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Archive for maio 2013

Banco de Jogos – Jogo 8

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Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Transição Ofensiva

Muitos gols ocorrem a partir de jogadas de transição ofensiva. Sendo assim, ter comportamentos de jogo bem definidos após a recuperação da posse de bola, aproveitando a desorganização adversária, pode aproximar a equipe das vitórias. Na atividade desta semana a equipe que melhor gerir sua transição ofensiva, cumprindo a Lógica do Jogo criado, é quem terá maiores possibilidades de êxito.

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Transição Ofensiva 

– Dimensões do campo oficial.  ~ 100m x 70m;

– Campo dividido em 4 corredores laterais,  2 faixas centrais e 1 faixa horizontal,  conforme ilustra a figura:

Jogo8

Regras do Jogo

  1. 3 toques no campo de defesa e passe somente pra frente (para cada jogada é permitido 1 toque pra trás);
  2. Recuperar a posse de bola no corredor lateral e em até 4 passes ultrapassar o meio campo com a bola dominada ou através de passe = 1 bônus;
  3. Recuperar a posse de bola na faixa central defensiva, em frente a grande área e errar o passe = 1 ponto para o adversário;
  4. Recuperar a posse de bola na faixa horizontal intermediária e acertar o passe para o campo de ataque, à frente da faixa = 1 bônus;
  5. 5 bônus = 1 ponto;
  6. Gol = 5 pontos;
  7. Gol de contra-ataque = 8 pontos; 

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regra 2 

http://www.youtube.com/watch?v=5egirM3Rtvc 

O jogador número 2 da equipe listrada recupera a posse de bola no corredor lateral e em menos de 4 passes a equipe ultrapassa o meio campo. Esta ação vale 1 bônus para a equipe listrada. 

Regra 3 

http://www.youtube.com/watch?v=LocsMtUoFas 

O jogador número 5 da equipe vermelha recupera a posse de bola na faixa central. Na sequência da jogada erra o passe para o jogador número 9. Esta ação vale 1 ponto para a equipe listrada.

Regra 4 

http://www.youtube.com/watch?v=3qYflOcRWw0 

O jogador número 5 da equipe listrada recupera a posse de bola e na sequencia acerta o passe para o jogador número 7 no corredor lateral. Esta ação vale 1 bônus para a equipe listrada. 

Aguardo dúvidas, críticas e sugestões. Abraços e bons treinos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Centrais, para onde vocês vão?

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Equívocos no posicionamento defensivo são corriqueiros no futebol brasileiro

TiteEm uma entrevista com o técnico Tite, que pode ser acompanhada no site da Universidade do Futebol, ele foi enfático ao afirmar que uma das principais diferenças entre o futebol brasileiro e o futebol europeu é o posicionamento da linha defensiva. Exemplificou mencionando que nas grandes equipes do velho continente, nenhum volante recua para marcar segundo atacante, proporcionando a sobra de um dos centrais, e tampouco os laterais sobem para “bater com lateral” (expressão reproduzida aos montes por muitos profissionais da modalidade). Em nosso país, estas duas características defensivas são comumente observadas.

Como estamos num momento em que o futebol brasileiro está sendo constantemente questionado quanto a seu atraso, seja por jornalistas, treinadores e até ex-jogadores, quanto mais elementos forem apontados como motivos do nosso jogo ultrapassado, maiores serão as possibilidades de encontrarmos as soluções e modificarmos este cenário.

Tais elementos relacionam-se com as dimensões do sistema-equipe passíveis de análise e, portanto, intervenções. Dentre as dimensões existentes (individual, grupal, setorial, intersetorial e coletiva), nesta semana a ênfase será dada aos zagueiros, portanto, às dimensões grupal e setorial e mais especificamente aos momentos do jogo em que uma equipe se encontra em organização defensiva ou transição defensiva.

Em jogos brasileiros, salvo raríssimas exceções, os zagueiros ocupam constantemente as faixas laterais do campo atraídos tanto pela bola como pelo posicionamento do adversário. Expõem-se desnecessariamente e deixam de agir no jogo em função do seu companheiro de defesa e da própria meta.

Em situações de contra-ataque ou ataque na faixa central, é muito comum observarmos uma ação de combate à bola de um dos centrais complementado por uma sobra (e não cobertura) de longa distância pelo outro defensor, o que desmonta a linha de defesa e permite diagonais adversárias em condição de jogo.

Quando o adversário cria jogada pelas laterais, novamente atraídos pela bola e adversários, é comum observarmos um dos centrais fora do setor potencial de finalização, o que inviabiliza a proteção da sua meta.

