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Archive for dezembro 2012

A (re)construção do Modelo de Jogo e o “ritmo” de jogo

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Os novos jogadores, o novo sistema e o início da temporada

ModeloUma determinada equipe apresenta ao final de uma temporada, para cada um dos momentos do jogo, um nível específico de resolução dos problemas que são impostos pelo jogo. Exemplificando, numa equipe que tem como comportamento de organização ofensiva sempre sair jogando evitando chutões e construir um ataque posicional com passes curtos, a comissão técnica tem condições de avaliar qualitativa e quantitativamente em que nível tais ações estão sendo executadas.

Com as mudanças dos jogadores ocorridas por diversos motivos, entre eles, contratações, promoções de atletas das categorias de base, negociações e até lesões, é fato que a nova formatação desta equipe expressa uma dinâmica do seu jogar significativamente distinta daquela que terminou a temporada. Ou seja, por mais que um time-base tenha se mantido, a chegada de quatro, três ou até dois jogadores é suficiente para gerar alterações funcionais no sistema que diferem do Modelo de Jogo pretendido.

Essas alterações são ainda mais bruscas se os comportamentos que se desejam construir são opostos aos que os jogadores apresentavam em seus clubes/treinadores anteriores. Como exemplo, um determinado jogador habituado a ter como referência para a marcação somente o adversário, terá dificuldades de adaptação num sistema em que as referências de marcação também consideram o próprio gol, a bola, a região do campo e os seus companheiros.

Então, no início da temporada, cada comissão técnica tem um trabalhoso problema nas mãos: verificar novamente em que nível sua equipe se encontra na resolução dos problemas do jogo. Para isso, mais do que verificar a condição física individual, que traz informações muito pobres relativas ao sistema, a comissão técnica precisa agendar um bom número de jogos amistosos. Somente jogando será possível conseguir a real informação de todos os comportamentos individuais e coletivos apresentados, relativos ao Modelo de Jogo.

Com a real informação da equipe em mãos, possibilitada por uma análise complexa, tem início o desenvolvimento da temporada competitiva (imediatamente para os grandes clubes brasileiros e mais tardiamente nas categorias de base e outras equipes que não disputam competições nacionais). Devido às mudanças supracitadas, provavelmente, muitos comportamentos de jogo terão regredido e então, a comissão técnica tem mais um trabalhoso problema nas mãos: o desenvolvimento das atividades que possibilitarão a evolução constante do sistema/equipe.

É neste aspecto do desenvolvimento da periodização que muitos treinadores se equivocam. Influenciados por resultados positivos em temporadas passadas, simplesmente replicam sessões de treinamento que julgam terem sido positivas em suas últimas equipes. Esquecem, portanto, que o novo sistema, formado por novos elementos, apresenta um jogar atual diferente daquele anterior, logo, as sessões de treino também devem ser diferentes.

Além disso, restringem o jogo coletivo ao somatório das ações individuais e não aprofundam em treinamentos que permitirão a expressão em alto nível de dinâmicas setoriais, intersetoriais e coletivas.

E qual o reflexo destes equívocos?

As desculpas comuns em todos os inícios de temporada, em que muitos treinadores justificam os maus rendimentos competitivos à falta de ritmo de jogo.

Planejar sessões de treino complexas, criar atividades que ao mesmo tempo sejam técnica-tática-física-mental, jogar, discutir, analisar e avaliar minuciosamente a equipe são princípios básicos de uma pré-temporada muitas vezes negligenciados pela comissão e aceitos pela diretoria e imprensa.

Felizmente, as ditas desculpas não duram mais que um mês. Infelizmente, as desorganizações em algumas equipes brasileiras (mesmo com ritmo de jogo) duram uma temporada inteira.

Como você realiza sua pré-temporada?

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Entrevista Tática – Almir Dias: Meio-campista do Novorizontino-SP

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“Tenho o privilégio de dentro de campo ter uma leitura rápida do adversário e da partida. Tenho de ser o “rei” em assistências”.

almir_diasApós o final de uma temporada, as novas contratações para a reformulação do elenco devem ser feitas considerando diversos fatores. Um deles, sem dúvida, é o histórico do atleta e a sua intencionalidade de jogar em alto nível. Para isso, uma observação prévia deste atleta em ambiente de jogo pode trazer muitas respostas à diretoria e comissão técnica quanto à certeza da contratação.

