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Archive for junho 2012

Quem você escolheria para ser o treinador do São Paulo FC?

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Juvenal Juvêncio tem em mãos a decisão do ano para o futebol brasileiro

Está repetitivo o discurso de todas as pessoas direta ou indiretamente relacionadas com o futebol que as mudanças gerenciais e técnicas são urgentes no futebol brasileiro. E, numa semana em que o Corinthians dá início a sua decisão mais importante do ano dentro das quatro linhas, um dos seus maiores rivais também está diante de uma grande decisão, no entanto, administrativa. Tal mudança ocorre justamente semanas após a declaração do coordenador-técnico do São Paulo FC, René Simões, sobre a necessidade de formar jogadores inteligentes, ação que implica significativa quebra de paradigma. Diante disso, a presidência do clube tem a oportunidade de tomar o que classifico como a decisão mais importante do ano para o nosso futebol (inclusive mais importante que a Libertadores).

A demissão de Émerson Leão do clube paulista que, segundo declarações de Juvenal Juvêncio, gerenciando a equipe conseguiu praticar um futebol somente razoável, abre espaços para a confirmação do coerente, porém desafiador, projeto idealizado pela diretoria. Nos próximos anos, o São Paulo pretende ter entre os onze titulares da equipe principal oito jogadores oriundos das categorias de base.

Para substituir Leão, como sabemos, o presidente são-paulino tem diversas possibilidades. No mercado, existem treinadores já consagrados que estão em atividade nos clubes grandes do futebol brasileiro, ex-jogadores com a ainda curta carreira como treinador, treinadores que obtiveram resultados de destaque nos últimos estaduais, treinadores emergentes atuando nas primeiras divisões no âmbito nacional, treinadores estrangeiros respeitados mundialmente, além dos próprios profissionais do São Paulo, como o interino Milton Cruz ou o treinador da equipe sub-20, Sérgio Baresi.

A solução ideal seria a escolha de um treinador que fosse capaz de, no curto prazo, deixar a equipe com condições de brigar pelas primeiras colocações no campeonato brasileiro, que viesse com uma ideia de jogo condizente com o futebol moderno (para dúvidas sobre o que é futebol moderno, vide Eurocopa 2012) e com competências para solucionar os conflitos evidentes do grupo. Conflitos, como por exemplo, o mau-comportamento de Luís Fabiano perante aos árbitros e até as discussões deste mesmo com o Lucas para que ele solte mais a bola. Além disso, para o médio e longo prazo (se os resultados vierem, obviamente, pois só assim para haver tempo), será preciso uma aproximação com René Simões e um olhar minucioso para a base. Missão um tanto difícil.

Juvenal Juvêncio apontou que o Brasil não forma bons treinadores (e ele está certo!), no entanto, mesmo diante desta afirmação ele será obrigado a decidir. Caberá a ele ser conservador ou inovador!

E não há dúvidas que o momento pede uma decisão inovadora. Enquanto clubes tradicionais engatinham na busca de soluções para suas equipes profissionais e simplificam ao somente padronizarem as plataformas de jogo, ou então, determinarem que as equipes da base sejam formadas com pelo menos cinco meias e atacantes, o São Paulo tem a oportunidade de contratar um treinador que tenha know-how para o desenvolvimento do projeto “8+3”.

E será que existe este treinador?

Alguém com competências para resultados imediatos, com discurso e prática convergentes com a filosofia do clube e capaz de estabelecer um Modelo de Jogo digno do clube tricampeão mundial?

Encerro a coluna no dia 28/06 sem o conhecimento de quem foi o escolhido.

Quando Juvenal decidir, o nome do profissional indicará se o projeto “8+3” caminha ou não para o acontecimento. Espero que acertem!

Até o momento, a única certeza é que os jogadores não ficariam mais inteligentes repetindo à exaustão os fundamentos técnicos do jogo como prescreve em seus treinamentos o demitido técnico Leão.

Finalizando, deixo a pergunta do título da coluna e aguardo a sua opinião!

Eu já tenho a minha…

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Written by Eduardo Barros

30 de junho de 2012 at 8:15

Banco de Jogos – Jogo 5

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Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Pressing e Bloco Alto

Os princípios de jogo escolhidos por um treinador devem ser complementares. Ao definir as possibilidades tático-estratégicas de sua equipe, é indispensável que os diferentes comportamentos individuais e coletivos tenham consonância para que as diferentes situações de treino, fractais do jogar pretendido, sejam potencializadoras do aperfeiçoamento do Modelo de Jogo.

