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Entrevista Tática – Niander: Lateral direito do Penapolense-SP

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“O futebol de rua me fez amadurecer mais cedo, aprendendo a malícia e a experiência de jogar com pessoas mais velhas.”

Antes de iniciar a entrevista com o referido atleta, gostaria de deixar uma breve opinião de Tostão, publicada na Folha de São Paulo, que expressa a visão do colunista sobre o desempenho da seleção brasileira na final da Copa das Confederações.

“Por causa de um excepcional jogo não se pode tirar conclusões, mudar conceitos, nem dizer que as críticas anteriores à seleção e ao futebol brasileiro eram incorretas e/ou severas. O que vimos contra a Espanha não tem nada a ver com o que a seleção jogava nem com a qualidade e a maneira de atuar da maioria das equipes brasileiras. Mas o fato mostra que, se o futebol brasileiro, a médio prazo, trabalhar com eficiência e seriedade, dentro e fora de campo, estará, de rotina, e não apenas em um momento, entre os melhores do mundo.”

Parabéns, Tostão, por mais uma valiosa opinião sobre o nosso futebol.

Obrigado, Renato Buscariolli, pelo contato para a entrevista.

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Jockey Clube-SP (12 aos 14 anos); Ituano-SP (15 anos ); Atlético Sorocaba-SP (16 aos 22 anos ); Mineiros-GO (23 anos ); Noroeste (23 anos ); Bragantino-SP (23 e 24 anos ); Operário-MS (24 anos), São Bernardo-SP (24 aos 26 anos) e Penapolense-SP (27 aos 29 ). 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

Um atleta inteligente tem que valorizar suas características, tentar assimilar o mais rápido possível  o que o treinador pedir e ter uma conduta exemplar fora de campo. 

3-    O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futebol de rua me fez amadurecer mais cedo, aprendendo a malícia e a experiência de jogar com pessoas mais velhas. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Fator indispensável para uma equipe vencer seu adversário é a parte física, pois bem fisicamente o atleta supera suas limitações técnicas e táticas. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

O atleta necessita de muito trabalho técnico e muita força física. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Sou lateral e preciso apoiar muito durante os 90 minutos. Chegar sempre com qualidade na linha de fundo e ter uma ótima recuperação na marcação. 

7-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Sou um atleta muito determinado na formação tática e procuro entender e fazer tudo que o treinador nos orienta durante a semana . Tenho um bom passe e hoje em dia uma boa equipe tem que valorizar ao máximo sua posse de bola. Como tenho muita força física, procuro sempre explorar minha explosão. Procuro também sempre manter o foco nas partidas.

8-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Luciano Dias. Pessoa muito inteligente taticamente e tem uma conduta exemplar. 

9-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

(…) Ele me pediu para atuar na lateral esquerda em um treinamento coletivo. Sou destro e acabei tendo muita dificuldade.

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

Relembrar todo o trabalho feito na semana, pontos fortes do adversário e o principal que é a motivação. 

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

No 4-4-2, os laterais acabam tendo uma função muito importante na marcação, já no 3-5-2, os laterais tem uma liberdade de ataque muito maior. Prefiro o 4-4-2 porque exige do lateral um bom posicionamento tático, fechando na linha dos zagueiros e sabendo apoiar no momento certo. 

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola;
  • Assim que perde a posse de bola;
  • Sem a posse de bola;
  • Assim que recupera a posse de bola;
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas.

Minha equipe valoriza muito a posse de bola, mas sem perder a agressividade. Assim que perdemos a bola o jogador mais próximo já começa a fazer a marcação pressão. Sem a posse, procuramos diminuir o campo em 40m e sempre pressionar o atleta que está com a bola. Quando recuperamos tentamos valorizar a posse da bola e envolver o adversário!

Nas bolas paradas defensivas marcação por setor e nas ofensivas atacar a bola. 

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Procuramos manter a calma e o posicionamento pedido pelo treinador. Mas nós atletas precisamos ter a iniciativa de fazer algo diferente para se organizar o mais rápido possível. 

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Tenho minha autocrítica e sempre procuro analisar o que poderia ter feito de diferente para evitar os erros. A comissão técnica nos apresenta um trabalho de vídeo para observarmos onde foi que erramos e acertamos na partida. 

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

A diferença do futebol europeu com o brasileiro é a condição financeira e a obediência tática. Existem estas diferenças porque o Brasil é um país muito corrupto e o atleta brasileiro se destaca na individualidade. 

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

Seja coerente com todos os atletas, independente da situação.

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Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:09

Entrevista Tática – Almir Dias: Meio-campista do Novorizontino-SP

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“Tenho o privilégio de dentro de campo ter uma leitura rápida do adversário e da partida. Tenho de ser o “rei” em assistências”.

almir_diasApós o final de uma temporada, as novas contratações para a reformulação do elenco devem ser feitas considerando diversos fatores. Um deles, sem dúvida, é o histórico do atleta e a sua intencionalidade de jogar em alto nível. Para isso, uma observação prévia deste atleta em ambiente de jogo pode trazer muitas respostas à diretoria e comissão técnica quanto à certeza da contratação.

