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Temas atuais relacionados ao Futebol

Archive for outubro 2012

Kaizen e a aplicação do método de treino

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Você é atualizado ou desatualizado em relação à metodologia de treinamento?

As reflexões acerca da atualização da metodologia de treinamento em futebol estão cada vez mais constantes. Ainda que muitas vezes embrionárias, devido às limitações de entendimento dos mediadores das discussões nos ambientes em que elas estão surgindo, o fato é que pensar a prática está para além do ambiente acadêmico e de um pequeno grupo de profissionais que atuam fundamentados nas tendências da pedagogia do esporte.  Está ficando cada vez mais comum na mídia a presença de discussões que envolvem, mesmo como pano de fundo, as questões metodológicas do processo de treinamento da modalidade.

Exemplos não faltam: seja com a participação de Bruno Pivetti, preparador físico do Audax-SP, no programa Band Sports; no questionamento recente feito por um jornalista sobre a realização de treinos táticos ao treinador Muricy Ramalho; ou então a participação de Eduardo Tega, diretor executivo da Universidade do Futebol, no programa Segredos do Esporte comandado por Paulo Calçade; dia após dia, aumenta-se o espaço na mídia para uma das questões essenciais do processo de mudança/adaptação do futebol brasileiro.

Como os gestores de campo são milhares espalhados por esse país e nem todos, por motivos diversos, têm acesso ao conhecimento científico, a mídia adquire um papel fundamental com a missão de informar (e instigar) os profissionais do futebol sobre o que é atual em relação às questões metodológicas do jogo (e do treino), além de quais trabalhos estão sendo aplicados sob esta nova perspectiva e que estão obtendo sucesso.

Sabemos que o “peso” da mídia é maior do que o dos pesquisadores do futebol. Tê-la como catalisadora pode aumentar o poder de convencimento sobre os desinformados, desinteressados ou alheios às modificações por medo, acomodação, crenças ou quaisquer outros motivos.

Ter a mídia afirmando que os treinamentos em “caixas de areia” estão ultrapassados é muito mais impactante que um artigo científico com acesso, de certa forma, restrito. Um canal televisivo conceituado divulgar que os treinamentos analíticos não favorecem o desenvolvimento da inteligência do jogo é muito mais “forte” que qualquer monografia sobre o assunto. Um comentarista esportivo comentar que uma boa parte dos treinadores brasileiros estão equivocados quanto aos seus métodos de treino, tem proporções infinitamente superiores se comparadas a uma aula de graduação em que um docente faça este mesmo comentário.

E em todo este processo, essencial para a ruptura de paradigma do grupo de profissionais supracitados, não pensem que as mudanças se darão repentinamente. É um processo que leva anos! Bem que poderia ser simples a transformação da atuação/intervenção profissional da fragmentada para a sistêmica, da reducionista para a complexa. Poderia, mas não é.

Se você faz parte do grupo de profissionais desatualizados (pouco provável, pois dificilmente estaria acompanhando o site da Universidade do Futebol), não se desespere. Buscar o novo, o atual, num processo de aprendizagem que durem meses ou anos, será recompensador. Já se você está atualizado, mas conhece qualquer profissional que se encaixe num desses perfis (bem mais provável), mexa-se e aponte os caminhos (midiáticos e não somente acadêmicos) que podem gerar o despertar desse profissional.

Quem sabe um dia será possível conseguir uma significativa capacitação de todos os profissionais que atuam no futebol!

Se todos praticássemos o conceito japonês Kaizen, que significa mudança para melhor, seguramente as mudanças seriam rapidamente observadas, pois a melhoria contínua seria um hábito cotidiano.

E se equivoca quem pensa que o exercício de melhora contínua é prática corriqueira no grupo dos atualizados. Como bem publicou Bruno Pasquarelli, nosso país sofre uma crise acadêmica em relação ao futebol por formular incessantemente problemas/questões relativas ao mesmo paradigma. Pesquisamos, publicamos, gastamos o nosso precioso tempo para aquilo que já sabemos a resposta e, consequentemente, não saímos do lugar. Um absurdo e uma obviedade: não melhoramos!

Pergunto-me frequentemente nesses quase dez anos que estudo futebol (seis com maior aprofundamento) se estou atualizado. A julgar pelo número de dúvidas que tenho sobre o exercício da minha profissão, por vezes temo que a resposta seja não.

Não paro, pois olho pra trás e vejo que encontrei muitas respostas sobre as voltas ao redor do campo, os treinos sem adversários, as primeiras leituras inquietantes na Universidade, as avaliações físicas, o treinamento integrado e sobre o treinamento sistêmico.

Não paro, pois sei que no futuro também olharei para trás e verei as respostas sobre as dúvidas que tenho no presente.

