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Temas atuais relacionados ao Futebol

Archive for janeiro 2012

Para ampliar a discussão e acelerar a evolução do futebol brasileiro

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Temática levantada pelo zagueiro Paulo André deve ser amplamente discutida para impulsionar mudanças na formação do atleta brasileiro

Na semana passada, a Universidade do Futebol publicou na íntegra o post feito pelo zagueiro do Corinthians Paulo André, em seu blog oficial, a respeito das Categorias de Base, mais especificamente em relação ao clube que atua. Uma semana depois, um importante canal de televisão brasileiro, em seu portal de notícias, promoveu uma matéria com um atleta corintiano recém-contratado, em que o tema principal era a qualidade da “resenha” do jogador e as mais de 500 mulheres com as quais ele já saiu.

Como devemos respeitar as diferentes interpretações/visões da realidade, feitas por cada indivíduo/sociedade, e compreender que questões como estas, ou então, de Luiza, do Michel Teló, além do episódio no BBB, são mais atrativas do que questões ideológicas e revolucionárias, prefiro, ao invés de criticar a referida matéria, divulgar a louvável iniciativa do zagueiro Paulo André e “brigar” para que ela ganhe maiores dimensões.

Há alguns dias, participei de uma matéria feita pelo canal SporTV que abordava a perda de prestígio dos treinadores brasileiros no cenário mundial. De uma maneira simplificada, a reportagem permitiu a compreensão de somente um pequeno fragmento do todo que tem desprestigiado nossos treinadores e, é claro, nosso futebol. A repercussão da matéria: mínima!

Da grande parte das ideias que tentei transmitir em cerca de 5 minutos de entrevista, somente alguns segundos foram ao ar. Estou certo de que muitas, senão todas as ideias que mencionei à jornalista já foram bastante discutidas/exploradas/evidenciadas na Universidade do Futebol. Porém, estas ideias (as minhas, as suas, as dos demais colunistas e colaboradores) não podem ter suas divulgações restritas somente a este espaço.

E é neste ponto que o atleta Paulo André pode contribuir com nossas reflexões diárias acerca do futebol. Atleta profissional de um clube de massa, com respeito de diretoria, torcedores e mídia em geral, o valor simbólico da sua opinião é infinitamente superior a minha, colunista semanal e técnico adjunto do pequeno Paulínia FC.

Ao ler o post de Paulo André, redigi a seguinte opinião: 

“Qualquer comentário sobre a atual situação do futebol brasileiro pode parecer pobre quando comentada em poucas linhas, ainda mais quando o assunto se refere às Categorias de Base, ou melhor, ao FUTURO do nosso futebol.

Já mencionei em uma das minhas publicações na Universidade do Futebol que o Brasil tem material humano suficiente para ter pelo menos um Barcelona (clube modelo de formação) por Estado. Para isso, falta o principal: gestão competente do departamento de futebol profissional dos mais de mil clubes espalhados pelo país.

Poderia comentar a visão da Gestão para os diferentes perfis de clubes (formadores, clubes de massa, clubes pequenos) e também sobre os diferentes perfis de administração (terceirização, abandono, descaso, investimentos exorbitantes), que possibilitaria uma maior visão sobre as Categorias de Base no Brasil, porém, como você relata o case Corinthians (clube de massa com investimento anual exorbitante na Base), é nele que irei me prender.

Concordo plenamente que poucos jogadores estão maduros (fisica-técnica-tática-emocionalmente) aos 18 anos para ingressarem em alto nível no Depto. Profissional, porém, emprestar jogadores penso que não é a alternativa mais viável. Disputar competições com uma equipe B é uma opção plausível. O elenco principal teria mais tempo para a pré-temporada (e você mais tempo de preparação que tanto deseja) se vocês jogassem somente alguns jogos do Campeonato Estadual. Num ano em que vale o título ainda não conquistado (Libertadores), Campeonato Paulista não deve ser prioridade de título da diretoria. Eis um momento importante para jovens jogadores amadurecerem!

