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Archive for the ‘Futebol Europeu’ Category

A Final que pode mudar o nosso final

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Resultado do confronto Brasil e Espanha pode definir nossos próximos passos

Brasil e Espanha: em 2011, representados por Santos e Barcelona respectivamente, a Final do Mundial de clubes foi vexatória para o futebol brasileiro e ponto de partida para muitos veículos de imprensa, dirigentes, treinadores e outros profissionais do futebol apontarem o abismo entre o jogo brasileiro e o europeu. Menos de dois anos depois, a escola brasileira e espanhola se reencontram, agora representadas pelas suas seleções, na final da Copa das Confederações disputada no Brasil.

Como a grande maioria dos atletas da escola brasileira atua no futebol do Velho Continente e estão habituados aos comportamentos de jogo por lá praticados (no onze inicial, 3 jogam na Inglaterra, 2 na Espanha, 1 na França, 1 na Alemanha e 1 na Rússia),  descarta-se a hipótese de vexame semelhante ao sofrido pela equipe santista. Porém, os princípios de jogo apresentados por cada seleção podem, novamente, expor a distância entre o futebol brasileiro e o europeu.

Uma vez que o placar é a única variável considerada na análise de um trabalho e o futebol é, por característica, imprevisível, a vitória da equipe de Felipão pode mascarar diversos elementos das ideias de jogo do treinador brasileiro que, ocupando o mais alto cargo de técnico de futebol no país, representa como temos pensado a modalidade.

Para a análise do que pode ser a final, além de exercer o papel social de treinador (ainda que num cargo de pequena expressão), exerço também o papel de torcedor.

E enquanto o torcedor quer o título para o nosso país e a confiança para a Copa do Mundo que se aproxima, o treinador quer mais uma aula espanhola, de ideias para um bom e belo futebol.

O torcedor vislumbra que em pouco tempo de comando, Scolari conseguiu transformar uma equipe desacreditada em favorita. Imagina o quanto não poderá ser feito num trabalho em longo prazo? Já o treinador questiona se, mesmo com mais tempo para treinar, os princípios de jogo serão mantidos.

O torcedor vê David Luiz extremamente raçudo e marcador. O treinador o vê muitas vezes mal posicionado num ataque à bola desordenado.

O torcedor vê Luiz Gustavo com uma precisão impecável no passe. O técnico vê um volante que escolhe preferencialmente o passe cadenciado e praticamente não pisa no campo de ataque.

O torcedor vê Neymar decisivo, exímio finalizador. O técnico, lamentavelmente, o vê como “boleirão”, reclamão e pouco coletivo.

O torcedor concorda com a opinião da imprensa, que classifica o Oscar como exausto neste final de temporada. O técnico o vê isolado, com volantes distantes, num setor em que todos os adversários têm conseguido, com boa organização defensiva, neutralizar o Brasil.

O torcedor não se importa com o futuro da modalidade, com a evolução do jogo, do treino e com aquilo que é tendência no futebol mundial. O treinador sonha que o futebol praticado pelos espanhóis sirva de exemplo para nossos treinadores e dirigentes, grandes responsáveis pelo futebol do futuro (e por falar em futuro, lembram-se que nossa seleção não está no mundial sub-20?).

Por fim, o torcedor quer gritar “É CAMPEÃO!” e o treinador bater palmas para a seleção que joga o melhor futebol da atualidade e que precisa vencer para, quem sabe, permanecer acesa a chama que em 2011 se acendeu e que alguns profissionais lutam arduamente para que assim permaneça. Uma vitória do Brasil pode atrasar este processo e apagar a chama!

Até Domingo as 19h00, decido em qual papel assisto ao jogo…

Você já se decidiu? Escreva a sua opinião!

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Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:00

Enfim, a negociação de Neymar

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Os desdobramentos táticos da venda do ex-atacante santista

NeymarO início de uma nova era! Esta foi a expressão utilizada pelo zagueiro e capitão da equipe do Santos, Edu Dracena, durante uma entrevista, para se referir à confirmação da negociação de Neymar, até então seu companheiro de clube, ao Barcelona-ESP.

Apesar de todos os esforços do clube santista para mantê-lo pelo menos até ao final da Copa de 2014, o fato é que a pressão externa realizada sobre o craque adiantou a esperada (e inevitável) transferência para a Europa.

