tecnicoeduardobarros

Temas atuais relacionados ao Futebol

Archive for the ‘Relatório de Jogo’ Category

Elementos táticos do acesso

with 4 comments

Evolução dos comportamentos de jogo do Novorizontino na campanha do Paulista 2012

Este espaço já foi utilizado em diversas ocasiões para a análise do desempenho de algumas equipes do futebol brasileiro e mundial. Encerrada a participação do Grêmio Novorizontino no Paulista da 2ª divisão (quarta ao considerar as séries A1, A2 e A3), é momento desta equipe ser analisada, tanto em pontos fortes como em pontos fracos, nos comportamentos de jogo evidenciados ao longo da competição.

Apesar de não ter ido à final, o Novorizontino obteve a 2ª melhor campanha de toda a competição nos 28 jogos que disputou, somando 59 pontos em 17 vitórias, 8 empates e  3 derrotas. Com 70,2% de aproveitamento, ficou atrás somente do Votuporanguense que com 66 pontos e 78,5% de aproveitamento é o time finalista ao lado do São Vicente.

A equipe comandada pelo técnico Élio Sizenando marcou 44 gols e sofreu 17.

Abaixo, detalhes táticos circunstanciais aparentemente menos palpáveis, mas não menos importantes, da campanha que levou o Novorizontino à série A3 do Campeonato Paulista em 2013. As oito primeiras fotos correspondem aos problemas coletivos que precisavam de correção e as demais, aos comportamentos esperados pela Comissão Técnica para que as ideias de jogo do treinador se impusessem perante os adversários.

Foto 1 – Volantes ocupando o mesmo espaço e cobertura ofensiva inexistente.

Foto 2 – Lentidão para subir o bloco com a equipe em posse no campo de ataque.

Foto 3 – Zagueiros recuados. Pouca amplitude e profundidade, reduzindo o espaço efetivo de jogo.

Foto 4 – Organização defensiva zonal sem pressão setorial onde se encontra a bola.

Foto 5 – Chegada ao alvo adversário com número insuficiente de jogadores.

Foto 6 – Balanço defensivo organizado, mas equipe sem amplitude do lado oposto à bola.

Foto 7 – Jogador nº9 se centra excessivamente na bola, o que dá pouca profundidade à equipe.

Foto 8 – Estruturação de espaço ruim dos zagueiros e volantes, o que dificulta a posse contra equipes de postura muito defensiva.

Foto 9 – Organização Defensiva zonal em escanteios adversários fechados.

Foto 10 – Organização Defensiva zonal em escanteios adversários abertos.

Foto 11 – Organização Defensiva zonal com pressão na região em que se encontra a bola.

Foto 12 – Aproximação entre linhas da equipe quando sem bola e posicionamento adiantado do goleiro para coberturas defensivas.

Foto 13 – Pouco espaço no interior da equipe com redução de espaço e tempo para ação do adversário, além de marcação dos setores/jogadores perigosos entre bola e alvo.

Foto 14 – Elementos fundamentais para o sucesso defensivo:

1º Equilíbrio defensivo do meia aberto do 1-4-4-1-1 sem bola;

2º Fechar linhas de passe para dentro e pressionar em espaço e tempo o adversário com bola;

3º Fechar linhas de passe para trás e pressionar em espaço e tempo o adversário com bola;

Foto 15 – Buscar superioridade numérica e forçar o adversário “pensar” para trás.

Foto 16 – Eficaz proteção da zona de risco para uma das ações adversárias mais utilizadas: cruzamento.

Foto 17 – Retardamento da ação adversária para permitir a recomposição da linha de jogadores do meio campo e defesa.

Foto 18 – Após recuperação da posse, meias abertos viram atacantes em 1-4-3-3 e ocupam espaços deixados pelos adversários que não subiam o bloco.

Foto 19 – Chegada ao alvo adversário com número suficiente de jogadores mesmo em transição ofensiva.

Foto 20 – Organização ofensiva em 1-4-3-3, com ampliação do espaço efetivo de jogo.

Foto 21 – Ter sempre linhas de passe abertas com a equipe em posse no campo de ataque.

Foto 22 – Aproveitar espaços no interior das equipes que se organizavam defensivamente em “reação” e, predominantemente, marcavam de forma individual.

Foto 23 – Chegada à zona de risco pelos volantes, sobretudo nas equipes excessivamente recuadas.

Foto 24 – Atacantes abertos se movimentam no corredor central para atraírem a marcação individual e gerarem espaços livres nos setores opostos à bola.

Foto 25 – Chegada ao alvo adversário com número suficiente de jogadores com posse em progressão.

Foto 26 – Bloco Ofensivo, amplitude, profundidade, linhas de passe abertas e a posse de bola. Comportamentos de jogo ofensivos que originaram 22 gols (50%) da equipe.

