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Archive for janeiro 2013

Banco de Jogos – Jogo 7

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Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Bolas Paradas

Se a comissão técnica não estiver atenta, facilmente os atletas podem diminuir o nível de concentração numa sessão de treino de bolas paradas. Com a excessiva repetição das ações num ambiente que simula o jogo, mas não tem suas principais características, elementos importantes como as organizações de balanço defensivo e ofensivo, comportamentos coletivos de transição ofensiva e defensiva, o interesse dos atletas em cumprir as ações com eficácia e a própria competição, inerente ao jogo, são desconsiderados (ou deixados em segundo plano) e refletem negativamente nos jogos oficiais.

Então, com o objetivo de proporcionar maior competitividade à sessão de treino e consequentemente aproximá-la das situações reais de jogo, a coluna desta semana propõe uma atividade para aperfeiçoar o Modelo de Jogo do treinador no que tange as cobranças de bolas paradas, afinal, as mesmas têm definido muitas partidas do futebol mundial.

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Bolas Paradas 

– Dimensões do campo oficial.  ~ 100m x 70m;

– Campo dividido em 5 setores em torno da grande área;

bolas paradas

Regras do Jogo

  1. Cada equipe tem direito a 5 bolas por setor, além de 5 escanteios de cada lado, totalizando 35 bolas por equipe;
  2. As mudanças de equipe que ataca ou defende são feitas a cada série de 5 bolas;
  3. Cada bola é jogada por, no máximo, 20 segundos;
  4. Após cada bola, pausa de 40 segundos;
  5. Se na cobrança a bola for desperdiçada pela equipe que ataca, o treinador repõe a bola em jogo para a equipe que defende;
  6. Se na cobrança a bola for desviada pra fora pela equipe que defende, o treinador repõe a bola em jogo para a equipe que ataca;
  7. Gol = 6 pontos
  8. Ultrapassar o meio campo em transição ofensiva = 2 pontos
  9. Ultrapassar o meio campo após reposição do treinador = 1 ponto
  10. Gol após reposição do treinador = 3 pontos
  11. Gol de transição ofensiva = 10 pontos

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regra 7 

http://www.youtube.com/watch?v=8GygNMNFkII&feature=youtu.be 

O jogador número 10 da equipe listrada faz a cobrança de uma falta lateral e o jogador número 8 faz o gol. Esta ação vale 6 pontos para a equipe listrada.

Regra 8 

http://www.youtube.com/watch?v=rM1l-LA2rFs&feature=youtu.be 

O jogador número 10 da equipe listrada faz a cobrança de uma falta lateral e o jogador número 7 da equipe verde intercepta o cruzamento. Em um contra ataque, a equipe verde ultrapassa o meio campo com o jogador número 10. Esta ação vale 2 pontos para a equipe verde.

Regra 10 

http://www.youtube.com/watch?v=Wf7e195f_fU&feature=youtu.be 

O jogador número 8 da equipe verde faz a cobrança de um escanteio e o jogador número 6 da equipe listrada desvia para fora. Após a reposição feita pelo treinador o jogador número 8 da equipe verde cruza e o jogador número 4 faz o gol. Esta ação vale 3 pontos para a equipe verde. 

Aguardo dúvidas, críticas e sugestões. Abraços e bons treinos!

Written by Eduardo Barros

28 de janeiro de 2013 at 22:22

Façam suas apostas

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Quais serão as mudanças no Modelo de Jogo estabelecidas pelo futuro treinador do Bayern de Munique?

guardiolaNos últimos dias, a imprensa esportiva divulgou o anúncio feito pelo clube alemão, Bayern de Munique, de que Pep Guardiola assumirá o comando da equipe a partir de Julho de 2013. Guardiola assumirá o posto de Jupp Heynckes, que lidera o campeonato alemão com nove pontos de vantagem do segundo colocado e que disputará uma vaga nas quartas de final da Champions League, com o Arsenal-ING.

A contratação deu fim às intensas especulações de que o ex-treinador do Barcelona comandaria algum clube inglês. No entanto, novas especulações surgem para amantes e estudiosos do futebol que passam a imaginar e criar hipóteses sob como será o novo Modelo de Jogo do clube alemão.

Dentre as expectativas, seguramente, a pergunta inicial se refere ao predomínio da posse de bola frente aos adversários. Será esse o comportamento coletivo predominante em organização ofensiva? Outra questão compreende a plataforma de jogo? Guardiola optará pelo 1-4-3-3 ou 1-3-4-3 utilizados no clube catalão ou a cultura do clube e características dos jogadores implicarão na escolha de outra plataforma?

