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Archive for março 2013

Os criativos brasileiros e o futebol europeu

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É certo que perdemos espaço. Será que um dia conseguiremos recuperá-lo?

Meias vagabundos! É esta expressão que o comentarista esportivo português Luis Freitas Lobo utiliza para se referir aos meio-MCcampistas brasileiros que ingressam no futebol europeu. Com grande poderio técnico individual e baixo nível de inteligência coletiva de jogo, o termo é empregado pois as competências essenciais destes jogadores, tanto com bola como sem, não se adéquam aos princípios de jogo do futebol moderno. Querem a bola em quaisquer setores do campo mesmo que seja para realizarem uma ação técnica improdutiva, tardam para mudar de atitude nas transições e são inúteis no momento defensivo do jogo.  A torcida, o treinador e a equipe ficam a mercê de um lance “mágico”, de característica individual, que possa compensar a inoperância coletiva.

Como o jogo evoluiu e o que se espera dos praticantes também, fica evidente que atletas com essas características não terão espaço nas grandes equipes do futebol mundial. Para confirmar, façam uma pesquisa rápida e vejam quantos meio-campistas brasileiros estiveram em campo nos últimos oito jogos da Champions League 12/13, válidos pelas oitavas de final da competição.

É certo que perdemos espaço e se um dia pretendemos recuperá-lo a transformação da concepção do jogo de futebol, seja destes jogadores seja de quem os ensina/treina, deve ser urgente.

É preciso fazer compreender, desde as idades iniciais de formação, que ter uma boa relação com a bola é apenas uma das competências essenciais da modalidade e que, consequentemente, jogar bem está muito distante de ser habilidoso.

É preciso aprender sobre a totalidade do jogo e a importância da participação efetiva em todos os seus momentos. Devemos, então, desmitificar o conceito de que meias e atacantes atacam e zagueiros e volantes defendem.

É preciso ensiná-los a fechar linhas de passe, fazerem dobras, coberturas defensivas, marcarem zonalmente, pressionar o espaço do portador da bola, fazerem movimentações de ruptura, procurarem espaços entre linhas, ocuparem as zonas de finalização, darem velocidade ao jogo, tirarem velocidade do jogo, ultrapassarem a linha da bola defensivamente, mas não quererem a bola em setores recuados do campo e a reagirem rápido no momento da perda da posse,
seja para pressionar seja para recompor.

Adquirir essas competências pode reabrir mercado para os meio-campistas brasileiros no futebol europeu.

Até lá, recursos não faltam para que os futuros jogadores profissionais desta posição fiquem preparados e não “sofram” do mesmo mal dos atletas da geração atual.

Modernos centros de treinamento, inúmeros profissionais capacitados espalhados pelo país, material teórico acerca da modalidade com fácil acesso e tecnologia que permite registrar/editar os jogos do futebol europeu.

O clube que conseguir reunir os recursos disponíveis terá condições de aplicar um processo produtivo de formação qualificado que acompanhe as tendências do futebol moderno.

Ao contrário do que alguns menos atualizados possam pensar, é possível acompanhar as tendências do jogo, compreendido como um sistema complexo com variados níveis de relação entre as partes que o compõem, permitindo a criatividade dos seres que jogam. O que não podemos permitir (e por vezes os menos atualizados o fazem) é a criatividade descompromissada, em detrimento das ideias de jogo do treinador e sem relações com o Modelo de Jogo.

Para alguns o futebol europeu é chato, burocrático e mecanizado. Conceitos normais para quem compreende futebol (?) mas não compreende sistemas e o nível de jogo evoluído lá apresentado.

Temos que nos mexer se quisermos ver meias brasileiros jogando com sucesso no velho continente. Esta, no entanto, não pode ser a nossa única preocupação, pois corremos o risco de ficarmos novamente para trás…

Algumas propostas de calendário para as categorias de base de SP

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Adequações no modelo da federação paulista pode potencializar a formação competitiva dos atletas

FPFNo dia 26/03/2013 ocorrerá o Seminário Calendário do Futebol. Organizado pela Brasil Sport Market, com realização da Pluri Consultoria e Trevisan Escola de Negócios, o seminário irá debater algumas questões referentes à elaboração de um calendário mais adequado e eficiente para o futebol brasileiro.

Aproveitando a temática e com o intuito de estender a discussão às categorias de base, a coluna desta semana proporá adequações na disputa do Campeonato Paulista sub-15 e sub-17.

Nesta semana, foi divulgada no site da federação a proposta para a competição de 2013, que terá 78 equipes. Divididas em 8 grupos com 8 equipes e outros 2 com 7, neste formato, os clubes disputarão no mínimo 12 e no máximo 28 partidas.