Foto 27 – Tentativa de recuperação imediata após a perda.

A Comissão Técnica espera que a evolução da equipe seja uma constante, uma vez que o nível da competição no ano seguinte será superior. Desta competição, as lições práticas que ficam não fogem das correntes teóricas amplamente discutidas pelos estudiosos do futebol.

Abaixo, um vídeo com parte da campanha do Novorizontino numa palestra feita no jogo mais importante do ano, contra a equipe do Fernandópolis, pela penúltima rodada da quarta fase.

http://www.youtube.com/watch?v=9V3B_UMegOQ

Quem tiver dúvidas ou quiser saber mais informações da campanha, do Modelo de Jogo, do dia-a-dia dos treinamentos, da análise dos adversários e equipe com o software TacticalPad ou até do modelo de periodização utilizado, escreva-me.

Abraços e até a próxima semana.

Anúncios

Novorizontino – Campanha do Acesso – Campeonato Paulista 2ª Divisão 2012

leave a comment »

Segue, abaixo, link com parte da campanha da equipe profissional do Grêmio Novorizontino, comandada pelo técnico Élio Sizenando, em 2012.

http://www.youtube.com/watch?v=9V3B_UMegOQ

Na próxima semana, os elementos táticos do acesso.

 

Written by Eduardo Barros

6 de outubro de 2012 at 10:34

A análise do Modelo de Jogo

leave a comment »

 

 

Obtenha informações precisas da sua equipe

A competição é o meio ideal para o acompanhamento da evolução do Modelo de Jogo de uma equipe. Nela é possível analisar o desempenho individual e coletivo em cada um dos momentos do jogo. Quanto melhores forem as ferramentas de análise, mais precisas serão as informações que o treinador terá em mãos para a elaboração de seu planejamento semanal.

Melhores ferramentas de análise não significam, necessariamente, as com grande poderio tecnológico. Como já foi abordado em outra coluna, é possível estabelecer uma leitura ampliada de uma equipe dispondo somente de um papel e uma caneta. Basta um significativo aprendizado tático do jogo de futebol.

Posto isso, como você analisa sua equipe?

Somente quantifica passes, desarmes, lançamentos e finalizações?

Suas ferramentas de análise estão proporcionando informações precisas do seu Modelo de Jogo?

Já se preocupou em quantificar elementos qualitativos do seu jogar?

Na tese do treinador Rodrigo Leitão (2009), podem ser observados alguns comportamentos de jogo que foram analisados ao longo de 18 partidas oficiais de uma equipe sub-17 e que servem como exemplos para uma proposta de análise qualitativa do Modelo de Jogo.

Os comportamentos analisados pelo treinador foram o de tempo para a recuperação da bola, tempo para a recomposição da equipe ao meio campo, número de chutões da própria equipe, número de chutões do adversário, êxitos na primeira bola, êxitos na segunda bola e zonas de maior incidência de desarmes e de interceptações.

De acordo com o Modelo de Jogo idealizado, o objetivo era que cada um dos itens apresentasse uma resposta específica ao término das 18 partidas. Eram elas: redução do tempo de recuperação da posse de bola para valores próximos de 5 segundos; redução do tempo de recomposição à linha 3; diminuição para valores próximos do zero do número de chutões da sua equipe e aumento do número de chutões do adversário; aumento do percentual de êxito nas “primeiras” e “segundas” bolas, visto que ocorreriam com maior frequência em virtude do aumento de chutões dos oponentes e maior incidência de desarmes nas faixas laterais ofensivas e de interceptações no campo de defesa.

Cometerá um equívoco quem, a partir de agora, reproduzir estes elementos qualitativos na análise de suas equipes. Afinal, tais comportamentos fazem sentido às ideias de jogo de Rodrigo Leitão (sintetizadas em sua tese), para a equipe em questão e que podem não ter nenhuma similaridade com as suas (ideias e equipe).

Acertará quem, a partir deste estudo, refletir sobre como adaptá-lo a sua realidade. Com os exemplos citados, fica evidente que elementos não faltam para compor uma boa análise. Antes de tal análise, no entanto, espera-se a definição de um Modelo condizente com os princípios de jogo do futebol moderno.

Infelizmente, estes Modelos quase não são vistos na atualidade futebolística brasileira. O que vemos, por enquanto, é uma imprensa que enche os espectadores de números que dizem muito pouco sobre uma equipe, comentaristas que analisam fragmentos do jogo e treinadores que se alternam na dança das cadeiras do futebol brasileiro. Pagamos o caro preço dos Modelos ultrapassados.

Precisam emergir profissionais que busquem a evolução e lutem pela construção de um jogo que atenda às demandas do futebol competitivo.