E essa foi uma das características que favoreceram a contratação de Almir Dias, meia de 30 anos, que será o atleta mais velho do jovem elenco do Novorizontino que disputará a série A3 do Campeonato Paulista em 2013.  Confira a entrevista com o jogador:

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Dos 11 aos 18 anos – São Paulo Futebol Clube;

Dos 19 aos 21 anos – Portuguesa de Desportos, equipe que subi para o profissional;

22 anos – Rio Preto-SP;

23 anos – Catanduvense-SP;

24 anos – Guaratinguetá–SP;

25 anos – Gratkorne-AUS;

26 anos – Toledo-PR;

26 e 27 anos – Guarani-SP

28 anos – Noroeste-SP;

29 anos – Cianorte-PR e Botafogo-PB

30 anos – Olímpia-SP e Grêmio Novorizontino-SP 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

Primeiramente é amar o que faz. Gostar do seu corpo e cuidar dele porque ele é o combustível para ter uma ótima carreira. Se policiar em saber o que pode, o que não pode e ser verdadeiramente profissional, tanto dentro, como fora de campo.

Ter um cuidado especial com a alimentação para que tenha uma carreira longa e duradoura, além de respeitar seus comandantes e dar o respeito para ser respeitado dentro do grupo! 

3-    O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futsal me deu dinâmica e evolui a minha parte técnica. Acredito que ele estimula o jogador a pensar rápido. Já o futebol de rua, com certeza me deu a malandragem que só o jogador brasileiro tem. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Primeiramente ter um espírito de vencedor. Após isso, ter um plano de jogo definido e determinado, com disciplina tática, para ser feito na certeza de que já deu certo.

Determinação, foco, coragem, concentração, humildade, respeito e atitude, juntamente com o improviso do atleta dentro de campo são fundamentais. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

O futebol evoluiu muito. Temos que trabalhar muito em conjunto, unindo a qualidade técnica e junto com ela a parte física. Hoje, se tem condição de fazer a parte física sem deixar a técnica de lado e, para isso acontecer, é preciso de bola e mais bola. Fazendo isso, acredito que o jogador fica em ritmo de competição o mais rápido possível. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Eu sou um meia armador e tenho em minha mente que tenho a obrigação de fazer meu time jogar.

Dando velocidade na bola, fazendo o time ser rápido quando tem que ser e sabendo cadenciar quando tem que cadenciar, ao ficar com a posse de bola.

No clube em que jogo, tenho de ser o “rei” em assistências, até porque sou um meia armador.

Acho importante também finalizar de média distância e também entrar na área porque hoje é necessário ao meia moderno. É preciso também colocar sua qualidade individual e o improviso que todo grande meia tem que ter.

Sem a bola, ajudar na marcação, não que você vai ser um exímio marcador até porque não sou defensor, mas tem que vir compor o espaço, procurar marcar já no campo de ataque ou, no mínimo, matar a jogada por lá. 

7-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Tático: Tenho o privilégio de dentro de campo ter uma leitura rápida do adversário e da partida e, com isso, me adéquo à forma do adversário jogar e vou procurar explorar o ponto fraco dele e também em relação a posicionar meus companheiros, pois tenho essa leitura.

Técnicos: Visão de jogo, enfiadas de bola, bola longa, bola parada e chute de media distância.

Psicológico: Eu não perco a cabeça jogando. Sou muito frio e me mantenho focado e concentrado os 90 minutos.

Físico: Muita força na perna e acredito que uma boa explosão curta. Suporto os 90 minutos estando com ritmo de jogo.

Um jogador precisa de tudo isso e esse conjunto é importante para que ele dê o melhor de si numa partida e ao longo da competição. 

8-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Tive vários treinadores e onde passei fui vencedor, conseguindo acessos, títulos e sempre chegando na reta final das competições.

Vou citar quatro:

Amauri Knevitz: porque sabe montar um time e extrair o melhor de cada jogador.

Luciano Dias: por saber ser comandante, disciplinador e principalmente vencedor.

Leston Junior: porque me fez sentir à vontade dentro de campo e me fez ter de volta a alegria de jogar futebol e fazer o melhor que eu posso.

Élio Sizenando: Estou o conhecendo agora, mas é um treinador que gosta do verdadeiro futebol jogado e faz isso sem medo de ser feliz. Isso faz com que o nosso futebol brasileiro seja resgatado. É um treinador novo e em sua primeira competição conquistou o acesso. Tenho certeza que serei feliz porque a minha qualidade e forma de jogar se encaixam com a filosofia de trabalho dele e na forma que enxerga o futebol. 

9-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sim. Amauri Knevitz, no Noroeste-SP.

Ele me colocou para jogar de terceiro volante e foi muito bom porque aprendi muito e pegava muito na bola porque a saída era sempre comigo e também chegava sempre de frente.

A dificuldade surgia porque tinha que jogar numa faixa de campo e chegar à frente e voltar rápido no meu setor. Com isso, como não era acostumado, sofri um pouco no começo tanto que saia em todos os segundos tempos porque não aguentava fisicamente. Depois que me acostumei, aí foi embora…

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

Muito grande. Porque ali saímos da preleção sabendo o ponto forte, fraco, o que temos que fazer e explorar do adversário. Passa a confiança do trabalho da semana em prol do jogo. Nos motiva a entrar em campo com olhos de águia, querendo a vitória a todo custo, mas bem organizado. Essas palavras vindas do comandante fortalecem o grupo porque ele é o líder e nos passa a confiança. 

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

No 4-4-2 tradicional, saio muito aos lados do campo para marcar.

No 3-5-2 com dois volantes, jogo só do meio para frente e com liberdade dos dois lados.

