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Temas atuais relacionados ao Futebol

Archive for outubro 2011

O treinamento em futebol e os níveis neurológicos

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Quais são as mudanças do futebol brasileiro que dependem de você

Aproxima-se o fim de inúmeras competições pelo Brasil. Tanto nos campeonatos das categorias de base como nas competições profissionais, as próximas semanas serão de jogos decisivos. E estes jogos, físicos-técnicos-táticos-emocionais ao mesmo tempo, para todos os jogadores, durante os minutos que correspondem a cada partida, pedem treinamentos que contemplem as mesmas características do jogo, certo? Pelo que temos visto, errado!

Declarações, observações, leituras, imagens e reportagens variadas ilustram um cenário que precisa ser alterado mais rapidamente.

Trações, circuito com saltos e acelerações, corridas com mudanças de direção, finalizações descontextualizadas, saltos com pneu, táticos-sombra ou quaisquer outros treinamentos que privilegiem fragmentos do jogo (e não fractais), podem significar perdas de minutos preciosos em momentos, conforme mencionados, tão decisivos. Para estes momentos, leia-se a luta contra o rebaixamento, o acesso, o título, as vagas em competições importantes e, inclusive, a manutenção do emprego.

O dinamismo do mundo atual permite o acesso à informação, ao que é novo ou tendência, num intervalo de tempo consideravelmente pequeno. No futebol, o novo é treinar conforme se quer jogar. Barcelona, José Mourinho, Júlio Garganta, Porto, Claude Bayer, Rodrigo Leitão, Universidade do Porto, Vítor Frade, Ajax, Alcides Scaglia, André Villas-Boas são exemplos de pessoas e instituições que têm privilegiado e divulgado o que é atual.

Porém, por que mesmo com tanta informação disponível, a transformação está aquém da ideal?

Cada indivíduo interpreta a realidade de forma distinta. Diferentes experiências, aprendizagens, vivências e reflexões formam a visão de mundo de cada ser humano, que pode ter maior ou menor capacidade de mudança.

Alguns estudiosos do comportamento humano afirmam que gerimos a mudança (e todos os nossos pensamentos) a partir de seis níveis neurológicos: Ambiente, Comportamento, Competências, Crenças/ Valores, Identidade e Espiritualidade.

A interpretação da realidade considerada neste texto será a do treinamento em futebol que, de acordo com todo o material científico que se tem conhecimento, pode ser desenvolvido a partir de um viés tecnicista, integrado ou atual (sistêmico).

O ambiente significa o local em que cada indivíduo atua. Traduzindo para o treinamento em futebol, corresponde a cada clube, formado por um determinado grupo de pessoas.

O comportamento compreende as atitudes efetivas de cada pessoa em um determinado ambiente. Em relação ao treinamento, estas atitudes se referem à maneira que é operacionalizado o processo de desenvolvimento de uma equipe.

Já as competências significam o conjunto de habilidades que cada indivíduo possui e que refletem o modo como o mesmo aplica seus conhecimentos. Para o exemplo deste texto, traduz o que o indivíduo sabe e o quanto se capacita.

E, por último (afinal não será abordada a identidade e espiritualidade para não parecer demasiadamente utópico), o treinamento em futebol segundo as crenças e valores. Neste nível neurológico, a interpretação da realidade se dá de acordo com o que a pessoa acredita, com seus princípios e com suas verdades.

Posto isso, é possível afirmar que a transformação está aquém da ideal, porque pouquíssimos indivíduos que atuam com o futebol conseguem gerar mudanças efetivas no nível neurológico das crenças e valores.

Toda informação disponível tardará para ser, de fato, uma transformação do futebol brasileiro, enquanto as intervenções ocorrerem somente nos três primeiros níveis neurológicos.

Diversos ambientes não permitem uma troca harmoniosa de conhecimento entre os seus integrantes e enquanto treinadores acreditarem que vencerão seus jogos simplesmente porque estão há muito tempo na bola e conhecem o meio, a transformação será atrasada.

O comportamento predominante do treino em futebol não converge para todas as sessões diretamente relacionadas com a ideia de jogo do treinador e assim permanecerá enquanto os preparadores físicos crerem que são necessárias sessões exclusivas para o desenvolvimento de potência, capacidade aeróbia ou resistência específica.

Leituras sobre periodização tática, complexidade, teoria dos jogos, ensino dos JDC e princípios táticos do futebol não irão para a prática, ou irão menos do que poderiam, enquanto forem verdades absolutas para as comissões técnicas, as experiências adquiridas tanto de caráter empírico ou científico.

