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Os bastidores da preparação para a Copa-SP

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A formação do elenco para uma das mais importantes competições de futebol junior

copa_sao_paulo_junioresFaltam poucos dias para o término do período de inscrição para a Copa São Paulo de Futebol Junior. Apesar de a competição ter início em Janeiro, acertadamente a federação antecipa a inscrição e publicação dos atletas no BID (Boletim Informativo Diário) para evitar (ou ao menos minimizar) a formação de elencos de última hora, privilegiando o planejamento e a organização dos clubes. Em Novembro, a pré-lista oficial com 30 atletas define quem serão os representantes de cada equipe.

Por enquanto, antes dos trabalhos técnicos preparatórios para a primeira competição de 2014, os treinadores têm inúmeras responsabilidades.

Muitas equipes estão em meio às competições sub-20, que permitem atletas nascidos em 1993, porém que excedem a idade limite para a disputa da Copa-SP. Pensando na formação do elenco, a comissão técnica deve ter ciência das carências originárias pela saída dos jogadores mais velhos e, além disso, definir se na suplência ou na promoção de atletas da categoria sub-17 a equipe terá condições de se manter competitiva. Outras possibilidades são a de abrir espaço para avaliações, ou então, para contratações de reforços.

E como culturalmente a Copinha é vista como a maior vitrine para exposição e negociação de atletas, vários interesses influenciam o que deveria ser óbvio, no entanto ainda é utópico em nosso futebol: a composição de um elenco em que os benefícios ao clube seja a prioridade.

A aproximação dos empresários ao clube, comum durante todo o ano, fica ainda mais evidente no período de inscrição para a Copa-SP. Juntos deles estão os jogadores que são as soluções para todos os problemas do clube e que estão desempregados somente pelas injustiças do futebol. È válido destacar que existem as exceções, que indicam jogadores sem grandes alardes ou falsas promessas.

Os grupos de investimento também surgem como opção no auxílio da formação do elenco. Detentores de direitos econômicos de atletas em potencial, realmente podem reforçar a equipe. Só que para o clube ficam as despesas com o atleta (financeiras, de alimentação, de moradia, médicas e esportivas) já para o grupo de investimento, a maior fatia do retorno financeiro numa possível negociação. Estes grupos aproveitam a situação econômica/estrutural/administrativa de muitos clubes brasileiros para esta fórmula que lhes é bem conveniente.

Outro procedimento comum neste período é a chegada de jogadores mediante uma recompensa financeira. Estes atletas, sempre “bem indicados” podem chegar ao clube através dos diferentes níveis do organograma da instituição. No nível que houver desvio de conduta ocorrerá o negócio.

Esqueçam a possibilidade de ser definida a fórmula ideal para a composição do elenco. Em todas as opções (promoção da base, suplência, avaliação, indicação, contratação) podem estar as reais soluções para a equipe. O indispensável é uma estrutura técnica-administrativa que trabalhe em benefício da instituição, que analise criteriosamente o elenco atual, que não seja influenciada pelo interesse de terceiros e que unifique a linguagem num ambiente em que muitos querem distorcê-la.

Este é o melhor caminho para o legado que a Copa-SP deve deixar ao clube: uma equipe pronta para o decorrer da temporada, com atletas e equipe que tenham o perfil de jogo do futebol moderno.

E no dia-a-dia dos treinadores, a busca pela excelência em todas as suas obrigações que vão além de pensar e executar o treino: a solução de conflitos, os relacionamentos, os contatos, a análise de materiais de jogadores, “os inúmeros não”, “os alguns sim” e a luta constante pela sobrevivência no mercado. E ainda insistem em dizer que é fácil ser treinador de futebol…

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 17:04

As concentrações e o mau uso dos recursos no futebol

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Só é possível jogar bem se concentrar?

Algumas verdades do futebol são, para muitos, inquestionáveis. A necessidade da concentração de todos os jogadores convocados de uma equipe na véspera de um jogo (ou até na antevéspera) é uma delas.