E quanto às contratações? O treinador espanhol chegará no início da temporada, num período aberto para transferências. Quais serão as características e posições dos jogadores contratados? Virá alguém do Barcelona?

As especulações não se restringem às questões técnicas. Muitos estão na expectativa em saber como será gerir uma equipe que não tem a maioria do elenco formada nas categorias de base do clube (dos dezoito atletas convocados para a 17ª rodada do campeonato alemão, somente quatro eram “pratas da casa”). Além disso, como Guardiola irá lidar com um novo ambiente? Sair de um clube em que ele conhecia todos os atalhos de La Masía ao Camp Nou e facilitava (ou ao menos tornava menos complexa) sua compreensão do “todo” para, em breve, frequentar os corredores de um clube em que ele terá que conhecer um ambiente/cultura totalmente distinto e, inclusive, aprender um novo idioma. Sem dúvida, um desafio grandioso!

Como grandes equipes e treinadores sempre devem ser estudados, sugiro uma tarefa para realizarmos ao longo de 2013 e sermos mais precisos diante de tantas expectativas:

Acompanharmos alguns jogos da temporada 12/13 da equipe alemã, seja pelo campeonato nacional, seja pela Liga dos Campeões, e definirmos o Modelo de Jogo apresentado pela equipe de Jupp Heynckes. Aguardarei em meu e-mail (e também farei meu banco de dados) informações dos comportamentos individuais e coletivos do Bayern para cada um dos momentos do jogo. Quem quiser, pode utilizar vídeos editados, lances com gols, relatórios ou quaisquer outras informações que tenham relevância na análise da equipe alemã.

Após a fase inicial da tarefa, a sequência será avaliar a equipe de Pep Guardiola passados cinco meses do início do trabalho. Os últimos jogos da fase de grupos da Champions e do campeonato alemão da temporada 13/14 serão as partidas estudadas. Com a ajuda dos leitores e com análises semelhantes às feitas com Heynckes, uma coluna comparativa será publicada relacionando cada um dos Modelos de Jogo.

Acompanhar jogos, estudá-los e extrair informações úteis deve ser prática cotidiana de quem trabalha ou pretende trabalhar com futebol.

Estudar o Bayern de Munique significa tentar compreender uma das grandes equipes do futebol mundial e que apresenta princípios de jogo condizentes com o futebol moderno. Declaradamente, contrataram Pep Guardiola para dar brilho ao futebol alemão e, nas entrelinhas, ganharem tudo!

Estudar o Bayern de Munique é mais proveitoso do que estudar algumas equipes brasileiras que se reforçaram vigorosamente para as competições deste ano, porém, mantêm treinadores no comando com as mesmas (e ultrapassadas) ideias de jogo de temporadas anteriores e que dependerão excessivamente das características individuais dos jogadores contratados para a nova formatação do Modelo de Jogo.

Ao longo do ano irei lembrá-los em relação à tarefa. Por enquanto, como de costume, deixo uma pergunta:

Será que o Bayern de Munique, quando treinado por Pep Guardiola, conseguirá parar o Barcelona?

Que comecem os estudos…

Algumas reflexões sobre sua atuação profissional

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Suas reações e intervenções aproximam sua equipe das vitórias? 

TécnicosReorganizar-se, adequar planejamentos pessoais e profissionais, redefinir metas e refletir sobre os comportamentos em diferentes situações do cotidiano devem ser práticas corriqueiras de quem busca a excelência pessoal. Porém, muitas pessoas deixam (quando deixam) tais práticas somente para o curto período dos votos de Ano Novo. Então, aproveitando tanto o público que se atualiza constantemente, como aquele que procura atualizações pontuais, escrevo a coluna desta semana trazendo reflexões (já que não tenho as respostas) relativas às suas intervenções profissionais.

Meses atrás foi discutida numa coluna, a resposta emocional dada pelos jogadores nas diferentes circunstâncias que acontecem num jogo de futebol. A partir destas respostas (que somente são observadas jogando), foi mencionado que uma comissão técnica tem informações valiosas para intervir individualmente, com o intuito de aperfeiçoar o jogar coletivo. Tal aperfeiçoamento é um dos grandes objetivos de um treinador, logo, conseguir dar vida a sua ideia de jogo e fazer com que ela seja reproduzida o maior tempo possível poderá aproximar sua equipe da vitória.

Sabidamente, a expressão coletiva do referido jogar pretendido é um reflexo de tudo que o técnico e sua comissão têm construído no dia a dia de treinamentos e nos jogos anteriores.