Retardar a ação adversária, neutralizar setores de finalização, agir mutuamente, fazer diagonais de cobertura, diminuir o espaço entre a linha de meio-campistas e proteger constantemente a meta são comportamentos de jogo básicos apresentados pelos centrais do futebol europeu que podem ser vistos nos exemplos abaixo, retirados da dupla de centrais do Manchester United-ING:

http://www.youtube.com/watch?v=vDneKaej0RY

http://www.youtube.com/watch?v=eQ8uItMi03c

http://www.youtube.com/watch?v=HKs3_2t78Dg

http://www.youtube.com/watch?v=TCVrfvLZmyM

 Para os centrais das equipes brasileiras evoluírem nesses aspectos precisamos de um eficiente trabalho de formação que desenvolva os princípios de jogo condizentes com o futebol moderno. De acordo com o tema desta coluna, os futuros atletas precisam ser expostos às inúmeras situações-problema que lhes exijam as respostas mencionadas no parágrafo anterior. Aliando as situações-problema com as adequadas intervenções da comissão técnica, estaremos dando os passos necessários para a evolução de um dos inúmeros elementos que têm atrasado o nosso futebol.

Enquanto isso, no futebol profissional, dependeremos de grandes treinadores, como o técnico Tite, que conseguiu criar padrões de comportamento individuais e coletivos que aproximam sua equipe daquilo que é tendência no futebol mundial.

Como de costume, encerro a coluna com uma pergunta: como jogam seus centrais?

O jogador de futebol e o status de celebridade

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Conduta profissional de jovens jogadores demonstra a insuficiência da nossa formação

Há cerca de três anos, num Fórum de Futebol, Sandro Orlandelli, na ocasião scouter do Arsenal-ING, foi categórico ao afirmar Celebridadeque um dos grandes problemas dos jovens jogadores brasileiros é o status de celebridade. Nesta oportunidade, Sandro, que após passagem pelo Atlético-PR atualmente exerce a função de observador técnico no Santos FC, criticou a conduta dos milhares de atletas brasileiros em formação, que se comportam como jogadores consagrados, preocupam-se mais com o estilo/visual do que  com os treinamentos e aperfeiçoam, ano após ano, o jeito acomodado de agir, dependente do roupeiro, do treinador, da cozinheira e do empresário. Apenas como exemplo, afirmou que no clube inglês, influenciado por um modelo japonês de organização, cada atleta do clube (mesmo na categoria profissional) é responsável por limpar suas próprias chuteiras. Uma utopia para nossos mal-acostumados jogadores.

Como este espaço é dedicado para além da tática e uma vez que tudo está inter-relacionado, nesta semana as reflexões propostas se referem a um dos princípios pedagógicos propostos por Freire, em que os gestores de campo devem ter o compromisso de ensinar mais que futebol.

Muitos podem dizer que a missão é difícil (como é, de fato) para não dizer impossível de ser aplicada no atual cenário do nosso futebol. Entre os fatores que contribuem para esta aparente impossibilidade, pode-se destacar a mídia, que privilegia o individual em detrimento do coletivo, que reverencia pseudo-craques e que cria novas estrelas a cada rodada do final de semana. Já boa parte dos empresários, distribui jogadores em clubes e alimentam-nos com chuteiras, celular, notebook e roupas. Por sua vez, um livro é um mimo desnecessário! Os próprios familiares contribuem para estimular o ambiente nocivo em que o jovem constrói-se pessoal e profissionalmente. Espalham a todos que tem alguém na família que é jogador de futebol (quando na verdade são apenas potenciais jogadores), depositam a esperança (ou seria a pressão) da salvação financeira da família e o acompanhamento dos estudos, quando muito, fica em último plano, afinal, várias das celebridades do país não precisam de escola. Os profissionais de campo, vítimas (???) do sistema e pressionados pelos resultados de curto prazo, escalam os aspirantes a Neymar, Sheik, Fabuloso, Fred, pois são os caras que “resolvem” no final de semana. O imediatismo fecha as portas para boa formação, para a conduta profissional adequada e para o exercício de autoconhecimento, onde ser vale muito mais que parecer. Outro grande problema ocorre quando os profissionais de campo, mesmo não pressionados pelas vitórias a qualquer custo, optam pelos célebres jogadores. Muitas vezes, tal opção é oriunda da visão distorcida do papel do jogador, do treinador, do processo de formação e representa a visão de quem um dia esteve dentro das quatro linhas, também com o status de celebridade.

A boa notícia é que, como foi afirmado semanas atrás, o futebol brasileiro está mudando os rumos. E precisa mudar para além das concepções de treinamento. As transformações necessárias transcendem os métodos e apontam para jogadores, segundo Scaglia, inteligentes de corpo inteiro.

Com o novo perfil de jogador que se deseja formar, novas relações serão estabelecidas entre o atleta e a mídia/família/empresário. Se, por um lado, clube/treinador têm pouco poder de influência nestes três segmentos, com o atleta podem (e devem) definir diretrizes, procedimentos e promover somente aqueles que estiverem ajustados aos princípios e valores da instituição.

Ganha o clube, que forma o jogador que tem a identidade pretendida; a mídia, que poderá sair da superficialidade na relação imprensa-atleta; a família, que tem um ser humano que pode ou não exercer o papel de jogador de futebol e, inclusive, o empresário, que terá em sua carteira, profissionais cientes dos compromissos da carreira esportiva.

Quem sabe assim, aquele andar que representa a linguagem corporal do “boleiro” e que é facilmente reconhecida não tenha os passos destinados a um triste fim.

A tarefa é muito difícil, portanto, mãos à obra treinadores e demais gestores de campo.