Para grande parte da diretoria, comissão técnica, torcedores e inclusive dos próprios jogadores, concentrar-se em hotéis, com conforto, mordomias, refeições à disposição, conexão à internet, TV por assinatura, entre outras regalias, é pré-requisito para o bom desempenho.

Esta prática, realizada empiricamente, é onerosa para os clubes e mesmo assim mantida em virtude da importância cultural de sua realização.

Como o futebol brasileiro vive um momento de constantes reflexões, seja pelo novo vexame do nível de jogo de muitas equipes brasileiras em relação ao futebol europeu (previsto, mas não ocorrido na Copa das Confederações e evidente nas recentes turnês das equipes brasileiras na Europa), ou até pela conduta do coordenador técnico das categorias de base da seleção, Alexandre Gallo, que pretende implantar uma nova mentalidade nas jovens promessas do país, o momento é pertinente para mais esta discussão.

Dos clubes grandes aos pequenos, dos que disputam competições nacionais aos que disputam somente as estaduais, da primeira a última divisão, as concentrações (mais ou menos custosas dependendo dos recursos do clube) sempre estão em pauta como despesas inevitáveis.

Como sabemos, as despesas de um clube de futebol são diversas em cada um dos seus departamentos. Fisioterapia, Nutrição, Fisiologia, Técnico, Administrativo, Financeiro, Operações e Marketing. Será que os gastos com concentração não seriam melhor alocados se investidos nos diferentes setores do clube?

Clubes pequenos sofrem com departamentos médicos em péssimas condições, mas não abrem mão da receita para concentração. Não oferecem suplementação, mas no Sábado tem uma delegação com 30 concentrados para o jogo de Domingo. Tem academias precárias, mas compensam com a hospedagem na véspera dos jogos. Não investem em recursos para o controle da carga de treinamento, porém gastam excessivamente com hotéis. Não possui psicólogo no corpo técnico, mas acredita na “concentração”. Existem ainda muitos outros exemplos: ônibus próprio, salários atrasados, manutenção do estádio, etc.

Se as implicações da prática da concentração tivessem impactos somente financeiros/estruturais, os prejuízos seriam reparáveis; no entanto, o principal problema é humano. Da ocupação do tempo e do nível de consciência dos nossos atletas.

O fato é que até o jogador de hoje das nossas categorias de base espera ansiosamente pelo momento em que, após o treinamento na véspera de um jogo, ele e toda a delegação se enfurnem num hotel para passarem horas e horas ociosas. Ou cometemos o ledo engano de pensarmos que os atletas ficam o tempo todo refletindo sobre o jogo do dia seguinte?

Vários são os motivos que perpetuam as concentrações. Como principais, apontam-se a pressão pelas vitórias (que não permite espaço para “pouca concentração”) e a conduta do jogador brasileiro, boêmio, “da noite” e descompromissado.

Os que apontam os motivos esquecem que preparar-se para jogar bem é um exercício que independe do quanto de conforto é oferecido ao atleta. Um simples espaço em que ele tenha condições de projetar imagens mentais positivas do confronto é suficiente. Além disso, ensiná-lo a controlar a respiração, a se conhecer, a sentir-se e a “esvaziar” a mente pode ser muito mais eficiente que um dia todo habitado num quarto de hotel amontoado de aparatos tecnológicos que lhe fazem passar o tempo.

Repetir um processo enraizado em todas as divisões do futebol brasileiro é mais simples que tentarmos buscar novas soluções, mais complexas, mais profundas e que exigem maior reflexão. Nossa e dos jogadores.

Nós, profissionais do futebol e inseridos nesta cultura, deveríamos fazer o melhor para ressignificar a modalidade, da gestão à área técnica. Para isso, uma mentalidade inovadora, transformadora e disposta a quebrar paradigmas é fundamental. Qual a sua opinião sobre a concentração?

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:34

O nosso futebol está mudando os rumos! E você?