Diminuir em espaço e tempo a ação adversária desde o campo do oponente com o objetivo de induzi-lo ao erro pede, necessariamente, o bloco alto para que a elevada distância entre linhas não seja um facilitador da troca de passes.

Criar estes comportamentos é consideravelmente complexo, tamanha a desordem gerada no sistema (equipe) ao adiantar a marcação, ficar distante do alvo, pressionar diferentes jogadores em posse de bola e fechar linhas de passe importantes. Conseguir efetuá-los, porém, permite que a distância da meta adversária seja relativamente pequena. E isto não precisa explicar porque é bom… 

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Pressing e Bloco Alto 

– Dimensões do campo oficial.  ~ 100m x 70m;

– Campo dividido em 3 faixas verticais (~15, 40 e 15m);

– Formam-se, então, duas faixas laterais e uma região central entre a linha da grande área e o meio campo como as ilustradas na figura abaixo;

– Tempo de atividade, incluindo esforço e pausa, a critério da Comissão Técnica, em função dos objetivos desejados. 

Plataforma de Jogo Equipe A (preta): 1-4-4-2 (losango)

Plataforma de Jogo Equipe B (azul): 1-4-3-3 

 

Regras do Jogo 

  1. Cada passe pra frente, à frente da linha 1 (linha da grande área adversária) = 1 ponto;
  2. Cada passe pra frente, na região central à frente da linha 3 (linha do meio campo) = 2 pontos;
  3. Recuperar a posse de bola nas faixas laterais no campo de defesa com três jogadores no setor = 1 ponto
  4. Recuperar a posse de bola com a equipe toda posicionada no campo de ataque = 2 pontos;
  5. Gol = 5 pontos;
  6. Gol com toda a equipe no campo de ataque e com goleiro fora da área = 15 pontos. 

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras: 

Regras 1 e 2 

http://www.youtube.com/watch?v=VQ4f8aqFTd4 

A equipe preta faz dois passes para frente no campo de defesa e um passe para frente na região central ofensiva. Estas ações valem 4 pontos para a equipe preta. 

Regra 3 

http://www.youtube.com/watch?v=AfZ2mH7FNhs 

A equipe preta faz um passe para frente no campo de defesa e a equipe azul recupera a posse de bola com três jogadores na faixa lateral. Estas ações valem 1 ponto para a equipe preta e 1 ponto para a equipe azul. 

Regra 4 

http://www.youtube.com/watch?v=zZ81uMBPEJ8 

A equipe azul recupera a posse de bola com todos os jogadores à frente do meio campo, com exceção do goleiro. Esta ação vale 2 pontos para a equipe azul. 

Regra 6 

http://www.youtube.com/watch?v=1OebeuhfYWs 

Na sequência da jogada, a equipe azul faz dois passes pra frente na região central e depois o gol com todos os jogadores à frente do meio e o goleiro fora da área. Estas ações valem 19 pontos para a equipe azul. 

Lembrem-se que, como dizem alguns estudiosos do futebol, os exercícios são somente potencialmente específicos. Além disso, comportamentos de jogo prévios são fundamentais para a adequada realização deste jogo.

Bons treinos!

Você conhece as partes do futebol?

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O erro da divisão nas vertentes técnica, física, tática e psicológica e as verdadeiras partes do jogo

Caros leitores,

Quando defino o cronograma das minhas publicações, confesso que sinto dificuldade em distribuir os temas de modo que o conteúdo seja atrativo tanto para os leitores que estão mais adaptados à compreensão do futebol sob uma ótica complexa, como para aqueles em que a visão é fragmentada ou então somente integrada.

Sendo assim, peço que os leitores mais avançados contribuam com suas opiniões em colunas que julgarem simplificadas para que numa troca de e-mail possamos alavancar a discussão, e que os leitores menos habituados em relação aos temas me enviem feedbacks sobre a compreensão (ou não) do assunto.

Sugiro, também, que estes leitores dediquem (e ganhem) parte do seu tempo com os inúmeros materiais disponíveis na Universidade do Futebol, em formato de cursos, colunas, entrevistas e aulas gratuitas, para seu aperfeiçoamento profissional.

Sobre os feedbacks que tenho recebido dos leitores, muitos têm mencionado a importância de exemplificar os temas explorados e, se possível, simplificar a sua explicação. Concordo com estas opiniões, pois, mais do que elitizar o conhecimento e deixá-lo acessível somente a um pequeno público precisamos, para o bem do futebol, disponibilizar facilitadamente todas as informações que tivermos para, quem sabe, observarmos as urgentes transformações práticas necessárias. Portanto, instigá-los com os conhecimentos que adquiro é, ao menos, um dos meus objetivos.

