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A vertente física do jogo de futebol no treinamento com Jogos

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Gráficos apresentados podem auxiliar na elaboração do Microciclo

Caros leitores,

Sabidamente a vertente física tem papel fundamental no desempenho de um futebolista. Sendo assim, o planejamento de todas as sessões de treino deve levar em consideração quais são as adaptações esperadas para um máximo desempenho global, que também é físico, nas situações competitivas.

Este procedimento parece simples de ser realizado, porém, corriqueiramente o vemos prejudicado por algumas limitações que afetam as comissões técnicas. Entre elas:

– Treinadores planejarem os treinamentos técnico-táticos e desconsiderarem as demandas físicas destas atividades;

– Preparadores físicos planejarem atividades com bola preocupados exclusivamente com uma ou duas vertentes do jogo e, por consequência, minimizarem o enriquecimento individual e coletivo da equipe;

Então, pensando em auxiliar as comissões que optam por uma atuação sistêmica e que tem o Jogo como elemento central da Periodização, apresento dois gráficos criados nos grupos de estudos do Paulínia FC em 2009 e que tenho utilizado no desenvolvimento dos microciclos de treino.

Na ocasião da criação dos gráficos, ainda com uma visão integrada, partia do físico para o jogo. Atualmente, com mais leituras, reflexões e discussões (e mais dúvidas também), o ponto de partida são os comportamentos que proporcionam a melhoria da inteligência coletiva de jogo e quais devem ser os estímulos para que eles sejam promovidos. Estes estímulos são distribuídos alternadamente ao longo de uma semana de treinamento e, metodologicamente, são feitos com modificações/adaptações no jogo de futebol, utilizando demandas físicas/metabólicas distintas.

Abaixo, o primeiro gráfico que aponta as exigências físicas predominantes nas atividades em função do tamanho do campo e do tempo do estímulo por série:

gf1

 

Na sequência, o segundo gráfico, que mostra o metabolismo predominante também em função do tamanho do campo e do tempo do estímulo por série:

gf2

 

A experiência, a prática, os erros e os acertos tornam a utilização do gráfico (e de todo Microciclo) cada vez mais assertiva. Para ser cada vez mais assertivo, é pré-requisito ter domínio na criação das REGRAS em cada uma das atividades.

Antes de apresentar alguns exemplos de como utilizo os gráficos na elaboração dos Jogos, deixarei uma semana para opiniões, sugestões, dúvidas e críticas.

Caso tenham ferramentas que utilizam para o desenvolvimento dos treinamentos, agradeço se puderem compartilhá-las. Enriquecerá a próxima discussão.

Enquanto isso, bons treinos e atenção na vertente física. Para muitos influentes do futebol, ela, e somente ela, é a responsável pelas vitórias e pelas derrotas! E você, o que acha?

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Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:27

Um grande risco de treinar jogando

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O jogo pelo jogo, a repetição de más decisões e a função da comissão

reduzidoTreinar situações de jogo apresenta-se como a grande tendência do treinamento em futebol. Seja por autores da corrente pedagógica ou por autores da corrente biológica, a ideia de criar um ambiente que permita aos atletas terem que tomar decisões semelhantes as da competição ganha cada vez mais espaço e adeptos.

Aplicado sob uma perspectiva sistêmica, o objetivo de cada sessão de treino é promover adaptações físico-técnica-tática-mentais positivas, tanto de caráter individual como coletivo. Tais adaptações buscam aperfeiçoar o Modelo de Jogo do treinador, que deve ser construído em função do jogo e de sua lógica.

Como jogar (em espaços reduzidos, espaços formais, com superioridade numérica, inferioridade numérica, igualdade numérica, com pressão de tempo, com redução de toques, com referências espaciais ou quaisquer outras adaptações propostas pela comissão) passa a ser a essência da periodização, o volume total semanal que uma equipe atinge com esta forma de treinamento ultrapassa 300 minutos.

Isto significa que numa “semana cheia”, com apenas um jogo no final de semana, a comissão técnica tem mais de 5 horas de treino (jogo) para efetuar as devidas intervenções (de ordens física-técnica-tática-mentais).

Uma vez que a ação de cada jogador num determinado jogo reflete a interpretação que o mesmo tem das inúmeras situações-problema que o jogo lhe apresenta, toda semana de treino é uma oportunidade de correções e aquisições de comportamentos. Eis a grande solução. E também um grande risco de treinar jogando!