Após o término da primeira fase, no dia 06/07, restarão 32 equipes, equivalente a 41% dos participantes.

Seis jogos compõem a segunda fase, classificando-se as duas melhores equipes de cada um dos 8 grupos formados. Na sequência da competição, disputam-se as oitavas, as quartas, as semifinais e a final.

O fato é que numa das melhores competições das categorias de base do país, em que muitos clubes (devido aos escassos recursos financeiros) jogam somente ela ao longo do ano, após o dia 06/07 teremos aproximadamente 1380 atletas em formação sem atividades competitivas de alto nível. Para compor este cálculo, basta multiplicar as 46 equipes eliminadas por 30, que é o número médio de atletas em um elenco.

Com as eliminações da primeira fase, fatalmente grandes atletas em potencial serão prejudicados, pois serão eliminados precocemente da competição. Para exemplificar, o grupo 7 (classificado por um companheiro de profissão como o “grupo da morte”) é formado pelas equipes Audax, Bragantino, Juventus, Guarani, Paulista, Red Bull, Atibaia e Palmeiras e somente 3 terão lugar na próxima fase. Como pode ser observado, por consequências do regulamento, equipes tradicionais nas competições das categorias de base não terão o que competir durante boa parte do segundo semestre.

Diante disso, será que é possível pensar num outro formato para a competição que além de manter a qualidade, dê maior oportunidade de jogos aos jovens atletas?

Sabemos da importância da competição para a formação esportiva, logo, nada mais coerente que proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento dos atletas com um maior número de jogos. Sob este viés, tentando privilegiar um maior número de equipes classificadas e/ou o número mínimo de jogos sem estender o calendário por muitas rodadas, seguem, abaixo, algumas propostas para as competições sub-15 e sub-17 da FPF, considerando as 78 equipes registradas em 2013.

Proposta 1

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 16 grupos de 2. Classifica-se a equipe com maior pontuação em dois jogos (ida e volta)

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), porém, o número mínimo de jogos sobe para 18 ou 19, dependendo do grupo. Este aumento proporciona, pelo menos, 28% mais jogos (para equipes que jogariam 14 jogos e passariam a jogar 18), chegando até a 58% (para equipes que jogariam 12 jogos e passariam a jogar 19). As equipes que chegarem à final terão disputado 28 ou 29 jogos.

Proposta 2

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo após dois turnos (ida e volta).

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta também se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), com o mesmo número mínimo de jogos da proposta anterior. Difere somente na segunda fase, em que ao invés de disputarem somente dois jogos, formam-se grupos de 4 e disputam um total de 6 jogos.

Proposta 3

Primeira Fase: 6 grupos de 10 e 2 grupos de 9. Classificam-se 5 equipes por grupo.

Segunda Fase: 40 equipes divididas em 10 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 4 por índice técnico.

Terceira Fase: 24 equipes divididas em 6 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: 12 equipes divididas em 3 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 2 por índice técnico.

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

O número de equipes classificadas sobe para 40, representando um aumento de 10% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 16 ou 18, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 31 ou 33 jogos.

Proposta 4

Primeira Fase: 6 grupos de 11 e 1 grupo de 12. Classificam-se 6 equipes por grupo mais 2 por índice técnico.

Segunda Fase: 44 equipes divididas em 11 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 10 por índice técnico.

Terceira Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

Na última proposta o número de equipes classificadas sobe para 44, representando um aumento de 15% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 20 ou 22, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 34 ou 36 jogos.

Obviamente muitos fatores precisam ser considerados (administrativos, estruturais, financeiros, logísticos) tanto da federação, como dos próprios clubes, para que seja realizada alguma mudança. Somente para citar um exemplo caso um dia o calendário se modifique, talvez deva ser mais prudente inverter os jogos destas categorias (sábado de manhã) com os juniores (sábado à tarde), pois com o maior número de partidas e, por consequência, viagens, uma maneira de diminuir os custos é não gastar com hospedagem, logo, viajar no dia. Para a categoria sub-20, mais próxima do profissional, é pré-requisito um maior investimento.

Enfim, caso um dia o calendário se modifique, ganham os atletas que poderão fazer por mais tempo o que mais gostam no melhor ambiente de aprendizagem existente; os clubes, pois terão mais tempo para avaliar especificamente os seus jogadores; os gestores de campo, pois poderão permanecer empregados por mais tempo; e no longo prazo pode ganhar o futebol brasileiro, pois com bons trabalhos cada vez mais frequentes desenvolvidos nas categorias de base do estado, teremos como produto final atletas com excelência de formação e com muita experiência competitiva.

Aguardo opiniões e outras propostas.