E essa foi uma das características que favoreceram a contratação de Almir Dias, meia de 30 anos, que será o atleta mais velho do jovem elenco do Novorizontino que disputará a série A3 do Campeonato Paulista em 2013.  Confira a entrevista com o jogador:

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Dos 11 aos 18 anos – São Paulo Futebol Clube;

Dos 19 aos 21 anos – Portuguesa de Desportos, equipe que subi para o profissional;

22 anos – Rio Preto-SP;

23 anos – Catanduvense-SP;

24 anos – Guaratinguetá–SP;

25 anos – Gratkorne-AUS;

26 anos – Toledo-PR;

26 e 27 anos – Guarani-SP

28 anos – Noroeste-SP;

29 anos – Cianorte-PR e Botafogo-PB

30 anos – Olímpia-SP e Grêmio Novorizontino-SP 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

Primeiramente é amar o que faz. Gostar do seu corpo e cuidar dele porque ele é o combustível para ter uma ótima carreira. Se policiar em saber o que pode, o que não pode e ser verdadeiramente profissional, tanto dentro, como fora de campo.

Ter um cuidado especial com a alimentação para que tenha uma carreira longa e duradoura, além de respeitar seus comandantes e dar o respeito para ser respeitado dentro do grupo! 

3-    O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futsal me deu dinâmica e evolui a minha parte técnica. Acredito que ele estimula o jogador a pensar rápido. Já o futebol de rua, com certeza me deu a malandragem que só o jogador brasileiro tem. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Primeiramente ter um espírito de vencedor. Após isso, ter um plano de jogo definido e determinado, com disciplina tática, para ser feito na certeza de que já deu certo.

Determinação, foco, coragem, concentração, humildade, respeito e atitude, juntamente com o improviso do atleta dentro de campo são fundamentais. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

O futebol evoluiu muito. Temos que trabalhar muito em conjunto, unindo a qualidade técnica e junto com ela a parte física. Hoje, se tem condição de fazer a parte física sem deixar a técnica de lado e, para isso acontecer, é preciso de bola e mais bola. Fazendo isso, acredito que o jogador fica em ritmo de competição o mais rápido possível. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Eu sou um meia armador e tenho em minha mente que tenho a obrigação de fazer meu time jogar.

Dando velocidade na bola, fazendo o time ser rápido quando tem que ser e sabendo cadenciar quando tem que cadenciar, ao ficar com a posse de bola.

No clube em que jogo, tenho de ser o “rei” em assistências, até porque sou um meia armador.

Acho importante também finalizar de média distância e também entrar na área porque hoje é necessário ao meia moderno. É preciso também colocar sua qualidade individual e o improviso que todo grande meia tem que ter.

Sem a bola, ajudar na marcação, não que você vai ser um exímio marcador até porque não sou defensor, mas tem que vir compor o espaço, procurar marcar já no campo de ataque ou, no mínimo, matar a jogada por lá. 

7-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Tático: Tenho o privilégio de dentro de campo ter uma leitura rápida do adversário e da partida e, com isso, me adéquo à forma do adversário jogar e vou procurar explorar o ponto fraco dele e também em relação a posicionar meus companheiros, pois tenho essa leitura.

Técnicos: Visão de jogo, enfiadas de bola, bola longa, bola parada e chute de media distância.

Psicológico: Eu não perco a cabeça jogando. Sou muito frio e me mantenho focado e concentrado os 90 minutos.

Físico: Muita força na perna e acredito que uma boa explosão curta. Suporto os 90 minutos estando com ritmo de jogo.

Um jogador precisa de tudo isso e esse conjunto é importante para que ele dê o melhor de si numa partida e ao longo da competição. 

8-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Tive vários treinadores e onde passei fui vencedor, conseguindo acessos, títulos e sempre chegando na reta final das competições.

Vou citar quatro:

Amauri Knevitz: porque sabe montar um time e extrair o melhor de cada jogador.

