Jordi Busquets no II Seminário de Futebol realizado em Porto Alegre

No dia 29 de Agosto, a Universidade do Futebol publicou uma nota resumindo os temas discutidos no II Seminário de Futebol, realizado no Grêmio e com o apoio da Escola Superior de Educação Física da UFRGS. Como tive a possibilidade de participar deste importante evento que, conforme os próprios organizadores mencionaram, serve para contribuir com a evolução do futebol brasileiro, eu me comprometi em compartilhar dos conhecimentos lá adquiridos, sobretudo os diretamente relacionados com a área de atuação técnica.

Na coluna desta semana serão apresentados detalhes da palestra feita pelo gerente de prospecção do FC Barcelona, Jordi Melero Busquets, que abordou os temas: Protocolo de Avaliação de Jogadores para o plantel profissional e Características Individuais para integrar o clube catalão.

A seguir, o que foi ministrado em relação ao primeiro tema:

Todos os observadores da Secretaria Técnica de Futebol Profissional do clube espanhol têm a missão de captar jogadores para a equipe principal, equipe B e para o Juvenil A. Eles são divididos em seis zonas no território nacional e distribuídos nos demais países do futebol internacional em mercados denominados A, que são compostos por países como Brasil, Itália, França, Alemanha e Argentina. Nestes países, considerados de 1º nível, é feito um controle exaustivo de informação dos jogadores.

Para mercados B (México, Suíça, Bélgica, Uruguai, etc.) e C (Japão, Coreia, Bolívia, Turquia, etc.) as informações são captadas como controle referencial e para possível necessidade de contatos futuros. O deslocamento pessoal para o Mercado C não ocorre em um primeiro momento.

A ferramenta utilizada pelo FC Barcelona para o acompanhamento de todos os jogadores dos mercados A, B e C é o software Scout7 (clubs.scout7.com). Neste software, utilizando é possível acompanhar informações relevantes acerca de cada jogador como competições disputadas, tempo total jogado, histórico de anos anteriores, cartões recebidos, gols, assistências, tempo de contrato e até se o atleta tem passaporte comunitário.

Semanalmente, os observadores se reúnem para discutir quais jogadores chamaram atenção na prospecção. Mensalmente, os jogadores de maior destaque são apresentados à Comissão Desportiva para iniciarem os filtros do processo de contratação (veja a seguir) e, a cada dois meses, os observadores são convocados pelos Coordenadores do Clube para discutirem as Linhas de Sucessão, ou seja, quais são as necessidades em relação aos próximos atletas a integrarem o plantel principal, o da equipe B ou o Juvenil A.

Durante a prospecção dos jogadores, cada análise feita gera a classificação de um dos três tipos de produto (jogador) para o Clube: 

Produto 1 – Barcelona – Atleta preparado para competir na primeira equipe;

Produto 2 – Atleta para o futuro:

  • Incorporar primeira equipe;
  • 1ª Equipe para curto prazo;
  • Barcelona B, Juvenil A ou Empréstimo;

Produto 3 – Atleta com perfil Barcelona para as categorias inferiores. 

O jogador que despertar interesse dos observadores passa pelo Filtro 1, que é o de Detecção e conta somente com informes escritos. Após a tomada de decisão dos gestores da equipe catalã o atleta pode ser descartado, ou então, iniciar o Filtro 2, correspondente ao Seguimento do processo de captação. Neste filtro, além das informações escritas do atleta, é inserido um material visual que contém de 8 a 10 minutos de ações ofensivas e defensivas e que é encaminhado ao treinador da equipe principal, Pep Guardiola.

Abaixo, um pequeno trecho da análise de um jogador captado (mas não contratado) que vai além dos atributos técnicos: 

            “ Jugador sin aparentes alteraciones de comportamiento. Gran nível de atención y concentración debido su  dependencia de lectura de juego para explorar sus cualidades. Trabajador, sin altos y bajos de rendimiento…” 

Para cada ação separada em vídeo, existe um comentário sobre a característica do jogador que está sendo evidenciada.

Uma vez aprovado pelo treinador da equipe principal, o atleta passará para o Filtro 3, que é o de Contratação. Neste filtro, os observadores não têm mais nenhuma influência e a tomada de decisão dos gestores será para oficializar a contratação, adiá-la ou descartá-la em processos que Jordi Melero não aprofundou.

Para finalizar, o palestrante indicou quais foram as necessidades definidas pela gestão de futebol do clube espanhol, indicadas na Linha de Sucessão do mês de Fevereiro do presente ano.

Leitores, esta foi a síntese da apresentação sobre captação de jogadores do FC Barcelona. Na próxima semana, serão apresentadas as características individuais buscadas pelos observadores para cada uma das posições do 1-4-3-3 espanhol (arquero, centrales, laterales, mediocentro, inferiores, extremos y delantero centro).

Desta bela apresentação, alguns questionamentos ficam para os profissionais do futebol brasileiro: Como as equipes brasileiras classificam cada um dos seus “produtos”? Os observadores brasileiros que trabalham para clubes têm/seguem algum protocolo de avaliação? Os clubes brasileiros fazem reuniões periódicas para estabelecer a sua Linha de Sucessão e avaliar necessidades no plantel principal, equipe B, sub-20 e categorias de base?

Mesmo como pentacampeões do mundo temos que reverenciar o Clube que ninguém pode negar que é o maior exemplo de Filosofia, Modelo e Gestão no futebol atual.

Porém, não podemos perder as esperanças que algo semelhante um dia aconteça no Brasil, pois, o FC Barcelona já foi um clube com predomínio dos jogadores de mais de 1,80m e excesso de “força física”.

E aí chegou Johan Cruyff…

 

Written by Eduardo Barros

4 de setembro de 2011 at 12:47