No 4-3-3, gosto muito porque tenho três opções de passe à minha frente e liberdade no meio para criar e chegar na área. Jogo boa parte centralizado, mas com liberdade, em momentos do jogo, de cair pelas pontas e estou sempre perto do gol.

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola;
  • Assim que perde a posse de bola;
  • Sem a posse de bola;
  • Assim que recupera a posse de bola;
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas.

 

Com a posse: Jogamos com dinâmica, transição rápida, chegando ao campo de ataque e valorizando muito a posse com toques rápidos e sempre em direção ao gol.

Sem a posse de bola: Procurar marcar no campo de ataque e recuperar a bola o mais rápido possível. É um time bem compacto dentro de campo.

Assim que recuperar a bola: Fazer a bola chegar ao campo de ataque rápido e assim criar as jogadas e defini-las em gol.

Nas bolas paradas ofensivas, atacamos a bola entrando cada um no seu setor com muita força e nas defensivas marcamos por setor, agredindo a bola e não deixando o adversário nem encostar nela, com muita atenção no rebote, tanto para ganhar, quanto para puxar rápido o contra ataque. 

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Procuro orientar a partir do que trabalhamos a semana e também da forma que li o jogo desde o apito do árbitro.

Se algo está dando errado, tento motivá-los porque qualidade tem e naquele dia pode estar dando errado. Prefiro não criticar, pois posso afundar de vez o meu companheiro e eu preciso dele bem, concentrado e motivado para ter a certeza de que vai fazer a jogada certa.

Tenho que ser um líder e até por ter essa qualidade, os jogadores têm que ver em mim uma referência dentro de campo. Tenho que passar confiança. 

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Sou um jogador que me cobro muito. Às vezes, o time ganha e eu não faço uma partida que seja boa aos meus olhos, chego em casa e quem aguenta o meu mau humor são minha esposa e meus filhos. Logo eles já sabem que não estou legal. No mesmo dia, já penso o que fiz de certo e errado em cada lance e em cada jogada, tanto com a bola, quanto sem ela.

Na reapresentação do elenco, vejo a opinião da comissão e procuro extrair o máximo para não cometer mais os mesmos erros e ir crescendo jogo a jogo na competição. 

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Estamos atrás e os resultados dos últimos anos de nossa seleção mostram isso. A Europa evoluiu e nós paramos no tempo. Preocupamo-nos muito com força, tamanho, dinheiro e o futebol jogado de verdade, que enchia os olhos dos torcedores e que acontecia com a maior naturalidade, foi acabando. 

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

O meu recado é que eles devem cuidar de cada jogador com muito carinho, atenção, respeito e profissionalismo. Fazendo sempre o melhor e cobrando porque sabe da qualidade de cada jogador que tem em mãos e deve procurar extrair o “máximo do máximo” de cada um. Somente com jogadores e comissão juntos é que podemos ser vencedores e ficarmos gravados na história de um clube!

Written by Eduardo Barros

23 de dezembro de 2012 at 13:08

Entrevista Tática – Oliver: Atacante do Nacional da Madeira-POR

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“A principal diferença do futebol brasileiro para o europeu está no jogo sem bola”

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

– Paulínia FC, dos 13 aos 16 anos (2005 a 2009);
– PSV-HOL, aos 17 anos (2009/2010);
– Nacional-POR, dos 18 anos até hoje (2010 a 2012). 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

O atleta inteligente é o que consegue absorver completamente as informações destinadas a ele em seu jogo, fazendo a leitura do que está se passando e executando com sucesso. Sendo assim, ajuda seus colegas no momento em que ocorre o imprevisto, onde muitas vezes não existe a possibilidade de receber orientações vindas de fora. 

3-    O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futebol de rua me ajudou por fazer com que desde cedo tivesse que lidar com situações onde é preciso saber se proteger sozinho, pois na maioria das vezes existem garotos mais velhos. Isso também faz com que a responsabilidade aumente, pois esperam sempre que o melhor jogador resolva.
Iniciei minha trajetória no futsal com apenas sete anos e acredito que sem essa base não estaria aqui hoje. Eu me lembro das dificuldades que tive no início, pelo peso da bola e principalmente a falta de espaço. Algumas importantes características que pude aperfeiçoar no futsal foram: proteção da bola, dribles em espaço reduzido e condução de bola em velocidade. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Para se vencer no futebol hoje, a equipe tem que ter um senso de união coletiva enorme, pois cada vez menos o individual consegue resolver os jogos. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Para além do talento natural, são importantes os treinos físicos e táticos. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Como sou atacante, as principais características necessárias são a finalização certeira, movimentações para abrir espaços para os meias e bom posicionamento nos cruzamentos (atacando sempre a bola). Sem bola cada vez mais os atacantes ajudam na marcação, seja pressionando ou recuando em um bloco mais baixo para compactar.

7- Quais treinos físicos você acha importante?

Treinos físicos sem bola dificilmente ocorrem (exceto na pré-temporada); portanto, acredito que os trabalhos de manutenção na academia para prevenção de lesões são os mais importantes durante a temporada.

