tecnicoeduardobarros

Temas atuais relacionados ao Futebol

Posts Tagged ‘Carreira

Publicações 2015

with one comment

Caros leitores,

Já faz mais de um ano que não atualizo o blog. Nem por isso deixei de fazer publicações diversas relacionadas ao futebol. Nos últimos tempos as mudanças profissionais foram significativas e constantes, o que impossibilitou uma maior atenção ao blog.

No segundo semestre de 2014 participei de um processo seletivo no Clube Atlético Paranaense. Com a aprovação, desliguei-me do Grêmio Novorizontino e iniciei um trabalho que durou exatos 6 meses. No clube, exerci as funções de Técnico da Categoria sub 13, Auxiliar Técnico da Categoria sub 17 e Coach Individual de todas as categorias do clube. Exerci também a função de Construtor Metodológico, transformando o Modelo de Jogo do clube em um material didático.

Há cerca de 20 dias recebi uma proposta do Coritiba Foot Ball Club. Com grande satisfação aceitei a proposta e iniciei o trabalho neste projeto, que será repleto de desafios e oportunidades.

As publicações de 2015 seguirão quinzenalmente no portal Universidade do Futebol (www.universidadedofutebol.com.br). Projeto que a cada dia ganha mais espaço e representatividade no cenário futebolístico nacional e, porque não, internacional.

Abraços e boa temporada a todos!

UdoFLogo_Coritiba

Written by Eduardo Barros

1 de fevereiro de 2015 at 14:27

A complicada linguagem que atrasa o futebol

leave a comment »

A forma do discurso pode contribuir na manutenção do abismo entre a teoria e a prática

O jogo de futebol é um confronto entre sistemas caóticos determinísticos com organização fractal. Esta frase, que bem caracteriza a modalidade, é inadequada para ser utilizada em muitos ambientes em que se discute o futebol!

Apesar de ser uma expressão equivocada para determinadas ocasiões, muitos fazem questão de pronunciá-la (ou então outras frases com semelhante grau de dificuldade) para evidenciarem seus conhecimentos acerca do jogo e também para se sentirem superiores.

No cenário atual, milhares de profissionais que atuam neste esporte não têm acesso ao conhecimento científico. Se nem os princípios básicos do treinamento, mais especificamente, do futebol estão sistematizados para estes profissionais, o que dirá da compreensão das tendências, como as leituras da teoria da complexidade, que são pouco discutidas inclusive em ambientes acadêmicos representativos?

Sabemos que os motivos que fazem com que dirigentes (ex-jogadores ou não) e ex-jogadores (que ingressam no corpo técnico) não adquiram conhecimento científico atualizado são diversos, mas não é tema da coluna discuti-los. O fato é que, mesmo sem o referido conhecimento, estes profissionais possuem algumas competências que os credenciam para trabalhar com futebol.

Compreendido este cenário, as pessoas que detêm o conhecimento atualizado sobre o futebol têm a missão de conseguirem transmitir as informações aprendidas de maneira simplificada, mas não menos complexa e, citando o colunista especial Cézar Tegon, se fazerem entender.

Hoje, não faltam oportunidades para a aproximação das pessoas. Seja num relacionamento real ou num virtual, inúmeras são as situações que podem aproximar os diferentes perfis de profissionais do futebol.

Se um dia, leitor (que, se está lendo este portal, tem grande possibilidade de estar interessado em adquirir conhecimento científico atualizado), você tiver oportunidade de discutir a modalidade e todos os seus desdobramentos (treinamento, jogo, análise de jogo, jogadores, planejamento, categorias de base, negociações, contratações, etc.) com algum profissional sem a competência do conhecimento científico recente, não tente querer mostrar que sabe mais do que ele sobre o tema através de uma linguagem rebuscada e, de certa forma, difícil. Esforce-se para acessá-lo e fazer com que fique instigado em entender mais sobre o jogo (e seus desdobramentos), nem que para isso seja necessário facilitar a comunicação.

E não confundam a facilitação da comunicação com a “boleiragem”. Tentar ser ouvido com uma linguagem simples e eficiente que represente bem a importância do assunto é bem diferente de exercer um comportamento marrento, com os trejeitos característicos de muitos que trabalham com este esporte.

Numa conversa, é perfeitamente possível falar de complexidade, sistemas, modelo de jogo, fractais, lógica do jogo, princípios, referências e momentos do jogo sem utilizar estas palavras e expressões.

Já pensou o quanto o nosso futebol pode ganhar se, pouco a pouco, os ex-jogadores (que treinaram de maneira fragmentada ao longo de toda a carreira) forem convencidos de que ao invés de treinar o físico, depois o técnico e por último o tático, é possível treinar todas as vertentes ao mesmo tempo?

O quanto conseguiremos equipes mais organizadas se todos compreenderem que para tentar manter a ordem no grande ambiente de desordem que é o jogo de futebol, orientações coletivas precisam ser estabelecidas e previamente treinadas?

Quantos atletas mais criativos e autônomos teremos, uma vez que no ambiente de treino predominará situações imprevisíveis semelhantes ao jogo?

Se os dirigentes ampliarem sua visão sobre o treinamento em futebol, será que permitirão treinos ultrapassados realizados pela sua comissão técnica?

Enfim, a aproximação entre os profissionais que dominam a teoria e os que têm maior espaço no mercado de trabalho do futebol de alto rendimento pode ser uma das maneiras de acelerar o processo de mudança do futebol brasileiro. Para isso é certo que os dirigentes e ex-jogadores devem perder o medo do novo e estarem abertos às novas aprendizagens.

Para que o novo não gere espanto, é fundamental que a teoria seja facilitada. Deixem as expressões difíceis para os ambientes em que forem convenientes (e eles são muitos).

Se as ações estiverem direcionadas para a lamentação da falta de espaço para pessoas que dominam o conhecimento teórico, mas têm pouca experiência prática, dificilmente observaremos mudanças. Portanto, não se queixe diante do cenário e aproveite sua oportunidade!

Written by Eduardo Barros

26 de maio de 2012 at 14:20

Um novo horizonte e um ano de Universidade do Futebol

leave a comment »

A participação na (re)construção de um Modelo de Jogo e agradecimentos

Caros leitores,

Solicitei à coordenação da Universidade do Futebol uma semana de pausa nas produções semanais para reorganizar minha vida profissional. Relembrando o colunista Bruno Baquete, em um post no início do ano, só teremos conhecimento do que alcançaremos em nosso caminho a partir das nossas decisões. E a que tive que tomar nestes últimos dias modificou bastante meu cotidiano.

Abdicar de uma vida estável na Área Fitness, que ocupava cerca de 30 horas da minha agenda semanal, além do cargo de treinador da categoria sub-14 em meu antigo clube, no ano do meu casamento, para aceitar a desafiadora oportunidade de trabalhar como assistente técnico num clube que voltará a disputar a categoria profissional após 14 anos, na última divisão do futebol paulista, foi bastante difícil.

Bastante difícil, pois a maior inquietação que vem à mente é a da instabilidade dos profissionais de campo do nosso futebol. Não faltam exemplos, somente no presente ano, de equipes que trocaram de treinador nos campeonatos estaduais por pelo menos três vezes.

E esta inquietação teve, obrigatoriamente, que ser superada, pois acredito que a constante troca das comissões técnicas (mesmo com dados apontando a ineficiência) ainda está longe de ser extinta, salvo raríssimas exceções.

Para tomar a decisão, algumas conversas, muitas reflexões e o foco no que almejo para minha jornada profissional em longo prazo. Diante disso, indicarei o contexto deste novo momento de minha carreira. Escolhi este tema, pois ele norteará algumas das minhas futuras colunas.

O novo clube:

O Novorizontino, clube da cidade de Novo Horizonte, alcançou a elite do futebol paulista e foi finalista da conhecida “final caipira” em 1990. Na ocasião, a equipe comandada por Nelsinho Batista foi derrotada pela equipe do Bragantino, que tinha como treinador Wanderlei Luxemburgo.

A última grande conquista do Tigre foi o título da série C do Campeonato Brasileiro em 1994. Quatro anos depois, o clube encerrou suas atividades até o ano de 2010, quando retornou à disputa do Campeonato Paulista sub-15 e sub-17.