Assim, ao invés de observarmos aquele “scout analfabeto” (como já bem afirmou Leitão), poderemos nos deparar com elementos como: o tempo gasto para repor a bola em jogo, o número de invasões à zona de risco, os setores de maior incidência de perda da bola ou o tempo para ultrapassar o meio campo com a equipe em posse.

Como você analisa sua equipe?

Aguardo sua resposta!

Written by Eduardo Barros

23 de setembro de 2012 at 17:46

O tempo de jogo e a formação do elenco

leave a comment »

Ferramenta técnico-administrativa pode favorecer adequada relação de custo x benefício da equipe

A formação de uma equipe para a disputa de uma competição ou temporada basicamente é feita da seguinte maneira:

  • Detecção dos atletas remanescentes da temporada anterior;
  • Promoção de atletas das categorias de base do clube;
  • Contratações diversas (de jogadores de “peso”, de carências, de indicados por empresários, de indicados pela comissão ou de indicados pela diretoria).

Com o elenco formado, a expectativa administrativa é que a relação custo x benefício obtida para cada atleta seja favorável. Um controle de competição que pode servir como uma ferramenta para o desenvolvimento da referida relação é o Controle de Tempo de Jogo. Nele, o departamento administrativo do clube tem dados interessantes para cruzar com as demais informações de cada jogador e, dessa forma, ser mais assertivo em decisões futuras relativas à formação do elenco.

No Controle de Tempo de Jogo, diversas classificações podem ser feitas por quem gerencia a planilha. Como sugestão, quatro classificações são estabelecidas de acordo com o percentual jogado referente ao tempo total da competição. São elas:

  • De 0% a 25% – Participação pequena;
  • De 25% a 50% – Participação média;
  • De 50% a 75% – Participação alta;
  • Acima de 75% – Participação muito alta.

No clube que trabalho atualmente, mais de 76% da competição já foi disputada, o que permite uma análise prévia dos dados. Dos 32 integrantes do elenco, a quantidade de atletas para cada uma das classificações segue indicada abaixo:

  • Participação pequena – 15 atletas (46,8%);
  • Participação média – 8 atletas (25%);
  • Participação alta – 4 atletas (12,5%);
  • Participação muito alta – 5 atletas (15,6%).

Para efeito de comparação, abaixo os dados de uma equipe sub-17 no ano 2011, com 34 atletas:

  • Participação pequena – 19 atletas (55,8%);
  • Participação média – 4 atletas (11,7%);
  • Participação alta – 5 atletas (14,7%);
  • Participação muito alta – 6 atletas (17,6%).

Como último exemplo, o Controle do Tempo de Jogo de uma equipe sub-15 no ano de 2010, com 29 atletas:

  • Participação pequena – 15 atletas (51,7%);
  • Participação média – 1 atleta (3,4%);
  • Participação alta – 7 atletas (24,1%);
  • Participação muito alta – 6 atletas (20,6%).

Estes dados interpretados isoladamente possibilitam algumas análises. Entre elas, que grande parte do elenco tem uma atuação inferior a ¼ da competição. Dado pobre se não for cruzado com outras informações.

Então, para um cruzamento que proporcione informações importantes à diretoria, mais uma sugestão é apresentada: a partir da quantidade de jogadores para cada classificação do Tempo de Jogo, a definição técnico-administrativa da expectativa de desempenho para cada atleta. Voltando para o elenco profissional que trabalho, na quarta divisão do futebol paulista (sub-23 com limite de três jogadores acima dos 23 anos, por jogo), os dados técnicos são os seguintes:

Dos 15 atletas com pequena participação:

  • 8 atletas têm entre 18 e 19 anos e era sabido que o tempo de participação na competição seria bem reduzido. Desses 8      atletas, 5 não atuaram, 2 atuaram tempos insignificantes e 1 atuou por 262 minutos;
  • 3 atletas têm 20 anos, ou seja, idade de juniores. Desses, 2 atletas têm potencial e estão se adaptando a filosofia de trabalho e 1 atleta operou de uma lesão crônica;
  • 3 atletas têm 21 anos. Com esta idade, podem jogar por mais dois anos esta divisão. Dos 3 atletas, 2 são reservas      imediatos de jogadores de linha que, hoje, compõem a “espinha dorsal do elenco” (5 atletas com participação muito alta) e 1 é reserva imediato do      goleiro. Os três atletas já atuaram por 297, 485 e 370 minutos;
  • 1 atleta tem 26 anos. Atleta acima da idade limite e contratado ao longo da competição para suprir uma carência da      equipe. Há 11 jogos na competição, desde que foi contratado atuou por 401 minutos.