Mas, se cada indivíduo, não só para o treinamento em futebol, mas para a vida, decidir ampliar sua reflexão, discussão e busca de conhecimento (e autoconhecimento) as mudanças emergenciais serão mais rápidas.

Transformar crenças e valores não é fácil! Os mesmos estudiosos do comportamento humano afirmam que quanto mais alto o nível neurológico, mais difícil é a mudança. O certo é que não há mudança de crença sem tentativa, sem risco, sem acertos, sem erros, sem novas experiências e disponibilidade para novas oportunidades.

Caso haja mudança de crenças e valores em cada indivíduo, consequentemente serão re-significados os três níveis neurológicos inferiores.

Quando a interpretação da realidade para o treino de futebol estiver fundamentada numa perspectiva sistêmica, a sede pela aquisição constante de novas habilidades transferirá todo o conhecimento teórico já existente para a realidade prática.

Com novas competências, derivadas de crenças e valores transformados, novos comportamentos serão observados, pois os anteriores perderão o sentido.

Finalmente, novos comportamentos refletem em mudanças de ambiente, ou seja, do grupo de pessoas que formam cada um dos clubes do futebol brasileiro.

Existem diferentes maneiras de cada ser humano modificar suas crenças: pode ser procurando ajuda, se conhecendo, estudando, conversando, ou de qualquer outra forma que permita um exercício frequente de reflexão.

Para você que já crê no que é atual em relação ao treinamento em futebol, faça sua parte com as competências e comportamentos adequados nos ambientes em que você atua. Já para aqueles que não crêem, não esperem o ambiente e o comportamento dos outros mudarem para você fazer o mesmo, pois isto pode não resolver se suas crenças permanecerem imutáveis.

Enfim, para todos os casos, a mudança só depende de você! Em que nível neurológico você está em relação ao treinamento em futebol?

Às vezes, para falar de futebol é preciso falar de pessoas…

Título do Brasileirão 2011: a missão

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Oito jogos anteriores, alguns dados e alguns treinos + oito jogos seguintes = ?? pontos

O aproveitamento do Corinthians nas últimas oito rodadas do Campeonato Brasileiro foi de 45,8%, com 3 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. O técnico Tite utilizou 22 jogadores nestes jogos, sendo que Júlio César, Alex, William e Danilo atuaram em todos, Leandro Castán, Paulinho, Alessandro, Jorge Henrique e Paulo André atuaram em sete, Ralf em seis, Fábio Santos e Edenílson, cinco, Liedson e Weldon em quatro jogos, Ramón, Emerson, Wallace e Ramires em três, Moradei, Chicão e Adriano em duas partidas e Morais apenas em uma.

A manutenção deste desempenho nas oito rodadas restantes não fará com que o título da competição nacional seja da equipe do Parque São Jorge, portanto, nas próximas semanas, as vitórias necessariamente deverão acontecer em maior número. Segundo cálculos feitos pela própria comissão técnica da equipe alvinegra, 5 vitórias e 2 empates, ou seja, 17 pontos e 70,8% de aproveitamento dos 24 pontos a serem disputados, são suficientes para a conquista da competição.

Neste período, somente a 35ª rodada acontecerá numa quarta-feira o que possibilitará sete semanas completas de treinamento com ocorrência de jogos somente aos sábados ou domingos. Semanas “cheias” de treinamento, significam um maior período de recuperação entre jogos e maior disponibilidade para a atuação do treinador nos denominados treinos aquisitivos.

Mais do que o desenvolvimento isolado de qualquer vertente do jogo de futebol nos jogadores e equipe, as próximas semanas devem ser de total preocupação sistêmica com o Modelo de Jogo, seus pontos fracos, seus pontos fortes e as intervenções estratégicas de acordo com cada adversário.

Então, considerando as oito rodadas anteriores da equipe corintiana, o que esperar da mesma nas oito rodadas finais do Campeonato Brasileiro 2011?

Estruturado preferencialmente em 1-4-2-3-1, a espinha dorsal do Corinthians será composta por Julio César, Alessandro, Paulo André, Leandro Castán, Ralf, Paulinho, Alex, William. As quatro vagas restantes, serão definidas semana a semana pelo técnico Tite que, entre outras decisões, deverá gerenciar as lesões de alguns jogadores e até a pressão da imprensa e torcida por Adriano.