Tal transferência é a oportunidade de ratificação das expectativas criadas em torno do atacante. Torcedores, imprensa, treinadores e especialistas esperam uma evolução do jogador que deverá solucionar problemas distintos dos que enfrentava no futebol brasileiro.

Com maior ou menor aprofundamento, muitos afirmam que a marcação na Europa é diferente da praticada no Brasil. Se por aqui ele estava acostumado a enfrentar marcações e pressões individuais, no velho continente encontrará linhas do adversário mais próximas, marcações zonais com ou sem pressing, coberturas e direcionamentos para setores de menor risco. Mecanismos defensivos comuns no futebol europeu que exigirão maior inteligência de jogo individual e coletiva de Neymar.

E não é só no momento ofensivo do jogo (para desorganizar o momento defensivo do adversário) que a evolução será necessária. A participação efetiva em todos os momentos, exigida de todos os jogadores, comum ao Barcelona e a todas as equipes taticamente evoluídas, seguramente lhe será exigida.

Nas transições defensivas, o Barcelona rapidamente apressa o adversário em espaço e tempo, enquanto no Brasil, o Neymar comumente perde segundos preciosos reclamando com a arbitragem. Quando reage mais rapidamente, faz uma ou duas pressões no adversário portador da bola sem um maior compromisso coletivo.

Defensivamente, para cumprir o Modelo de Jogo da equipe catalã, o jovem atacante deverá jogar orientado para a recuperação da posse de bola o mais rápido possível. Para isso, comportamentos de jogo habituais como estar à frente da linha da bola e andar enquanto compõe o balanço ofensivo deverão ser substituídos.

Já nas transições ofensivas, a evolução passa, principalmente, por jogar com menos toques na bola no setor tiki-taka da equipe espanhola e também saber ocupar espaço distante da bola, cumprindo a função determinada pelo Modelo e pelas circunstâncias do jogo. Tal evolução é necessária para evitar o excesso de jogadas individuais nas faixas intermediárias do campo de jogo e a demasiada centralização à bola.

A capacidade do jogador é indiscutível e sua adaptação ao futebol europeu seria mais rápida se ele saísse do país com mais competências, que lhe serão exigidas, já adquiridas. No entanto, no Brasil, tanto na formação, como no profissional, ainda estamos distantes de termos o futebol evoluído como realidade.

E como disse Edu Dracena, inicia-se uma nova era! Não para o Neymar, um grande talento que vai para uma das maiores equipes do futebol mundial, mas para o Santos, que segundo o zagueiro, estava acostumado a dar a bola ao atacante e esperar para ver o que acontecia.

Sem o Neymar, vamos precisar mais de Muricy, que trouxe os reforços que queria para a temporada 2013 e ainda assim continuou praticando o que muitos chamaram de “Neymardependência”. O treinador santista, pelas suas conquistas, pelo peso que possui no futebol nacional e pelo seu cargo é um dos responsáveis por acelerar (ou desacelarar) o processo de evolução do nosso futebol. De acordo com a declaração de Edu Dracena e os próximos jogos da equipe santista, agora sem o craque, vamos torcer para que a nova era não comece nos decepcionando.

Obs: Muricy Ramalho foi demitido no início da sexta feira e optei por não alterar o conteúdo da coluna. Que os votos feitos ao Muricy sejam estendidos ao novo treinador da equipe santista.

Written by Eduardo Barros

3 de junho de 2013 at 10:02

Centrais, para onde vocês vão?

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Equívocos no posicionamento defensivo são corriqueiros no futebol brasileiro

TiteEm uma entrevista com o técnico Tite, que pode ser acompanhada no site da Universidade do Futebol, ele foi enfático ao afirmar que uma das principais diferenças entre o futebol brasileiro e o futebol europeu é o posicionamento da linha defensiva. Exemplificou mencionando que nas grandes equipes do velho continente, nenhum volante recua para marcar segundo atacante, proporcionando a sobra de um dos centrais, e tampouco os laterais sobem para “bater com lateral” (expressão reproduzida aos montes por muitos profissionais da modalidade). Em nosso país, estas duas características defensivas são comumente observadas.

Como estamos num momento em que o futebol brasileiro está sendo constantemente questionado quanto a seu atraso, seja por jornalistas, treinadores e até ex-jogadores, quanto mais elementos forem apontados como motivos do nosso jogo ultrapassado, maiores serão as possibilidades de encontrarmos as soluções e modificarmos este cenário.