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Profissionais atualizados tem cada vez mais espaço nos clubes do futebol brasileiro

ClubesCorinthians-SP, Mogi Mirim-SP, São José-SP, Penapolense-SP, Grêmio Osasco-SP, Fragata-RS, Paulínia-SP, Desportivo-SP, Portuguesa-SP, União Frederiquense-RS, Red Bull-SP, Atlético-MG, Grêmio-RS, Águia Negra-MS, Ypiranga-PE, SEV-SP, Nova Iguaçu-RJ, Audax-SP, Bragantino-SP, Joinville-SC, Ubaense-MG, Ituano-SP, Bahia-BA, São Paulo-SP, Serrano-RJ, Taubaté-SP, Caldense-MG, Barra-SC, Vasco-RJ, América-MG, Rio Preto-SP, Cabense-PE, Guarani-SP, Guarani-MG, Desportivo-MG, São Bento-SP, Coritiba-PR, Desportiva-ES, Pelotas-RS e Vitória-BA.

A lista acima se refere aos clubes brasileiros que possuem pelo menos um funcionário atualizado em relação às tendências do treinamento em futebol. Os contatos estabelecidos com cada um dos profissionais destes clubes vão de uma simples troca de cartões de visita numa apresentação pessoal a longas discussões por e-mail ou pessoalmente sobre a aplicação do treino na modalidade. Seguramente, existem outros clubes espalhados pelo país que possuem colaboradores com o mesmo perfil profissional, porém, que ainda não obtive nenhuma aproximação, mesmo que mínima.

Estamos acostumados a criticar severamente (com critérios) o futebol brasileiro e todo o ambiente que compreende a cadeia produtiva das equipes. Limitações gerenciais, estruturais, financeiras e técnicas atrasam o futebol brasileiro e limitam a qualidade atual do espetáculo quando comparado ao predominantemente evoluído futebol europeu. O fato é que este atraso e limitação qualitativa nos posicionam, merecidamente, na pior colocação no ranking de seleções de toda a história, o décimo nono lugar.

É fato também que a posição atual do ranking, apesar de representar o momento da nação, é reflexo do passado e do projeto de futebol do país nos últimos dez, quinze, vinte anos. Apesar do mau posicionamento atual, é preciso mencionar que os passos necessários para retomarmos o topo (em dez, quinze ou vinte anos) já começaram a ser dados. Não por todos aqueles que deveriam e tampouco na direção mais coerente, da gestão para o corpo técnico, no organograma dos clubes de futebol.

As quase quarenta equipes mencionadas no início da coluna dão segurança para a afirmação de que estamos mudando os rumos. Profissionais muito capacitados, que prescrevem treinos atualizados e constroem equipes atualizadas, estão presentes em diversos estados do país, divisões e categorias. Além disso, está cada vez mais frequente o posicionamento da imprensa (que aos poucos também tem se atualizado) sobre o atraso do nosso jogo. Inclusive grandes treinadores, como Autuori e Parreira em declarações recentes, têm exposto opiniões que refletem o processo de mudança que estamos inseridos.

Somam-se a todos estes profissionais, centenas de estudantes, recém-formados, professores de escolinhas, de futsal e quem sabe ex-jogadores, devidamente atualizados e ávidos por uma oportunidade profissional no futebol de campo.

Peço desculpas se deixei de mencionar algum clube em que eu conheça, mesmo que minimamente, um profissional atualizado em relação ao treinamento em futebol. Se você acredita que está atualizado e ainda não estabelecemos nenhum contato profissional, não deixe de me escrever, pois temos uma longa missão em prol do futebol brasileiro e, por fim, se você acha que tudo isso é bobagem e que os rumos do nosso futebol não vão mudar, cuidado. Quando você notar poderá ser tarde demais…

Written by Eduardo Barros

23 de abril de 2013 at 13:54

Algumas propostas de calendário para as categorias de base de SP

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Adequações no modelo da federação paulista pode potencializar a formação competitiva dos atletas

FPFNo dia 26/03/2013 ocorrerá o Seminário Calendário do Futebol. Organizado pela Brasil Sport Market, com realização da Pluri Consultoria e Trevisan Escola de Negócios, o seminário irá debater algumas questões referentes à elaboração de um calendário mais adequado e eficiente para o futebol brasileiro.

