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Archive for abril 2013

Os treinos, os tipos de jogos e a manutenção da posse de bola

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Os jogos conceituais, os conceituais em ambiente específico e a evolução deste princípio de jogo

Footecon_ANIMAÇÃO 10A qualidade na manutenção da posse de bola é um comportamento coletivo pretendido pela grande maioria dos treinadores. Seja a equipe orientada para um ataque posicional, ou até mesmo um ataque rápido ou contra-ataque, é fato que se espera a eficácia na transmissão da posse de bola para que a ação ofensiva termine com possibilidade de finalização.

Posto isso, para aperfeiçoar a dinâmica coletiva da progressão em posse, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos.

Em minha atuação prática, como todos sabem, aplico um método de treino sistêmico em que toda atividade (jogo) é ao mesmo tempo física-técnica-tática-mental. Nesta semana, serão feitas algumas observações para quem escolhe este método e pretende evoluir na construção do comportamento de manutenção da posse de bola (não necessariamente um jogar predominantemente em posse).

É bem frequente a realização de jogos sem alvos para aperfeiçoar a manutenção da posse. Denominados jogos conceituais, por não terem as zonas de risco e finalizações, estes tipos de atividades são muito distantes do futebol formal e seguramente não traduzem no ambiente competitivo a posse de bola desejada. Nestas atividades, elementos indispensáveis para uma boa circulação como as coberturas ofensivas, a profundidade e as estruturas zonais fixas inexistem, logo, a dinâmica da construção da posse na sessão de treino não será a mesma daquela que se pretende evidenciar no jogo.

Outra situação muito utilizada é a dos jogos conceituais, agora com a presença de alvos, portanto, mais próximos do futebol formal. Por definição, os jogos conceituais são realizados em dimensões significativamente menores que o espaço formal de jogo. Com a distância entre alvos mais próxima, a atração pelas metam são ainda maiores e um equívoco não deve ser cometido: preocupados com a manutenção da posse, a solução encontrada por alguns treinadores (inclusive por este que vos escreve, anos atrás) é estipular um número mínimo de passes para permitir a finalização. Um crime contra a Lógica do Jogo!

É preciso saber que jogos com dimensões reduzidas, por sua formatação, inviabilizam um trabalho de manutenção da posse de bola em quantidade de passes. O que não significa que tal referência operacional não possa ser treinada em tais dimensões.

Os jogos conceituais em ambiente específico, se corretamente planejados e aplicados, são os que proporcionam maior proximidade com o jogo de futebol. Neles, as regras de ação desempenhadas por cada um dos jogadores, derivadas das competências essenciais do jogo (estruturação do espaço, comunicação na ação e relação com a bola), são altamente específicas. Com os 22 elementos (ou a maioria deles) na mesma atividade, a densidade das situações-problema que surgem relativas à manutenção da posse (lembrando, independentemente do tipo de ataque utilizado) é elevada e tem grande relação com o ambiente competitivo uma vez que são exigidas a ampliação do espaço efetivo de jogo, a abertura de linhas de passe, as desmarcações, as movimentações com ou sem troca de posição, a ação dos fundamentos técnicos de transmissão da posse de bola, além das coberturas ofensivas, profundidade e estruturas zonais fixas (citadas no início do texto), indispensáveis para o sucesso do referido princípio de jogo.

É válido mencionar que a faixa etária e o nível de compreensão do jogo por parte da equipe influenciam a escolha que a comissão técnica fará sobre os jogos. Quanto mais próximos da profissionalização, aconselha-se maior quantidade de jogos conceituais em ambiente específico.

Para a evolução de cada princípio de jogo, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos. Qual o método você utiliza?

Aguardo sua resposta!

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O nosso futebol está mudando os rumos! E você?

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Profissionais atualizados tem cada vez mais espaço nos clubes do futebol brasileiro

ClubesCorinthians-SP, Mogi Mirim-SP, São José-SP, Penapolense-SP, Grêmio Osasco-SP, Fragata-RS, Paulínia-SP, Desportivo-SP, Portuguesa-SP, União Frederiquense-RS, Red Bull-SP, Atlético-MG, Grêmio-RS, Águia Negra-MS, Ypiranga-PE, SEV-SP, Nova Iguaçu-RJ, Audax-SP, Bragantino-SP, Joinville-SC, Ubaense-MG, Ituano-SP, Bahia-BA, São Paulo-SP, Serrano-RJ, Taubaté-SP, Caldense-MG, Barra-SC, Vasco-RJ, América-MG, Rio Preto-SP, Cabense-PE, Guarani-SP, Guarani-MG, Desportivo-MG, São Bento-SP, Coritiba-PR, Desportiva-ES, Pelotas-RS e Vitória-BA.

A lista acima se refere aos clubes brasileiros que possuem pelo menos um funcionário atualizado em relação às tendências do treinamento em futebol. Os contatos estabelecidos com cada um dos profissionais destes clubes vão de uma simples troca de cartões de visita numa apresentação pessoal a longas discussões por e-mail ou pessoalmente sobre a aplicação do treino na modalidade. Seguramente, existem outros clubes espalhados pelo país que possuem colaboradores com o mesmo perfil profissional, porém, que ainda não obtive nenhuma aproximação, mesmo que mínima.