Sobre a mudança de idade da Copa SP, na minha visão, é indiferente. Clubes bem planejados, não devem fazer deste torneio o divisor de águas sobre um bom ou um mau trabalho. O São Paulo foi Campeão Paulista sub-20 e eliminado na 1ª fase da Copinha; sinal que está tudo errado e que alguém deve pagar por isso? De maneira alguma…

Caso o Corinthians seja campeão (assim como foi), também não significa que muitos estarão em condições de jogar no profissional. Com diversas competições nacionais e internacionais de categorias de base, a Copa SP é somente mais uma com mais visibilidade do que as demais devido ao recesso do futebol profissional.

Desfazer-se da categoria de base, no caso do Corinthians, é desfazer-se da grande identidade futura do clube. Qual o melhor ambiente para a raça corintiana (idolatrada pela torcida) ser adquirida que não no depto de formação do clube? Será que, ao longo do tempo, todos os jogadores contratados viriam com este sentimento/atitude?

Será que as contratações se encaixariam perfeitamente no Modelo de Jogo do clube (e não no Modelo do treinador)?  Se tal Modelo estiver sendo desenvolvido desde o Dente de Leite (como faz o Barça) ao sub-20/sub-23, pouquíssimos jogadores precisariam ser contratados.

Este meu argumento poderia ser facilmente batido ao mencionar que o Real Madrid quase não tem jogadores da Base. É fato, como também é certo que é muito custoso (muito mais que R$ 15 milhões) e que não é garantia de título. Faz anos que o Real não disputa uma final de Champions.

Concluindo, passa tudo pelo principal: gestão competente do depto de futebol profissional que deve estreitar a comunicação com a Base, contratar profissionais capacitados para o depto. de formação, aproveitar as mudanças da lei Pelé que privilegiam o clube formador com um contrato, transmitir uma Filosofia desejada e supervisionar sua aplicação, profissionalizar com salário coerente atletas em potencial e preparar os jogadores (fisica-técnica-tática-emocionalmente) com o que há de mais atual em relação à metodologia de treinamento e se desvincular de agentes/empresários que limitam a evolução do futebol brasileiro e prejudicam os clubes.

Enfim, é um processo demorado, trabalhoso, mas que pode dar sentido (lucro e sustentabilidade) à existência das categorias de base dos clubes de massa.

Talvez, com a operacionalização de tudo isso, jogadores mais “maduros” (atletas e não boleiros) apareçam em maior número e já nas idades de transição da categoria Júnior.”

 O Paulo André ainda irá fazer mais três publicações sobre o mesmo tema. Irá, inclusive, contrapor a opinião da postagem inicial.

Não deixe de se posicionar! Entre no blog do atleta e o instigue com reflexões, questionamentos e comentários. Enfim, faça sua parte. Quanto mais pessoas pensarem e intervirem nas questões do futebol de formação, mais rápida será nossa evolução.

Por enquanto, agradeço ao Paulo André pela iniciativa.

Bem que poderíamos ter um jogador (atleta e não boleiro) como este por clube grande do futebol brasileiro…

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O futebol “invisível”

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Disponível para todos, porém, visto por poucos

Alguns jogos precisam ser guardados para serem revistos ao longo do tempo. Ver uma partida diversas vezes, podendo pará-la, estudá-la, analisá-la, enfim, ser crítico sobre as inúmeras ações que ocorreram no confronto e que permitiram que uma equipe levasse vantagem sobre a outra, é tarefa necessária para quem pretende aperfeiçoar a sua leitura do jogo de futebol.

E, para aperfeiçoar a sua leitura do jogo, “enxergar” o futebol aparentemente “invisível” será determinante na composição de uma opinião sistêmica da modalidade.

O trecho abaixo, retirado do penúltimo clássico Real Madrid x Barcelona, válido pelo 1º turno do campeonato espanhol e que a equipe catalã venceu por 3 a 1, é parte de um destes jogos que devem ser vistos repetidas vezes. De acordo com o tema da semana, a preocupação da edição das imagens deu-se exclusivamente com o referido futebol “invisível”, mais especificamente com um único jogador: 

http://www.youtube.com/watch?v=jys-UBrhMaw 

Grande parcela da mídia, dos torcedores e até dos próprios treinadores, tende a analisar um jogo e/ou um jogador exageradamente pela “qualidade técnica”. Atributos como passe, cabeceio, finalização, desarme, são as características observadas para a definição do nível do atleta. Porém, quem é leitor assíduo da Universidade do Futebol, seguramente, já observou que ter simplesmente as informações técnicas de determinado jogo ou jogador, desconectadas do Modelo de Jogo da equipe, dirá muito pouco desta equipe e do próprio jogador.

No jogo identificado acima, o atleta analisado realizou 9 passes horizontais, 6 passes verticais no sentido da própria meta, 12 passes verticais no sentido da meta adversária, errou 2 passes, fez 7 interceptações completas, 8 interceptações incompletas, 2 desarmes completos e perdeu a posse de bola 1 vez, totalizando 47 ações.

Esta análise pode ser feita por um software quantitativo de análise de jogo, ou então, manualmente (o meu caso) para quem não dispõe deste recurso tecnológico. Estas 47 ações, facilmente visíveis, são somente uma pequena parte dos 90 minutos do jogo de futebol que, no plano individual, é jogado a maioria do tempo sem a bola. 

(Em tempos de Copa-SP e exacerbação de comentários sobre bons jogadores de futebol, respeito a  importância da análise técnica de um atleta, porém, é incompreensível que uma análise se reduza a esta vertente.) 

Após um parêntese necessário, retornemos ao vídeo e ao futebol invisível que, jogado sem bola durante quase todo o jogo, infelizmente, poucos enxergam.

Para cada lance, o que poucos enxergam: 

1-    A velocidade (de decisão) em abrir linha de passe;

2-    A diagonal para evitar a penetração;

3-    A recomposição para evitar a penetração;

4-    O posicionamento com nítida atenção as referências do jogo (alvo, bola, companheiros adversários);

5-    O atraso da ação adversária com nítida atenção as referências do jogo (alvo, bola, companheiros adversários);

6-    A cobertura defensiva e a proteção do alvo;

7-    O posicionamento com nítida atenção as referências do jogo (alvo, bola, companheiros adversários);

8-    A ampliação do campo efetivo de jogo com a equipe em posse de bola;

9-    A recomposição e o posicionamento para cortar um possível cruzamento;

10-  O atraso da ação adversária para posicionamento dos companheiros;

11-  A rápida recomposição mesmo quando é ultrapassado;

12-  O atraso da ação adversária para posicionamento dos companheiros;

13-  A velocidade (de decisão) em abrir linha de passe mesmo que não receba a bola;

14-  A rápida diagonal para posicionar-se entre bola e alvo;

15-  A diagonal para evitar a penetração;

16-  O equilíbrio defensivo, a eficiente diagonal e o foco na trajetória da bola, e não no corpo do adversário;

17-  O bom posicionamento defensivo quando distante da bola;

18-  A rápida recomposição mesmo quando é ultrapassado; 

A partida só não foi perfeita para este jogador, pois em duas situações do jogo errou a decisão (e a ação), como pode ser observado no pequeno trecho abaixo: 

http://www.youtube.com/watch?v=dxaDR2DT4YU&feature=youtu.be 

Na primeira imagem, opta pelo combate em detrimento à recomposição e cobertura, permitindo o passe adversário para um setor desprotegido. Na sequência, passa da bola e não prevê o corte para dentro; quando resolve voltar, é tarde demais.

Quanto mais pessoas enxergarem o futebol sem bola, mais rapidamente acontecerão as urgentes transformações do futebol brasileiro. Na perspectiva administrativa, contratações mais assertivas poderão ser realizadas, na perspectiva técnica, principalmente em relação à Metodologia de Treinamento, será compreendido que cada ação de um jogador no jogo, como bem diz o Dr. Alcides Scaglia, é pautada por uma intenção, portanto, carregada de significado. E este significado (indispensavelmente correlacionado ao Futebol) deve ser buscado em cada sessão de treinamento.