8-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Para se tornar um grande jogador esses quatro pontos são fundamentais. A tática exige do jogador uma leitura de jogo aperfeiçoada, levando em conta que quando estamos lá dentro temos de tomar as decisões sozinhos e em curto espaço de tempo. Já a técnica é a característica que exige que o jogador tenha um talento natural, que apenas será aperfeiçoada com os treinos. Físico e psicológico tem para mim uma forte ligação, pois mesmo bem fisicamente existem situações onde sem o espírito de sacrifício e “entrega”, os fatores psicológicos, não existe sucesso.

9-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

O melhor treinador com quem trabalhei até o momento é o meu atual treinador, Pedro Caixinha. Além de ter uma visão ampla do que se passa no jogo, trabalha muito bem durante a semana um cenário parecido ao que encontramos nos jogos, preparando muito bem o time. 

10-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Já atuei algumas vezes em posições em que não estava habituado e acredito que a maior dificuldade é na hora de marcar.

11- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A preleção é boa por mostrar o que o adversário tem como pontos fortes para nós neutralizarmos e quais são os pontos mais fracos para podermos explorar. Além disso, deixa claro o posicionamento de todos nas bolas paradas ofensivas e defensivas. O fator emocional também é importante, pois na maioria das vezes no final existe um vídeo motivacional ou algo do gênero. 

12- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

A maior diferença dos esquemas táticos está na hora de marcar, pois quando temos a bola o treinador nos dá liberdade total para trocas de posição e movimentações no campo ofensivo. Aqui jogamos quase sempre no 4-3-3, fazendo sempre com que o campo fique grande e baixando um médio entre os zagueiros para a saída de bola, subindo assim os laterais. Para mim a melhor forma de jogar é no 4-4-2, pois assim existe a possibilidade de mais movimentação no ataque. 

13- Você pode explicar algum treinamento realizado pelo treinador Pedro Caixinha que te deixa preparado pra jogar?

O treino mais importante na minha opinião ocorre no meio da semana, quando fazemos circuitos, separados em grupos (dois times de quatro jogadores em cada estação) e fazemos diferentes tipos de confrontos, simulando sempre o que está em mente para o jogo do fim de semana.

14- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola;
  • Assim que perde a posse de bola;
  • Sem a posse de bola;
  • Assim que recupera a posse de bola;
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas. 

A mentalidade implementada pelo nosso treinador é de que com bola abrimos o jogo, e sem bola pressionamos rápido logo no momento da perda. Nas bolas paradas marcamos zona e nas ofensivas existem diversas variações (bolas rápidas, longas, no 2º poste, curtas). 

15- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Quando algo não está dando certo, tentamos resolver primeiro sozinhos, identificando o que está mal para corrigir. Continuando mal com certeza o treinador ajudará no intervalo. 

16- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Após os jogos gosto sempre de assistir ao VT sozinho. Faço minha autocrítica e vejo os pontos em que acertei e onde poderia ter feito melhor. Na reapresentação existe sempre a conversa com a comissão para falar do jogo e, caso tenha alguma dúvida em especial, converso com eles para saber a opinião de quem está vendo de fora. 

17- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Por nunca ter atuado profissionalmente no Brasil, é mais difícil de analisar, porém, acredito que a principal diferença do futebol brasileiro para o europeu está no jogo sem bola. No futebol europeu, as equipes são montadas basicamente para marcar muito, reagir muito rápido à perda, pressionar sempre e quando têm a bola tentar manter a posse e articular jogadas pré-determinadas com diagonais e cruzamentos. Já no futebol brasileiro, existem os jogadores de marcação e os jogadores de ataque, fazendo com que o jogo fique mais imprevisível e “quebrado” com muitos ataques e times mais expostos.

18- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

O mais importante para a comissão técnica é ter sempre o grupo em mãos, tendo sempre um bom relacionamento com os atletas.

19- Existe alguma semelhança entre os treinos realizados no Paulínia FC, no PSV e no Nacional? Explique.
Os treinos realizados no Paulínia, no PSV e no Nacional têm uma base semelhante, com trabalhos em espaço reduzido, finalização com confronto e treinos mais curtos em intensidades mais altas.

Written by Eduardo Barros

2 de junho de 2012 at 13:42

Entrevista Tática – Gilsinho: Atacante do Corinthians-SP

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“Todos devem pensar no mesmo objetivo e acreditar no esquema tático do treinador”

Com a ajuda de um preparador físico com experiência em muitos clubes do futebol brasileiro (Primavera-SP, São Bento-SP, Atlético-PR, São José-SP, Náutico-PE, Figueirense-SC, Ituano-SP, Americana-SP, Guaratinguetá-SP), Guilherme Bérgamo, publico a coluna desta semana que traz a opinião de Gilsinho, atacante do Corinthians de 27 anos, recém- contratado e que fez seu primeiro gol com a camisa corintiana na décima quarta rodada do campeonato paulista, contra o Comercial-SP.

Obrigado, Guilherme, pelo contato com o Gilsinho. Felizmente ainda é possível encontrarmos pessoas que se mantêm acessíveis mesmo com sucesso profissional.

Abaixo, a opinião do jogador:

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Até aos 16 anos na escola de futebol do município de Américo Brasiliense-SP; dos 17 aos 18 anos no Marília-SP; no Ituano-SP dos 19 aos 22 anos; Paulista-SP com 23 anos; Júbilo Iwata-Jap, dos 24 aos 27 anos e atualmente estou no Corinthians-SP. 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

Um atleta inteligente é aquele que tem um comportamento bom, dentro e fora de campo. 