Para exemplificar, imaginemos um zagueiro central que de acordo com os princípios de jogo do futebol moderno apresenta as seguintes dificuldades:

  • Mau posicionamento na grande área para proteger o gol em situações de cruzamento do adversário;
  • Dificuldade para compor a linha de defesa zonalmente, marcando o adversário de forma individual desnecessariamente;
  • Ataque à bola em detrimento ao retardamento, quebrando a linha de defesa e proporcionando uma decisão mais fácil ao adversário;
  • Dificuldade para posicionar o corpo entre a bola e o alvo durante a flutuação;
  • Dificuldade para participar da organização ofensiva, não realizando coberturas ofensivas e apoios;
  • Não participação do bloco ofensivo quando a equipe tem a posse de bola no campo de ataque;
  • Dificuldade de decidir rapidamente sobre a melhor opção de passe.

Todos estes comportamentos tendem a ser reproduzidos nas emergências dos jogos ao longo do microciclo. Numa comissão técnica que resolva treinar com situações de jogo, mas que seja ineficiente nas intervenções, as mais de 5 horas de treinamento semanal serão subaproveitadas e o referido atleta pouco evoluirá.

O subaproveitamento deste tempo de treino gerará a repetição de más decisões que, quanto mais velho for o atleta, mais dificilmente serão modificadas. Ter um atleta formado, habituado a comportamentos de jogo ultrapassados demanda um tempo de treino para correção que o imediatismo do futebol não permite. Além disso, as crenças que o atleta carrega limitam a compreensão de um novo futebol e seu potencial cognitivo já está reduzido.

Multipliquem os “problemas” apresentados de um atleta pelos cerca de 30 jogadores existentes num elenco. Há muito trabalho para uma comissão técnica que, como pré-requisito, deve conhecer quais são os elementos do bom futebol. Ciente destes elementos, inicia-se a constante construção e reconstrução do jogar da unidade complexa/equipe que se adquire na ação.

Que a comissão seja cuidadosa o suficiente para não transformar as mais de 5 horas semanais de treinamento num ambiente que, mesmo jogando, reforce o mau futebol!

Abraços e bom trabalho!

Banco de Jogos – Jogo 8

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Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Transição Ofensiva

Muitos gols ocorrem a partir de jogadas de transição ofensiva. Sendo assim, ter comportamentos de jogo bem definidos após a recuperação da posse de bola, aproveitando a desorganização adversária, pode aproximar a equipe das vitórias. Na atividade desta semana a equipe que melhor gerir sua transição ofensiva, cumprindo a Lógica do Jogo criado, é quem terá maiores possibilidades de êxito.

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Transição Ofensiva 

– Dimensões do campo oficial.  ~ 100m x 70m;

– Campo dividido em 4 corredores laterais,  2 faixas centrais e 1 faixa horizontal,  conforme ilustra a figura:

Jogo8

Regras do Jogo

  1. 3 toques no campo de defesa e passe somente pra frente (para cada jogada é permitido 1 toque pra trás);
  2. Recuperar a posse de bola no corredor lateral e em até 4 passes ultrapassar o meio campo com a bola dominada ou através de passe = 1 bônus;
  3. Recuperar a posse de bola na faixa central defensiva, em frente a grande área e errar o passe = 1 ponto para o adversário;
  4. Recuperar a posse de bola na faixa horizontal intermediária e acertar o passe para o campo de ataque, à frente da faixa = 1 bônus;
  5. 5 bônus = 1 ponto;
  6. Gol = 5 pontos;
  7. Gol de contra-ataque = 8 pontos; 

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regra 2 

http://www.youtube.com/watch?v=5egirM3Rtvc 

O jogador número 2 da equipe listrada recupera a posse de bola no corredor lateral e em menos de 4 passes a equipe ultrapassa o meio campo. Esta ação vale 1 bônus para a equipe listrada. 

Regra 3 

http://www.youtube.com/watch?v=LocsMtUoFas 

O jogador número 5 da equipe vermelha recupera a posse de bola na faixa central. Na sequência da jogada erra o passe para o jogador número 9. Esta ação vale 1 ponto para a equipe listrada.

Regra 4 

http://www.youtube.com/watch?v=3qYflOcRWw0 

O jogador número 5 da equipe listrada recupera a posse de bola e na sequencia acerta o passe para o jogador número 7 no corredor lateral. Esta ação vale 1 bônus para a equipe listrada. 

Aguardo dúvidas, críticas e sugestões. Abraços e bons treinos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Centrais, para onde vocês vão?