Aproveitando a temática e com o intuito de estender a discussão às categorias de base, a coluna desta semana proporá adequações na disputa do Campeonato Paulista sub-15 e sub-17.

Nesta semana, foi divulgada no site da federação a proposta para a competição de 2013, que terá 78 equipes. Divididas em 8 grupos com 8 equipes e outros 2 com 7, neste formato, os clubes disputarão no mínimo 12 e no máximo 28 partidas.

Após o término da primeira fase, no dia 06/07, restarão 32 equipes, equivalente a 41% dos participantes.

Seis jogos compõem a segunda fase, classificando-se as duas melhores equipes de cada um dos 8 grupos formados. Na sequência da competição, disputam-se as oitavas, as quartas, as semifinais e a final.

O fato é que numa das melhores competições das categorias de base do país, em que muitos clubes (devido aos escassos recursos financeiros) jogam somente ela ao longo do ano, após o dia 06/07 teremos aproximadamente 1380 atletas em formação sem atividades competitivas de alto nível. Para compor este cálculo, basta multiplicar as 46 equipes eliminadas por 30, que é o número médio de atletas em um elenco.

Com as eliminações da primeira fase, fatalmente grandes atletas em potencial serão prejudicados, pois serão eliminados precocemente da competição. Para exemplificar, o grupo 7 (classificado por um companheiro de profissão como o “grupo da morte”) é formado pelas equipes Audax, Bragantino, Juventus, Guarani, Paulista, Red Bull, Atibaia e Palmeiras e somente 3 terão lugar na próxima fase. Como pode ser observado, por consequências do regulamento, equipes tradicionais nas competições das categorias de base não terão o que competir durante boa parte do segundo semestre.

Diante disso, será que é possível pensar num outro formato para a competição que além de manter a qualidade, dê maior oportunidade de jogos aos jovens atletas?

Sabemos da importância da competição para a formação esportiva, logo, nada mais coerente que proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento dos atletas com um maior número de jogos. Sob este viés, tentando privilegiar um maior número de equipes classificadas e/ou o número mínimo de jogos sem estender o calendário por muitas rodadas, seguem, abaixo, algumas propostas para as competições sub-15 e sub-17 da FPF, considerando as 78 equipes registradas em 2013.

Proposta 1

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 16 grupos de 2. Classifica-se a equipe com maior pontuação em dois jogos (ida e volta)

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), porém, o número mínimo de jogos sobe para 18 ou 19, dependendo do grupo. Este aumento proporciona, pelo menos, 28% mais jogos (para equipes que jogariam 14 jogos e passariam a jogar 18), chegando até a 58% (para equipes que jogariam 12 jogos e passariam a jogar 19). As equipes que chegarem à final terão disputado 28 ou 29 jogos.

Proposta 2

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo após dois turnos (ida e volta).

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta também se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), com o mesmo número mínimo de jogos da proposta anterior. Difere somente na segunda fase, em que ao invés de disputarem somente dois jogos, formam-se grupos de 4 e disputam um total de 6 jogos.

Proposta 3

Primeira Fase: 6 grupos de 10 e 2 grupos de 9. Classificam-se 5 equipes por grupo.

Segunda Fase: 40 equipes divididas em 10 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 4 por índice técnico.

Terceira Fase: 24 equipes divididas em 6 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: 12 equipes divididas em 3 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 2 por índice técnico.

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

O número de equipes classificadas sobe para 40, representando um aumento de 10% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 16 ou 18, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 31 ou 33 jogos.

Proposta 4

Primeira Fase: 6 grupos de 11 e 1 grupo de 12. Classificam-se 6 equipes por grupo mais 2 por índice técnico.

Segunda Fase: 44 equipes divididas em 11 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 10 por índice técnico.

Terceira Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

Na última proposta o número de equipes classificadas sobe para 44, representando um aumento de 15% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 20 ou 22, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 34 ou 36 jogos.