Tais elementos relacionam-se com as dimensões do sistema-equipe passíveis de análise e, portanto, intervenções. Dentre as dimensões existentes (individual, grupal, setorial, intersetorial e coletiva), nesta semana a ênfase será dada aos zagueiros, portanto, às dimensões grupal e setorial e mais especificamente aos momentos do jogo em que uma equipe se encontra em organização defensiva ou transição defensiva.

Em jogos brasileiros, salvo raríssimas exceções, os zagueiros ocupam constantemente as faixas laterais do campo atraídos tanto pela bola como pelo posicionamento do adversário. Expõem-se desnecessariamente e deixam de agir no jogo em função do seu companheiro de defesa e da própria meta.

Em situações de contra-ataque ou ataque na faixa central, é muito comum observarmos uma ação de combate à bola de um dos centrais complementado por uma sobra (e não cobertura) de longa distância pelo outro defensor, o que desmonta a linha de defesa e permite diagonais adversárias em condição de jogo.

Quando o adversário cria jogada pelas laterais, novamente atraídos pela bola e adversários, é comum observarmos um dos centrais fora do setor potencial de finalização, o que inviabiliza a proteção da sua meta.

Retardar a ação adversária, neutralizar setores de finalização, agir mutuamente, fazer diagonais de cobertura, diminuir o espaço entre a linha de meio-campistas e proteger constantemente a meta são comportamentos de jogo básicos apresentados pelos centrais do futebol europeu que podem ser vistos nos exemplos abaixo, retirados da dupla de centrais do Manchester United-ING:

http://www.youtube.com/watch?v=vDneKaej0RY

http://www.youtube.com/watch?v=eQ8uItMi03c

http://www.youtube.com/watch?v=HKs3_2t78Dg

http://www.youtube.com/watch?v=TCVrfvLZmyM

 Para os centrais das equipes brasileiras evoluírem nesses aspectos precisamos de um eficiente trabalho de formação que desenvolva os princípios de jogo condizentes com o futebol moderno. De acordo com o tema desta coluna, os futuros atletas precisam ser expostos às inúmeras situações-problema que lhes exijam as respostas mencionadas no parágrafo anterior. Aliando as situações-problema com as adequadas intervenções da comissão técnica, estaremos dando os passos necessários para a evolução de um dos inúmeros elementos que têm atrasado o nosso futebol.

Enquanto isso, no futebol profissional, dependeremos de grandes treinadores, como o técnico Tite, que conseguiu criar padrões de comportamento individuais e coletivos que aproximam sua equipe daquilo que é tendência no futebol mundial.

Como de costume, encerro a coluna com uma pergunta: como jogam seus centrais?

Os criativos brasileiros e o futebol europeu

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É certo que perdemos espaço. Será que um dia conseguiremos recuperá-lo?

Meias vagabundos! É esta expressão que o comentarista esportivo português Luis Freitas Lobo utiliza para se referir aos meio-MCcampistas brasileiros que ingressam no futebol europeu. Com grande poderio técnico individual e baixo nível de inteligência coletiva de jogo, o termo é empregado pois as competências essenciais destes jogadores, tanto com bola como sem, não se adéquam aos princípios de jogo do futebol moderno. Querem a bola em quaisquer setores do campo mesmo que seja para realizarem uma ação técnica improdutiva, tardam para mudar de atitude nas transições e são inúteis no momento defensivo do jogo.  A torcida, o treinador e a equipe ficam a mercê de um lance “mágico”, de característica individual, que possa compensar a inoperância coletiva.

Como o jogo evoluiu e o que se espera dos praticantes também, fica evidente que atletas com essas características não terão espaço nas grandes equipes do futebol mundial. Para confirmar, façam uma pesquisa rápida e vejam quantos meio-campistas brasileiros estiveram em campo nos últimos oito jogos da Champions League 12/13, válidos pelas oitavas de final da competição.

É certo que perdemos espaço e se um dia pretendemos recuperá-lo a transformação da concepção do jogo de futebol, seja destes jogadores seja de quem os ensina/treina, deve ser urgente.

É preciso fazer compreender, desde as idades iniciais de formação, que ter uma boa relação com a bola é apenas uma das competências essenciais da modalidade e que, consequentemente, jogar bem está muito distante de ser habilidoso.