Estamos acostumados a criticar severamente (com critérios) o futebol brasileiro e todo o ambiente que compreende a cadeia produtiva das equipes. Limitações gerenciais, estruturais, financeiras e técnicas atrasam o futebol brasileiro e limitam a qualidade atual do espetáculo quando comparado ao predominantemente evoluído futebol europeu. O fato é que este atraso e limitação qualitativa nos posicionam, merecidamente, na pior colocação no ranking de seleções de toda a história, o décimo nono lugar.

É fato também que a posição atual do ranking, apesar de representar o momento da nação, é reflexo do passado e do projeto de futebol do país nos últimos dez, quinze, vinte anos. Apesar do mau posicionamento atual, é preciso mencionar que os passos necessários para retomarmos o topo (em dez, quinze ou vinte anos) já começaram a ser dados. Não por todos aqueles que deveriam e tampouco na direção mais coerente, da gestão para o corpo técnico, no organograma dos clubes de futebol.

As quase quarenta equipes mencionadas no início da coluna dão segurança para a afirmação de que estamos mudando os rumos. Profissionais muito capacitados, que prescrevem treinos atualizados e constroem equipes atualizadas, estão presentes em diversos estados do país, divisões e categorias. Além disso, está cada vez mais frequente o posicionamento da imprensa (que aos poucos também tem se atualizado) sobre o atraso do nosso jogo. Inclusive grandes treinadores, como Autuori e Parreira em declarações recentes, têm exposto opiniões que refletem o processo de mudança que estamos inseridos.

Somam-se a todos estes profissionais, centenas de estudantes, recém-formados, professores de escolinhas, de futsal e quem sabe ex-jogadores, devidamente atualizados e ávidos por uma oportunidade profissional no futebol de campo.

Peço desculpas se deixei de mencionar algum clube em que eu conheça, mesmo que minimamente, um profissional atualizado em relação ao treinamento em futebol. Se você acredita que está atualizado e ainda não estabelecemos nenhum contato profissional, não deixe de me escrever, pois temos uma longa missão em prol do futebol brasileiro e, por fim, se você acha que tudo isso é bobagem e que os rumos do nosso futebol não vão mudar, cuidado. Quando você notar poderá ser tarde demais…

Written by Eduardo Barros

23 de abril de 2013 at 13:54

Outro novo horizonte e dois anos de Universidade do Futebol

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Novo ciclo profissional coincide novamente com o aniversário de publicações

Foto site NovA incerteza é uma constante em nossas vidas! Por mais que nos esforcemos em planejar para que tudo ocorra de uma forma organizada, a imprevisibilidade dita o ritmo dos nossos passos, dos nossos dias, do nosso futuro.

Nos últimos meses, planejei mentalmente distintos projetos profissionais e pessoais, visualizei os desdobramentos possíveis em cada cenário e aguardei os acontecimentos da vida real que, de certa forma, independem dos meus desejos, objetivos e metas.

Vislumbrava o comando da equipe juniores do clube que trabalho, na Copa São Paulo (disputada em Janeiro), porém, a oportunidade não aconteceu. Sonhava com o segundo acesso consecutivo, desta vez para a série A-2 do campeonato paulista profissional, no entanto, pela classificação atual (existem possibilidades matemáticas remotas de classificação ou descenso) o Novorizontino provavelmente permanecerá na mesma divisão em 2014.

Planejava-me para acompanhar o Footecon 2012 como espectador e recebi um convite inesperado para palestrar sobre um tema que tenho estudado. Foi um privilégio compor o grupo de palestrantes do fórum.

Existem muitos outros exemplos, como a dúvida da permanência no clube após a sequência de maus resultados no início da competição, que culminou na troca do comando técnico. Ou então, as reflexões sobre declarar (ou não) o interesse em participar de um processo seletivo, para uma vaga na área técnica nas categorias de base, de um grande clube do país. Em todos os exemplos, a mesma pergunta: como será o meu futuro após a escolha? È claro que não tenho a resposta!

Paralelamente aos meus sonhos, pensamentos e reflexões, surge mais um acontecimento da vida real: o convite para assumir a equipe sub-20 do Novorizontino no Campeonato Paulista da categoria. Uma proposta que esteve em meu plano mental meses atrás, não se concretizou e que algum tempo depois é oficializada e, como esperado, aceita.

É uma grande oportunidade de por em prática as minhas ideias de jogo, de comandar os treinos, as intervenções, de gerenciar conflitos, de ganhar “horas de voo” na área tracejada (vaga muito difícil para quem teve pouca experiência como atleta profissional), de refletir o porquê das vitórias e aprender com as derrotas.