Obviamente muitos fatores precisam ser considerados (administrativos, estruturais, financeiros, logísticos) tanto da federação, como dos próprios clubes, para que seja realizada alguma mudança. Somente para citar um exemplo caso um dia o calendário se modifique, talvez deva ser mais prudente inverter os jogos destas categorias (sábado de manhã) com os juniores (sábado à tarde), pois com o maior número de partidas e, por consequência, viagens, uma maneira de diminuir os custos é não gastar com hospedagem, logo, viajar no dia. Para a categoria sub-20, mais próxima do profissional, é pré-requisito um maior investimento.

Enfim, caso um dia o calendário se modifique, ganham os atletas que poderão fazer por mais tempo o que mais gostam no melhor ambiente de aprendizagem existente; os clubes, pois terão mais tempo para avaliar especificamente os seus jogadores; os gestores de campo, pois poderão permanecer empregados por mais tempo; e no longo prazo pode ganhar o futebol brasileiro, pois com bons trabalhos cada vez mais frequentes desenvolvidos nas categorias de base do estado, teremos como produto final atletas com excelência de formação e com muita experiência competitiva.

Aguardo opiniões e outras propostas.

O peso das derrotas

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Algumas reflexões a partir de um difícil momento profissional

Caros leitores,

DerrotaTrabalhar no futebol é conviver diariamente com a instabilidade profissional. Seja por questões políticas, administrativas ou técnicas, motivos (???) não faltam para que ocorram trocas constantes nas milhares de comissões técnicas espalhadas pelo país. Como sabemos, um motivo em particular potencializa tal instabilidade: as derrotas.

E é sobre elas que discorrerei esta semana.

Sentar, refletir e escrever quando os resultados são favoráveis é muito mais simples. As ideias surgem com fluidez, os argumentos não faltam e as vitórias (para muitos, somente elas) respaldam cada parágrafo que vai sendo produzido.

Se na última temporada a equipe em que trabalho foi derrotada somente por três vezes em vinte e oito jogos, no cenário atual, após quatro partidas, os três resultados negativos consecutivos (3×0; 3×4 e 3×2) já se equivalem aos reveses de 2012.

Tais resultados negativos causaram reações diversas em todos (imprensa, diretoria, atletas, comissão técnica, torcida). Da insegurança dos jogadores à revolta da imprensa que já questionou a permanência do treinador, o momento pede que a derrota seja bem gerida. Para uma boa gestão do fracasso temporário, analisar TODO o ambiente e tentar ser preciso nos procedimentos até o jogo seguinte é fundamental.

Durante a análise do ambiente, muitas reflexões vêm à mente sobre o que fazer diante das derrotas. Eis algumas delas:

Será momento de mudar a maneira que o trabalho é conduzido? Será momento de achar culpados e transferir as responsabilidades do resultado negativo? Será momento de rebater as críticas que temos recebido? O momento pede (tentativas de) substituições significativas no Modelo de Jogo? O momento pede mudanças de jogadores? O momento pede cobranças excessivas aos jogadores? O momento pede contratações?

Além destas, inúmeras outras perguntas certamente renderiam horas e horas de discussão. Como no futebol não há muito tempo para conversa, após um bom diálogo com o treinador, iniciamos os trabalhos da semana cientes de nossas funções na tentativa de revertermos o quadro atual.

É uma semana de pressão, que deve ser amenizada pela comissão para que os jogadores não transportem esta carga para o jogo de domingo. É uma semana de muito trabalho, nem mais, nem menos que nas semanas anteriores, “apenas” muito trabalho. Semana de um maior número de intervenções, de reforços positivos, de feedbacks.

Semana em que a crise não pode ser instalada, a cobrança deve incentivar a melhora e que a vontade de vencer potencializada no ambiente de treino não se confunda com desespero ou desorganização.

É também uma semana de ouvir os jogadores, escutar o que estão pensando, como estão se sentindo e como estão lidando com a adversidade. Ouvir sugestões de melhorias para o desenvolvimento do trabalho pode deixá-los confortáveis para desempenharem o seu melhor.