É preciso aprender sobre a totalidade do jogo e a importância da participação efetiva em todos os seus momentos. Devemos, então, desmitificar o conceito de que meias e atacantes atacam e zagueiros e volantes defendem.

É preciso ensiná-los a fechar linhas de passe, fazerem dobras, coberturas defensivas, marcarem zonalmente, pressionar o espaço do portador da bola, fazerem movimentações de ruptura, procurarem espaços entre linhas, ocuparem as zonas de finalização, darem velocidade ao jogo, tirarem velocidade do jogo, ultrapassarem a linha da bola defensivamente, mas não quererem a bola em setores recuados do campo e a reagirem rápido no momento da perda da posse,
seja para pressionar seja para recompor.

Adquirir essas competências pode reabrir mercado para os meio-campistas brasileiros no futebol europeu.

Até lá, recursos não faltam para que os futuros jogadores profissionais desta posição fiquem preparados e não “sofram” do mesmo mal dos atletas da geração atual.

Modernos centros de treinamento, inúmeros profissionais capacitados espalhados pelo país, material teórico acerca da modalidade com fácil acesso e tecnologia que permite registrar/editar os jogos do futebol europeu.

O clube que conseguir reunir os recursos disponíveis terá condições de aplicar um processo produtivo de formação qualificado que acompanhe as tendências do futebol moderno.

Ao contrário do que alguns menos atualizados possam pensar, é possível acompanhar as tendências do jogo, compreendido como um sistema complexo com variados níveis de relação entre as partes que o compõem, permitindo a criatividade dos seres que jogam. O que não podemos permitir (e por vezes os menos atualizados o fazem) é a criatividade descompromissada, em detrimento das ideias de jogo do treinador e sem relações com o Modelo de Jogo.

Para alguns o futebol europeu é chato, burocrático e mecanizado. Conceitos normais para quem compreende futebol (?) mas não compreende sistemas e o nível de jogo evoluído lá apresentado.

Temos que nos mexer se quisermos ver meias brasileiros jogando com sucesso no velho continente. Esta, no entanto, não pode ser a nossa única preocupação, pois corremos o risco de ficarmos novamente para trás…

Façam suas apostas

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Quais serão as mudanças no Modelo de Jogo estabelecidas pelo futuro treinador do Bayern de Munique?

guardiolaNos últimos dias, a imprensa esportiva divulgou o anúncio feito pelo clube alemão, Bayern de Munique, de que Pep Guardiola assumirá o comando da equipe a partir de Julho de 2013. Guardiola assumirá o posto de Jupp Heynckes, que lidera o campeonato alemão com nove pontos de vantagem do segundo colocado e que disputará uma vaga nas quartas de final da Champions League, com o Arsenal-ING.

A contratação deu fim às intensas especulações de que o ex-treinador do Barcelona comandaria algum clube inglês. No entanto, novas especulações surgem para amantes e estudiosos do futebol que passam a imaginar e criar hipóteses sob como será o novo Modelo de Jogo do clube alemão.

Dentre as expectativas, seguramente, a pergunta inicial se refere ao predomínio da posse de bola frente aos adversários. Será esse o comportamento coletivo predominante em organização ofensiva? Outra questão compreende a plataforma de jogo? Guardiola optará pelo 1-4-3-3 ou 1-3-4-3 utilizados no clube catalão ou a cultura do clube e características dos jogadores implicarão na escolha de outra plataforma?

E quanto às contratações? O treinador espanhol chegará no início da temporada, num período aberto para transferências. Quais serão as características e posições dos jogadores contratados? Virá alguém do Barcelona?

As especulações não se restringem às questões técnicas. Muitos estão na expectativa em saber como será gerir uma equipe que não tem a maioria do elenco formada nas categorias de base do clube (dos dezoito atletas convocados para a 17ª rodada do campeonato alemão, somente quatro eram “pratas da casa”). Além disso, como Guardiola irá lidar com um novo ambiente? Sair de um clube em que ele conhecia todos os atalhos de La Masía ao Camp Nou e facilitava (ou ao menos tornava menos complexa) sua compreensão do “todo” para, em breve, frequentar os corredores de um clube em que ele terá que conhecer um ambiente/cultura totalmente distinto e, inclusive, aprender um novo idioma. Sem dúvida, um desafio grandioso!