A comissão técnica:

Élio Sizenando é o treinador da equipe. Campeão Paulista sub-20 da segunda divisão em 2010 pelo Paulínia FC e terceiro colocado no Campeonato Paulista da mesma categoria, porém, da primeira divisão, em 2011, são seus principais resultados. Como auxiliar técnico, obteve um acesso à série A-3 do Campeonato Paulista em 2010. Será sua estreia como treinador profissional.

Além do meu cargo, já mencionado no início do texto, a composição da comissão tem Ricardo Guareschi como preparador físico, Jussiê da Silva como preparador de goleiros, Alex Garcia na função de analista de jogo, Cristian Lizana de fisiologista e Walter Zaparolli, que possui muitos acessos em sua carreira, de diretor técnico.

A competição:

A Série B do Campeonato Paulista tem início no dia 06 de maio e será disputada por 42 equipes. As quatro melhores no decorrer de 5 fases, ou 30 jogos, conquistam o acesso à série A-3 de 2013.

O elenco:

São 34 jogadores com somente um atleta acima dos 23 anos de idade. Tal atleta é o atacante Alessandro Cambalhota, que foi revelado pelo clube novorizontino e jogou em grandes times como Porto-POR, Atlético-MG, Cruzeiro-MG e Fluminense-RJ.

Parte do grupo advém de uma parceria com investidores e atuarão por empréstimo, outros são contratações do clube, além dos atletas oriundos das categorias de base.

Apesar de ser um grupo jovem, o elenco conta com atletas experientes nesta divisão e atletas com muitas “horas de voo” nos campeonatos estaduais de categorias de base.

Sem dúvida um time muito competitivo para a disputa desta divisão.

Minhas funções:

Como assistente técnico, no contexto atual do clube, tenho como funções:

  • Auxiliar o treinador na operacionalização de sua ideia de jogo nas sessões de treinamento;
  • Auxiliar o treinador no planejamento semanal, idealizado a partir de uma perspectiva sistêmica;
  • Auxiliar o fisiologista no controle da carga de treinamento;
  • Desenvolver material virtual com o software Tactical Pad que identifique o comportamento pretendido pela Comissão Técnica nos quatro momentos do jogo e que facilite a compreensão dos atletas;
  • Desenvolver e aplicar, juntamente com o preparador físico, atividades preventivas proprioceptivas e de fortalecimento;
  • Auxiliar o preparador físico no desenvolvimento de atividades analíticas com o caráter de reabilitação de      lesões;
  • Capacitar o analista de jogo para observar quantitativamente e qualitativamente nossa própria equipe, além dos      adversários;
  • Cumprimento de outras funções requisitadas pela diretoria ou por algum integrante da comissão técnica.

Esta inesperada mudança profissional coincidentemente ocorreu após completar um ano como colunista da Universidade do Futebol, que é um marco que não posso deixar de mencionar.

Desde que recebi o convite de Rodrigo Leitão, sabia da responsabilidade que seria substituir um dos maiores estudiosos da modalidade no país. Desde então, com os conhecimentos que tenho e também os que busco para meu aperfeiçoamento profissional, tento manter a qualidade da coluna e contribuir na capacitação de profissionais da comunidade do futebol.

Obrigado Gheorge, Medina, Camarão e Tega pela oportunidade, pelas inúmeras discussões e trocas de e-mails que contribuem dia após dia para meu crescimento pessoal e profissional. Não tenho dúvida de que as magníficas ideias da Universidade se disseminarão no país do futebol.

Enfim, se você chegou até aqui, espero que não lamente por não ter aprendido nada sobre tática. Nesta coluna, resolvi abrir minha vida profissional, meus anseios, meus objetivos e minha nova e desafiadora jornada. Pode ser inspiradora ou ao menos provocar uma pequena reflexão em quem pretende seguir carreira como gestor de campo.

Para mim, estou certo, que será (e está sendo) uma grande oportunidade para aliar teoria e prática e, acima de tudo, aprender. Afinal, estamos aqui para isso…

Rumo à série A-3 em 2013!

http://www.youtube.com/watch?v=67PsCejBwP0