Você que trabalha com futebol profissional provavelmente já deve ter passado por situações, sentimentos e sensações semelhantes. Como você se comportou? Para você que almeja trabalhar, prepare-se, pois lidar com as derrotas, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

A partir do dia 17/02 todos saberão se os primeiros passos para a reabilitação foram dados. Se sim, estejam certos que um grande peso (o das derrotas) terá saído das costas de todos. Se não, vamos erguer a cabeça e continuar buscando soluções cientes de que fizemos o melhor que poderíamos.

Encerro afirmando que o que escrevi referente à maneira de enfrentar/interpretar as derrotas advém de opiniões formadas por experiências profissionais e pessoais diversas. Leituras, relacionamentos, acertos, erros, práticas, vivências, estudos, formam a totalidade que é a minha existência, expressa, neste caso, na minha atuação profissional.

Que as minhas opiniões não sejam consideradas uma verdade absoluta e que as derrotas nos sirvam, no mínimo, de aprendizado.

Até a próxima semana!

Written by Eduardo Barros

18 de fevereiro de 2013 at 13:17

Algumas reflexões sobre sua atuação profissional

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Suas reações e intervenções aproximam sua equipe das vitórias? 

TécnicosReorganizar-se, adequar planejamentos pessoais e profissionais, redefinir metas e refletir sobre os comportamentos em diferentes situações do cotidiano devem ser práticas corriqueiras de quem busca a excelência pessoal. Porém, muitas pessoas deixam (quando deixam) tais práticas somente para o curto período dos votos de Ano Novo. Então, aproveitando tanto o público que se atualiza constantemente, como aquele que procura atualizações pontuais, escrevo a coluna desta semana trazendo reflexões (já que não tenho as respostas) relativas às suas intervenções profissionais.

Meses atrás foi discutida numa coluna, a resposta emocional dada pelos jogadores nas diferentes circunstâncias que acontecem num jogo de futebol. A partir destas respostas (que somente são observadas jogando), foi mencionado que uma comissão técnica tem informações valiosas para intervir individualmente, com o intuito de aperfeiçoar o jogar coletivo. Tal aperfeiçoamento é um dos grandes objetivos de um treinador, logo, conseguir dar vida a sua ideia de jogo e fazer com que ela seja reproduzida o maior tempo possível poderá aproximar sua equipe da vitória.

Sabidamente, a expressão coletiva do referido jogar pretendido é um reflexo de tudo que o técnico e sua comissão têm construído no dia a dia de treinamentos e nos jogos anteriores.

Esta construção é feita a partir de cada abordagem, preleção, sessão de treino, cobrança, conversas individuais ou quaisquer outras situações passíveis de intervenção.

Em tempos em que estão cada vez mais frequentes as discussões sobre as tendências da metodologia de treinamento, não podemos abrir mão da discussão de outras variáveis que, com maior ou menor magnitude, influenciam no resultado final de um jogo. Uma dessas variáveis se refere as suas respostas emocionais e intervenções diante dos variados problemas expostos pela sua respectiva equipe.

Pergunto: Você dedicou algum tempo para analisar como reagiu frente aos problemas de sua equipe no ano de 2012?

É bastante comum, para cada uma das situações que surgem no cotidiano de treinos e jogos, transferirmos a responsabilidade dos problemas exclusivamente aos jogadores. Dessa forma, observam-se nos treinadores reações diversas como irritações, lamentações, raiva, nervosismo, entre outros comportamentos que exteriorizam a insatisfação com o desempenho da equipe.

Será que os jogadores são os únicos responsáveis pelos erros?

Será que alguns caminhos e escolhas utilizados pela comissão, ao invés de contribuírem com a evolução da equipe, reforçam e potencializam os erros?

Como apontei no início, infelizmente, não tenho as respostas. Tenho inclusive, mais perguntas…

Sugiro que façam um exercício de resgate de suas reações e intervenções no ano de 2012.

Quantas vezes você teve que gritar com seus jogadores para que cumprissem determinada função do Modelo de Jogo?

Quantas vezes você deixou de gritar com seus jogadores por eles não cumprirem determinada função do Modelo de Jogo?

Quantas vezes você narrou o jogo de sua equipe para que ela jogasse melhor?

Quantas vezes você deixou de narrar o jogo de sua equipe para que ela jogasse melhor?