Como grandes equipes e treinadores sempre devem ser estudados, sugiro uma tarefa para realizarmos ao longo de 2013 e sermos mais precisos diante de tantas expectativas:

Acompanharmos alguns jogos da temporada 12/13 da equipe alemã, seja pelo campeonato nacional, seja pela Liga dos Campeões, e definirmos o Modelo de Jogo apresentado pela equipe de Jupp Heynckes. Aguardarei em meu e-mail (e também farei meu banco de dados) informações dos comportamentos individuais e coletivos do Bayern para cada um dos momentos do jogo. Quem quiser, pode utilizar vídeos editados, lances com gols, relatórios ou quaisquer outras informações que tenham relevância na análise da equipe alemã.

Após a fase inicial da tarefa, a sequência será avaliar a equipe de Pep Guardiola passados cinco meses do início do trabalho. Os últimos jogos da fase de grupos da Champions e do campeonato alemão da temporada 13/14 serão as partidas estudadas. Com a ajuda dos leitores e com análises semelhantes às feitas com Heynckes, uma coluna comparativa será publicada relacionando cada um dos Modelos de Jogo.

Acompanhar jogos, estudá-los e extrair informações úteis deve ser prática cotidiana de quem trabalha ou pretende trabalhar com futebol.

Estudar o Bayern de Munique significa tentar compreender uma das grandes equipes do futebol mundial e que apresenta princípios de jogo condizentes com o futebol moderno. Declaradamente, contrataram Pep Guardiola para dar brilho ao futebol alemão e, nas entrelinhas, ganharem tudo!

Estudar o Bayern de Munique é mais proveitoso do que estudar algumas equipes brasileiras que se reforçaram vigorosamente para as competições deste ano, porém, mantêm treinadores no comando com as mesmas (e ultrapassadas) ideias de jogo de temporadas anteriores e que dependerão excessivamente das características individuais dos jogadores contratados para a nova formatação do Modelo de Jogo.

Ao longo do ano irei lembrá-los em relação à tarefa. Por enquanto, como de costume, deixo uma pergunta:

Será que o Bayern de Munique, quando treinado por Pep Guardiola, conseguirá parar o Barcelona?

Que comecem os estudos…

Footecon 2012 e as novas perspectivas para o treinamento técnico-tático

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Discussões que visam à evolução do jogo brasileiro ganham, gradativamente, espaço no mercado do futebol

Aconteceu entre os dias 4 e 5 de Dezembro o IX Fórum Internacional de Futebol idealizado e coordenado pelo atual diretor técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira.

Nos dois dias de evento, temas relevantes foram discutidos com o objetivo de fomentar transformações em nosso futebol. Como exemplos, a excelente palestra sobre a formação do treinador europeu, ministrada por Eduardo Tega, diretor executivo da Universidade do Futebol e Sandro Orlandelli, professor universitário e ex-scouter do Arsenal-ING; ou então, a temática metodologia de treinamento do futebol brasileiro, que teve como palestrantes Ricardo Drubscky, técnico que conquistou o acesso para a série A do Campeonato Brasileiro com o Atlético-PR, Rodrigo Leitão, colunista deste portal e técnico do sub-18 do Corinthians e Vinicius Eutrópio, técnico do América-MG.

Ainda relacionada às questões metodológicas da modalidade, numa plenária de menor dimensão (mas não menos importante), tive a honra de participar como palestrante numa apresentação que tinha como tema as novas perspectivas do treinamento técnico-tático nas categorias de base. Foi um privilégio compor a mesa com dois grandes treinadores das categorias de base do futebol brasileiro: Sérgio Baresi, técnico do sub-20 do São Paulo e Marcelo Veiga, técnico do sub-20 do Fluminense.

Aproveito a coluna semanal para compartilhar o conhecimento exposto na palestra, com o intuito de não torná-lo restrito somente a quem esteve presente no evento.

Segue, abaixo, alguns slides e os conteúdos abordados:

Com as conquistas recentes do Barcelona, o trabalho de formação no futebol ganhou sensível importância. No Brasil, muitas personalidades do futebol têm criticado o trabalho de base, pois é ele um dos responsáveis pelo baixo nível da grande parte dos nossos jogos.