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Equívocos no posicionamento defensivo são corriqueiros no futebol brasileiro

TiteEm uma entrevista com o técnico Tite, que pode ser acompanhada no site da Universidade do Futebol, ele foi enfático ao afirmar que uma das principais diferenças entre o futebol brasileiro e o futebol europeu é o posicionamento da linha defensiva. Exemplificou mencionando que nas grandes equipes do velho continente, nenhum volante recua para marcar segundo atacante, proporcionando a sobra de um dos centrais, e tampouco os laterais sobem para “bater com lateral” (expressão reproduzida aos montes por muitos profissionais da modalidade). Em nosso país, estas duas características defensivas são comumente observadas.

Como estamos num momento em que o futebol brasileiro está sendo constantemente questionado quanto a seu atraso, seja por jornalistas, treinadores e até ex-jogadores, quanto mais elementos forem apontados como motivos do nosso jogo ultrapassado, maiores serão as possibilidades de encontrarmos as soluções e modificarmos este cenário.

Tais elementos relacionam-se com as dimensões do sistema-equipe passíveis de análise e, portanto, intervenções. Dentre as dimensões existentes (individual, grupal, setorial, intersetorial e coletiva), nesta semana a ênfase será dada aos zagueiros, portanto, às dimensões grupal e setorial e mais especificamente aos momentos do jogo em que uma equipe se encontra em organização defensiva ou transição defensiva.

Em jogos brasileiros, salvo raríssimas exceções, os zagueiros ocupam constantemente as faixas laterais do campo atraídos tanto pela bola como pelo posicionamento do adversário. Expõem-se desnecessariamente e deixam de agir no jogo em função do seu companheiro de defesa e da própria meta.

Em situações de contra-ataque ou ataque na faixa central, é muito comum observarmos uma ação de combate à bola de um dos centrais complementado por uma sobra (e não cobertura) de longa distância pelo outro defensor, o que desmonta a linha de defesa e permite diagonais adversárias em condição de jogo.

Quando o adversário cria jogada pelas laterais, novamente atraídos pela bola e adversários, é comum observarmos um dos centrais fora do setor potencial de finalização, o que inviabiliza a proteção da sua meta.

Retardar a ação adversária, neutralizar setores de finalização, agir mutuamente, fazer diagonais de cobertura, diminuir o espaço entre a linha de meio-campistas e proteger constantemente a meta são comportamentos de jogo básicos apresentados pelos centrais do futebol europeu que podem ser vistos nos exemplos abaixo, retirados da dupla de centrais do Manchester United-ING:

http://www.youtube.com/watch?v=vDneKaej0RY

http://www.youtube.com/watch?v=eQ8uItMi03c

http://www.youtube.com/watch?v=HKs3_2t78Dg

http://www.youtube.com/watch?v=TCVrfvLZmyM

 Para os centrais das equipes brasileiras evoluírem nesses aspectos precisamos de um eficiente trabalho de formação que desenvolva os princípios de jogo condizentes com o futebol moderno. De acordo com o tema desta coluna, os futuros atletas precisam ser expostos às inúmeras situações-problema que lhes exijam as respostas mencionadas no parágrafo anterior. Aliando as situações-problema com as adequadas intervenções da comissão técnica, estaremos dando os passos necessários para a evolução de um dos inúmeros elementos que têm atrasado o nosso futebol.

Enquanto isso, no futebol profissional, dependeremos de grandes treinadores, como o técnico Tite, que conseguiu criar padrões de comportamento individuais e coletivos que aproximam sua equipe daquilo que é tendência no futebol mundial.

Como de costume, encerro a coluna com uma pergunta: como jogam seus centrais?

Os treinos, os tipos de jogos e a manutenção da posse de bola

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Os jogos conceituais, os conceituais em ambiente específico e a evolução deste princípio de jogo

Footecon_ANIMAÇÃO 10A qualidade na manutenção da posse de bola é um comportamento coletivo pretendido pela grande maioria dos treinadores. Seja a equipe orientada para um ataque posicional, ou até mesmo um ataque rápido ou contra-ataque, é fato que se espera a eficácia na transmissão da posse de bola para que a ação ofensiva termine com possibilidade de finalização.

Posto isso, para aperfeiçoar a dinâmica coletiva da progressão em posse, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos.

Em minha atuação prática, como todos sabem, aplico um método de treino sistêmico em que toda atividade (jogo) é ao mesmo tempo física-técnica-tática-mental. Nesta semana, serão feitas algumas observações para quem escolhe este método e pretende evoluir na construção do comportamento de manutenção da posse de bola (não necessariamente um jogar predominantemente em posse).