Quantas vezes você faltou com respeito com algum jogador?

Quantas vezes algum jogador lhe faltou com respeito?

Quantas vezes você minou a formação de “panelas” no grupo?

Quantas vezes você consentiu a formação de “panelas” no grupo?

Quantas vezes você chamou “de canto” aquele jogador que tem errado excessivamente nos treinamentos?

Quantas vezes você deixou de chamar “de canto” aquele jogador que tem errado excessivamente nos treinamentos?

Qual a quantidade das intervenções realizadas numa sessão de treinamento?

Qual a qualidade das intervenções realizadas numa sessão de treinamento?

Como você reagiu diante daquele jogador “boleirão”?

Como você reagiu diante daquele jogador ansioso?

Como você reagiu diante daquele jogador medroso?

Como você reagiu diante daquele jogador preguiçoso?

Como você reagiu diante daquele jogador polêmico?

Como você reagiu diante daquele jogador imaturo?

Como você reagiu diante daquele jogador nervoso?

Como você reagiu diante do jogador líder?

Como você reagiu diante do jogador esforçado?

Poderia continuar elaborando perguntas que remetem às suas intervenções e reações. Porém, as indicadas acima já são suficientes para um bom exercício de autoconhecimento.

Quem sabe um dia todos os profissionais do futebol entendam que se recorrermos à capacitação e à formação continuada, estudando diversas disciplinas que se relacionam com o futebol, teremos mais ferramentas para extrairmos o melhor de cada um dos nossos atletas. Se esse dia chegar, teremos em mente que antes de retirarmos o melhor do outro, precisamos retirar o melhor de nós mesmos.

Enquanto isso, alguns poucos treinadores refletem constantemente sobre a prática e outros reproduzem comportamentos sem o mínimo exercício de reflexão. Todos, no entanto, agem como atratores do sistema “jogo de futebol” e atraem a configuração das suas respectivas equipes. Pergunto novamente:

Você atrai a configuração da sua equipe para as vitórias?

Abraços e boas reflexões…

Written by Eduardo Barros

14 de janeiro de 2013 at 22:56

Copa do Mundo de 2014: seremos campeões?

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Diante de todos os acontecimentos, como você se posiciona em relação ao cenário atual do nosso futebol? 

Copa 2014Para a maioria dos brasileiros a conquista do hexacampeonato mundial é uma obrigação. Jogando em casa e com Neymar no elenco, resta ao treinador convocar mais vinte e poucos jogadores e motivá-los, com seu espírito vitorioso, a fim de que o talento nato dos nossos atletas apareça. Precisamos desses talentos para decidir as partidas nos equilibrados jogos que, atualmente, só podem ser definidos através de jogadas individuais.

O trecho anterior é somente um exemplo dos milhares de equívocos que são pronunciados e praticados dia após dia em nosso futebol.

E você, profissional (ou não) da modalidade, como se posiciona diante desses equívocos? Colabora para que eles aconteçam? Simplesmente observa e caminha para a direção que lhe for mais conveniente em determinada situação? Ou defende e pratica, arduamente, mudanças em todos os âmbitos deste esporte?

O futuro do futebol depende, diretamente, do nosso posicionamento.

Optar pelo caminho da mudança, norteado pelo necessário processo de transformação do futebol brasileiro, é um dos desafios de quem pretende seguir carreira neste mercado que, como muitos outros, é influenciado constantemente por conflitos administrativos, políticos, de interesses e de disputa pelo poder.