Já num plano comercial, se mídia e torcedores brasileiros um dia enxergarem o futebol “invisível”, serão mais críticos na análise do que deveria ser um espetáculo.

Sem dúvida, ganhariam todos! Hoje, quem mais ganha é o futebol europeu! Representado na coluna por Carles Puyol que, ao contrário de muitos defensores brasileiros com mais de 30 anos de idade, sobe o bloco quando sua equipe tem a posse de bola, pressiona constantemente em espaço e tempo seus adversários, sai jogando predominantemente com passes curtos, além dos comportamentos que puderam ser observados no vídeo. Tudo isso com uma altura (1,80m), para muitos, inapropriada para zagueiros.

Uns dizem que os jogadores do Barcelona se entregam ao jogo, outros que treinam muito passe, outros ainda que tudo que aconteceu foi obra do acaso: “você junta os jogadores e as coisas acontecem naturalmente”.

Prefiro dizer que eles dominam o futebol invisível. Visto nesta coluna no plano individual e que deve ser feito no jogo, por todos, no plano coletivo.

Entrevista para o canal SporTV

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Matéria publicada no último dia 12, no programa SporTv News:

http://sportv.globo.com/videos/sportv-news/t/ultimos/v/tecnicos-de-futebol-brasileiros-perdem-prestigio-na-europa-e-no-mundo/1766275/

Agradeço ao Coordenador do Curso de pós graduação da Universidade Gama Filho, Roberto Banzé, pela oportunidade.

Written by Eduardo Barros

18 de janeiro de 2012 at 22:06

Entrevista Tática – Dante: Zagueiro do Borussia M’gladbach-ALE

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“Foco, concentração, respeito e determinação. Acredito que são as regras básicas para se ter uma equipe vencedora em qualquer jogo”

Com grande colaboração do jornalista Bruno Camarão, que estabeleceu o contato para a entrevista, a coluna desta semana traz a opinião de Dante sobre diversos aspectos referentes ao jogo de futebol que de alguma forma se relacionam com a vertente tática da modalidade.

Dante, zagueiro do Borussia M’gladbach e único brasileiro no atual elenco, é peça importante na surpreendente campanha da equipe na Bundesliga 2011/2012, com 33 pontos em 17 rodadas e ocupando a 4ª colocação. Distante 4 pontos do líder, sua equipe encontra-se atrás apenas de Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Schalke 04. O defensor de 28 anos é um dos três jogadores da equipe que mais atuou na competição, 1530 minutos.

Abaixo, a entrevista com o jogador:

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Em 1998 na Catuense, em 1999 no Galícia, em 2000 no Capivariano, entre 2001 a 2004 no Juventude, de 2004 a 2006 no Lille-FRA, em 2007 no Charleroi-BEL, de 2007 a 2009 no Standard Liège-ALE e de 2009 em diante no Borussia M’gladbach-ALE. 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

Podemos abordar muitos pontos dentro disso. Acredito que inteligência tem a ver, além da qualidade técnica, com a capacidade de fazer bem uma leitura de jogo, de entender estrategicamente o futebol, compreender as propostas de jogo da sua equipe e também do adversário e, também, saber usar sua qualidade técnica de um modo que possa se diferenciar. 

3-    Você saberia descrever o quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

Praticamente em tudo. Meu amor por futebol surgiu justamente nas brincadeiras de rua e no colégio. Tudo isso faz parte do que eu sou hoje e eu não seria o que sou se não fosse essa etapa da minha vida. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Foco, concentração, respeito e determinação. Acredito que são regras básicas para se ter uma equipe vencedora em qualquer jogo. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Normalmente o que se faz no clube, o treino diário, é o ideal. Obviamente uma boa pré-temporada é muito importante. Quando estamos treinando na pré-temporada ou nos treinamentos diários e importante um mix de trabalhos físicos, técnicos e táticos. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores de sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Acho que não precisa ter uma característica própria. Muitas vezes jogadores totalmente diferentes acabam se completando, um com mais capacidade de marcação, outro com mais capacidade de saída de bola. Então, varia muito isso e vai muito de acordo com a característica do jogador e do elenco que ele compõe. 