Dos 8 atletas com participação média:

  • 5 atletas têm 20 anos. Desses, esperava-se maior atuação de um atleta, porém, por não ter se adaptado ao Modelo de      Jogo perdeu a condição de titular. Dois são titulares atualmente e  ganharam a posição ao longo da competição e os outros dois são reservas imediatos (1 já foi titular) de um dos meias e de um dos zagueiros. 2 atletas tem grande potencial de negociação, ou então, de serem parte da “espinha dorsal” na competição da próxima temporada;
  • 2 atletas têm 21 anos. Atletas que sabidamente seriam suplentes. Atualmente, 1 deles tem condição de brigar pela titularidade. Conforme mencionado, ainda podem jogar por mais dois anos essa divisão;
  • 1 atleta com 39 anos. Atleta de prestígio local e próximo de encerrar a carreira no clube em que foi projetado para o cenário nacional. Está fazendo sua última temporada e, pela idade elevada, era sabido que seu tempo de atuação seria reduzido. Atuou por 630 minutos.

Dos 4 atletas com participação alta:

  • 2 atletas têm 20 anos e ambos possuem grande potencial de negociação. O percentual de participação de um está bem      próximo da classificação “muito alta”. O outro atingiu a condição de titular na 8ª rodada e é o artilheiro da equipe;
  • 1 atleta tem 21 anos e também possui grande potencial de negociação. Por opção tática tem sido frequentemente      substituído, o que o exclui do grupo com maior participação;
  • 1 atleta de 23 anos. Idade limite para jogar a competição e sua permanência está diretamente relacionada ao acesso.      Como estava disputando outra competição, assumiu a titularidade quando chegou, após a 5ª rodada.

E, para finalizar, dos 5 atletas com participação muito alta:

  • 4 atletas têm 21anos. Desses, 1 tem grande potencial de negociação e os outros 3 podem compor a equipe base da      temporada seguinte. Esperava-se a regularidade de desempenho destes atletas;
  • 1 atleta tem 23 anos. Joga esta competição como titular pelo 4º ano consecutivo (2009-2012), é o capitão da equipe e      também era esperada esta regularidade. Sua permanência, porém, também está relacionada ao acesso à série A-3.

Como pode ser observado, somente alguns detalhes escaparam do planejamento inicialmente traçado. Resumidamente, da grande parte do elenco que não tem atuado, muitos são jovens com períodos de 2 a 5 anos para jogarem somente essa divisão caso o acesso não ocorra em 2012. Além disso, mesmo os jogadores titulares (salvo os atletas em idade-limite) poderão jogar esta divisão nas próximas temporadas. Sem contar o bom número de atletas do elenco com potencial de negociação.

Enfim, como tudo no futebol, a formação de um elenco é complexa e exige um bom número de decisões acertadas para ser mais uma das variáveis que apontam a favor do resultado positivo. É uma pena que muitas vezes essas decisões são banalizadas por “achismos”, opiniões sem embasamento e falta de critérios.

Os resultados desses equívocos todos nós sabemos: elencos “inchados”, caros, péssima relação custo x benefício para muitos jogadores em virtude dos altos salários para pouco tempo de atuação e, consequentemente, a mazela que atinge a grande maioria dos clubes brasileiros: as dívidas trabalhistas.

Parafraseando o executivo Ferran Soriano, ex-FC Barcelona e recém-contratado pelo Manchester City:

“a bola não entra por acaso”…

Written by Eduardo Barros

18 de setembro de 2012 at 11:49

Título do Brasileirão 2011: a missão

leave a comment »

Oito jogos anteriores, alguns dados e alguns treinos + oito jogos seguintes = ?? pontos

O aproveitamento do Corinthians nas últimas oito rodadas do Campeonato Brasileiro foi de 45,8%, com 3 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. O técnico Tite utilizou 22 jogadores nestes jogos, sendo que Júlio César, Alex, William e Danilo atuaram em todos, Leandro Castán, Paulinho, Alessandro, Jorge Henrique e Paulo André atuaram em sete, Ralf em seis, Fábio Santos e Edenílson, cinco, Liedson e Weldon em quatro jogos, Ramón, Emerson, Wallace e Ramires em três, Moradei, Chicão e Adriano em duas partidas e Morais apenas em uma.

A manutenção deste desempenho nas oito rodadas restantes não fará com que o título da competição nacional seja da equipe do Parque São Jorge, portanto, nas próximas semanas, as vitórias necessariamente deverão acontecer em maior número. Segundo cálculos feitos pela própria comissão técnica da equipe alvinegra, 5 vitórias e 2 empates, ou seja, 17 pontos e 70,8% de aproveitamento dos 24 pontos a serem disputados, são suficientes para a conquista da competição.