Um tema que, indispensavelmente, necessita compreensão para pensar o futebol complexamente é o conceito de fractal. Seu entendimento faz com que a concepção do treino, que reflete diretamente no jogo, somente faça sentido se for operacionalizada sistemicamente.

Explicar (e exemplificar) este conceito será o tema desta coluna.

Tradicionalmente, o treino de futebol é divido em quatro partes que treinadas isoladamente melhoram o todo, ou seja, o jogar da equipe.

Sabidamente, para treinar o físico, existem os treinos de força, velocidade e resistência. Para aprimorar o técnico, são realizadas a exaustão os lançamentos, passes, chutes e cabeceios em treinos de finalização, aquecimentos com fundamentos ou quaisquer outras atividades exclusivamente técnicas. Para treinar o tático, comumente, retiram-se os adversários (em alguns casos já vi até tirarem a bola) para combinar os movimentos e as jogadas a serem realizadas no jogo. Já o treino psicológico é de responsabilidade da psicóloga.

Na visão integrada, algumas partes são treinadas conjuntamente, estabelecendo-se, então, treinos físico-técnicos, técnico-táticos, ou até, físico-tático-técnicos, porém, sem uma interação global.

E a falta da interação global (sistêmica) é o grande problema de todos estes treinos! Por terem origem fragmentada ou, no máximo, integrada, suas execuções não são fractais do jogar da equipe.

Por definição, um fractal é um objeto geométrico que pode ser dividido em partes, cada uma das quais semelhante ao objeto original. Traduzindo para o futebol, um treino fractal é aquele que é parte do objeto original, ou seja, do jogo de futebol, mais especificamente, do jogo de sua equipe.

É esta ideia que permite a afirmação de Rodrigo Leitão de que o jogo de futebol é técnico-tático-físico-mental ao mesmo tempo, o tempo todo, para todos os jogadores.

Posto isso, quando optamos por separar o treino de futebol em partes (procedimento inevitável, caso contrário faríamos somente coletivos), este treino (ou esta parte) deve conter todos os elementos que constituem o jogo.

Dessa forma, as partes treináveis do futebol deixam de ser as partes física, técnica, tática ou psicológica isoladamente e passam a ser as partes fractais (que contém o físico-tático-técnico-psicológico), que representam o todo, sejam elas individuais, grupais, setoriais, intersetoriais ou coletivas.

Se o conceito sobre os fractais realmente for aprendido, os treinos analíticos (de qualquer uma das vertentes) nunca mais farão sentido. Sob esta mesma ótica, aproveito para questionar alguns exercícios da periodização tática que, apesar do conteúdo teórico ter como pré-requisito a organização fractal, por não serem jogo (apesar de ter relação com o Modelo de Jogo), classifico-os como fragmentos e não fractais do todo.

Concluindo: ter que decidir para resolver problemas circunstanciais é a tônica do jogo de futebol. Nos treinamentos, quanto mais os atletas estiverem expostos aos problemas que poderão surgir nos jogos e mais assertiva for a intervenção do treinador para auxiliar os jogadores a solucioná-los, maiores serão as possibilidades de sucesso na competição. Está em suas mãos: decida pelas partes desconectadas do todo ou por aquelas que representam o jogo. Espero que um dia deixem de fragmentar nosso futebol!

Written by Eduardo Barros

16 de junho de 2012 at 8:17

O controle do treino e a preparação para a competição

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Conheça os melhores jogadores ao criar o ambiente do “treinar para ganhar”

Numa comissão técnica com atuação interdisciplinar, aumentam-se cada vez mais os controles da semana de treino com oobjetivo de dominar e intervir corretamente em todas as variáveis que influenciam no resultado do final de semana.

Sendo assim, o controle da carga, os ajustes das pausas, a quantidade de séries, os scouts quantitativo e qualitativo, a frequência cardíaca, a distância percorrida, o tempo da sessão de treino, os horários, a dosagem da suplementação e o cardápio são alguns dos elementos que os gestores de campo e demais profissionais controlam fielmente para serem assertivos na execução do seu planejamento.

Faço, então, uma pergunta: quais foram os atletas da sua equipe que mais ganharam as atividades do treinamento na semana passada (considerando, é claro, que você já enxerga o futebol sob uma ótica sistêmica e que, portanto, suas atividades foram jogos e não exercícios analíticos)?

Todo treinador gosta de atletas que ganham jogos! Esta é uma informação óbvia, porém, julgo que é muitas vezes esquecida ao longo da semana de treinamento.

Criar um mecanismo de controle de performance individual pode ser determinante para que os seus atletas atinjam o esperado estado de jogo, fundamental para se aproximar da realidade da competição.