7-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Eu me considero um jogador com uma boa impulsão, boa estatura para jogadas aéreas e finalização de cabeça também. Sou um jogador tranquilo também, com uma boa saída de bola e sempre tento aliar tudo isso para me tornar um jogador sempre mais completo. 

8-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Sem demagogia, acredito que o Lucien Favre, que está conosco no Borussia M’gladbach é um dos grandes com quem já trabalhei e vi. Ele pegou este grupo desacreditado, praticamente rebaixado e foi responsável pela recuperação e pela consolidação da confiança desse grupo, que agora está lutando pela liderança na Bundesliga.  

9-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Isso acontece sempre. O jogador sempre tem uma convicção, mas temos de ter a consciência de que o treinador muitas vezes acaba tendo uma visão melhor e muitas vezes vai o próprio jogador que tem qualidade para jogar numa determinada posição que ele achava que não lidava bem. Acredito que, nestes casos, é preciso ter calma, pois às vezes as coisas podem ser boas para o jogador. 

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A preleção aqui na Europa é um pouco diferente do Brasil. No Brasil ela é mais motivacional, aqui na Europa é apenas uma resenha de tudo que treinamos e do que temos pela frente. É sempre importante para entrarmos ainda mais concentrados em campo. 

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

O 3-5-2 é bem menos usual hoje e acabamos sempre jogando com uma linha de 4 na maioria das vezes ou com mais um jogador ali para auxiliar. Para nós, que somos zagueiros, independentemente da formação, é sempre bom ter alguém a mais ali para compor a marcação e dificultar a vida do adversário. Nós jogamos muito assim, com mais proteção atrás e apostando no contra-ataque ou tentando valorizar a posse. 

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola; Valorizando a posse e buscando alternativas, evitando ao máximo o erro de passe.
  • Assim que perde a posse de bola; recomposição rápida para não deixar espaços.
  • Sem a posse de bola; equipe compacta, evitando ao máximo deixar buracos e oportunidades para os adversários.
  • Assim que recupera a posse de bola; buscar atacar com velocidade para surpreender o adversário e aproveitar os espaços.
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas. atenção no posicionamento. Este é um ponto forte da nossa equipe. 

Existe alguma mudança de comportamento previamente treinada para jogos fora de casa? E com a vantagem no placar? Explique:

A gente busca sempre jogar da mesma maneira fora de casa, porém, é sempre necessário lembrar que há um adversário e que as equipes jogando em casa sempre tendem a jogar mais para o ataque e tentar se impor. Nossa postura é sempre de tranquilidade, esperando a hora certa para dar o bote, em qualquer situação. 

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Todos nós vamos nos falando, ouvindo orientações do banco e tentando se ajeitar para que as coisas melhorem. Nunca é uma situação muito fácil de se resolver, mas, às vezes, acaba funcionando, principalmente quando se tem uma equipe entrosada. 

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

É sempre bom ter um retorno da comissão e das pessoas que estão conosco. Eu busco assistir o jogo e ser muito crítico em relação ao que eu faço, justamente para melhorar sempre. 

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Eu acho que uma característica básica de diferença é o ritmo de jogo. Na Europa a bola corre mais, a grama é mais baixa, o jogo é mais rápido. Acredito que esta seja a principal diferença. 

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

Buscar sempre a união da equipe, integração de todos, para criar um ambiente saudável e propício para que seja realizado um grande trabalho. 

Para finalizar, dê sua opinião sobre o que achou da entrevista e como, na sua visão, a mesma pode contribuir com o futebol brasileiro:

Gostei muito, pois fugiu bastante do que as pessoas costumam perguntar e foi mais a fundo em alguns pontos. Espero que seja interessante para quem trabalha, para quem pensa em trabalhar com futebol e espero também que vocês tenham gostado.