Neste período, somente a 35ª rodada acontecerá numa quarta-feira o que possibilitará sete semanas completas de treinamento com ocorrência de jogos somente aos sábados ou domingos. Semanas “cheias” de treinamento, significam um maior período de recuperação entre jogos e maior disponibilidade para a atuação do treinador nos denominados treinos aquisitivos.

Mais do que o desenvolvimento isolado de qualquer vertente do jogo de futebol nos jogadores e equipe, as próximas semanas devem ser de total preocupação sistêmica com o Modelo de Jogo, seus pontos fracos, seus pontos fortes e as intervenções estratégicas de acordo com cada adversário.

Então, considerando as oito rodadas anteriores da equipe corintiana, o que esperar da mesma nas oito rodadas finais do Campeonato Brasileiro 2011?

Estruturado preferencialmente em 1-4-2-3-1, a espinha dorsal do Corinthians será composta por Julio César, Alessandro, Paulo André, Leandro Castán, Ralf, Paulinho, Alex, William. As quatro vagas restantes, serão definidas semana a semana pelo técnico Tite que, entre outras decisões, deverá gerenciar as lesões de alguns jogadores e até a pressão da imprensa e torcida por Adriano.

Optar por Emerson e Liedson, que provavelmente perderão muitos treinos aquisitivos por tratarem suas respectivas lesões, ou então por Danilo ou Jorge Henrique, que causam alterações funcionais no sistema corintiano, são alguns dos questionamentos que o treinador terá que fazer.

Na organização defensiva, o comportamento padrão tem sido uma marcação com referências zonais a partir da Linha 3, que pode ser adiantada de acordo com o placar do jogo ou atuação como mandante. Nesta fase do jogo, Paulo André e Leandro Castán dão muita segurança à primeira linha defensiva, com ótima proteção do alvo. Ambos, dificilmente caem às faixas e são muito eficientes no jogo aéreo. Com o suporte da linha de volantes, atacar o Corinthians pelo corredor central com passes curtos tem sido muito difícil. Uma das limitações nesta fase do jogo passa por dar melhor posicionamento a William e Jorge Henrique que, por vezes, assumem referência individual de marcação percorrendo espaços (e cansando) desnecessários. Outro ponto que merece atenção, devido à ausência de Fábio Santos, é o desequilíbrio setorial que pode ocorrer caso a função seja feita pelos jovens Weldon ou Ramón.

Em bolas paradas, Júlio César precisa de maior qualidade de antecipação da ação para saídas do gol e os demais jogadores necessitam maior ataque à bola.

Quando a marcação se inicia na Linha 3, a compactação eficaz entre linhas é frequentemente observada. Se, por necessidade ou situação do jogo, a equipe sobe o bloco, surgem espaços (e problemas), principalmente de transição defensiva que serão mencionados adiante.

Ao recuperarem a posse, a transição ofensiva é feita predominantemente com retirada vertical. Com orientação operacional de progressão ao alvo, dificilmente circulam a bola. Neste momento do jogo, a partir da recuperação de Júlio César, as reposições são principalmente em bolas longas, o que resulta em maiores perdas de posse do que manutenções. Quando a recuperação é feita pela linha defensiva, falta melhor linha de passe/desmarcação/mobilidade dos volantes para permitir tempo de deslocamento e progressão dos meias abertos que, muitas vezes, estão recebendo a bola distantes do alvo. Apesar destas limitações, dos últimos oito gols marcados, quatro foram feitos a partir de transição ofensiva (Vasco (2), Atlético-GO e Cruzeiro).

Na fase ofensiva, como já foi mencionado, a progressão é o comportamento padrão. Com exceção do tiro de meta, preferencialmente saem jogando com os centrais; com Alessandro, o jogo fica simples e eficiente pela lateral; Paulinho procura um passe curto e ultrapassagens pela faixa central para criar condições de finalização; Alex e Danilo são os que têm condições (estrutura motriz) de fazer o passe final; William é o melhor do elenco no 1×1 e o pequeno Liedson é um gigante em posicionamento na zona de risco. Como fatores limitantes para o processo ofensivo, observam-se a menor contribuição de Alex e Danilo quando atuam pelas faixas, a falta de amplitude dos meias abertos quando a equipe adversária bloqueia o corredor central e a recorrente falta de profundidade (e não de um centroavante) para aproximar a equipe da zona de risco e abrir espaço entre linhas das defesas adversárias. Em bolas paradas, Alex é quem pode marcar; em escanteios, Paulo André é a referência da finalização; já em situações de jogo, além de Paulinho e Alex com finalizações frontais, William pode marcar após driblar, Liedson a partir de assistência/cruzamento e Danilo numa jogada aérea.

Já na transição defensiva, o comportamento observado é o de ataque à bola dos jogadores mais próximos, com simultânea recomposição dos demais em virtude de um posicionamento com ao menos nove atletas atrás da linha da bola. Falhas no balanço e coberturas defensivas resultaram em 37,5% dos gols sofridos nas últimas rodadas. Um comportamento que, sem dúvida, precisa ser melhorado.