Não há desculpas para que este controle não seja feito. Com todas as atividades da semana previamente definidas e com a ciência dos atletas que estão à disposição, fica fácil para a comissão técnica dividir as equipes e ao longo dos treinos, digo jogos, anotar os vencedores.

Ao final de uma semana de treinos e “n” jogos realizados, é hora de calcular o percentual de aproveitamento em função dos pontos disputados. Com os dados em mãos, o treinador tem uma valiosa ferramenta para feedbacks individuais ou coletivos.

Exemplificando: atletas acomodados ao longo da semana de treinamento se verão pressionados a treinar para não ocuparem a última colocação no ranking de pontos, atletas que aparentemente não se destacam poderão surpreender com um desempenho individual acima da média, um atleta que pouco se importa com este controle pode evidenciar qual é seu comprometimento com a preparação para o jogo e um atleta que se esforça durante os treinamentos terá mais um motivo para assim proceder.

Para gerar maior competitividade é válida a variação das equipes ao longo das atividades. Mesclar titulares e reservas aumentam as combinações de equipes e podem trazer resultados mais interessantes.

Fica a critério da comissão quantos pontos vale cada atividade. Uma sugestão é definir maior pontuação para o jogo quanto maior a sua complexidade. Ou seja, aquecimentos e atividades que envolvam baixa complexidade como, por exemplo, jogos com pouco número de jogadores ou regras simples devem ter pontuação (ou peso) menor que atividades mais complexas, como, por exemplo, jogos conceituais em ambiente específico carregados de regras que dificultam o jogo (comparado ao jogo formal).

Enfim, acostumar a equipe a competir e a ganhar é o grande objetivo deste controle do treino. Num ambiente de aprendizagem em que prevaleça a competição, a busca pela evolução será condição indispensável, pois sabidamente todos os jogos elaborados levarão em consideração o jogar atual, o jogar pretendido e a lógica do jogo, correto? Logo, quanto mais jogos ganhar, maiores as chances de estar cumprindo as diferentes lógicas dos jogos elaborados e, portanto, maiores chances de evoluir. Não cometa o equívoco de criar um jogo pelo jogo. Seguramente o resultado (evolução) será abaixo do ideal.

Perceba que conhecer os melhores jogadores da sua equipe pode ser bem simples e custo zero. Após uma temporada, a apresentação de um dado como este pode agregar valor (ou não) significativamente para um jogador e ser uma ferramenta importante na definição do seu futuro.

Fico refletindo se um ambiente de competição (não somente por posição entre os titulares) predominasse nas milhares de equipes do futebol brasileiro. Infelizmente, para chegar a este ponto, muitos paradigmas, crenças e conceitos precisarão ser revistos. Mas, uma coisa é certa:

Todo treinador gosta de atletas que ganham jogos!

Bons treinos e até a próxima semana.

Entrevista Tática – Oliver: Atacante do Nacional da Madeira-POR

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“A principal diferença do futebol brasileiro para o europeu está no jogo sem bola”

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

– Paulínia FC, dos 13 aos 16 anos (2005 a 2009);
– PSV-HOL, aos 17 anos (2009/2010);
– Nacional-POR, dos 18 anos até hoje (2010 a 2012). 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

O atleta inteligente é o que consegue absorver completamente as informações destinadas a ele em seu jogo, fazendo a leitura do que está se passando e executando com sucesso. Sendo assim, ajuda seus colegas no momento em que ocorre o imprevisto, onde muitas vezes não existe a possibilidade de receber orientações vindas de fora. 

3-    O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futebol de rua me ajudou por fazer com que desde cedo tivesse que lidar com situações onde é preciso saber se proteger sozinho, pois na maioria das vezes existem garotos mais velhos. Isso também faz com que a responsabilidade aumente, pois esperam sempre que o melhor jogador resolva.
Iniciei minha trajetória no futsal com apenas sete anos e acredito que sem essa base não estaria aqui hoje. Eu me lembro das dificuldades que tive no início, pelo peso da bola e principalmente a falta de espaço. Algumas importantes características que pude aperfeiçoar no futsal foram: proteção da bola, dribles em espaço reduzido e condução de bola em velocidade. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Para se vencer no futebol hoje, a equipe tem que ter um senso de união coletiva enorme, pois cada vez menos o individual consegue resolver os jogos. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Para além do talento natural, são importantes os treinos físicos e táticos. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Como sou atacante, as principais características necessárias são a finalização certeira, movimentações para abrir espaços para os meias e bom posicionamento nos cruzamentos (atacando sempre a bola). Sem bola cada vez mais os atacantes ajudam na marcação, seja pressionando ou recuando em um bloco mais baixo para compactar.