3-    O quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

O futebol de rua foi muito importante para minha formação, porque foi onde tudo começou e eu tive meus primeiros contatos com uma bola.

Quantas horas por dia você ficava na rua jogando futebol?

Jogava bola na parte da manhã, ia pra escola na parte da tarde e de noite jogava novamente. Acho que dava umas três ou quatro horas. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Jogar como equipe e ter obediência tática.

Como é possível fazer com que uma equipe crie obediência tática? Quais podem ser os problemas caso ela não ocorra?

No grupo, todos devem pensar no mesmo objetivo e acreditar no esquema tático do treinador.  Acho que assim aumenta a chance de desenvolver.

Se algum jogador não exercer a função pedida pelo treinador fica difícil. Por exemplo: o treinador quer marcar pressão, a equipe sobe a marcação, mas tem um jogador que não. Aí já complica. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Tem vários trabalhos que são importantes em minha opinião: trabalhos técnicos, força, velocidade e agilidade.

Quais são os tipos de treino que você mais gosta? Descreva-os:

Com bola ou sem bola?

O que você preferir.

De trabalho físico prefiro os curtos e não os longos. Tiros de 30 e 40 metros por causa da minha posição. Gosto também de trabalhos com bola, campo reduzido, joguinhos. Eu acho que condiciona. 

Pode dar um exemplo de um treino que o Tite dá que te deixa bem preparado pra jogar?

Num espaço reduzido, ele divide o campo em duas partes. Na defesa só pode dar três toques e no ataque é livre. Acho que deixa o jogo rápido lá atrás e dá liberdade para jogar ofensivamente. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores da sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Com a bola, jogar com dribles e velocidade para criar situações de gol, sem a bola, recompor para esperar o adversário de frente. 

7-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Como pontos fortes táticos, jogar ofensivamente e fazer recomposição rápida; técnicos, as jogadas individuais; e psicológicos um nível de concentração alto.

Consegue fazer alguma relação entre eles?

Acredito que para render, tem que estar bem com a cabeça. Nunca sofri nada muito contínuo que afetasse minha concentração dentro de campo. 

8-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Porque com ele jogava quem estava melhor e passava muita confiança para seus jogadores. 

9-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sim, eu me lembro muito bem. No começo não gostei, mas depois me adaptei e vi que era importante desempenhar duas funções.

Você pode mencionar qual era a função e falar sobre a adaptação:

No Japão, os meias não estavam bem e tive que desempenhar esta função por uma temporada. Eu tinha que acompanhar o lateral quando a jogada estava do meu lado e fechar nas linhas dos volantes quando a bola estava do lado oposto. Não gostei porque exigia muito mais de mim na marcação e porque ficava mais longe do gol. Fisicamente, também exigia muito e me “abafava”. Depois me adaptei e fui bem.

Eram duas linhas de quatro?

Isso. Eu jogava de meia do lado esquerdo.

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A importância é que o treinador passa as informações do time adversário, relembra o posicionamento da equipe, e aumenta o nível de concentração. 

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

Eu acho que o esquema tático depende muito dos jogadores que o treinador tem em seu grupo, mas eu gosto do 4-4-2 porque o time fica mais consistente no meio campo. 

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola; Jogar com trocas de passes e atacar pelos lados.
  • Assim que perde a posse de bola; Assim que perde a posse de bola, tenta recuperar, se não conseguir todos voltam atrás da linha da bola.
  • Sem a posse de bola; jogar compacto e todos marcam para roubar a bola sem falta.
  • Assim que recupera a posse de bola; se tiver oportunidade para fazer o contra ataque faz, senão, faz a posse.
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas. Nas bolas paradas ofensivas deixar o espaço para atacar a bola e nas defensivas manter a linha e marcar por setor. 

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Tento motivar meus companheiros, para conseguirmos reverter uma situação difícil. 

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Eu fico relembrando os lances que aconteceram e pensando no que eu poderia ter feito naquela hora para que esses erros não venham a se repetir. Poder escutar a comissão técnica para um diálogo é muito importante. 

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

A diferença é que o futebol brasileiro é mais cadenciado e o europeu é mais dinâmico.

Fale um pouco do Barça:

São jogadores com muita qualidade e que jogam muito tempo juntos. Todos atacam e todos defendem, inclusive o Messi que é o melhor jogador do mundo. Tem também muita movimentação.

Você jogou entre 2008 e 2011 no futebol Japonês. Compare-o com o brasileiro:

Tecnicamente o futebol brasileiro é superior. Só que futebol japonês é muito dinâmico, tem muita marcação, muita correria, tanto que alguns brasileiros não conseguem se adaptar lá. Quando eu cheguei, dominava a bola e em seguida tinha três ou quatro jogadores em cima. 

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

A comissão tem que ser amiga. Saber o que o grupo quer para tentar tirar o máximo de cada um dos jogadores, porém, sempre tem que ter autoridade.

Written by Eduardo Barros

24 de março de 2012 at 7:39

Entrevista para o canal SporTV

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Matéria publicada no último dia 12, no programa SporTv News:

http://sportv.globo.com/videos/sportv-news/t/ultimos/v/tecnicos-de-futebol-brasileiros-perdem-prestigio-na-europa-e-no-mundo/1766275/

Agradeço ao Coordenador do Curso de pós graduação da Universidade Gama Filho, Roberto Banzé, pela oportunidade.

