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Temas atuais relacionados ao Futebol

Archive for maio 2012

A complicada linguagem que atrasa o futebol

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A forma do discurso pode contribuir na manutenção do abismo entre a teoria e a prática

O jogo de futebol é um confronto entre sistemas caóticos determinísticos com organização fractal. Esta frase, que bem caracteriza a modalidade, é inadequada para ser utilizada em muitos ambientes em que se discute o futebol!

Apesar de ser uma expressão equivocada para determinadas ocasiões, muitos fazem questão de pronunciá-la (ou então outras frases com semelhante grau de dificuldade) para evidenciarem seus conhecimentos acerca do jogo e também para se sentirem superiores.

No cenário atual, milhares de profissionais que atuam neste esporte não têm acesso ao conhecimento científico. Se nem os princípios básicos do treinamento, mais especificamente, do futebol estão sistematizados para estes profissionais, o que dirá da compreensão das tendências, como as leituras da teoria da complexidade, que são pouco discutidas inclusive em ambientes acadêmicos representativos?

Sabemos que os motivos que fazem com que dirigentes (ex-jogadores ou não) e ex-jogadores (que ingressam no corpo técnico) não adquiram conhecimento científico atualizado são diversos, mas não é tema da coluna discuti-los. O fato é que, mesmo sem o referido conhecimento, estes profissionais possuem algumas competências que os credenciam para trabalhar com futebol.

Compreendido este cenário, as pessoas que detêm o conhecimento atualizado sobre o futebol têm a missão de conseguirem transmitir as informações aprendidas de maneira simplificada, mas não menos complexa e, citando o colunista especial Cézar Tegon, se fazerem entender.

Hoje, não faltam oportunidades para a aproximação das pessoas. Seja num relacionamento real ou num virtual, inúmeras são as situações que podem aproximar os diferentes perfis de profissionais do futebol.

Se um dia, leitor (que, se está lendo este portal, tem grande possibilidade de estar interessado em adquirir conhecimento científico atualizado), você tiver oportunidade de discutir a modalidade e todos os seus desdobramentos (treinamento, jogo, análise de jogo, jogadores, planejamento, categorias de base, negociações, contratações, etc.) com algum profissional sem a competência do conhecimento científico recente, não tente querer mostrar que sabe mais do que ele sobre o tema através de uma linguagem rebuscada e, de certa forma, difícil. Esforce-se para acessá-lo e fazer com que fique instigado em entender mais sobre o jogo (e seus desdobramentos), nem que para isso seja necessário facilitar a comunicação.

E não confundam a facilitação da comunicação com a “boleiragem”. Tentar ser ouvido com uma linguagem simples e eficiente que represente bem a importância do assunto é bem diferente de exercer um comportamento marrento, com os trejeitos característicos de muitos que trabalham com este esporte.

Numa conversa, é perfeitamente possível falar de complexidade, sistemas, modelo de jogo, fractais, lógica do jogo, princípios, referências e momentos do jogo sem utilizar estas palavras e expressões.

Já pensou o quanto o nosso futebol pode ganhar se, pouco a pouco, os ex-jogadores (que treinaram de maneira fragmentada ao longo de toda a carreira) forem convencidos de que ao invés de treinar o físico, depois o técnico e por último o tático, é possível treinar todas as vertentes ao mesmo tempo?

O quanto conseguiremos equipes mais organizadas se todos compreenderem que para tentar manter a ordem no grande ambiente de desordem que é o jogo de futebol, orientações coletivas precisam ser estabelecidas e previamente treinadas?

Quantos atletas mais criativos e autônomos teremos, uma vez que no ambiente de treino predominará situações imprevisíveis semelhantes ao jogo?

Se os dirigentes ampliarem sua visão sobre o treinamento em futebol, será que permitirão treinos ultrapassados realizados pela sua comissão técnica?

Enfim, a aproximação entre os profissionais que dominam a teoria e os que têm maior espaço no mercado de trabalho do futebol de alto rendimento pode ser uma das maneiras de acelerar o processo de mudança do futebol brasileiro. Para isso é certo que os dirigentes e ex-jogadores devem perder o medo do novo e estarem abertos às novas aprendizagens.

Para que o novo não gere espanto, é fundamental que a teoria seja facilitada. Deixem as expressões difíceis para os ambientes em que forem convenientes (e eles são muitos).

Se as ações estiverem direcionadas para a lamentação da falta de espaço para pessoas que dominam o conhecimento teórico, mas têm pouca experiência prática, dificilmente observaremos mudanças. Portanto, não se queixe diante do cenário e aproveite sua oportunidade!

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Written by Eduardo Barros

26 de maio de 2012 at 14:20

Onde estão os nossos craques?

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Os craques desapareceram! Qual é a sua opinião?

Uma afirmação recorrente tem sido observada por todos profissionais que de alguma forma estão relacionados com o futebol: nossos craques estão em extinção!

Não se observa mais jogadores com a qualidade técnica para lançamentos de longa distância como faziam alguns jogadores nas décadas de 70 e 80. O futebol mágico apresentado pelo Brasil em 1982 não tem a menor condição de ser repetido, pois os jogadores de hoje possuem um nível inferior aos daquele tempo. Salvo Neymar e Ganso, é claro.

Atributos de um craque como visão de jogo, passes precisos e a capacidade de driblar e/ou fazer gols espetaculares são competências dos atletas do passado. Hoje existem, no máximo, bons jogadores.

Treinadores das categorias de base e empresários procuram incessantemente as “moscas brancas” em cada canto possível que se joga futebol no país. Estes espaços, que são os campos de várzea, as ruas e as quadras são cada vez mais escassos, o que colabora com o sumiço de craques.

A evolução da preparação física é outro fator que contribui para o desaparecimento das pedras preciosas. Com o jogo mais disputado, jogadores mais fortes e com excessivos contatos físicos, não sobra espaço para o craque demonstrar seu valioso futebol.

A mídia, que precisa criar ou inventar craques também tem sofrido com este problema. Supervalorizam jogadores medianos que obtém destaque pontual, que após um curto período de tempo decepcionam a todos. Por não serem craques, não conseguem manter a performance digna de um jogador acima da média.

E não é só a preparação física a responsável pela falta de craques. Antigamente era dedicado muito mais tempo a repetição de fundamentos do futebol. Os atletas de hoje estão chegando à categoria profissional com uma série de deficiências oriundas do pouco treinamento técnico. Além disso, a robotização originada pelos treinamentos táticos, que limitam a criatividade do atleta brasileiro, é outro fator que impede o surgimento de verdadeiros craques.

Alguns sugerem até que Deus deixou de ser brasileiro e tem resolvido privilegiar com o dom somente o argentino Messi e a turma de Xavi, Iniesta e Cia.

Declarada por jornalistas, ex-jogadores (craques ou não), comentaristas, dirigentes e por treinadores, cada expressão mencionada torna-se verdade absoluta, portanto, inquestionável.

Como a opinião geralmente vem carregada de crenças, qualquer mudança de interpretação da realidade dificilmente será observada. Mas não custa tentar!

Se todos afirmam que faltam craques, assumem que o nível do nosso futebol está baixo. E diante do baixo nível do nosso futebol, facilmente observado na bagunça defensiva das equipes ao tentarem parar o Neymar individualmente (e por isso o Mano quer que ele vá logo para a Europa), repito a pergunta do título da coluna: Onde estão os nossos craques?

Nossos craques, hoje, estão nas disseminadas escolinhas de futebol, sonhando em serem “Messi”, “Cristiano Ronaldo”, “Xavi”, “Neymar”, “Ganso”; estão nos campos de várzea que, mesmo em escala decrescente, ainda existem em quantia assustadora neste imenso país; estão nas categorias de base dos clubes brasileiros que, em muitos casos, não conseguem lapidar as joias que tem.

Temos material humano para ter mais craques que qualquer nação do mundo. O que ainda não temos consciência é que o craque não está pronto nas escolinhas de futebol, nos campos de várzea ou nas categorias de base. Craque não se nasce, se cria! O craque de ontem jogou o futebol do passado: mais lento, mais espaçado, com mais tempo pra agir e com menor nível de organização coletiva das equipes. O mesmo jogo com outra dinâmica!

Infelizmente, na cadeia produtiva da formação de craques, que deveria se iniciar no processo de transição esportiva da iniciação para a especialização, as lacunas são imensas. É certo que alguns movimentos isolados surgem na tentativa de reverter o atual cenário do futebol brasileiro. É certo, também, que se estes movimentos falharem em pontos capitais da cadeia produtiva poderão desperdiçar milhões de reais.

Cerca de 10 anos é tempo suficiente para a produção de craques. Como estaremos em 2022? Dependeremos do surgimento aleatório e seguiremos a caminhada em passos largos para a extinção ou conseguiremos formar jogadores inteligentes, completos, adaptáveis à dinâmica do futebol atual e que poderão ser protagonistas da retomada do Brasil ao topo do mundo na modalidade?

Aguardo sua opinião, leitor.

As regras certas e a dinâmica do jogo: favoreça um treinar (jogar) de qualidade! – parte II

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Planeje com coerência a distribuição dos pontos e certifique-se de que as regras possam levar à aquisição dos comportamentos pretendidos

Após a coluna da semana anterior alguns leitores me perguntaram sobre o modelo de periodização que defendo. Como o futebol, em sua essência, é um jogo, qualquer planejamento de treinamentos que não periodize o jogar complexo e sim fragmentos da modalidade estará minimizando resultados, pois dedicará horas cruciais das sessões de treino para o desenvolvimento de capacidades isoladas e, portanto, distantes das situações-problema impostas pelo jogo. Posto isso, evidencio que sou adepto de uma periodização com fundamentação sistêmica, que não é a tática, dada as diferenças que vejo em minha atuação, e também não é a complexa de jogo, devido às minhas limitações/poucas informações acerca deste modelo. São por motivos como estes que expus minhas dúvidas e questionamentos num dos ambientes mais favoráveis para se discutir futebol no Brasil. As dúvidas e questionamentos se limitaram à vertente física do jogo. Afirmo, porém, que inquietações também existem para as demais vertentes…

Dúvidas à parte (que sempre existirão numa busca constante por conhecimento), é momento de pensar a sessão de treino. E para criar jogos em que as situações-problema sejam semelhantes as que irão ocorrer nas competições, estejam certos (e para isso, obviamente, não há dúvidas) que as soluções não estão nos intervelados de corrida, nos treinos pliométricos, na sala de musculação, nas caixas de areia, nas trações, nos tático-sobra, nos coletivos sem bola, na repetição de fundamentos ou em quaisquer outros treinos analíticos.

A solução está nos jogos bem criados e corretamente orientados.

Acertar na criação de um jogo parece simples, porém, ao longo de minha jornada profissional como atleta ou gestor de campo vivenciei inúmeras situações que foram jogo, mas, mesmo assim, estavam distantes (ainda que melhor do que os treinos analíticos) do jogar desejado.

Já joguei o conhecido “futebol alemão” durante incontáveis semanas seguidas com as mesmas regras e as mesmas intervenções do treinador. Semana após semana, nossos problemas e adversários não eram os mesmos, porém, os treinos sim. Também já presenciei discussões que o mesmo jogo pode ter objetivos diferentes, inclusive opostos. Por exemplo, trabalhar o igualmente conhecido “passa 10” para objetivos como a posse de bola e para a recuperação da posse de bola. Penso que para jogos iguais, objetivos iguais (no máximo, semelhantes). Lembrando, é claro, que se houve a adição de uma regra sequer, já não é mais o mesmo jogo.

Enfim, inúmeras situações de treino vivenciadas poderiam ter maior eficácia e contribuição na construção de um jogar coletivo de qualidade. O desconhecimento, gerado pela incompetência inconsciente, e até mesmo a preguiça de pensar o treino são fatores limitantes na criação de jogos.

Algumas ações podem ser suficientes para impedir a ocorrência destes erros. Entre elas:

  • Saiba exatamente o nível em que se encontra sua equipe para cada um dos momentos do jogo;
  • Saiba exatamente o nível que você pretende atingir em cada um dos momentos do jogo;
  • Decida quais são os objetivos do jogo que será criado;
  • Defina as regras do jogo.

É justamente ao definir as regras do jogo que muitos se perdem. Definem um objetivo, mas criam regras que se desencontram; estabelecem regras vagas, distantes do que se quer construir; são incoerentes com as pontuações, privilegiando ações de fácil execução; definem muitas regras, deixando o jogo confuso, definem poucas regras, deixando o jogo pouco complexo. Ou seja, erros que podem ser fatais na rodada seguinte.

Para criar regras convergentes para o objetivo de desmarcações, por exemplo, é possível privilegiar o passe recebido em um espaço vazio no campo ofensivo. Para trabalhar recuperação da posse de bola, punir a equipe que não recuperar a posse a partir de um setor delimitado em um curto espaço de tempo é uma opção. Para trabalhar progressão com passes curtos, a obrigatoriedade de passes pra frente até a intermediária ofensiva pode ser uma boa ideia.

Em relação às pontuações, deve se atentar ao fato de nenhuma ação ter maior pontuação que o gol, pois para cumprir a lógica do futebol formal (é para isso que se treina) gols precisarão ser feitos. Exemplificando: dar maior pontuação para a posse do que para o gol pode criar o mau-hábito em uma equipe querer fazer mais a posse do que o gol. Pode ser interessante pensar na seguinte combinação: posse no ataque por 15 segundos = 1 ponto; gol = 2 pontos; posse + gol = 5 pontos.

Já sobre a quantidade de regras, insira mais ou menos de acordo com os objetivos pretendidos e respeitando o já mencionado nível de sua equipe e o princípio da progressão complexa.

Com o jogo elaborado, o último detalhe, mas não menos importante, compreende a correta intervenção do treinador. É dele a missão de construir referências coletivas comuns que no jogo formal se manifestarão adequadamente em ações correspondentes à auto-organização do jogo.

Na próxima coluna que tratar deste tema, será iniciada a discussão de regras favoráveis à aquisição de determinados comportamentos coletivos referentes à organização ofensiva.

Para quem tiver interesse, disponibilizo por e-mail uma planilha orientadora para treinamentos. Nela, será possível atentar-se para elementos centrais na elaboração de uma sessão de treino e estabelecer as inter-relações e combinações do jogo criado com os objetivos propostos.

Abraços e até a próxima semana!

Aos preparadores físicos (e aos demais profissionais também) – parte II

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Alguns questionamentos e dúvidas na preparação da vertente física do futebol

Os acontecimentos das últimas semanas movimentaram o universo do futebol. No âmbito mundial, ocorreu a saída de Pep Guardiola do comando da equipe que deixa um legado de um bom e belo jogo. Com a mudança, além da expectativa criada sobre como será o desempenho do treinador em um novo clube, todos estão ansiosos para saber se o promovido auxiliar Tito Villanova conseguirá manter a média de conquistas do clube catalão nos últimos anos. Já em nosso país, onde o futebol apresentado não tem deixado legado nenhum, finalistas e os primeiros campeões estaduais foram conhecidos. E, para estes times, a fórmula (divulgada através de reportagens, vídeos, conversas e outras informações) para se chegar à final é bem conhecida: muito treinamento tradicional.

Como a expressão treinamento tradicional (que compõe as periodizações físicas e a periodização integrada) já foi amplamente discutida neste portal, são desnecessárias maiores explanações.

Juntamente com esses modelos de periodização, farão parte desta discussão a Periodização Tática, criada por Vítor Frade e a qual profissionais do futebol lentamente têm buscado acesso, e também a Periodização Complexa de Jogo, idealizada por Rodrigo Leitão e que ainda não tive maior contato que não a leitura de sua tese de doutorado.

Somente para lembrá-los, o objetivo desta coluna, que teve a parte I publicada semanas atrás, é promover uma troca de conhecimento que leve à resolução da seguinte questão-problema: Ao longo de um microciclo de treinamento no planejamento de atividades na preparação de uma equipe, o quanto é possível ser realizado em total especificidade, portanto, jogando futebol?

Se a última coluna do tema continha somente algumas perguntas e, de certa forma, bastante gerais, nesta publicação acontecerá um breve “brainstorming de questionamentos e dúvidas” específicos da vertente física do jogo que, se solucionados, podem elevar e alinhar a discussão entre todos os profissionais do futebol e, consequentemente, interferir positivamente no treinamento das equipes de futebol. O brainstorming será elaborado em função do conhecimento que tenho sobre os diferentes tipos de periodização que, obviamente, pode ser limitado diante da minha interpretação de tudo que aprendi sobre cada um dos modelos de preparação.