Para comprovar tal afirmação, na sequencia, apresento a opinião de treinadores, imprensa e gestores sobre o trabalho de formação:

 

Diante disso, ressalto a fala de Mano Menezes pronunciada no Seminário das Categorias de Base, realizado este ano na CBF, que afirma sobre a necessidade de formar jogadores capazes de identificar os problemas do jogo.

E quais são os problemas do jogo no futebol moderno? Ao longo da palestra procurei evidenciar alguns deles.

O primeiro, referente à necessidade de abrir o adversário como uma das alternativas para criar espaços para a eficácia da ação coletiva ofensiva. Abaixo alguns exemplos de como grandes equipes do futebol mundial tentam resolver este problema e, comparativamente, como é feito por algumas equipes do Brasil em lances reais retirados do Campeonato Brasileiro de 2012:

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Abaixo, uma ilustração de um jogo no Brasil correspondente a um comportamento muitas vezes observado:

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Como segundo problema, a necessidade de formar um bloco ofensivo consistente, que facilite a criação de superioridade numérica e que facilite um comportamento agressivo de transição defensiva para buscar a recuperação da posse. As fotos de Bayern e Manchester United identificam bem a formação do bloco, com todos os jogadores de linha posicionados no campo de ataque:

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Já numa equipe brasileira, o bloco ofensivo observado, na maioria das vezes, é semelhante ao do exemplo que segue:

Imagem5

O terceiro problema apresentado relaciona-se as equipes terem que fazer campo pequeno para defender, diminuindo os espaços importantes entre a bola e o alvo e, ao mesmo tempo, manter uma organização que favoreça a transição e organização ofensiva.

Nestas fotos de dois jogos da Champions, observe os exemplos:

Imagem6

Em contra partida, o bloco baixo da primeira linha e o combate desorganizado no portador da bola, espaçam as linhas defensivas da equipe brasileira como mostra a figura:

Imagem7

Outros dois exemplos foram utilizados. Um que identificava a distribuição das peças no campo de jogo, num determinado instante do jogo, de modo a ilustrar a quantidade de jogadores à frente da linha da bola para a construção da ação ofensiva e outro que quantificava o número de ocorrência de pressing na região em que se encontrava a bola para induzir o erro do adversário, logo, recuperar a posse. Obviamente, esses dois comportamentos não são bem realizados no futebol brasileiro.

Após estas constatações, foram mostrados exemplos de treinamentos tradicionais que não favorecem à aquisição de comportamentos coletivos.

Entre eles: treinos de fundamentos técnicos do jogo, treinos de finalização, treinos táticos 11×0 e treinos de jogos reduzidos.

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As soluções apresentadas para reverter o cenário atual de formação dos atletas brasileiros todos que acompanham o site da Universidade do Futebol já conhecem. São jogos e mais jogos que contribuam para o desenvolvimento da inteligência coletiva de jogo. Para isso, jogos de futebol com manipulação das regras devem nortear o microciclo de treinamento.

Quaisquer das seis atividades que já publiquei no banco de jogos das minhas colunas servem como exemplo. Algumas das justificativas estão apontadas na seguinte imagem:

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Para confirmar os resultados desta forma de trabalho, cases de sucesso foram apresentados para minimizarem as críticas e dúvidas desta maneira (que de acordo com as datas dos contributos teóricos não podemos chamar de nova) de conceber o treinamento em futebol.

Um tema polêmico e que seguramente será bastante criticado. Porém, com o apoio de profissionais do futebol e estudantes que buscam espaço e querem transformações no trabalho de campo, a sensação é de que estamos fortes para combater qualquer que seja a crítica.

Que cada vez mais discussões como esta ganhem espaço e também os campos do nosso imenso país. Sem dúvida é uma das soluções para o nosso futebol!

Mais discussões sobre a Periodização Tática: por vezes ela não se distancia do jogo?

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Modelo de Periodização é uma (e não a única) das alternativas para quem objetiva um jogar complexo

Discutir Periodização Tática no atual cenário futebolístico brasileiro é significativamente polêmico. Um grupo de profissionais do futebol tem aversão aos conteúdos científicos ou a quaisquer outros que necessitem muitas horas de estudo e leitura. Então, mencionar essa expressão para este nicho, pode afastá-lo de um networking necessário no mercado. Outro grupo, influenciado pelas literaturas acadêmicas acerca do treinamento desportivo tradicional, não consegue compreender, devido a uma crença limitante, a dimensão física do jogo vista e treinada sob outra perspectiva.