Optar por Emerson e Liedson, que provavelmente perderão muitos treinos aquisitivos por tratarem suas respectivas lesões, ou então por Danilo ou Jorge Henrique, que causam alterações funcionais no sistema corintiano, são alguns dos questionamentos que o treinador terá que fazer.

Na organização defensiva, o comportamento padrão tem sido uma marcação com referências zonais a partir da Linha 3, que pode ser adiantada de acordo com o placar do jogo ou atuação como mandante. Nesta fase do jogo, Paulo André e Leandro Castán dão muita segurança à primeira linha defensiva, com ótima proteção do alvo. Ambos, dificilmente caem às faixas e são muito eficientes no jogo aéreo. Com o suporte da linha de volantes, atacar o Corinthians pelo corredor central com passes curtos tem sido muito difícil. Uma das limitações nesta fase do jogo passa por dar melhor posicionamento a William e Jorge Henrique que, por vezes, assumem referência individual de marcação percorrendo espaços (e cansando) desnecessários. Outro ponto que merece atenção, devido à ausência de Fábio Santos, é o desequilíbrio setorial que pode ocorrer caso a função seja feita pelos jovens Weldon ou Ramón.

Em bolas paradas, Júlio César precisa de maior qualidade de antecipação da ação para saídas do gol e os demais jogadores necessitam maior ataque à bola.

Quando a marcação se inicia na Linha 3, a compactação eficaz entre linhas é frequentemente observada. Se, por necessidade ou situação do jogo, a equipe sobe o bloco, surgem espaços (e problemas), principalmente de transição defensiva que serão mencionados adiante.

Ao recuperarem a posse, a transição ofensiva é feita predominantemente com retirada vertical. Com orientação operacional de progressão ao alvo, dificilmente circulam a bola. Neste momento do jogo, a partir da recuperação de Júlio César, as reposições são principalmente em bolas longas, o que resulta em maiores perdas de posse do que manutenções. Quando a recuperação é feita pela linha defensiva, falta melhor linha de passe/desmarcação/mobilidade dos volantes para permitir tempo de deslocamento e progressão dos meias abertos que, muitas vezes, estão recebendo a bola distantes do alvo. Apesar destas limitações, dos últimos oito gols marcados, quatro foram feitos a partir de transição ofensiva (Vasco (2), Atlético-GO e Cruzeiro).

Na fase ofensiva, como já foi mencionado, a progressão é o comportamento padrão. Com exceção do tiro de meta, preferencialmente saem jogando com os centrais; com Alessandro, o jogo fica simples e eficiente pela lateral; Paulinho procura um passe curto e ultrapassagens pela faixa central para criar condições de finalização; Alex e Danilo são os que têm condições (estrutura motriz) de fazer o passe final; William é o melhor do elenco no 1×1 e o pequeno Liedson é um gigante em posicionamento na zona de risco. Como fatores limitantes para o processo ofensivo, observam-se a menor contribuição de Alex e Danilo quando atuam pelas faixas, a falta de amplitude dos meias abertos quando a equipe adversária bloqueia o corredor central e a recorrente falta de profundidade (e não de um centroavante) para aproximar a equipe da zona de risco e abrir espaço entre linhas das defesas adversárias. Em bolas paradas, Alex é quem pode marcar; em escanteios, Paulo André é a referência da finalização; já em situações de jogo, além de Paulinho e Alex com finalizações frontais, William pode marcar após driblar, Liedson a partir de assistência/cruzamento e Danilo numa jogada aérea.

Já na transição defensiva, o comportamento observado é o de ataque à bola dos jogadores mais próximos, com simultânea recomposição dos demais em virtude de um posicionamento com ao menos nove atletas atrás da linha da bola. Falhas no balanço e coberturas defensivas resultaram em 37,5% dos gols sofridos nas últimas rodadas. Um comportamento que, sem dúvida, precisa ser melhorado.

Em pouco mais de um mês, o campeão brasileiro de 2011 será conhecido. Gosto de parabenizar os campeões, já o fiz com o Oscar Tabárez da seleção Uruguaia e Ney Franco da seleção brasileira sub-20. Desta vez adianto os parabéns ao técnico Tite, que há um ano no cargo (muito para o futebol brasileiro) suportou a pressão após o péssimo início de ano na Libertadores e na queda de rendimento no campeonato nacional. Parabenizo (mesmo que não seja campeão) não pela ideia de jogo que simplifiquei acima, mas pelas declarações, entrevistas, atitudes e liderança, inspiradoras para um técnico iniciante.

Abaixo, um pouco do Corinthians nos últimos oito jogos. 

http://www.youtube.com/watch?v=Nmjep5GSGIo

Written by Eduardo Barros

22 de outubro de 2011 at 8:24

Banco de Jogos – Jogo 1

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Jogo de Compactação e Flutuação

Caros leitores, 

Em cinco colunas, abordei o tema currículo de formação do atleta de futebol. Nestes materiais, estão inseridos os conteúdos que um grupo de profissionais de um clube formador do estado de SP aplica em todas as suas categorias, visando à formação de atletas de alto nível, tanto para o departamento profissional, como para negociação com outros clubes.

Em colunas futuras, alguns temas e sub-temas serão aprofundados propondo uma discussão em relação à importância de trabalhá-los para melhorar o desempenho das equipes. E também, como será feito na presente semana, diversos jogos (conceituais ou conceituais em ambiente específico) serão descritos com o intuito de ilustrar o currículo e de auxiliá-los numa possível intervenção prática no aperfeiçoamento de determinado(s) momento(s) do jogo.

O jogo que será descrito abaixo, como vocês já devem saber, não é pra ser utilizado como receita, desvinculado do contexto da equipe e com a simples e insensata aplicação das regras que serão expostas. A reflexão que esta coluna propõe consiste na interpretação dos elementos do jogo que permitem que esta atividade seja, de fato, de compactação e flutuação. Mais do que o desejo do treinador para que ambas ocorram, deverá ganhar este jogo (e todos os demais que eu venha apresentar) a equipe que melhor cumprir sua lógica. E, dentre as ações que serão necessárias para cumprir a lógica deste jogo, encontram-se a compactação e flutuação.

 

– Campo dividido entre áreas em 6 faixas verticais e 8 faixas horizontais; 

– Com isso, ocorrerá a formação de retângulos com aproximadamente 8,5m de cumprimento x 11,5m de largura; 

– Tempo de atividade (incluindo esforço e pausa) a critério da Comissão Técnica, em função dos objetivos (fiscos, técnicos, táticos, emocionais) desejados;

 

Plataforma de Jogo Equipes A e B – 1-4-2-3-1

Regras do Jogo 

  • Ultrapassar pelo menos uma faixa horizontal através da condução ou de um passe, entre as Linhas 4 e 3 do campo, sem que a equipe que defende tenha 3 linhas de jogadores (centrais e laterais – volantes e meias abertos – meia centralizado e atacante) nos setores (retângulos) horizontais e verticais consecutivos em relação à posição da bola = 1 ponto. Veja os exemplos:

Após fazer um passe que ultrapassou uma faixa horizontal, 1 ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) não tem o posicionamento das 3 linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

Após fazer um passe que ultrapassou uma faixa horizontal, não há ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) tem o posicionamento das 3 linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

Após fazer um passe que ultrapassou duas faixas horizontais, 1 ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) não tem o posicionamento das 3 linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

Após fazer um passe que ultrapassou duas faixas horizontais, não há ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) tem o posicionamento das 3 linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

  • Ultrapassar pelo menos uma faixa horizontal através da condução ou de um passe, à frente da Linha 3 do campo, sem que a equipe que defende tenha 2 linhas de jogadores (centrais e laterais – volantes e meias abertos) nos setores (retângulos) horizontais e verticais consecutivos em relação à posição da bola = 2 pontos. Veja os exemplos:

Após conduzir a bola e ultrapassar uma faixa horizontal, 2 pontos para equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) não tem o posicionamento das 2 linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

Após conduzir a bola e ultrapassar uma faixa horizontal, não há ponto para equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) tem o posicionamento das 2 linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

  • Fazer o gol e a equipe que sofreu ter pelo menos 9 jogadores à frente da Linha 2 do Campo =  10 pontos;
  • Fazer o gol e a equipe que sofreu ter menos do que 9 jogadores à frente da Linha 2 do Campo = 15 pontos.            Veja os exemplos:

Nesta primeira imagem, o gol da Equipe A (Azul) vale 10 pontos e, na segunda imagem, 15 pontos.

Estou aberto para dúvidas, sugestões, comentários e críticas através do e-mail. Quem achou que o jogo tem muitos detalhes ou muitas regras, não esqueçam o princípio da progressão complexa. Este jogo pode começar a ser construído do mais fácil para o mais difícil, por exemplo, somente com faixas horizontais, ou com faixas verticais e até mesmo com retângulos (setores) maiores do que 8,5m x 11,5m.

Quem ainda não leu a Entrevista Tática, aproveite a última semana para contribuições e envie suas perguntas.

Abraços, bons treinos e até a próxima semana!

Participe da Entrevista Tática!

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Colabore com a Universidade e faça perguntas para jogadores de futebol

A Universidade do Futebol, dia após dia, amplia seu acervo de notícias, entrevistas, colunas, aulas gratuitas e cursos on-line com o objetivo de proporcionar ao leitor uma atualização constante nas diversas áreas do conhecimento inter-relacionadas do futebol. Em relação às entrevistas, em cerca de oito anos, foram publicadas mais de trezentas, com diferentes profissionais direta ou indiretamente ligados à modalidade.

Dentre os entrevistados, estão técnicos, preparadores físicos, auxiliares, preparadores de goleiros, treinadores adjuntos, psicólogos, advogados, profissionais de marketing, nutricionistas, fisiologistas, filósofos, médicos, mestres, doutores, especialistas, enfim, centenas de profissionais que contribuem com cases, opiniões, discussões, reflexões e apontamentos que favorecem a todos os leitores quanto ao desenvolvimento de um olhar transdisciplinar do futebol.

Com o objetivo de contribuir com este espaço, a Universidade do Futebol criou a Entrevista Tática. Idealizada por este colunista, a entrevista será realizada com jogadores brasileiros de diferentes categorias e escalões do futebol nacional e, possivelmente, internacional.

Como a demanda das entrevistas semanais é significativa e, tradicionalmente, é um espaço reservado para outros profissionais do futebol que não os próprios jogadores, a Entrevista Tática será postada periodicamente como tema da minha coluna semanal.

Utilizando a tática como pano de fundo, o portal pretende oferecer um novo material que aproxima o jogador de futebol da Ciência. Sem o intuito de capacitá-lo, a ideia será somente ouvi-lo para que todos os interessados em melhorar sua atuação profissional possam ter noções de como é a interpretação da realidade por cada jogador, principalmente como o mesmo enxerga o futebol.

Na coluna desta semana, serão apresentadas as perguntas-padrão que farão parte da entrevista e será aberto a você, leitor, um espaço para sugestões de novas perguntas (lembrando do viés tático como pano de fundo) que, após análise do portal, poderão ser incorporadas às questões já estabelecidas.

Abaixo, a lista de perguntas-padrão da Entrevista Tática: 

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? 

2-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário? 

3-    Para você, o que é um atleta inteligente? 

4-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo? 

5-    Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola? 

6-    Quais são seus pontos fortes táticos,técnicos,físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles. 

7-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor? 

8-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades. 

9-    Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?*

*Leia-se 1-4-4-2, 1-3-5-2, 1-4-3-3 e plataformas de jogo 

10-  Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola;
  • Assim que perde a posse de bola;
  • Sem a posse de bola;
  • Assim que recupera a posse de bola;
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas. 

11-  Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças? 

12-  Qual a importância da preleção do treinador antes da partida? 

13-  Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria? 

Mais três perguntas serão analisadas e escolhidas para complementar a entrevista. Nas próximas duas semanas, através do meu e-mail (indicado no final da coluna), irei interagir com o leitor para ler e encaminhar as sugestões aos responsáveis pela aprovação. Caso sua pergunta seja escolhida, receberá os devidos créditos na coluna de abertura.

A Universidade do Futebol irá se aproximar daqueles que dão vida ao jogo de futebol e às ideias de jogo dos treinadores. Participe!

eduardo@universidadedofutebol.com.br

Written by Eduardo Barros

8 de outubro de 2011 at 12:23

O Currículo de Formação do Atleta de Futebol – Parte Final

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Confira o encerramento do material a partir do conteúdo Estratégico-Tático

Para quem não leu a apresentação dos sub-temas derivados dos conteúdos Competências Essenciais e Referências do Jogo de Futebol, clique aqui antes de efetuar a leitura desta semana sobre o Currículo de Formação do Atleta. A leitura prévia é importante para adequada compreensão do material.

Na sequência, a partir do Conteúdo Estratégico-Tático do Jogo, o tema inicial denomina-se Estratégias de Jogo Defensivas e possui os seguintes sub-temas: 

  • Marcação Individual homem a homem;
  • Marcação Individual em Zona;
  • Marcação em Zona;
  • Marcação em Zona Pressionante. 

Estratégias de Jogo Ofensivas é o tema seguinte, com as divisões nos sub-temas: 

  • Atacar em Zona com Estruturas Fixas;
  • Atacar em Zona com Estruturas Móveis;
  • Atacar sem Referências Zonais;
  • Ataque Rápido;
  • Ataque Posicionado;
  • Contra-ataque. 

O terceiro tema compreende as Reposições de Bola e é composto pelos sub-temas abaixo: 

  • Criar formas de sair jogando no Tiro de Meta;
  • Criar formas de manutenção da posse em laterais no campo defensivo;
  • Cobranças de Lateral ofensivo com trocas de posição;
  • Cobranças de Lateral ofensivo sem trocas de posição. 

Os próximos sub-temas, derivam do tema Bolas Paradas e são compostos pelos itens: 

  • Escanteios ofensivos;
  • Escanteios defensivos;
  • Faltas a favor no campo de defesa;
  • Faltas a favor no campo de ataque;
  • Faltas contrárias no campo de defesa;
  • Faltas contrárias no campo de ataque;
  • Jogadas ensaiadas. 

Os Meios Táticos (classificados por alguns autores como Princípios Táticos e pelo treinador Rodrigo Leitão como Princípios Estruturais) correspondem ao último tema deste Conteúdo e apresentam como sub-temas: 

  • Meios Táticos Ofensivos;

– Desmarque

– Apoio

– Fintas e Dribles

– Mobilidade com Trocas

– Mobilidade sem Trocas

– Amplitude

– Penetração

– Profundidade

– Tabela

– Ultrapassagem

– Bloco Ofensivo

– Cobertura Ofensiva 

  • Meios Táticos Defensivos;

– Retardamento

– Cobertura Defensiva

– Equilíbrio

– Flutuação

– Recomposição

– Bloco Defensivo

– Compactação

– Direcionamento

– Pressão

– Pressing 

  • Meios Táticos de Transição

– Proporção Ofensiva

– Proporção Defensiva

– Densidade Ofensiva

– Densidade Defensiva

– Balanço Ofensivo

– Balanço Defensivo 

Como os demais temas não possuem sub-temas, toda a composição do Currículo de Formação do Atleta aplicado no Paulínia FC já foi apresentada.

Espera-se que este material, que não pretende “engessar” nenhum treinador, seja uma ferramenta que potencialize a cadeia produtiva de jogadores de futebol, ampliando o estreito topo da pirâmide dos atletas de alto nível do clube.

A essência do material: Jogar, do sub-11 ao sub-20, de segunda a segunda, é REGRA! 

Quer saber mais sobre Metodologia de Treinamento através de jogos? Matricule-se no Curso Master em Técnica de Campo feito pela Universidade do Futebol em parceria com a Federação Paulista de Futebol. 

Em sete anos de existência, dois de currículo, o projeto já tem seis jogadores (que ingressaram no clube aos 12 anos) no mercado nacional e um no internacional. E tudo isto sem alojar jogadores, captando somente atletas da Região Metropolitana de Campinas.

Para quem pretende utilizar este Currículo como norteador para produções próprias, tanto individuais como institucionais, sinta-se à vontade: quanto mais pessoas discutirem assuntos que podem contribuir com a evolução do futebol brasileiro, melhor!

E caso, nas discussões, encontrem conteúdos, temas ou sub-temas que possam complementar o Currículo apresentado, não deixe de emitir sua opinião.

Porém, lembrem-se que mais importante do que conhecer algum Conteúdo, é saber como e quando aplicá-lo em uma determinada equipe em processo de formação.

Esteja certo que se, algum dia, predominar o número de profissionais do futebol que dominam o que deve ser feito do início ao fim do processo de formação, as consequências para o espetáculo futebol serão as melhores possíveis.

Hoje, infelizmente, observam-se muitos atletas no futebol profissional com o perfil de egresso do processo de formação muito semelhante ao perfil de ingresso.

Na chegada a um clube, é bastante comum encontrar jogadores extremamente centralizados na bola (ofensiva e defensivamente), com mudança de atitude nas transições muito lentas, com baixo nível de jogo coletivo e com domínio de poucas regras de ação.

Ao assistir alguns jogos do futebol brasileiro, por vezes, estas mesmas análises são efetuadas. Problemas do treinador atual? Dos treinadores anteriores? Do próprio jogador?

Enfim, problemas diversos que permitem afirmarmos que um dos melhores jogadores do país na atualidade surgiu da várzea.

A várzea forma melhor que os clubes brasileiros?

Written by Eduardo Barros

1 de outubro de 2011 at 8:46