Written by Eduardo Barros

14 de janeiro de 2012 at 9:12

A relação entre os princípios operacionais e os meios táticos – parte II

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Confira a parte final da tabela que indica a relação entre os temas para elaboração do planejamento semanal

Olá a todos!

Definitivamente, a bola (a vida e o tempo) não para! Menos de um mês após o péssimo desempenho do Santos na final do mundial de clubes no Japão, as calorosas manifestações a respeito do ocorrido, além das possíveis soluções para que daqui a um ano a história seja diferente, já se esfriaram.

Neste período, novos gols e notícias contribuem para o esquecimento do dia em que o futebol brasileiro “não viu a cor da bola”.

Como membro integrante deste futebol brasileiro, porém, sem sofrer da mazela do esquecimento, minha breve pausa para as comemorações de fim de ano já deu espaço para novos estudos. Afinal, para um dia chegar “lá” (sim, na final do Mundial de Clubes), não vejo outra solução que não seja a de debruçar numa busca diária por conhecimento e autoconhecimento (competências bem diferentes) no que se refere à capacitação teórica-prática para intervenção na modalidade.

Antes de me aprofundar no tema semanal, abro espaço para um comentário em relação à publicação da semana anterior, em que recebi alguns e-mails mencionando a alta complexidade da atividade em questão e sobre a dificuldade de aplicá-las em atletas em formação. A resposta individual aos leitores já foi devidamente realizada, no entanto, resolvi mencionar também neste espaço por julgar como um questionamento feito por outros leitores.

De fato, a atividade apresenta um excessivo número de regras e complexidade para ser aplicada de uma única vez em atletas sem experiência prévia. Mas, para atletas com histórico em treinamento por meio de jogos, que tenham referências coletivas comuns, facilidade para a compreensão da lógica do jogo elaborado e numa equipe em que este jogo seja um facilitador para o aperfeiçoamento do momento ofensivo (previamente estabelecido e conhecido pelos jogadores), jogar este jogo é perfeitamente possível.

Se vocês se lembrarem, quando redigi o Jogo 1, mencionei a importância de quaisquer atividades que viessem a ser publicadas serem desenvolvidas respeitando um importante princípio metodológico da Periodização Tática: a progressão complexa. Portanto, para criar uma atividade mais ou menos complexa, conheça o nível da sua equipe!

Aproveito também para responder as inquietações de outros leitores: não sigo ou copio livros de jogos e/ou atividades prontas. Recorro a elas eventualmente para que me surjam ideias e me apoio firmemente nas leituras de Frade, Bayer, Garganta, Leitão, Scaglia, Gomes, Greco, Weineck, Bompa (sim, também leio sobre treinamento físico) e nos membros da Comissão Técnica com quem trabalho para elaborar os treinos.

Escolhi publicar um jogo “difícil” para mostrar ao leitor um mundo de possibilidades. E neste mundo de possibilidades, não se esqueça de desenvolver os jogos que façam sentido ao seu Modelo e a Lógica do Jogo de Futebol.

Lógica que, para cumpri-la, fazer gols será indispensável. E para auxiliá-lo nesta tarefa, apresento uma tabela de relação entre os meios táticos ofensivos e os princípios operacionais ofensivos:

Tabela – Relação entre os Meios Táticos Ofensivos e as Referências Operacionais Ofensivas

Se o objetivo da fase defensiva é a recuperação da posse de bola, o objetivo da organização ofensiva a todo o momento deve ser o de fazer o gol. E da mesma forma que para recuperar a posse, muitas vezes, a melhor forma de fazê-la é orientar funcionalmente a equipe (lembre-se que ela é uma unidade complexa) para outro comportamento, na ação ofensiva, para desfazer-se dela, ou seja, finalizar, orientações hierárquicas anteriores deverão ocorrer.

Amplitude não faz gol! Entretanto, Dani Alves e Tiago Alcântara abriram caminhos no meio campo santista ao “prenderem” Danilo e Léo nas faixas laterais do campo.

Mobilidade e Desmarcação podem ser trabalhadas num tradicional jogo de “Passa 10” e que fará simplesmente sua equipe “andar em círculo”. A Mobilidade e Desmarcação (as mesmas do “Passa 10”, mas diferentes) do trio Xavi, Iniesta e Fábregas permitiam a aproximação do alvo na confusa marcação santista através da manutenção da posse.

Demais relações podem ser estabelecidas para todos os outros meios táticos. Como podem perceber, não sofro da mazela do esquecimento.

Se um dia chegaremos “lá”? A vida e o tempo dirão! Enquanto isso, façamos o que nos cabe…

Banco de Jogos – Jogo 2

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A dinâmica imposta pela equipe do Barcelona é invejável. Com a posse de bola, constroem um jogo apoiado, com movimentações constantes para chegar à zona de risco adversária. A posse pela posse é observada somente quando a lógica do jogo está sendo cumprida com relativa facilidade.

O jogo identificado abaixo torna propensas as ocorrências da mobilidade com trocas de posição e do apoio, que são ações táticas observadas na organização ofensiva da equipe catalã, e que serão necessárias para se aproximar da vitória na atividade em questão.

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Mobilidade com trocas de posição e Apoio

 Plataforma de Jogo Equipe A (azul): 1-4-4-2 Losango

Plataforma de Jogo Equipe B (verde): 1-3-5-2 

Regras do Jogo 

  1. No campo de defesa cada jogador pode dar no máximo 2 toques na bola; caso dê o terceiro toque = 1 ponto para o adversário;
  2. No campo de ataque, nos setores A, B, B’, B” e de médio risco, cada jogador pode dar no máximo 3 toques na bola; caso dê o quarto toque = 1 ponto para o adversário;
  3. Nos setores de alto e altíssimo risco, a quantidade de toques é liberada;
  4. O jogador que realizar um passe à frente da linha 3 (com exceção do passe originário do setor A e da zona de altíssimo risco); não poderá permanecer no mesmo setor em que estava quando executou o passe; caso permaneça no mesmo setor = 1 ponto para o adversário;
  5. Passe originário do setor A, à frente da linha 3 com troca de posição, ocupação do Setor A por outro jogador e manutenção da posse de bola =  1 ponto
  6. 6 trocas de passe consecutivas à frente da linha 3, com as trocas necessárias de setores = 2 pontos
  7. 6 trocas de passe consecutivas à frente da linha 3, com as trocas necessárias de setores + gol = 10 pontos
  8. Demais gols = 3 pontos 

Veja, abaixo, os exemplos:

Regra 4

 O atleta número 8 da equipe Azul realizou um passe para o seu companheiro número 7 e, na sequência da jogada, não trocou de setor. Desse modo a equipe adversária marca 1 ponto. 

Regra 5

O atleta número 5 da equipe Azul realizou um passe para o seu companheiro número 10 e trocou de posição com o atleta número 8. Como o jogador número 10 manteve a posse de bola a favor da sua equipe, passando para o número 7 (e trocando de setor), 1 ponto para a equipe Azul.

Regra 6

 

Como pode ser observado nas figuras, a equipe verde realizou 6 trocas de passe no campo de ataque com as devidas trocas de setores. (5 passou para 6; 6 passou para 10; 10 passou para 2; 2 passou para 9, nove passou para 11 e 11 passou para 10). A equipe verde marca 2 pontos.

Regra 7

Se na sequência da jogada após a troca de 6 passes ocorrer o gol, ele valerá 10 pontos. Demais gols (bola parada e ações em que não houve a troca de 6 passes) equivalem a 3 pontos.

Para dúvidas, críticas ou sugestões, escreva-me. As trocas de informações e discussões são as grandes potencializadoras da construção do conhecimento.

Obrigado por ter me acompanhado no ano de 2011, já adianto o convite para caminharmos juntos no próximo ano e que não faltem desafios, conquistas, aprendizados e muito trabalho.

Um abraço e que venha 2012!

Written by Eduardo Barros

1 de janeiro de 2012 at 22:20