É bem frequente a realização de jogos sem alvos para aperfeiçoar a manutenção da posse. Denominados jogos conceituais, por não terem as zonas de risco e finalizações, estes tipos de atividades são muito distantes do futebol formal e seguramente não traduzem no ambiente competitivo a posse de bola desejada. Nestas atividades, elementos indispensáveis para uma boa circulação como as coberturas ofensivas, a profundidade e as estruturas zonais fixas inexistem, logo, a dinâmica da construção da posse na sessão de treino não será a mesma daquela que se pretende evidenciar no jogo.

Outra situação muito utilizada é a dos jogos conceituais, agora com a presença de alvos, portanto, mais próximos do futebol formal. Por definição, os jogos conceituais são realizados em dimensões significativamente menores que o espaço formal de jogo. Com a distância entre alvos mais próxima, a atração pelas metam são ainda maiores e um equívoco não deve ser cometido: preocupados com a manutenção da posse, a solução encontrada por alguns treinadores (inclusive por este que vos escreve, anos atrás) é estipular um número mínimo de passes para permitir a finalização. Um crime contra a Lógica do Jogo!

É preciso saber que jogos com dimensões reduzidas, por sua formatação, inviabilizam um trabalho de manutenção da posse de bola em quantidade de passes. O que não significa que tal referência operacional não possa ser treinada em tais dimensões.

Os jogos conceituais em ambiente específico, se corretamente planejados e aplicados, são os que proporcionam maior proximidade com o jogo de futebol. Neles, as regras de ação desempenhadas por cada um dos jogadores, derivadas das competências essenciais do jogo (estruturação do espaço, comunicação na ação e relação com a bola), são altamente específicas. Com os 22 elementos (ou a maioria deles) na mesma atividade, a densidade das situações-problema que surgem relativas à manutenção da posse (lembrando, independentemente do tipo de ataque utilizado) é elevada e tem grande relação com o ambiente competitivo uma vez que são exigidas a ampliação do espaço efetivo de jogo, a abertura de linhas de passe, as desmarcações, as movimentações com ou sem troca de posição, a ação dos fundamentos técnicos de transmissão da posse de bola, além das coberturas ofensivas, profundidade e estruturas zonais fixas (citadas no início do texto), indispensáveis para o sucesso do referido princípio de jogo.

É válido mencionar que a faixa etária e o nível de compreensão do jogo por parte da equipe influenciam a escolha que a comissão técnica fará sobre os jogos. Quanto mais próximos da profissionalização, aconselha-se maior quantidade de jogos conceituais em ambiente específico.

Para a evolução de cada princípio de jogo, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos. Qual o método você utiliza?

Aguardo sua resposta!

O nosso futebol está mudando os rumos! E você?

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Profissionais atualizados tem cada vez mais espaço nos clubes do futebol brasileiro

ClubesCorinthians-SP, Mogi Mirim-SP, São José-SP, Penapolense-SP, Grêmio Osasco-SP, Fragata-RS, Paulínia-SP, Desportivo-SP, Portuguesa-SP, União Frederiquense-RS, Red Bull-SP, Atlético-MG, Grêmio-RS, Águia Negra-MS, Ypiranga-PE, SEV-SP, Nova Iguaçu-RJ, Audax-SP, Bragantino-SP, Joinville-SC, Ubaense-MG, Ituano-SP, Bahia-BA, São Paulo-SP, Serrano-RJ, Taubaté-SP, Caldense-MG, Barra-SC, Vasco-RJ, América-MG, Rio Preto-SP, Cabense-PE, Guarani-SP, Guarani-MG, Desportivo-MG, São Bento-SP, Coritiba-PR, Desportiva-ES, Pelotas-RS e Vitória-BA.

A lista acima se refere aos clubes brasileiros que possuem pelo menos um funcionário atualizado em relação às tendências do treinamento em futebol. Os contatos estabelecidos com cada um dos profissionais destes clubes vão de uma simples troca de cartões de visita numa apresentação pessoal a longas discussões por e-mail ou pessoalmente sobre a aplicação do treino na modalidade. Seguramente, existem outros clubes espalhados pelo país que possuem colaboradores com o mesmo perfil profissional, porém, que ainda não obtive nenhuma aproximação, mesmo que mínima.

Estamos acostumados a criticar severamente (com critérios) o futebol brasileiro e todo o ambiente que compreende a cadeia produtiva das equipes. