tecnicoeduardobarros

Temas atuais relacionados ao Futebol

Archive for dezembro 2011

O jogo jogado com a cabeça

leave a comment »

Case Figueirense é um exemplo de gestão para o futebol brasileiro

Sabiamente, o treinador Rodrigo Leitão mencionou em sua última publicação para a Universidade do Futebol que a esperada vitória da equipe catalã contra o Santos FC começou bem antes do apito inicial.

Deve ser com este pensamento, o de vencer o adversário antes do início do jogo, que a atual gestão do Figueirense tem pensado o futebol.

Representado no VIII Footecon por Renan Dal Zotto, diretor de marketing e Marcos Moura Teixeira, diretor de futebol, o clube deu mostras porque em tão pouco tempo saiu da segunda divisão do Campeonato Brasileiro e de uma campanha mediana no estado para, no ano seguinte, brigar pelo título do campeonato catarinense, sendo a equipe com melhor pontuação nos dezoito jogos do primeiro e segundo turnos e, principalmente, disputando ponto a ponto uma vaga (que escapou na última rodada) para a Copa Libertadores da América, no torneio nacional.

Na palestra realizada no fórum, Renan e Marcos apresentaram as ideias, iniciadas há vinte meses (Abril/2010), que têm como objetivo ascender o Figueirense da quinta para a terceira força do sul do Brasil, num período de cinco anos.

Quando a atual gestão assumiu o clube, mapeou o cenário e detectou um grave problema que acomete diversas equipes do futebol brasileiro: a imensa maioria do elenco não tinha seus direitos econômicos vinculados ao Figueirense, logo, uma das maiores possibilidades de receita para um clube, o jogador, estava nas mãos de agentes que utilizavam a equipe catarinense para exposição dos seus “produtos”.

Para reverter este quadro, iniciaram sete grandes planos de ação indicados a seguir: investimento em capital intelectual, geração de novas receitas, alinhamento político, inteligência competitiva, parcerias, sistemas de apoio e planejamento estratégico.

Com processos bem delimitados e a criação de uma Matriz de Indicadores que posiciona a equipe no futebol do sul do país, nesses vinte meses, o Figueirense deu largos passos em direção ao cumprimento de sua meta.

A Matriz de Indicadores é composta pelos itens: estádio próprio, centro de treinamento, posição no ranking da CBF, receita com produtos licenciados, média de público, ranking da Conmembol, posição no campeonato brasileiro série A, títulos e quantidade de dívidas no curto, médio e longo prazo. Comparada a outras equipes da região, atualmente, o Figueirense está atrás de Inter-RS, Grêmio-RS, Atlético-PR e Coritiba-PR.

Dos planos de ação estabelecidos, o planejamento estratégico em relação às categorias de base compreende a criação do Projeto Jovem Furação. Este projeto, além do desenvolvimento do jogador dentro das quatro linhas pretende capacitá-lo para lidar com a fama, manter uma boa imagem, ter capacidade de adaptação à mudança, realização dos seus objetivos financeiros e definição de um planejamento pós-carreira.

Já no que tange o depto. profissional, a montagem do elenco passa a ter critérios mais rigorosos que, como ponto de partida, preconizam os direitos federativos e econômicos de um atleta ao Figueirense.

Outros critérios para fazer parte de uma das vinte oito peças julgadas pela gestão como suficientes para uma temporada (acreditem, soube de uma equipe que iniciará a temporada 2012 com 51 atletas no elenco profissional) são: a versatilidade, o desempenho nos clubes anteriores, o nível dos clubes anteriores, o comportamento extra-campo, a qualidade técnica, a experiência, a possibilidade de integração no atual elenco e o custo e prazo de contrato.

Com estas práticas o Figueirense obteve 57 pontos no campeonato brasileiro e um custo/ponto de R$ 300.000,00, totalizando cerca de R$ 17 milhões. Se vocês, leitores, estão atentos às notícias econômicas do futebol, saberão que algumas equipes ultrapassaram 150 milhões de reais em gastos na referida competição.

E o cenário atual é bem diferente daquele em Abril de 2010. Com uma vaga na copa sulamericana, com contratos televisivos mais rentáveis, com praticamente todas as cotas de patrocínio encerradas para o próximo ano, com a reestruturação dos deptos. de futebol de base e profissional em andamento e com melhorias em infra-estrutura, o Figueirense iniciará o ano de 2012 com uma grande responsabilidade. A de dar continuidade neste projeto que segue coerentemente a tendência de mercado, que é a de produzir mais, melhor, em menos tempo e com menos dinheiro.

Aproximar a teoria da prática, para alguns, é algo impossível. Felizmente, exemplos como este acontecem para que, como tudo que possa contribuir para a evolução do nosso futebol, sejam propagados e elogiados. E neste exemplo, até uma ação simples, mas que ajuda a ganhar o jogo antes do apito inicial, foi feita e nos permite refletir sobre a transcendência dos fatores (gestão, jogadores, treinadores, métodos de treino, torcedores, etc) que envolvem o futebol: cada funcionário do clube ganhou uma camisa (e tiraram foto) para se sentirem parte do todo que é este novo projeto. Projeto que começa com boas cabeças e termina com a bola na rede.

Você já ganhou uma camisa do clube em que você trabalha? Parabéns, Figueira!

Anúncios

Written by Eduardo Barros

24 de dezembro de 2011 at 13:34

O Modelo brasileiro de formação, o Footecon e o que podem ser boas notícias para o nosso futebol

leave a comment »

Discussão no VIII Fórum Internacional de Futebol deixa marca importante para o futuro da modalidade

Caros leitores,

No último dia 6 de dezembro, tive o privilégio de, pela primeira vez, participar do Footecon. Este fórum, idealizado há oito anos e organizado pelo ex-técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Alberto Parreira, mais do que networking, possibilita a observação do que é tema de discussão entre os grandes nomes e clubes do futebol brasileiro.
Como havia palestras simultâneas e tinha a disponibilidade de permanecer somente por um dia, seguramente perdi discussões de alto nível, porém, das que pude participar, destaco duas que precisam ser amplamente divulgadas e que serão sintetizadas nas próximas linhas.
Precisam ser amplamente divulgadas porque todas as atitudes que favoreçam o potencial de desenvolvimento do futebol brasileiro devem ser ouvidas e analisadas pelo maior número de stakeholders possíveis para que, de acordo com as adaptações necessárias em cada realidade, sejam colocadas em prática.
A discussão sobre a importância da formação de atletas tem ganhado cada vez mais espaço nos diversos ambientes em que se discute futebol. Quando esta conversa surge nas salas universitárias, os comentários tendenciosos dizem que é um tema muito acadêmico para o mundo do futebol. Se é feita pelos dirigentes dos clubes formadores emergentes, o contraponto é feito afirmando que o custo x benefício desse investimento não é vantajoso; e, se é feita por jovens e ainda inexperientes treinadores, as opiniões os classificam como sonhadores num aparente imutável cenário brasileiro no tocante à formação.

E se num destes ambientes em que se discute futebol as pessoas que estão sentadas à mesa não são jovens, não são dirigentes de clubes emergentes, nem são acadêmicos e sim figuras representativas no mercado como: o treinador da seleção brasileira principal, Mano Menezes, o (ex) diretor executivo de futebol do Vasco da Gama-RJ, Rodrigo Caetano, o Coordenador das categorias de base do Internacional-RS, Jorge Macedo e o gerente de futebol do Fluminense-RJ, Marcelo Teixeira. Será que o tema ganha relevância? Não tenho dúvidas!

Durante cerca de uma hora, com transmissão em canal fechado num horário não tão acessível para os profissionais do Esporte, estes quatro profissionais do futebol deram uma aula (com um valor simbólico infinitamente superior àquelas minhas colunas que valorizam a formação dos atletas brasileiros) sobre quais devem ser os caminhos escolhidos pelos gestores do futebol brasileiro para que a supremacia estabelecida no passado seja mantida no futuro.

Para Mano Menezes, a infraestrutura dos grandes clubes do país é muito boa, no entanto, a Filosofia vigente é extremamente prejudicial, pois valoriza o vencer em detrimento do formar.

Quando questionado sobre como modificar a Filosofia, Mano disse que não é responsabilidade do treinador da equipe profissional alterá-la ou estabelecê-la. É função da empresa, que deve transmiti-la ao seu corpo técnico, da base ao profissional, mantendo somente os profissionais que se adequam, que são competentes, e não os que são “boa gente”.

O treinador da seleção disse ainda que as diferentes categorias do clube (inclusive a profissional) precisam ampliar as ligações para não criar abismos nas transições e perdas de jogadores em potencial, que gostaria de ver os jogadores brasileiros com maior identidade aos clubes formadores (e não somente ao dinheiro, pressão dos agentes e da família), que o potencial de melhora é imenso e que junto à CBF ele (que já conseguiu mudanças significativas na base canarinho em 2010) lutará por um projeto que defina diretrizes para o futebol brasileiro de formação.

Rodrigo Caetano, em suas primeiras palavras, foi enfático ao mencionar a desvalorização dos profissionais da base e a ausência de um plano de carreira para os mesmos. Outra opinião foi a de que numa equipe profissional deveria haver um número mínimo de atletas oriundo das categorias de base do clube. Corroborando com Mano, o (ex) diretor vascaíno disse que aplicar e cobrar a Filosofia, são funções de quem coordena o Depto. de Futebol e finalizou, afirmando que um possível legado da melhoria no Modelo de Formação Brasileiro seria uma maior permanência de grandes atletas nos clubes formadores, como Dedé e Neymar, e por consequência um maior espetáculo.

Jorge Macedo apontou que a continuidade, ou melhor, a falta dela é um grande mal no futebol brasileiro que, pela necessidade do mercado de se antecipar a formação para 17 e 18 anos e pela dificuldade dos gestores brasileiros em administrar a pressa, perde muitos jogadores que não recebem o tempo de maturação adequado para comporem o elenco profissional. Uma saída do Inter-RS para este mal foi a criação da equipe B, sub-23.

Outro ponto interessante comentado pelo profissional da equipe gaúcha foi em relação ao excessivo assédio a atletas até dezesseis anos de idade (que não podem ter contrato profissional), a necessidade da blindagem desses atletas, a inevitável exposição, mas o receio em perdê-los.

Já Marcelo Teixeira iniciou mencionando que no Manchester United os salários para os treinadores das categorias de base são os mesmos independentemente da categoria com a qual trabalhe. Segundo Marcelo, uma das ferramentas necessárias para a evolução da formação brasileira é a criação de uma área de Inteligência e detecção do talento que, na maioria das vezes, é feita por profissionais que buscam jogadores de acordo com o seu próprio “olhar” e não a partir de procedimentos estabelecidos pelo clube no qual o scouter é contratado/presta serviços.

De acordo com dados coletados por Marcelo, os atletas que foram negociados desde a criação do centro de formação do clube em Xerém, no fim da década de 90, deram maior retorno do que o custo operacional para manutenção do CT. Finalizando suas opiniões, Marcelo criticou a mais nova profissão, conhecida como “pai de atleta”, criticou também o assédio aos jogadores não profissionais (no último sul-americano sub-15 o Fluminense teve um jogador assediado para trocar de clube por R$ 200.000,00) e a importância dos campeonatos sub-23.

No fim da mesa, Mano pediu discussões mais profundas sobre o tema. Podemos esquecer o pedido, aceitar que o futebol brasileiro é assim mesmo, lamentar a saída do Rodrigo Caetano após divergências com os dirigentes do clube carioca e arquivar este assunto. Ou então, podemos encarar o problema (e que problema!), assumirmos que estamos distantes dos modelos de formação dos clubes europeus, “mostrarmos a cara” a dirigentes avessos à mudança para que daqui alguns anos (muitos ou poucos), possamos chegar à final do Mundial de Clubes da Fifa e, com convicção, afirmarmos: Somos favoritos! Só de material humano, poderíamos ter um Barça por estado brasileiro.

Semana que vem, o “jogo jogado” com a cabeça e o case Figueirense.

Written by Eduardo Barros

17 de dezembro de 2011 at 9:03

O padrão de jogo e os próximos (e difíceis) passos

leave a comment »

Última rodada: a marca dos 71 pontos, a repetição dos comportamentos e a Libertadores

Para o Corinthians, a última rodada do Campeonato Brasileiro serviria para a confirmação do planejamento feito há cerca de dois meses quando estimou 71 pontos como suficientes para a conquista do título.

Diante disso, pela pontuação obtida até a 37ª rodada e pelos pontos dos demais adversários, o confronto frente à equipe do Palmeiras desobrigava o cumprimento da Lógica do Jogo.

Da vigésima terceira à trigésima rodada, os comportamentos de jogo dos comandados pelo técnico Tite foram observados para que o padrão de jogo fosse identificado e os pontos de melhoria e manutenção de desempenho, apontados.

Agora, na rodada final, mais uma observação do jogo corintiano foi realizada com o intuito de observar as manifestações (e possíveis alterações) dos referidos comportamentos.

Seguindo a linha cronológica de ocorrência das ações do jogo, observe o vídeo abaixo em que os subtítulos escritos em branco se referem a comportamentos muitas vezes observados e os escritos em amarelo a comportamentos em que não é possível classificá-los como um padrão coletivo. 

http://www.youtube.com/watch?v=YG69KTPUTUU 

Sobre o vídeo, seguem os comentários:

A ausência de apoio dos volantes – orientado predominantemente para progressão, quando ela é impedida, faltam recursos de manutenção da posse que necessitam linhas de passe abertas pelos volantes. Wallace, não tem o hábito de atuar nesta função.

Boa proteção do alvo pela linha defensiva – Alessandro/Paulo André/Leandro Castán/Fábio Santos criaram um muro de proteção do corredor central.

Falta de mobilidade dos volantes no início da organização ofensiva – padrão de comportamento que frequentemente evidencia a omissão para saírem jogando com qualidade.

Wallace marcando individual – Ralf e Paulinho faziam uma combinação combate/cobertura não observável na dupla de volantes da final, em que o atleta que entrou, por vezes, assumiu referência individual para marcação.

Plataforma de Jogo 1-4-2-3-1 – De todos os jogos analisados esta foi a estrutura predominante.

Ataque à bola em bola parada defensiva – Comportamento dificilmente observado. Feito por um atleta que não jogou com regularidade.

Bom equilíbrio defensivo – Atletas bem posicionados retardando e equilibrando a ação.

Não sair jogando em tiros de meta – De todos os jogos analisados, este foi o comportamento padrão.

Balanço Defensivo bem posicionado – O excesso de gols sofridos em transições defensivas pode ter modificado o posicionamento de Paulo André, que não desceu ao ataque em Bolas Paradas. Outra possibilidade pode ser a lesão (que o tirou de alguns treinos da semana) que limitou seu deslocamento no jogo.

Mau posicionamento da linha de volantes – Já comentado.

William sem espaço para 1×1 – William não conseguiu receber de frente, para driblar, como fez em todos os jogos analisados. Foi marcado individualmente.

A circulação da bola para permitir a desmarcação dos meias – A equipe do Corinthians, dificilmente, mantém a posse.

O Jogar simples e eficiente de Alessandro – Dominar, tocar, progredir. Em todos os jogos analisados!

As tabelas de Paulinho próximas à zona de risco – Não joga horizontal, porém, no jogo curto está sempre presente para finalizar.

A dificuldade da manutenção da posse com o adversário protegendo o alvo – Nos jogos analisados, o Corinthians frequentemente desfez da posse com cruzamentos em situações inapropriadas.

Progressão + Cruzamento – Ação típica.

Campo pequeno a defender – A boa redução dos espaços entre bola e alvo foi, sem dúvida, um comportamento eficaz em todos os jogos analisados.

Falha no ataque à bola em bola parada defensiva – Ao longo dos jogos, muitos adversários conseguiam marcar a partir de bola parada, ou então, criar uma situação muito perigosa.

Interceptação de Júlio César – Evolução neste comportamento que não havia sido observado em jogos anteriores.

Progressão + Tabela Paulinho + Cruzamento – Já comentado.

Interceptação de Júlio César – Já comentado.

Boa compactação – relacionado ao campo pequeno a defender e já comentado. 

Só não precisávamos deste exemplo – ruim para milhões de crianças e adolescentes, aspirantes a jogadores de futebol, que se espelham em comportamentos sociais em evidência. Este, infelizmente, é um deles.

A coesão do grupo estabelecida pelo Tite esteve estampada em cada comemoração, declaração e imagem da conquista do título. Título que, no dinamismo do mundo atual, foi brevemente comemorado, pois sabemos que o interesse da nação corintiana é a conquista da América.

Segundo declarações dos próprios jogadores, a cobrança do título da Libertadores já começou.

É neste ponto que entram os próximos passos. Tais passos, por parte da Comissão Técnica, devem rumar para uma profunda análise do Modelo de Jogo atual e um novo planejamento em relação à configuração da equipe de 2012. O jogo apresentado no presente ano permitiu que se ganhasse o país, e a Comissão deverá saber se com o mesmo jogo será possível ganhar a América e, na sequencia, o Mundo!

Written by Eduardo Barros

12 de dezembro de 2011 at 10:30

A relação entre os princípios operacionais e os meios táticos

leave a comment »

Compreender qual será a implicação operacional do conteúdo tático possibilita intervenção precisa no processo de treino

As discussões acerca de um determinado tema sempre possibilitam crescimento. No conflito de opiniões de interpretações da realidade, cada indivíduo defende seu ponto de vista fundamentado em experiências, vivências e conhecimentos diversos.  Nessas discussões, um ambiente favorável, a liberdade de expressão e a ausência de julgamento de valor são pré-requisitos para que o crescimento seja potencializado.

Em 2009, participei de muitas discussões. Naquele ano, minha capacitação técnica em relação ao futebol teve um salto de qualidade. Uma das pessoas que contribuiu para meu desenvolvimento profissional foi Lucas Leonardo, estudioso da pedagogia dos JDC e, na ocasião, companheiro de trabalho.

Lucas, então coordenador do Departamento de Pedagogia, desenvolveu um pequeno material (que recebeu alguns ajustes), estabelecendo uma relação entre os princípios operacionais dos jogos coletivos de invasão e os meios táticos do futebol.

Basicamente, o objetivo deste material era auxiliar a comissão técnica que, ao definir os conteúdos de trabalho em seu planejamento semanal, deveria saber exatamente em qual nível funcional dos jogos elaborados as intervenções ocorreriam.

Por fatores diversos, a discussão sobre este tema nunca foi encerrada; porém, a oportunidade de escrever para um conceituado portal permite que tal discussão, iniciada por um pequeno grupo de pessoas, ganhe o mundo e contribua no aperfeiçoamento da atuação profissional de cada um dos leitores/profissionais do futebol.

Na presente coluna, será apresentada somente a relação entre os princípios operacionais e os meios táticos defensivos, estabelecida com base no Currículo de Formação já abordado integralmente.

Sabe-se que as Referências Operacionais Defensivas dos jogos coletivos de invasão são: impedir progressão ao alvo, proteção do alvo e recuperação da posse de bola.

Já como Meios Táticos Defensivos do futebol, apresentam-se: bloco, cobertura defensiva, compactação, direcionamento, equilíbrio, flutuação, pressão, pressing, recomposição e retardamento.

Cada meio tático se relaciona em níveis hierárquicos com as referências operacionais como mostra a tabela abaixo:     Tabela – Relação entre os Meios Táticos Defensivos e as Referências Operacionais Defensivas

Perceba que algumas ações táticas se relacionam com as três referências operacionais, outras ações com apenas duas e há ainda as que se relacionam somente com uma referência, mais especificamente a de recuperação da posse de bola.

Na organização defensiva, a recuperação da posse de bola é o objetivo principal. Porém, é certo que orientar diretamente todas as ações individuais e coletivas exclusivamente para este mecanismo não é o procedimento mais eficaz.

Durante a ocorrência desse momento do jogo, é coerente que a equipe tenha comportamentos (previamente treinados) que, em dadas situações do jogo, estejam orientados (num primeiro nível hierárquico) para uma ação operacional distinta da recuperação da posse de bola.

Ao pensar a semana de treinamento em relação aos conteúdos defensivos, não se esqueça de que, no Jogo, as aplicações destas ações táticas se inter-relacionam e emergem (quer você queira, quer não) de acordo com os inúmeros e imprevisíveis problemas do Jogo. Problemas que, quanto mais experiências de qualidade os treinamentos permitirem aos atletas, melhores serão solucionados.

Que esta tabela auxilie as comissões técnicas em suas reuniões de planejamento para que um treino criado não fuja das reais necessidades da equipe.

Em relação à tabela dos princípios operacionais e meios táticos ofensivos, escreverei em outra oportunidade.

 

 

Written by Eduardo Barros

3 de dezembro de 2011 at 9:21