Luciano Dias: por saber ser comandante, disciplinador e principalmente vencedor.

Leston Junior: porque me fez sentir à vontade dentro de campo e me fez ter de volta a alegria de jogar futebol e fazer o melhor que eu posso.

Élio Sizenando: Estou o conhecendo agora, mas é um treinador que gosta do verdadeiro futebol jogado e faz isso sem medo de ser feliz. Isso faz com que o nosso futebol brasileiro seja resgatado. É um treinador novo e em sua primeira competição conquistou o acesso. Tenho certeza que serei feliz porque a minha qualidade e forma de jogar se encaixam com a filosofia de trabalho dele e na forma que enxerga o futebol. 

9-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sim. Amauri Knevitz, no Noroeste-SP.

Ele me colocou para jogar de terceiro volante e foi muito bom porque aprendi muito e pegava muito na bola porque a saída era sempre comigo e também chegava sempre de frente.

A dificuldade surgia porque tinha que jogar numa faixa de campo e chegar à frente e voltar rápido no meu setor. Com isso, como não era acostumado, sofri um pouco no começo tanto que saia em todos os segundos tempos porque não aguentava fisicamente. Depois que me acostumei, aí foi embora…

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

Muito grande. Porque ali saímos da preleção sabendo o ponto forte, fraco, o que temos que fazer e explorar do adversário. Passa a confiança do trabalho da semana em prol do jogo. Nos motiva a entrar em campo com olhos de águia, querendo a vitória a todo custo, mas bem organizado. Essas palavras vindas do comandante fortalecem o grupo porque ele é o líder e nos passa a confiança. 

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

No 4-4-2 tradicional, saio muito aos lados do campo para marcar.

No 3-5-2 com dois volantes, jogo só do meio para frente e com liberdade dos dois lados.

No 4-3-3, gosto muito porque tenho três opções de passe à minha frente e liberdade no meio para criar e chegar na área. Jogo boa parte centralizado, mas com liberdade, em momentos do jogo, de cair pelas pontas e estou sempre perto do gol.

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola;
  • Assim que perde a posse de bola;
  • Sem a posse de bola;
  • Assim que recupera a posse de bola;
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas.

 

Com a posse: Jogamos com dinâmica, transição rápida, chegando ao campo de ataque e valorizando muito a posse com toques rápidos e sempre em direção ao gol.

Sem a posse de bola: Procurar marcar no campo de ataque e recuperar a bola o mais rápido possível. É um time bem compacto dentro de campo.

Assim que recuperar a bola: Fazer a bola chegar ao campo de ataque rápido e assim criar as jogadas e defini-las em gol.

Nas bolas paradas ofensivas, atacamos a bola entrando cada um no seu setor com muita força e nas defensivas marcamos por setor, agredindo a bola e não deixando o adversário nem encostar nela, com muita atenção no rebote, tanto para ganhar, quanto para puxar rápido o contra ataque. 

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Procuro orientar a partir do que trabalhamos a semana e também da forma que li o jogo desde o apito do árbitro.

Se algo está dando errado, tento motivá-los porque qualidade tem e naquele dia pode estar dando errado. Prefiro não criticar, pois posso afundar de vez o meu companheiro e eu preciso dele bem, concentrado e motivado para ter a certeza de que vai fazer a jogada certa.

Tenho que ser um líder e até por ter essa qualidade, os jogadores têm que ver em mim uma referência dentro de campo. Tenho que passar confiança. 

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Sou um jogador que me cobro muito. Às vezes, o time ganha e eu não faço uma partida que seja boa aos meus olhos, chego em casa e quem aguenta o meu mau humor são minha esposa e meus filhos. Logo eles já sabem que não estou legal. No mesmo dia, já penso o que fiz de certo e errado em cada lance e em cada jogada, tanto com a bola, quanto sem ela.

Na reapresentação do elenco, vejo a opinião da comissão e procuro extrair o máximo para não cometer mais os mesmos erros e ir crescendo jogo a jogo na competição. 

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Estamos atrás e os resultados dos últimos anos de nossa seleção mostram isso. A Europa evoluiu e nós paramos no tempo. Preocupamo-nos muito com força, tamanho, dinheiro e o futebol jogado de verdade, que enchia os olhos dos torcedores e que acontecia com a maior naturalidade, foi acabando. 

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

O meu recado é que eles devem cuidar de cada jogador com muito carinho, atenção, respeito e profissionalismo. Fazendo sempre o melhor e cobrando porque sabe da qualidade de cada jogador que tem em mãos e deve procurar extrair o “máximo do máximo” de cada um. Somente com jogadores e comissão juntos é que podemos ser vencedores e ficarmos gravados na história de um clube!

Written by Eduardo Barros

23 de dezembro de 2012 at 13:08

Footecon 2012 e as novas perspectivas para o treinamento técnico-tático

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Discussões que visam à evolução do jogo brasileiro ganham, gradativamente, espaço no mercado do futebol

Aconteceu entre os dias 4 e 5 de Dezembro o IX Fórum Internacional de Futebol idealizado e coordenado pelo atual diretor técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira.

Nos dois dias de evento, temas relevantes foram discutidos com o objetivo de fomentar transformações em nosso futebol. Como exemplos, a excelente palestra sobre a formação do treinador europeu, ministrada por Eduardo Tega, diretor executivo da Universidade do Futebol e Sandro Orlandelli, professor universitário e ex-scouter do Arsenal-ING; ou então, a temática metodologia de treinamento do futebol brasileiro, que teve como palestrantes Ricardo Drubscky, técnico que conquistou o acesso para a série A do Campeonato Brasileiro com o Atlético-PR, Rodrigo Leitão, colunista deste portal e técnico do sub-18 do Corinthians e Vinicius Eutrópio, técnico do América-MG.

Ainda relacionada às questões metodológicas da modalidade, numa plenária de menor dimensão (mas não menos importante), tive a honra de participar como palestrante numa apresentação que tinha como tema as novas perspectivas do treinamento técnico-tático nas categorias de base. Foi um privilégio compor a mesa com dois grandes treinadores das categorias de base do futebol brasileiro: Sérgio Baresi, técnico do sub-20 do São Paulo e Marcelo Veiga, técnico do sub-20 do Fluminense.

Aproveito a coluna semanal para compartilhar o conhecimento exposto na palestra, com o intuito de não torná-lo restrito somente a quem esteve presente no evento.

Segue, abaixo, alguns slides e os conteúdos abordados:

Com as conquistas recentes do Barcelona, o trabalho de formação no futebol ganhou sensível importância. No Brasil, muitas personalidades do futebol têm criticado o trabalho de base, pois é ele um dos responsáveis pelo baixo nível da grande parte dos nossos jogos.

Para comprovar tal afirmação, na sequencia, apresento a opinião de treinadores, imprensa e gestores sobre o trabalho de formação:

 

Diante disso, ressalto a fala de Mano Menezes pronunciada no Seminário das Categorias de Base, realizado este ano na CBF, que afirma sobre a necessidade de formar jogadores capazes de identificar os problemas do jogo.

E quais são os problemas do jogo no futebol moderno? Ao longo da palestra procurei evidenciar alguns deles.

O primeiro, referente à necessidade de abrir o adversário como uma das alternativas para criar espaços para a eficácia da ação coletiva ofensiva. Abaixo alguns exemplos de como grandes equipes do futebol mundial tentam resolver este problema e, comparativamente, como é feito por algumas equipes do Brasil em lances reais retirados do Campeonato Brasileiro de 2012:

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Abaixo, uma ilustração de um jogo no Brasil correspondente a um comportamento muitas vezes observado:

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Como segundo problema, a necessidade de formar um bloco ofensivo consistente, que facilite a criação de superioridade numérica e que facilite um comportamento agressivo de transição defensiva para buscar a recuperação da posse. As fotos de Bayern e Manchester United identificam bem a formação do bloco, com todos os jogadores de linha posicionados no campo de ataque:

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Já numa equipe brasileira, o bloco ofensivo observado, na maioria das vezes, é semelhante ao do exemplo que segue:

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O terceiro problema apresentado relaciona-se as equipes terem que fazer campo pequeno para defender, diminuindo os espaços importantes entre a bola e o alvo e, ao mesmo tempo, manter uma organização que favoreça a transição e organização ofensiva.

Nestas fotos de dois jogos da Champions, observe os exemplos:

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Em contra partida, o bloco baixo da primeira linha e o combate desorganizado no portador da bola, espaçam as linhas defensivas da equipe brasileira como mostra a figura:

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Outros dois exemplos foram utilizados. Um que identificava a distribuição das peças no campo de jogo, num determinado instante do jogo, de modo a ilustrar a quantidade de jogadores à frente da linha da bola para a construção da ação ofensiva e outro que quantificava o número de ocorrência de pressing na região em que se encontrava a bola para induzir o erro do adversário, logo, recuperar a posse. Obviamente, esses dois comportamentos não são bem realizados no futebol brasileiro.

Após estas constatações, foram mostrados exemplos de treinamentos tradicionais que não favorecem à aquisição de comportamentos coletivos.

Entre eles: treinos de fundamentos técnicos do jogo, treinos de finalização, treinos táticos 11×0 e treinos de jogos reduzidos.

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As soluções apresentadas para reverter o cenário atual de formação dos atletas brasileiros todos que acompanham o site da Universidade do Futebol já conhecem. São jogos e mais jogos que contribuam para o desenvolvimento da inteligência coletiva de jogo. Para isso, jogos de futebol com manipulação das regras devem nortear o microciclo de treinamento.

Quaisquer das seis atividades que já publiquei no banco de jogos das minhas colunas servem como exemplo. Algumas das justificativas estão apontadas na seguinte imagem:

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Para confirmar os resultados desta forma de trabalho, cases de sucesso foram apresentados para minimizarem as críticas e dúvidas desta maneira (que de acordo com as datas dos contributos teóricos não podemos chamar de nova) de conceber o treinamento em futebol.

Um tema polêmico e que seguramente será bastante criticado. Porém, com o apoio de profissionais do futebol e estudantes que buscam espaço e querem transformações no trabalho de campo, a sensação é de que estamos fortes para combater qualquer que seja a crítica.

Que cada vez mais discussões como esta ganhem espaço e também os campos do nosso imenso país. Sem dúvida é uma das soluções para o nosso futebol!

Copa do Mundo de 2014: seremos campeões?

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Diante de todos os acontecimentos, como você se posiciona em relação ao cenário atual do nosso futebol? 

Copa 2014Para a maioria dos brasileiros a conquista do hexacampeonato mundial é uma obrigação. Jogando em casa e com Neymar no elenco, resta ao treinador convocar mais vinte e poucos jogadores e motivá-los, com seu espírito vitorioso, a fim de que o talento nato dos nossos atletas apareça. Precisamos desses talentos para decidir as partidas nos equilibrados jogos que, atualmente, só podem ser definidos através de jogadas individuais.

O trecho anterior é somente um exemplo dos milhares de equívocos que são pronunciados e praticados dia após dia em nosso futebol.

E você, profissional (ou não) da modalidade, como se posiciona diante desses equívocos? Colabora para que eles aconteçam? Simplesmente observa e caminha para a direção que lhe for mais conveniente em determinada situação? Ou defende e pratica, arduamente, mudanças em todos os âmbitos deste esporte?

O futuro do futebol depende, diretamente, do nosso posicionamento.

Optar pelo caminho da mudança, norteado pelo necessário processo de transformação do futebol brasileiro, é um dos desafios de quem pretende seguir carreira neste mercado que, como muitos outros, é influenciado constantemente por conflitos administrativos, políticos, de interesses e de disputa pelo poder.

Todos estes conflitos impactam na área técnica da modalidade. A demissão de Mano Menezes é um exemplo recente deste impacto, neste caso, de grande magnitude. O fato é que, maiores ou menores, tais impactos definem um cenário atual repleto de limitações e complicações que atrasam a evolução do nosso futebol. Como exemplos deste cenário, acompanhem os tópicos abaixo:

 

  • Pouquíssimos profissionais do futebol foram      formados no ano de 2012. Num país que possui milhares de treinadores,      quais são as políticas educacionais para capacitarmos os gestores de      campo?  Entendam que a solução não      está nos cursos de graduação em educação física. Precisamos de iniciativas      e formações específicas (de qualidade) para a modalidade.
  • Alguém que pretende trabalhar com futebol,      mas não está inserido no mercado por não ter sido ex-atleta, não teve (ou      teve mínima) oportunidade de entrevista de emprego no presente ano. Seguramente      seu CV não faz parte do banco de dados da maioria dos clubes de futebol      brasileiros, pois tudo isso é desnecessário, uma vez que as contratações      acontecem quase que exclusivamente por indicações e influências.
  • Os trabalhos de pré-temporada para os      estaduais 2013 já começaram e muitas equipes negam-se a fazer amistosos,      pois estão em períodos de somente treinos físicos. Dentre esses treinos,      encontram-se os tiros de 1000 metros e os treinos na “caixa de areia”.
  • Clubes tradicionais do futebol brasileiro      ainda não contam com um departamento de análise de jogo e participam de      uma das melhores competições do futebol nacional sem um conhecimento      aprofundado do adversário e, inclusive, da própria equipe.  Equipes vencem, empatam e perdem sem      conhecerem os reais motivos para os respectivos resultados.
  • Em tempos de gestão eficaz, na busca por      melhores resultados mesmo com redução de custos, clubes gastam milhares de      reais acomodando jogadores em hotéis de luxo como única alternativa      possível para aumentar o nível de concentração dos jogadores na tentativa      de escaparem do rebaixamento.
  • Por mais que um determinado profissional      estude, se capacite, faça estágios, cursos e dirija uma equipe com      sucesso, um ex-jogador sempre, mesmo sem qualquer capacitação além de ter      sido atleta, está mais credenciado para uma função técnica.
  • Na grande maioria dos clubes, em todas as      categorias, o único valor considerado é o do resultado de campo. Egos      “inflados”, incapacidade administrativa e pressão criada pela nossa      cultura, são elementos que contribuem para a valorização excessiva da      vitória.
  • Elencos inteiros são formados a partir de      interferências diretas de agentes, empresários e dirigentes em função de      benefício financeiro próprio e não na busca do melhor para o clube.
  • A troca de comissões é uma constante e      raríssimos são os clubes que oferecem plano de carreira. O seu trabalho      pode ser interrompido (e será em algum momento) ainda que as vitórias      apareçam.

 

Entender o cenário e ainda assim estabelecer um posicionamento favorável às mudanças é tarefa para poucos. Ter resiliência e persistência são características indispensáveis na tentativa de sobrevivência que compreende a luta diária de quem opta por esse caminho.

Felizmente, neste mesmo cenário (composto por limitações e complicações) é possível “enxergar uma luz no fim do túnel”, pois projetos de sucesso, mesmo que isolados, surgem no heterogêneo futebol brasileiro. Enderson Moreira, Ricardo Drubscky, Ney Franco e Tite são bons exemplos para identificar tais projetos. Bons argumentos, bons estudos e, principalmente, bom futebol!

Voltando à seleção brasileira, é melhor evitar qualquer opinião a respeito do substituto de Mano Menezes. O tempo (sempre ele) dirá se o preferido pelo povo era a melhor opção.

E para todo o povo, fiel torcedor e assumido treinador, pouco importa o que faremos até junho de 2014. Se após a competição o título for brasileiro, do alto da nossa arrogância, ostentaremos a hegemonia do futebol com seis títulos mundiais. Não terá importância o como, com quais métodos (se novos, ou novos-velhos) ou com qual treinador.

Já para os profissionais do futebol, que se importam muito com os acontecimentos até a próxima Copa e também com os acontecimentos futuros, deixo uma reflexão análoga aos conhecimentos sobre o jogo. Se nele tentamos dar maior previsibilidade a um ambiente que, por característica, é imprevisível, a fim de que nos aproximemos das vitórias, o conhecimento sobre o atual cenário nos permite opinar sobre o desempenho previsto do Brasil na Copa de 2014:

Fica, então, a questão: seremos campeões?

Written by Eduardo Barros

2 de dezembro de 2012 at 17:35