Written by Eduardo Barros

18 de janeiro de 2012 at 22:06

Entrevista Tática – Dante: Zagueiro do Borussia M’gladbach-ALE

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“Foco, concentração, respeito e determinação. Acredito que são as regras básicas para se ter uma equipe vencedora em qualquer jogo”

Com grande colaboração do jornalista Bruno Camarão, que estabeleceu o contato para a entrevista, a coluna desta semana traz a opinião de Dante sobre diversos aspectos referentes ao jogo de futebol que de alguma forma se relacionam com a vertente tática da modalidade.

Dante, zagueiro do Borussia M’gladbach e único brasileiro no atual elenco, é peça importante na surpreendente campanha da equipe na Bundesliga 2011/2012, com 33 pontos em 17 rodadas e ocupando a 4ª colocação. Distante 4 pontos do líder, sua equipe encontra-se atrás apenas de Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Schalke 04. O defensor de 28 anos é um dos três jogadores da equipe que mais atuou na competição, 1530 minutos.

Abaixo, a entrevista com o jogador:

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Em 1998 na Catuense, em 1999 no Galícia, em 2000 no Capivariano, entre 2001 a 2004 no Juventude, de 2004 a 2006 no Lille-FRA, em 2007 no Charleroi-BEL, de 2007 a 2009 no Standard Liège-ALE e de 2009 em diante no Borussia M’gladbach-ALE. 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

Podemos abordar muitos pontos dentro disso. Acredito que inteligência tem a ver, além da qualidade técnica, com a capacidade de fazer bem uma leitura de jogo, de entender estrategicamente o futebol, compreender as propostas de jogo da sua equipe e também do adversário e, também, saber usar sua qualidade técnica de um modo que possa se diferenciar. 

3-    Você saberia descrever o quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

Praticamente em tudo. Meu amor por futebol surgiu justamente nas brincadeiras de rua e no colégio. Tudo isso faz parte do que eu sou hoje e eu não seria o que sou se não fosse essa etapa da minha vida. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Foco, concentração, respeito e determinação. Acredito que são regras básicas para se ter uma equipe vencedora em qualquer jogo. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Normalmente o que se faz no clube, o treino diário, é o ideal. Obviamente uma boa pré-temporada é muito importante. Quando estamos treinando na pré-temporada ou nos treinamentos diários e importante um mix de trabalhos físicos, técnicos e táticos. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores de sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

Acho que não precisa ter uma característica própria. Muitas vezes jogadores totalmente diferentes acabam se completando, um com mais capacidade de marcação, outro com mais capacidade de saída de bola. Então, varia muito isso e vai muito de acordo com a característica do jogador e do elenco que ele compõe. 

7-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Eu me considero um jogador com uma boa impulsão, boa estatura para jogadas aéreas e finalização de cabeça também. Sou um jogador tranquilo também, com uma boa saída de bola e sempre tento aliar tudo isso para me tornar um jogador sempre mais completo. 

8-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

Sem demagogia, acredito que o Lucien Favre, que está conosco no Borussia M’gladbach é um dos grandes com quem já trabalhei e vi. Ele pegou este grupo desacreditado, praticamente rebaixado e foi responsável pela recuperação e pela consolidação da confiança desse grupo, que agora está lutando pela liderança na Bundesliga.  

9-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Isso acontece sempre. O jogador sempre tem uma convicção, mas temos de ter a consciência de que o treinador muitas vezes acaba tendo uma visão melhor e muitas vezes vai o próprio jogador que tem qualidade para jogar numa determinada posição que ele achava que não lidava bem. Acredito que, nestes casos, é preciso ter calma, pois às vezes as coisas podem ser boas para o jogador. 

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

A preleção aqui na Europa é um pouco diferente do Brasil. No Brasil ela é mais motivacional, aqui na Europa é apenas uma resenha de tudo que treinamos e do que temos pela frente. É sempre importante para entrarmos ainda mais concentrados em campo. 

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

O 3-5-2 é bem menos usual hoje e acabamos sempre jogando com uma linha de 4 na maioria das vezes ou com mais um jogador ali para auxiliar. Para nós, que somos zagueiros, independentemente da formação, é sempre bom ter alguém a mais ali para compor a marcação e dificultar a vida do adversário. Nós jogamos muito assim, com mais proteção atrás e apostando no contra-ataque ou tentando valorizar a posse. 

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola; Valorizando a posse e buscando alternativas, evitando ao máximo o erro de passe.
  • Assim que perde a posse de bola; recomposição rápida para não deixar espaços.
  • Sem a posse de bola; equipe compacta, evitando ao máximo deixar buracos e oportunidades para os adversários.
  • Assim que recupera a posse de bola; buscar atacar com velocidade para surpreender o adversário e aproveitar os espaços.
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas. atenção no posicionamento. Este é um ponto forte da nossa equipe. 

Existe alguma mudança de comportamento previamente treinada para jogos fora de casa? E com a vantagem no placar? Explique:

A gente busca sempre jogar da mesma maneira fora de casa, porém, é sempre necessário lembrar que há um adversário e que as equipes jogando em casa sempre tendem a jogar mais para o ataque e tentar se impor. Nossa postura é sempre de tranquilidade, esperando a hora certa para dar o bote, em qualquer situação. 

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Todos nós vamos nos falando, ouvindo orientações do banco e tentando se ajeitar para que as coisas melhorem. Nunca é uma situação muito fácil de se resolver, mas, às vezes, acaba funcionando, principalmente quando se tem uma equipe entrosada. 

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

É sempre bom ter um retorno da comissão e das pessoas que estão conosco. Eu busco assistir o jogo e ser muito crítico em relação ao que eu faço, justamente para melhorar sempre. 

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

Eu acho que uma característica básica de diferença é o ritmo de jogo. Na Europa a bola corre mais, a grama é mais baixa, o jogo é mais rápido. Acredito que esta seja a principal diferença. 

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

Buscar sempre a união da equipe, integração de todos, para criar um ambiente saudável e propício para que seja realizado um grande trabalho. 

Para finalizar, dê sua opinião sobre o que achou da entrevista e como, na sua visão, a mesma pode contribuir com o futebol brasileiro:

Gostei muito, pois fugiu bastante do que as pessoas costumam perguntar e foi mais a fundo em alguns pontos. Espero que seja interessante para quem trabalha, para quem pensa em trabalhar com futebol e espero também que vocês tenham gostado.

Written by Eduardo Barros

14 de janeiro de 2012 at 9:12

Entrevista Tática – Nei: Lateral direito do Internacional-RS

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“Sou blindado, isso me ajuda a não oscilar se recebo vaias ou aplausos”

Está aberta a entrevista tática! “Ouvir” os jogadores de futebol brasileiro traduzirá um pouco da visão que os mesmos têm sobre a modalidade e auxiliar a prática de todos os membros da Comissão Técnica. Para complementar as perguntas-padrão divulgadas na coluna de apresentação, a Universidade do Futebol agradece as contribuições de todos os leitores e insere as perguntas elaboradas por Douglas Soares (aluno de graduação da UNISA/ pergunta 3), Luiz Peazê (CEO da Clínica Literária / pergunta 13) e Marcelo Padilha (aluno de graduação da UFMG / pergunta 14). Além destas, algumas perguntas foram elaboradas ao atleta para complementar a compreensão das suas respostas.

Lembrem-se de que esta é apenas a primeira entrevista. Periodicamente, ela poderá ser aperfeiçoada, complementada ou até mesmo modificada para manter o objetivo que a mesma se propõe.

Acompanhe abaixo as respostas do Nei, lateral direito titular da equipe do Internacional-RS:

1-    Quais os clubes que você jogou a partir dos 12 anos de idade? Além do clube, indique quantos anos tinha quando atuou por ele.

Palmeiras-SP – 12 anos / Bragantino-SP 15 e 16 anos / Ponte Preta-SP – 18 a 20 anos e 21 anos / Corinthians – 20 anos / Atlético-PR – 21 a 23 anos / Seleção Brasileira sub-23 / Inter-RS – 24 e 25 anos 

2-    Para você, o que é um atleta inteligente?

Atleta inteligente é aquele que consegue se diferenciar dos outros atletas não só dentro de uma partida, mas sim aquele que dentro e fora tem respeito dos seus companheiros. Um cara que coloque sua profissão como foco principal e que tenha uma personalidade que não muda nas horas boas ou ruins. 

3-    Você saberia descrever o quanto o futebol de rua, o futsal ou o futebol de areia contribuiu para a sua formação até chegar ao profissional?

Eu creio que são modalidades com muita diferença uma da outra, mas de onde você pode tirar aprendizado para o campo e para o profissional. Por exemplo, no futsal você pensa muito rápido por ser um espaço mais curto e você tem um passe melhor e aprimora seu drible. No futebol de areia, você praticamente fica com a bola no ar o tempo todo, pois não tem condução, então, aumenta o controle e no futebol de rua você aprende a malandragem do brasileiro, pois não tem regras. 

4-    Em sua opinião, o que é indispensável numa equipe para vencer seu adversário?

Organização tática, muita tranquilidade e treinamento. Precisa também de um líder positivo dentro de campo. 

5-    Quais são os treinamentos que um atleta de futebol deve fazer para que alcance um alto nível competitivo?

Acho que primeiro de tudo tem que ter uma aprendizagem de leitura tática aprimorada. Depois, um fortalecimento que o mantenha sempre em alto nível e repetição de trabalhos específicos à sua posição. 

Você pode exemplificar como devem ser estes trabalhos específicos?

Os trabalhos têm que ser voltados para o que você vai usar no campo. Os meias têm que fazer uns passes com mais marcação, giros rápidos e enfiadas de bola difíceis. Os atacantes, mais finalizações, tabelas rápidas; os volantes, passes e viradas de jogo; os laterais, cruzamentos, tabelas e finalização; e os zagueiros, posicionamento e bolas aéreas. 

6-    Para ser um dos melhores jogadores de sua posição, quais devem ser as características de jogo tanto com bola, como sem bola?

O lateral, primeiro de tudo, tem que saber que a sua função é marcar. Não tem tanta necessidade de apoio, só tem que descer com certeza. Hoje em dia, um lateral que guarda sua posição, que não deixa tomar gols pelo seu lado e quando sobe tem um bom passe tem tudo pra ser um dos melhores. Com a bola, além do passe, ele tem que saber se projetar, pois sempre será o desafogo da equipe; e sem a bola, saber ocupar os espaços do campo sempre se posicionando pra ajudar os zagueiros. 

7-    Quais são seus pontos fortes táticos, técnicos, físicos e psicológicos? Explique e, se possível, tente estabelecer uma relação entre eles.