Esta construção é feita a partir de cada abordagem, preleção, sessão de treino, cobrança, conversas individuais ou quaisquer outras situações passíveis de intervenção.

Em tempos em que estão cada vez mais frequentes as discussões sobre as tendências da metodologia de treinamento, não podemos abrir mão da discussão de outras variáveis que, com maior ou menor magnitude, influenciam no resultado final de um jogo. Uma dessas variáveis se refere as suas respostas emocionais e intervenções diante dos variados problemas expostos pela sua respectiva equipe.

Pergunto: Você dedicou algum tempo para analisar como reagiu frente aos problemas de sua equipe no ano de 2012?

É bastante comum, para cada uma das situações que surgem no cotidiano de treinos e jogos, transferirmos a responsabilidade dos problemas exclusivamente aos jogadores. Dessa forma, observam-se nos treinadores reações diversas como irritações, lamentações, raiva, nervosismo, entre outros comportamentos que exteriorizam a insatisfação com o desempenho da equipe.

Será que os jogadores são os únicos responsáveis pelos erros?

Será que alguns caminhos e escolhas utilizados pela comissão, ao invés de contribuírem com a evolução da equipe, reforçam e potencializam os erros?

Como apontei no início, infelizmente, não tenho as respostas. Tenho inclusive, mais perguntas…

Sugiro que façam um exercício de resgate de suas reações e intervenções no ano de 2012.

Quantas vezes você teve que gritar com seus jogadores para que cumprissem determinada função do Modelo de Jogo?

Quantas vezes você deixou de gritar com seus jogadores por eles não cumprirem determinada função do Modelo de Jogo?

Quantas vezes você narrou o jogo de sua equipe para que ela jogasse melhor?

Quantas vezes você deixou de narrar o jogo de sua equipe para que ela jogasse melhor?

Quantas vezes você faltou com respeito com algum jogador?

Quantas vezes algum jogador lhe faltou com respeito?

Quantas vezes você minou a formação de “panelas” no grupo?

Quantas vezes você consentiu a formação de “panelas” no grupo?

Quantas vezes você chamou “de canto” aquele jogador que tem errado excessivamente nos treinamentos?

Quantas vezes você deixou de chamar “de canto” aquele jogador que tem errado excessivamente nos treinamentos?

Qual a quantidade das intervenções realizadas numa sessão de treinamento?

Qual a qualidade das intervenções realizadas numa sessão de treinamento?

Como você reagiu diante daquele jogador “boleirão”?

Como você reagiu diante daquele jogador ansioso?

Como você reagiu diante daquele jogador medroso?

Como você reagiu diante daquele jogador preguiçoso?

Como você reagiu diante daquele jogador polêmico?

Como você reagiu diante daquele jogador imaturo?

Como você reagiu diante daquele jogador nervoso?

Como você reagiu diante do jogador líder?

Como você reagiu diante do jogador esforçado?

Poderia continuar elaborando perguntas que remetem às suas intervenções e reações. Porém, as indicadas acima já são suficientes para um bom exercício de autoconhecimento.

Quem sabe um dia todos os profissionais do futebol entendam que se recorrermos à capacitação e à formação continuada, estudando diversas disciplinas que se relacionam com o futebol, teremos mais ferramentas para extrairmos o melhor de cada um dos nossos atletas. Se esse dia chegar, teremos em mente que antes de retirarmos o melhor do outro, precisamos retirar o melhor de nós mesmos.

Enquanto isso, alguns poucos treinadores refletem constantemente sobre a prática e outros reproduzem comportamentos sem o mínimo exercício de reflexão. Todos, no entanto, agem como atratores do sistema “jogo de futebol” e atraem a configuração das suas respectivas equipes. Pergunto novamente:

Você atrai a configuração da sua equipe para as vitórias?

Abraços e boas reflexões…

Written by Eduardo Barros

14 de janeiro de 2013 at 22:56

Combinação dos métodos de treino: necessidade ou dificuldade para planejá-los? – Parte I

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Analítico, integrado ou sistêmico. Qual(is) método(s) você utiliza para montar a sua periodização?

Caros leitores,

Estamos em meio às festas de final de ano, porém, ainda assim, muitos dedicam algum tempo para a capacitação profissional. treino é jogoNeste concorrido mercado, qualquer aprendizagem que proporcione conhecimento geral ou específico da modalidade pode ser um diferencial tanto para criar treinos (e equipes) melhores que seus adversários, como para buscar vantagem competitiva, imprescindível, nas disputas por algumas vagas que surgem no início da temporada.

Desta forma, estudar, ler, pesquisar, praticar, discutir e refletir, devem ser ações constantes para conseguirmos a melhor atuação profissional possível.