7- Quais treinos físicos você acha importante?

Treinos físicos sem bola dificilmente ocorrem (exceto na pré-temporada); portanto, acredito que os trabalhos de manutenção na academia para prevenção de lesões são os mais importantes durante a temporada.

8-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Para se tornar um grande jogador esses quatro pontos são fundamentais. A tática exige do jogador uma leitura de jogo aperfeiçoada, levando em conta que quando estamos lá dentro temos de tomar as decisões sozinhos e em curto espaço de tempo. Já a técnica é a característica que exige que o jogador tenha um talento natural, que apenas será aperfeiçoada com os treinos. Físico e psicológico tem para mim uma forte ligação, pois mesmo bem fisicamente existem situações onde sem o espírito de sacrifício e “entrega”, os fatores psicológicos, não existe sucesso.

9-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

O melhor treinador com quem trabalhei até o momento é o meu atual treinador, Pedro Caixinha. Além de ter uma visão ampla do que se passa no jogo, trabalha muito bem durante a semana um cenário parecido ao que encontramos nos jogos, preparando muito bem o time. 

10-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Já atuei algumas vezes em posições em que não estava habituado e acredito que a maior dificuldade é na hora de marcar.

11- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A preleção é boa por mostrar o que o adversário tem como pontos fortes para nós neutralizarmos e quais são os pontos mais fracos para podermos explorar. Além disso, deixa claro o posicionamento de todos nas bolas paradas ofensivas e defensivas. O fator emocional também é importante, pois na maioria das vezes no final existe um vídeo motivacional ou algo do gênero. 

12- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

A maior diferença dos esquemas táticos está na hora de marcar, pois quando temos a bola o treinador nos dá liberdade total para trocas de posição e movimentações no campo ofensivo. Aqui jogamos quase sempre no 4-3-3, fazendo sempre com que o campo fique grande e baixando um médio entre os zagueiros para a saída de bola, subindo assim os laterais. Para mim a melhor forma de jogar é no 4-4-2, pois assim existe a possibilidade de mais movimentação no ataque. 

13- Você pode explicar algum treinamento realizado pelo treinador Pedro Caixinha que te deixa preparado pra jogar?

O treino mais importante na minha opinião ocorre no meio da semana, quando fazemos circuitos, separados em grupos (dois times de quatro jogadores em cada estação) e fazemos diferentes tipos de confrontos, simulando sempre o que está em mente para o jogo do fim de semana.

14- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola;
  • Assim que perde a posse de bola;
  • Sem a posse de bola;
  • Assim que recupera a posse de bola;
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas. 

A mentalidade implementada pelo nosso treinador é de que com bola abrimos o jogo, e sem bola pressionamos rápido logo no momento da perda. Nas bolas paradas marcamos zona e nas ofensivas existem diversas variações (bolas rápidas, longas, no 2º poste, curtas). 

15- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Quando algo não está dando certo, tentamos resolver primeiro sozinhos, identificando o que está mal para corrigir. Continuando mal com certeza o treinador ajudará no intervalo. 

16- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Após os jogos gosto sempre de assistir ao VT sozinho. Faço minha autocrítica e vejo os pontos em que acertei e onde poderia ter feito melhor. Na reapresentação existe sempre a conversa com a comissão para falar do jogo e, caso tenha alguma dúvida em especial, converso com eles para saber a opinião de quem está vendo de fora. 

17- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Por nunca ter atuado profissionalmente no Brasil, é mais difícil de analisar, porém, acredito que a principal diferença do futebol brasileiro para o europeu está no jogo sem bola. No futebol europeu, as equipes são montadas basicamente para marcar muito, reagir muito rápido à perda, pressionar sempre e quando têm a bola tentar manter a posse e articular jogadas pré-determinadas com diagonais e cruzamentos. Já no futebol brasileiro, existem os jogadores de marcação e os jogadores de ataque, fazendo com que o jogo fique mais imprevisível e “quebrado” com muitos ataques e times mais expostos.

18- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

O mais importante para a comissão técnica é ter sempre o grupo em mãos, tendo sempre um bom relacionamento com os atletas.

19- Existe alguma semelhança entre os treinos realizados no Paulínia FC, no PSV e no Nacional? Explique.
Os treinos realizados no Paulínia, no PSV e no Nacional têm uma base semelhante, com trabalhos em espaço reduzido, finalização com confronto e treinos mais curtos em intensidades mais altas.

Written by Eduardo Barros

2 de junho de 2012 at 13:42