Existe ainda o pequeno grupo que “bebeu da fonte” e pode aprender sobre esse modelo de periodização diretamente com o seu mentor, Vítor Frade, em Portugal e, por último, um grupo de profissionais que mesmo do Brasil tem acesso aos materiais publicados referentes à Periodização Tática e os utilizam para pensar a prática.

Ao compor este último grupo, fica o receio de abordar superficialmente o conteúdo teórico desenvolvido por Frade, que é objeto de estudos de muitos universitários portugueses, e ser duramente criticado por aqueles que são peritos na operacionalização da PT em seus cotidianos de trabalho.

Receio à parte, como estudioso do futebol (e não pesquisador) e treinador que busca a melhor atuação possível, preciso assumir o risco e propor novas discussões que permitam trocas de conhecimento, evolução da intervenção prática de todos e, consequentemente, melhorias futuras no futebol brasileiro (pois, no presente, muitos que estão à frente de grandes equipes do nosso país compõem o grupo dos que são avessos ao conhecimento científico).

Meus estudos aprofundados sobre a PT iniciaram em 2010 e, desde então, procuro correlacioná-los com minha prática, que tem grande influência dos estudos coordenados pelo Dr. Alcides Scaglia e que evoluiu para o desenvolvimento da Metodologia Futebol Arte. Tal metodologia é aplicada nas categorias de base do Paulínia FC-SP e, em 2012, também foi aplicada no profissional do Grêmio Novorizontino-SP.

Para a Periodização Tática, todo exercício de treino deve ser realizado em função do Modelo de Jogo pretendido. Sendo assim, de acordo com o dia da semana referente ao morfociclo padrão, estimulam-se os princípios, ou sub-princípios, ou sub-sub-princípios de jogo que, respeitando os princípios metodológicos, proporcionam o aumento de performance individual e coletiva.

Por tudo que vi e li acerca da PT, é possível afirmar que não são todos os exercícios que são jogos apesar de manterem a devida relação com o Modelo de Jogo.

Deixo, então, uma questão para discutirmos: se o futebol, em essência, é jogo (com todos os elementos que o constitui), quando a PT “abre mão” deste ambiente, criando exercícios analíticos, sem oposição, com pouco estorvo ou previsíveis, não está se distanciando significativamente do jogo de futebol?

Não pretendo com essa discussão privilegiar a Metodologia Futebol Arte em detrimento da PT, uma vez que a primeira ainda dá seus primeiros passos com Alcides Scaglia e Cristian Lizana na Unicamp, campus Limeira e enquanto a segunda possui muito material qualificado publicado. Pretendo, somente, provocar reflexões dos exemplos práticos que podem ser observados nas apresentações, congressos, blogs, livros, monografias e que “perdem força” quando analisados sob o princípio da especificidade.

Quando vejo um exercício analítico de finalização, por mais que mantenha a estrutura posicional dos jogadores e lhes orientem quanto ao posicionamento dentro da área, confronto-o com o jogo de futebol e os constantes desafios que lhe são impostos. Inexistentes num treino de finalização como o mencionado.

Quando leio sobre um treino de um grande princípio de jogo, por exemplo o de circulação da posse, com troca previamente combinada de passes, questiono-me sobre a imprevisibilidade que é inerente ao jogo e também inexiste na atividade em questão.

São apenas dois exemplos de muitos outros que poderiam ser identificados, inclusive sobre os outros pressupostos para o ambiente de jogo: representação e desequilíbrio.

Não tenho dúvidas que o domínio conceitual da Periodização Tática é indispensável para uma boa atuação de qualquer gestor de campo. Sua fundamentação teórica emerge do pensamento complexo, o que justifica a necessidade de compreensão.

Que fique claro, também, que a PT não é o único modelo de periodização sistêmico. Rodrigo Leitão, com a Periodização Complexa de Jogo, a Periodização de Jogo que está sendo desenvolvida por Alcides e Cristian, ou até algum outro modelo de periodização ainda não sistematizado, mas que seja desenvolvido por algum treinador numa perspectiva ecológica, devem ser considerados.

Que as respostas e reflexões de vocês, leitores, sirvam para fomentar novas discussões como a que provocarei em algumas semanas.

Combinação dos métodos de treino: necessidade ou dificuldade para planejar os treinos?

Abraços e até a próxima semana.