Agradeço à expressão Kaizen!

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Written by Eduardo Barros

22 de outubro de 2012 at 10:58

Elementos táticos do acesso

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Evolução dos comportamentos de jogo do Novorizontino na campanha do Paulista 2012

Este espaço já foi utilizado em diversas ocasiões para a análise do desempenho de algumas equipes do futebol brasileiro e mundial. Encerrada a participação do Grêmio Novorizontino no Paulista da 2ª divisão (quarta ao considerar as séries A1, A2 e A3), é momento desta equipe ser analisada, tanto em pontos fortes como em pontos fracos, nos comportamentos de jogo evidenciados ao longo da competição.

Apesar de não ter ido à final, o Novorizontino obteve a 2ª melhor campanha de toda a competição nos 28 jogos que disputou, somando 59 pontos em 17 vitórias, 8 empates e  3 derrotas. Com 70,2% de aproveitamento, ficou atrás somente do Votuporanguense que com 66 pontos e 78,5% de aproveitamento é o time finalista ao lado do São Vicente.

A equipe comandada pelo técnico Élio Sizenando marcou 44 gols e sofreu 17.

Abaixo, detalhes táticos circunstanciais aparentemente menos palpáveis, mas não menos importantes, da campanha que levou o Novorizontino à série A3 do Campeonato Paulista em 2013. As oito primeiras fotos correspondem aos problemas coletivos que precisavam de correção e as demais, aos comportamentos esperados pela Comissão Técnica para que as ideias de jogo do treinador se impusessem perante os adversários.

Foto 1 – Volantes ocupando o mesmo espaço e cobertura ofensiva inexistente.

Foto 2 – Lentidão para subir o bloco com a equipe em posse no campo de ataque.

Foto 3 – Zagueiros recuados. Pouca amplitude e profundidade, reduzindo o espaço efetivo de jogo.

Foto 4 – Organização defensiva zonal sem pressão setorial onde se encontra a bola.

Foto 5 – Chegada ao alvo adversário com número insuficiente de jogadores.

Foto 6 – Balanço defensivo organizado, mas equipe sem amplitude do lado oposto à bola.

Foto 7 – Jogador nº9 se centra excessivamente na bola, o que dá pouca profundidade à equipe.

Foto 8 – Estruturação de espaço ruim dos zagueiros e volantes, o que dificulta a posse contra equipes de postura muito defensiva.

Foto 9 – Organização Defensiva zonal em escanteios adversários fechados.

Foto 10 – Organização Defensiva zonal em escanteios adversários abertos.

Foto 11 – Organização Defensiva zonal com pressão na região em que se encontra a bola.

Foto 12 – Aproximação entre linhas da equipe quando sem bola e posicionamento adiantado do goleiro para coberturas defensivas.

Foto 13 – Pouco espaço no interior da equipe com redução de espaço e tempo para ação do adversário, além de marcação dos setores/jogadores perigosos entre bola e alvo.

Foto 14 – Elementos fundamentais para o sucesso defensivo:

1º Equilíbrio defensivo do meia aberto do 1-4-4-1-1 sem bola;

2º Fechar linhas de passe para dentro e pressionar em espaço e tempo o adversário com bola;

3º Fechar linhas de passe para trás e pressionar em espaço e tempo o adversário com bola;

Foto 15 – Buscar superioridade numérica e forçar o adversário “pensar” para trás.

Foto 16 – Eficaz proteção da zona de risco para uma das ações adversárias mais utilizadas: cruzamento.

Foto 17 – Retardamento da ação adversária para permitir a recomposição da linha de jogadores do meio campo e defesa.

Foto 18 – Após recuperação da posse, meias abertos viram atacantes em 1-4-3-3 e ocupam espaços deixados pelos adversários que não subiam o bloco.

Foto 19 – Chegada ao alvo adversário com número suficiente de jogadores mesmo em transição ofensiva.

Foto 20 – Organização ofensiva em 1-4-3-3, com ampliação do espaço efetivo de jogo.

Foto 21 – Ter sempre linhas de passe abertas com a equipe em posse no campo de ataque.

Foto 22 – Aproveitar espaços no interior das equipes que se organizavam defensivamente em “reação” e, predominantemente, marcavam de forma individual.

Foto 23 – Chegada à zona de risco pelos volantes, sobretudo nas equipes excessivamente recuadas.

Foto 24 – Atacantes abertos se movimentam no corredor central para atraírem a marcação individual e gerarem espaços livres nos setores opostos à bola.

Foto 25 – Chegada ao alvo adversário com número suficiente de jogadores com posse em progressão.

Foto 26 – Bloco Ofensivo, amplitude, profundidade, linhas de passe abertas e a posse de bola. Comportamentos de jogo ofensivos que originaram 22 gols (50%) da equipe.

Foto 27 – Tentativa de recuperação imediata após a perda.

A Comissão Técnica espera que a evolução da equipe seja uma constante, uma vez que o nível da competição no ano seguinte será superior. Desta competição, as lições práticas que ficam não fogem das correntes teóricas amplamente discutidas pelos estudiosos do futebol.

Abaixo, um vídeo com parte da campanha do Novorizontino numa palestra feita no jogo mais importante do ano, contra a equipe do Fernandópolis, pela penúltima rodada da quarta fase.

http://www.youtube.com/watch?v=9V3B_UMegOQ

Quem tiver dúvidas ou quiser saber mais informações da campanha, do Modelo de Jogo, do dia-a-dia dos treinamentos, da análise dos adversários e equipe com o software TacticalPad ou até do modelo de periodização utilizado, escreva-me.

Abraços e até a próxima semana.

Novorizontino – Campanha do Acesso – Campeonato Paulista 2ª Divisão 2012

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Segue, abaixo, link com parte da campanha da equipe profissional do Grêmio Novorizontino, comandada pelo técnico Élio Sizenando, em 2012.

http://www.youtube.com/watch?v=9V3B_UMegOQ

Na próxima semana, os elementos táticos do acesso.

 

Written by Eduardo Barros

6 de outubro de 2012 at 10:34

Banco de Jogos – Jogo 6

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Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Ultrapassagem e Penetração

No jogo de futebol, algumas movimentações estão mais associadas à conservação da posse de bola do que a progressão ao alvo. Como o objetivo do jogo é fazer mais gols que o adversário, ações táticas mais agressivas, associadas à criação de superioridade numérica e aproximação da meta do oponente, são necessárias. Entre elas: a ultrapassagem, caracterizada pela progressão à frente da linha da bola, e a penetração, conceituada como a ocupação do espaço nas costas dos defensores. Tais movimentações, capazes de gerar rupturas nas linhas de defesa, precisam ser treinadas se forem comportamentos esperados pelo treinador em seu Modelo de Jogo. Na sequência, um exemplo de treino que pode potencializar a ocorrência dessas ações.

– Dimensões do campo oficial.  ~ 100m x 70m;

– Campo dividido em 3 faixas horizontais (30, 40 e 30m);

– Demarcação de 2 linhas (tracejadas em azul), distantes 10 metros da linha do meio campo;

– Tempo de atividade, incluindo esforço e pausa, a critério da Comissão Técnica, em função dos objetivos desejados.

                                                                                               Linha 4    Linha 3    Linha 2

Plataforma de Jogo Equipe A (preta): 1-4-4-2 (duas linhas)

Plataforma de Jogo Equipe B (azul): 1-4-3-3

Regras do Jogo 

  1. Até a linha tracejada no campo defensivo são permitidos, no máximo, 2 toques na bola e passe somente pra frente;
  2. Entre a linha tracejada defensiva e a linha 2 são permitidos, no máximo, 2 toques na bola;
  3. Receber a bola de costas no campo de ataque e perder a posse de bola = 1 ponto para o adversário;
  4. Receber um passe à frente da linha da bola a partir da linha 2, quando, no momento do passe o jogador que recebeu estava atrás da linha da bola = 1 ponto;
  5. Receber um passe nas costas da linha de defesa adversária no campo de ataque = 1 ponto;
  6. Receber a bola em situação de impedimento = 1 ponto para adversário;
  7. Gol = 5 pontos;
  8. Gol a partir de penetração ou ultrapassagem = 10 pontos 

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regra 4 

http://www.youtube.com/watch?v=Ei5cr_daiXg  

O jogador número 2 da equipe preta recebe um passe do jogador número 11 e, antes do passe, encontrava-se atrás da linha da bola. Esta ação vale 1 ponto para a equipe preta. 

Regras 3 e 5 

http://www.youtube.com/watch?v=OZaXggQQkrM  

O jogador número 11 da equipe preta recebe a bola de costas e o jogador número 4 da equipe azul recupera a posse de bola. Em seguida, após troca de passes, o jogador número 8 da equipe azul faz um passe nas costas do jogador número 6 da equipe preta e o jogador número 10 recebe a bola. Estas ações  valem 2 ponto para a equipe azul. 

Regra 8 

http://www.youtube.com/watch?v=Yq50ZUr7rys  

Após a equipe preta ter pontuado (Regra 4), o jogador número 2 cruza para o jogador número 10, que faz o gol. Esta ação vale 10 pontos para a equipe preta. 

Aguardo dúvidas, críticas e sugestões. Abraços e bons treinos!