Esta oportunidade reflete diretamente em minhas publicações no portal, que esta semana completam dois anos. A responsabilidade e o “peso” de escrever, agora na condição de treinador, serão aumentados. Expressões como “escrever é fácil, quero ver colocar em prática” já são esperadas num ambiente em que a sobrevivência depende diretamente das vitórias. E são elas que pretendo atrair.

O desafio está lançado e será cumprido, assim como qualquer outra função que eu desempenhe ao longo de minha carreira, com ética, profissionalismo e compromisso pedagógico de ensinar mais que futebol.

Agradeço a todos da Universidade por proporcionar um espaço em que por dois anos tenho tentado escrever além da tática. Agradeço também aos leitores, dos mais diferentes perfis, daqueles que leem e criticam silenciosamente aos que mantém contato e criam um ambiente de discussão e aprendizagem via e-mail. São vocês que dão sentido as minhas contribuições ao universo do futebol.

Abraços e até a próxima semana!

 

Written by Eduardo Barros

9 de abril de 2013 at 7:43

Desenvolvendo um microciclo de treinamento

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Elementos centrais no planejamento e operacionalização da periodização com jogos

MicrocicloFrequentemente sou questionado pelos leitores sobre qual a melhor maneira de construir/planejar os treinos. Com o objetivo de desenvolverem grandes equipes e obterem êxito no futebol, professores e treinadores em diferentes áreas de atuação questionam-me sobre as sessões de treinamento, os tipos de exercícios, as características e objetivos das atividades, além de perguntas sobre a quantidade e finalidade de algumas regras.

Quem acompanha minhas publicações, sabe que sou adepto a uma periodização de jogos embasada na metodologia sistêmica.  Neste modelo de periodização, com exceção dos exercícios funcionais e proprioceptivos (aplicados em sessões independentes do trabalho de campo), todo exercício criado é jogo. Para desenvolvê-los, alguns elementos são indispensáveis e serão apresentados na sequência desta coluna.

1- Nível de jogo atual

É ele quem norteia a semana de atividades. Geralmente estabelecido a partir do último jogo oficial, onde os comportamentos individuais e coletivos podem ser analisados qualitativa e quantitativamente, evidenciando pontos fracos e pontos fortes do sistema/equipe nos diferentes momentos do jogo.

2- Nível de jogo pretendido

Determinado pelas (utópicas) ideias de jogo do treinador. A partir do “jogo jogado na cabeça do treinador” e daquele apresentado anteriormente, é possível planejar quais são as necessidades da equipe e como elas serão trabalhadas através das sessões de treinamento.

3- Próximo adversário

Conhecer o Modelo de Jogo do adversário para inserir, ao longo do microciclo, situações-problema semelhantes as que serão encontradas no jogo.

4- Conteúdos do Currículo

Compreensão dos conteúdos práticos do Currículo desenvolvido no Paulínia FC em 2009 (Lógica do Jogo, Competências Essenciais do Jogo, Referências do Jogo, Conteúdo Estratégico-Tático, Funções no Jogo e Relação com companheiros). Os jogos são elaborados a partir de cada um dos conteúdos, temas e sub-temas.

5- Objetivo de cada jogo

Apesar de cada atividade manter a totalidade do jogo, logo, manter os seus quatro momentos, é fundamental saber o que se quer com o treino para direcionar as intervenções e as resoluções dos problemas ao que precisa ser aperfeiçoado. Espera-se o domínio da intervenção pretendida com a atividade, seja ela individual, grupal, setorial, intersetorial ou coletiva. Não há problema algum ter vários objetivos numa mesma atividade. Irá depender, obviamente, do nível de compreensão/aplicação em que a equipe se encontra em cada conteúdo do jogo.

6- Criação dos Jogos

A criação do jogo implica a definição das regras, que modificarão a Lógica do Jogo se comparada ao futebol; do número de participantes, que deixará a atividade mais ou menos complexa; além do espaço; do tempo e do metabolismo predominante, que poderá ser alático, glicolítico ou aeróbio.

A partir destes elementos, está preparada a sessão de treino. Seu resultado será o produto da aplicação do jogo, das suas intervenções ao longo da atividade e do feedback pós-treino. O começo, o meio e o fim da sessão devem fazer sentido e os jogadores terem a total compreensão dos porquês de cada atividade. Caso contrário, tudo não terá passado do jogo pelo jogo, ou seja, um ambiente pobre de aprendizagem num cenário em que treinar jogando deixará de maximizar os benefícios e potencializará os riscos. Falemos sobre isso numa outra oportunidade.

Para concluir, os itens supracitados compreendem o pré-requisito para a discussão de colunas futuras que abordarão uma proposta de microciclo de periodização com jogos para ser aplicada em equipes sub-20 e profissionais.

Aguardo a opinião dos leitores sobre estes elementos, elencados a partir de inúmeras leituras direta ou indiretamente relacionadas ao futebol, e também aceito sugestões para o aperfeiçoamento diário que deve ser nossa atuação profissional.

Bons treinos a todos!

Written by Eduardo Barros

3 de abril de 2013 at 10:48