Nesta tentativa, uma dúvida recorrente acomete inúmeros profissionais do futebol: qual(is) deve(m) ser o(s) método(s) utilizado(s) na preparação dos jogadores e equipe?

O método analítico divide o futebol em suas quatro vertentes e preconiza o treinamento de cada uma delas separadamente. Para melhorar a capacidade física, treinos físicos diversos são realizados. Desde os treinos ultrapassados, como treinamentos contínuos e intervalados aeróbios até aos mais atualizados, como os treinos de resistência de sprint e de potência. Já para a vertente técnica, a repetição dos gestos técnicos perfeitos é estimulada em treinos de finalização, cruzamentos, passes ou quaisquer outros fundamentos de acordo com o interesse da comissão técnica. Para o aprimoramento da parte tática do jogo, combinação de jogadas sem adversários são realizadas por repetidas vezes para que, no jogo, aconteçam conforme o que foi treinado.

Já no método integrado, existe a junção na mesma atividade de treino, de duas ou mais vertentes da modalidade com o objetivo de aperfeiçoá-las simultaneamente. Sendo assim, surgem os denominados treinos físico-técnicos, técnico-táticos, ou até, os físico-tático-técnicos. Como exemplo da primeira combinação, um circuito com bola em que após acelerações e coordenativos diversos o atleta realiza um gesto-técnico do jogo. Exemplificando um treino técnico-tático, o tradicional “futebol alemão” em que o treinador divide seu grupo em três equipes e enquanto uma equipe ataca o gol oficial, a outra deve passar o meio-campo com a bola dominada para garantir o direito de atacar (o gol oficial) e a última aguarda uma das definições anteriores para entrar no jogo. Nestas atividades, os treinadores trabalham posse de bola, finalização, saída rápida, marcação, enfim, elementos técnico-táticos do futebol sem um controle mais aprofundado da carga de treino (que não é só física). E na última combinação, encontram-se os jogos reduzidos. Muitas vezes conduzidos pelos preparadores físicos, surgiram para trabalhar a parte física em forma de jogo. A melhoria da parte física, então, é o grande objetivo da sessão que passa a ter a bola para ser mais motivador e próximo do jogo de futebol (com seus elementos técnico-táticos). Um quadrado em que dois jogadores disputam a posse de bola por cerca de três minutos contra outros dois jogadores, podendo utilizar os apoios que estão em cada um dos lados do quadrado, é um exemplo de um jogo reduzido para a melhoria da resistência anaeróbia.

O método sistêmico não separa a sessão de treino nas vertentes do jogo. Então, toda e qualquer atividade é sempre física-técnica-tática-emocional. Logo, toda atividade é jogo. Para exemplificar, um jogo em 2/3 do campo em que duas equipes com nove jogadores cada se enfrentam em dois tempos de vinte minutos com as seguintes regras: atrás do meio campo cada jogador só pode dar 2 toques e fazer passes somente para frente; no campo de ataque, cinco passes equivalem a 1 ponto, sendo que até a zona de risco não pode devolver o passe para o jogador anterior que o executou, caso contrário, zera-se a contagem; gol equivale a 3 pontos; 5 passes mais o gol equivalem a 7 pontos; só valerão gols com a equipe toda posicionada no campo de ataque e com o goleiro fora da área. Neste jogo, busca-se atender demandas físicas-técnicas-táticas-emocionais específicas, que resultem em comportamentos individuais e coletivos relativos a uma maior inteligência de jogo.

Como o método sistêmico é o mais específico, pois mantém o jogo como essência da sua aplicação, defende-se uma ampla utilização do mesmo ao longo de um microciclo de treinamento. É comum pela comissão técnica, na maioria das vezes, recorrerem a outros métodos não pela real necessidade, mas sim pela dificuldade em elaborar exercícios complexos que, como afirma Rodrigo Leitão, sejam físicos-técnicos-táticos-mentais durante todo o tempo, o tempo todo.

Uma vez que o objetivo do portal nunca será trazer verdades absolutas e para colocarmos em prática um dos parágrafos iniciais do texto, que defende os estudos, as leituras, as pesquisas e as discussões, a primeira parte da coluna será finalizada propondo um ambiente de discussão: aguardarei em meu e-mail informações de treinadores e assistentes sobre quais são os métodos que utilizam para elaborar suas programações semanais e os porquês de se fazer de tal forma.

A ideia é termos um espaço para troca de informações e construção de conhecimento.

Desejo a todos um ótimo final de ano, boas festas, muitas alegrias e, é claro, bons estudos.

Abraços e até 2013!