Em pouco mais de um mês, o campeão brasileiro de 2011 será conhecido. Gosto de parabenizar os campeões, já o fiz com o Oscar Tabárez da seleção Uruguaia e Ney Franco da seleção brasileira sub-20. Desta vez adianto os parabéns ao técnico Tite, que há um ano no cargo (muito para o futebol brasileiro) suportou a pressão após o péssimo início de ano na Libertadores e na queda de rendimento no campeonato nacional. Parabenizo (mesmo que não seja campeão) não pela ideia de jogo que simplifiquei acima, mas pelas declarações, entrevistas, atitudes e liderança, inspiradoras para um técnico iniciante.

Abaixo, um pouco do Corinthians nos últimos oito jogos. 

http://www.youtube.com/watch?v=Nmjep5GSGIo

Written by Eduardo Barros

22 de outubro de 2011 at 8:24

O que deve ser aperfeiçoado para evolução do jogar da seleção brasileira sub-20?

leave a comment »

De acordo com comportamentos apresentados no Mundial, confira algumas reflexões táticas da equipe comandada por Ney Franco

A seleção brasileira de futebol sub-20 conquistou o pentacampeonato mundial da categoria vencendo a equipe de Portugal, na prorrogação, por 3 a 2. Mesmo com as ausências de Lucas e Neymar, que serviram a equipe principal na Copa América, os atletas comandados pelo técnico Ney Franco fizeram uma excelente campanha com 5 vitórias, 2 empates, 18 gols marcados e 5 sofridos nos sete jogos que disputaram.

Diferentemente do ocorrido na Copa América, as críticas que foram amplamente distribuídas pela mídia ao treinador Mano Menezes, foram poupadas ao Ney Franco (e, consequentemente, a sua comissão técnica), devido à conquista do primeiro lugar. Porém, se quando se perde não significa que exatamente tudo está equivocado, quando se ganha, não significa que tudo está perfeito. Após as merecidas comemorações, é momento de reflexões do que precisa ser aperfeiçoado, ajustado, mantido e, até mesmo, modificado. Reflexões necessárias para que o potencial de supremacia da seleção brasileira seja confirmado não só como foi no Mundial, mas também, no Panamericano que acontecerá em outubro, nos Jogos Olímpicos de Londres no ano que vem e afim de que em cada competição que as categorias inferiores estejam envolvidas, comecem a ser observados os jogadores que, futuramente, poderão integrar a equipe principal (como já aconteceu com Danilo).

Individualmente, a seleção brasileira contou com peças-chave em diferentes jogos, tanto em ações defensivas como em ofensivas. O goleiro Gabriel falhou (e não foi sozinho) em um único lance frente à equipe portuguesa. Nos demais jogos, mostrou-se muito eficaz na ação de proteção do alvo e praticamente imbatível no 1×1. Bruno Uvini foi muito seguro na manutenção do posicionamento zonal, nas coberturas defensivas e combates, além de ter sido a grande referência de liderança da equipe. Casemiro, de volante pelo lado direito, zagueiro da sobra ou central, poupou diversas substituições de Ney Franco para posições mais defensivas de modo que Dudu e Negueba pudessem entrar em todos os jogos.

Oscar, desta vez utilizado em setores do campo em que melhor pensa o jogo (se você ler o artigo sobre o Modelo de Jogo da seleção brasileira no sul-americano sub-20, poderá observar que algumas regras de ação de Oscar eram de atacante, o que lhe custou a titularidade), fechava muito bem linhas de passe, posicionava-se rapidamente atrás da linha da bola na ação defensiva e tinha a componente tomada de decisão-ação para o passe acima da média. Um belo organizador.

Henrique, com finalizações de média distância, linhas de passe abertas na zona de risco ou ataque à bola, mostrou recursos ofensivos suficientes para a premiação de bola de ouro do Mundial. Defensivamente, pressionou alto, retardou, recompôs e nas transições atacou a bola como poucos no Brasil geralmente fazem.

Dudu-Negueba precisam evoluir tática, defensiva e coletivamente, porém, com a bola nos pés, a imprevisibilidade da ação ofensiva aumenta exponencialmente. Desconcertam, driblam, fintam, cruzam e, o primeiro ainda faz gols.

Coletivamente, a plataforma de jogo mais utilizada foi a 1-4-3-1-2 que, no segundo tempo, variava preferencialmente para a 1-4-3-3. A 1-3-4-3 contra a Espanha e 1-3-5-2 contra o México, também foram observadas. As variações estruturais do sistema aconteciam visando um melhor aproveitamento das características de Dudu e Negueba que têm melhores desempenhos pelas faixas laterais. Para utilizar três zagueiros, a solução encontrada por Ney Franco era recuar Casemiro entre Juan e Bruno Uvini.