Na sequência, grande parte daquilo que questiono das periodizações ou que procuro respostas (e acredito que outros treinadores também):

  • Por que os preparadores físicos adeptos do treinamento tradicional insistem em querer melhorar cada uma das      capacidades físicas isoladamente (principalmente a força) sendo que toda e qualquer ação realizada num jogo é imprevisível e absolutamente variável? Se um dos princípios do treinamento esportivo é a especificidade, ao prescrever um treino físico “fechado” (dividido em séries, repetições, cargas, distâncias, etc.) vocês concordam que estão se distanciando do que será a realidade do jogo?
  • Para estes mesmos preparadores, estes modelos de periodização preconizam poucos picos de forma física no decorrer de uma temporada. Como vocês solucionam esta questão quando, no calendário do futebol, é preciso ter pico de forma (global e, portanto, também física) até duas vezes por semana, durante várias semanas?
  • Para quem aplica a periodização integrada e inicia os trabalhos com jogos reduzidos, por que a preocupação ainda se incide nos aspectos exclusivamente físicos da modalidade? Ao fazer o atleta treinar com “intensidade”, porém, correndo muitas vezes “errado” não estou criando hábitos que se manifestarão no jogo formal?
  • Já existem diversas publicações científicas que apontam melhoras das capacidades condicionantes a partir do método      integrado, então, existe a possibilidade de quem o aplica dar um passo à frente e ao invés de partirem da necessidade física que sua equipe precisa evoluir para elaborar o treino, partirem da necessidade coletiva de acordo com os diferentes momentos do jogo e de acordo com o Modelo de Jogo pretendido e então identificarem qual (e como) o metabolismo será exigido?
  • Diversos exercícios observados em materiais de quem aplica a periodização tática, por mais que tenham relação com o      Modelo de Jogo, consistem na execução de estímulos realizados com grau inexistente de imprevisibilidade. Estes exercícios, realizados com regimes de tensão, duração e velocidade de contração ajustados ao morfociclo padrão também não podem ser considerados distantes do jogo de futebol?
  • O morfociclo padrão da periodização tática preconiza predominância distinta de contrações musculares nos diferentes      dias aquisitivos no decorrer da semana para descansar as estruturas estimuladas no dia anterior. Existe a possibilidade de ser comprovado em algum estudo (ou já existe algum) que estimular as mesmas estruturas em dias consecutivos é prejudicial?
  • Quem aplica a Periodização Tática poderia buscar um meio de controlar a carga de treino de modo que ela tenha maior      aceitação da ciência objetiva?
  • A Periodização Tática e a Periodização Complexa de Jogo desconsideram a musculação na preparação do futebolista.      Para a segunda, exercícios de preventivos de fortalecimento e proprioceptivos são necessários. Qual é a opinião de quem aplica a Periodização Tática?
  • Como a Periodização Complexa de Jogo define o seu microciclo (que vi publicado até então somente no Resumo Inteligente da Universidade do Futebol), e mais especificamente, em relação a vertente física do jogo?
  • Para a Periodização Complexa de Jogo, atletas com diferenças significativas de massa magra devem treinar musculação      visando aumento de volume muscular?
  • Para a Periodização Complexa de Jogo, é possível aplicar estímulos com caráter físico semelhante em dias consecutivos?
  • Como a Periodização Complexa de Jogo avalia e controla a evolução da vertente física da sua equipe?

Algumas questões são bem repetitivas, porém, pelo que se observa na prática, precisam ser instigadas constantemente. Já alguns outros pontos são mais atuais e vão de encontro ao que deve ser a tendência no treinamento em futebol. Quanto mais pessoas forem atingidas com as questões acima e estiverem dispostas a discutir e buscar soluções, mais rapidamente observaremos a evolução do futebol brasileiro.

Como pode ser observado, o preparador físico jamais será extinto do futebol. Como mencionado em outra ocasião, terá nova função carregada de complexidade.

Nesta coluna deixo mais perguntas do que respostas. No entanto, para a pergunta feita inúmeras vezes pela imprensa esportiva nos últimos dias sobre a vinda do ex-técnico do Barça ao Brasil para melhorar nosso futebol, a resposta é clara: Guardiola está longe de poder solucionar nossos problemas.

Conto com a sua ajuda, leitor. Obrigado!