Taticamente, eu tenho uma boa leitura do jogo e consigo prever várias jogadas, assim posso antecipar um lance mais facilmente. Tecnicamente, sou um cara que me projeto muito fácil ao ataque e chego muito fácil à linha de fundo para uma jogada típica dos laterais. Fisicamente, sou privilegiado, pois tenho velocidade, sempre fui muito forte e tenho uma resistência muito boa, o que me ajuda a manter em um jogo inteiro a mesma performance. Psicologicamente, sou muito concentrado e praticamente não escuto nada de fora. Sou blindado, isso me ajuda a não oscilar se recebo vaias ou aplausos. Sendo assim, uma qualidade puxa a outra, ser rápido, ter boa velocidade, gostar de jogadas de profundidade e encontrar espaços pra ultrapassagens mais rapidamente e não ligar quando erro, isso ajuda. 

8-    Pense no melhor treinador que você já teve! Por que ele foi o melhor?

(…) Um cara que taticamente posiciona o time de uma forma única e consegue ocupar todos os espaços do campo com todos os jogadores. 

9-    Você se lembra se algum treinador já lhe pediu para desempenhar alguma função que você nunca havia feito? Explique e comente as dificuldades.

Sou conhecido por minha polivalência, então, nunca tive muita dificuldade de jogar em outras posições, mas sempre que atuo na lateral esquerda tenho um pouco de dificuldade, pois inverte totalmente o corpo pra tudo, tanto pra dominar, como pra driblar e chutar. Apesar disso, sempre joguei tranquilamente. 

10- Qual a importância da preleção do treinador antes da partida?

Pra mim, o mais importante foram os treinamentos e a preleção é mais pra relembrar. 

Pra você, quanto tempo deveria durar uma preleção e o que precisa ser relembrado?

10 minutos e relembrar as jogadas ensaiadas e bolas paradas. 

11- Quais são as diferenças de jogar em 4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, ou quaisquer outros esquemas de jogo? Qual você prefere e por quê?

4-4-2 e 4-3-3, eu tenho que me posicionar e me preocupar mais com a marcação sem tanta obrigação de apoiar, já no 3-5-2 eu tenho a liberdade pra atacar e às vezes quase chegando como meia. Eu prefiro o 4-4-2, pois é uma tática mais consistente onde é muito difícil de entrar. Um time certinho com o 4-4-2 e as peças certas tem tudo pra ser campeão. 

12- Comente como joga, atualmente, sua equipe nas seguintes situações:

  • Com a posse de bola;
  • Assim que perde a posse de bola;
  • Sem a posse de bola;
  • Assim que recupera a posse de bola;
  • Bolas paradas ofensivas e defensivas. 

Com a bola, nosso time joga no 4-5-1, onde priorizamos a posse de bola, pois temos um time muito técnico. Quando perdemos a bola, adiantamos um dos meias, vamos para o 4-4-2 e o time todo marca na linha do meio campo. Recuperando a bola, tentamos ficar o máximo de tempo com a posse de bola por não termos jogadores de muita velocidade e tentamos acertar um passe pelo meio, então, ficamos com a bola até a hora certa. Nas bolas paradas ofensivas sempre vamos com 4 jogadores para a área, sempre  preenchendo o primeiro pau e um no segundo. Na bola parada defensiva, marcamos individual nos escanteios e nas faltas laterais marcamos por zona. 

Existe alguma mudança de comportamento previamente treinada para jogos fora de casa? E com a vantagem no placar? Explique:

Não tem nenhum tipo de treinamento pra essa situação. Eu pelo menos nunca vivenciei um treinamento assim. 

13- O que você conversa dentro de campo com os demais jogadores, quando algo não está dando certo?

Tento acalmar e, o mais importante, manter o posicionamento. Continuar com posse de bola e mostrar que temos condições de recuperar. 

14- Como você avalia seu desempenho após os jogos? Faz alguma reflexão para entender melhor os erros que cometeu? Espera a comissão técnica lhe dar um retorno?

Eu assistia a todos os meus jogos, em casa, antigamente, mas com o tempo você vai ficando mais calejado, não precisa mais ver e sabe onde você errou. Estando mais experiente você não precisa que ninguém venha dizer que está errado ou que precisa melhorar. 

15- Para você, quais são as principais diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu? Por que existem estas diferenças?

O futebol brasileiro tem muita improvisação, já o europeu é muito tático e você nunca vê um time desorganizado por mais largo que seja o placar. Acho que essa diferença é de cultura mesmo, pois aqui é o país do futebol e achamos que nunca temos que aprender nada. Lá, o futebol evoluiu muito e enxergaram que taticamente você consegue montar um time campeão. 

16- Se você tivesse que dar um recado para qualquer integrante de uma Comissão Técnica, qual seria?

Pense sempre com a cabeça do jogador, nunca tente pensar com a tua. É bem mais fácil e assim você vai entender, poder ajudar e melhorar o time todo. 

Para finalizar, dê sua opinião sobre o que achou da entrevista e como, na sua visão, a mesma pode contribuir com o futebol brasileiro:

Uma entrevista muito interessante para quem é treinador, que poderá ver o pensamento de jogadores de diferentes status, posições e divisões. Conhecendo mais os jogadores que tem, facilita o trabalho para os treinadores.

Written by Eduardo Barros

13 de novembro de 2011 at 11:19