Resumidamente, na fase defensiva, a organização zonal era melhor executada na plataforma que a equipe utilizava no primeiro tempo. Com bom equilíbrio defensivo, boa compactação, retardamento e flutuação, a superioridade numérica e a cobertura defensiva eram constantes. Na transição ofensiva, a ação vertical era a mais procurada. Na fase ofensiva, as ultrapassagens dos laterais eram constantes; com dois atacantes, um recuava entre linhas adversárias para procurar tabelas, pivô e finalizações; Philippe Coutinho buscava diagonais para as faixas laterais e Oscar procurava a melhor linha de passe. Já com três atacantes, a amplitude gerada tendia a abrir a linha defensiva dos adversários e a bola nas faixas implicava em jogada individual para cruzamentos. Nas transições defensivas, ocorria principalmente a tentativa de recuperação imediata da posse com devida recomposição dos demais jogadores.

As breves linhas apresentadas até aqui indicam muitos comportamentos que foram eficazes ao longo do mundial, no entanto, algumas ações individuais e coletivas necessitarão aperfeiçoamentos para evolução do jogar da seleção brasileira.

Como, por exemplo, as reposições de bola do goleiro Gabriel que, por muitas vezes resultaram em perda da posse e que remetem a um comportamento coletivo que não está bem internalizado. As falhas de posicionamento da dupla William e Henrique, onde o primeiro apresentava dificuldade de movimentação entre linhas quando Henrique buscava profundidade na zona de risco. A maior circulação da posse no campo ofensivo para desorganizar as organizações defensivas adversárias e a amplitude de Danilo que diminuía o campo efetivo de jogo em setores muito distantes do alvo. Sobre as transições defensivas, executá-las em maior velocidade poderá dificultar as transições ofensivas de seleções de qualidade. Em relação à organização defensiva, um melhor equilíbrio quando em três zagueiros, um melhor posicionamento de Juan, que tende a esquecer de proteger o alvo, sai para combates desnecessários nas faixas laterais e expõe significativamente seu setor, além de maior participação de Philippe Coutinho fechando as linhas de passe e limitando o tempo de ação dos jogadores próximos ao seu setor. Uma observação sobre Casemiro: resolveu o problema da seleção sub-20 como zagueiro, mas dificilmente exercerá esta função na seleção principal. Para finalizar, nas transições ofensivas, melhorar o passe vertical, especialmente de Fernando e Juan.

Gostaria de postar vídeos, como geralmente faço, para identificar os comportamentos da seleção brasileira, acertos e erros acima descritos, porém, nesta semana, o tempo que tenho para produzir a coluna ficou ainda mais reduzido devido a uma viagem a Porto Alegre para participar do II Seminário de Futebol – Construindo os alicerces da formação nas categorias de base. Esta semana, o tempo que levo para editar os vídeos será dedicado para o meu aperfeiçoamento profissional.

Aguardem que compartilharei o conhecimento. Abraços e até a próxima semana!

Written by Eduardo Barros

28 de agosto de 2011 at 16:49

Barcelona 3 vs 1 Manchester United

leave a comment »

Conheça algumas lições táticas do duelo entre os gigantes europeus pela final da UCL 

Já se passaram alguns dias da final da Uefa Champions League. Tal fato pode dar a falsa impressão que a discussão dos acontecimentos da decisão de Wembley já não é mais relevante. No entanto, profissionais do futebol que almejam sucesso em sua carreira precisam ver, rever e aprender em cada lance do belíssimo confronto entre Manchester United e Barcelona.

Alguns comportamentos de jogo da equipe espanhola são conhecidos por todos. A posse de bola no campo de ataque, a clareza para fazê-la circular com Xavi e Iniesta, os apoios constantes de Dani Alves e a imprevisibilidade com a bola nos pés de Lionel Messi são pronunciados desde a mídia especializada ao mais simples torcedor e admirador de futebol.

Sobre a final, quem acompanhou os noticiários esportivos ou assistiu à partida provavelmente observou os diversos comentários em relação à equipe inglesa, que iniciou o jogo pressionando o adversário, porém, aos poucos, esta pressão foi diminuindo e permitindo que o Barcelona conseguisse impor suas características de jogo.

Estas informações são suficientes para a grande maioria das pessoas. No entanto, são superficiais para quem pretende ser um bom profissional do futebol. Ler o duelo, realizar suas interpretações, pensar suas decisões caso você fosse um dos integrantes do corpo técnico das equipes e imaginar como construiria uma estratégia vencedora é um exercício trabalhoso, de certa forma utópico, porém, fundamental para seu aperfeiçoamento e crescimento profissional.