Todos estes conflitos impactam na área técnica da modalidade. A demissão de Mano Menezes é um exemplo recente deste impacto, neste caso, de grande magnitude. O fato é que, maiores ou menores, tais impactos definem um cenário atual repleto de limitações e complicações que atrasam a evolução do nosso futebol. Como exemplos deste cenário, acompanhem os tópicos abaixo:

 

  • Pouquíssimos profissionais do futebol foram      formados no ano de 2012. Num país que possui milhares de treinadores,      quais são as políticas educacionais para capacitarmos os gestores de      campo?  Entendam que a solução não      está nos cursos de graduação em educação física. Precisamos de iniciativas      e formações específicas (de qualidade) para a modalidade.
  • Alguém que pretende trabalhar com futebol,      mas não está inserido no mercado por não ter sido ex-atleta, não teve (ou      teve mínima) oportunidade de entrevista de emprego no presente ano. Seguramente      seu CV não faz parte do banco de dados da maioria dos clubes de futebol      brasileiros, pois tudo isso é desnecessário, uma vez que as contratações      acontecem quase que exclusivamente por indicações e influências.
  • Os trabalhos de pré-temporada para os      estaduais 2013 já começaram e muitas equipes negam-se a fazer amistosos,      pois estão em períodos de somente treinos físicos. Dentre esses treinos,      encontram-se os tiros de 1000 metros e os treinos na “caixa de areia”.
  • Clubes tradicionais do futebol brasileiro      ainda não contam com um departamento de análise de jogo e participam de      uma das melhores competições do futebol nacional sem um conhecimento      aprofundado do adversário e, inclusive, da própria equipe.  Equipes vencem, empatam e perdem sem      conhecerem os reais motivos para os respectivos resultados.
  • Em tempos de gestão eficaz, na busca por      melhores resultados mesmo com redução de custos, clubes gastam milhares de      reais acomodando jogadores em hotéis de luxo como única alternativa      possível para aumentar o nível de concentração dos jogadores na tentativa      de escaparem do rebaixamento.
  • Por mais que um determinado profissional      estude, se capacite, faça estágios, cursos e dirija uma equipe com      sucesso, um ex-jogador sempre, mesmo sem qualquer capacitação além de ter      sido atleta, está mais credenciado para uma função técnica.
  • Na grande maioria dos clubes, em todas as      categorias, o único valor considerado é o do resultado de campo. Egos      “inflados”, incapacidade administrativa e pressão criada pela nossa      cultura, são elementos que contribuem para a valorização excessiva da      vitória.
  • Elencos inteiros são formados a partir de      interferências diretas de agentes, empresários e dirigentes em função de      benefício financeiro próprio e não na busca do melhor para o clube.
  • A troca de comissões é uma constante e      raríssimos são os clubes que oferecem plano de carreira. O seu trabalho      pode ser interrompido (e será em algum momento) ainda que as vitórias      apareçam.

 

Entender o cenário e ainda assim estabelecer um posicionamento favorável às mudanças é tarefa para poucos. Ter resiliência e persistência são características indispensáveis na tentativa de sobrevivência que compreende a luta diária de quem opta por esse caminho.

Felizmente, neste mesmo cenário (composto por limitações e complicações) é possível “enxergar uma luz no fim do túnel”, pois projetos de sucesso, mesmo que isolados, surgem no heterogêneo futebol brasileiro. Enderson Moreira, Ricardo Drubscky, Ney Franco e Tite são bons exemplos para identificar tais projetos. Bons argumentos, bons estudos e, principalmente, bom futebol!

Voltando à seleção brasileira, é melhor evitar qualquer opinião a respeito do substituto de Mano Menezes. O tempo (sempre ele) dirá se o preferido pelo povo era a melhor opção.

E para todo o povo, fiel torcedor e assumido treinador, pouco importa o que faremos até junho de 2014. Se após a competição o título for brasileiro, do alto da nossa arrogância, ostentaremos a hegemonia do futebol com seis títulos mundiais. Não terá importância o como, com quais métodos (se novos, ou novos-velhos) ou com qual treinador.

Já para os profissionais do futebol, que se importam muito com os acontecimentos até a próxima Copa e também com os acontecimentos futuros, deixo uma reflexão análoga aos conhecimentos sobre o jogo. Se nele tentamos dar maior previsibilidade a um ambiente que, por característica, é imprevisível, a fim de que nos aproximemos das vitórias, o conhecimento sobre o atual cenário nos permite opinar sobre o desempenho previsto do Brasil na Copa de 2014:

Fica, então, a questão: seremos campeões?

Written by Eduardo Barros

2 de dezembro de 2012 at 17:35