Vamos ao jogo:

O Manchester, assim como toda a imprensa afirmou, começou pressionando os comandados por Pep Guardiola. Para isso, a equipe de Ferguson subiu em bloco alto e realizou pressing zonais conforme exemplificado no vídeo abaixo: 

http://www.youtube.com/watch?v=005aNoLPTIY 

Durante todo o primeiro tempo, a quantidade de ataques ao adversário (no centro do jogo), seja em ações defensivas ou em ações de transição defensiva, visando pressioná-lo em espaço e tempo para agir, foi: 

  Com o bloco alto e tentativas constantes de forçar o erro do Barcelona, a equipe inglesa teve com Park e Rooney os principais jogadores para aplicar esta forma de jogar. Giggs e Carrick, mais acostumados com a estruturação de espaço zonal sem ações de recuperação da posse foram ineficientes nesta função defensiva e de transição defensiva.

Coletivamente, esta proposta dificultava a diminuição do espaço entre linhas da equipe. Com a subida dos atacantes e meias, implicava num posicionamento adiantado da linha defensiva que nem sempre acontecia. Em uma dessas indefinições, a linha não subiu, Carrick titubeou entre apressar e recompor, e após receber um passe de Iniesta, Xavi achou um espaço aberto no “muro inglês”, feito por Evra, e assistiu Pedro no lance em que o Barcelona fez 1 a 0. Veja toda a jogada: 

http://www.youtube.com/watch?v=EvY8djEuc4E 

Perdendo o jogo, teoricamente, a equipe inglesa deveria apresentar o mesmo comportamento do início da partida. Mas, no trecho abaixo, nota-se pela impaciência de Rooney que ele não acontecia. 

http://www.youtube.com/watch?v=yTf-fXJwEYU 

Em contrapartida, a equipe catalã, em todo momento com seu característico jogo de recuperação da posse, pressionava o adversário, apressando-o e fechando suas linhas de passe, como pode ser visto no vídeo a seguir: 

http://www.youtube.com/watch?v=VYnYwMocQ2w 

Para sobressair ao pressing dos comandados por Pep Guardiola, nenhum dos comportamentos padrão da organização ofensiva e da transição ofensiva do Manchester United ocorreram com frequência. Fábio e Evra tiveram dificuldades em ampliar o espaço efetivo de jogo, a bola nunca chegava ao campo de ataque com Valencia desmarcado, Carrick não abria linhas de passe para Ferdinand e Vidic e, consequentemente, a bola não passava por Rooney, que gosta de tê-la para gerenciar a fase ofensiva inglesa. Tampouco os passes longos de Van der Sar chegavam ao setor pretendido (à sombra de Valencia, sempre estava Abidal). Como resultado, inúmeros foras de jogo de Chicharito originários das transições ofensivas verticais ao longo do primeiro tempo.

Com 15 minutos de intervalo e igualdade no placar, uma pausa para recuperação física-técnica-tática-emocional e um tempo precioso para ajustes estratégicos e intervenções dos coaches.

Na volta ao campo, as ações de pressing realizadas pela equipe inglesa reduziram-se consideravelmente, conforme pode ser observado no quadro abaixo: 

Durante todo o segundo tempo, a confirmação do que tornou a equipe espanhola o melhor time do mundo e que foi esboçado nos primeiros 45 minutos. Os ingleses não entraram para a segunda etapa com um jogo em alta velocidade de recuperação da posse. Ao todo, foram 101 ações de pressing, contra 94 ações realizadas pelo Barcelona, porém, os ingleses tiveram somente 22min11seg de posse de bola (37%) contra 38min54seg (63%) do adversário.

No gol sofrido aos 8 minutos do segundo tempo, em quase 30 segundos de posse de bola, o Barcelona desmontou as duas “linhas de 4” inglesas, em que Evra ficou marcando Villa individualmente e Giggs aberto e recuado demais, atento com a descida de Daniel Alves. Com isso, sobraram alguns metros para Messi conduzir, arrematar e fazer o seu primeiro gol em território inglês. 

http://www.youtube.com/watch?v=3zI3p0DiW9g 

O restante da história todos já sabem: predomínio da bola com Xavi, Messi, Iniesta, Busquets e cia, e mais um gol para a definição do título, num jogo em que as ações inglesas em nenhum momento foram superiores à contra-estratégia espanhola. Seguramente, diversas lições ainda poderão ser tiradas deste confronto à medida que ele for assistido outras vezes.

Para terminar, Alex Ferguson afirmou que buscará melhorar para enfrentar a melhor equipe do mundo em outra oportunidade.

E você, leitor, como venceria o Barcelona?

Written by Eduardo Barros

5 de junho de 2011 at 10:23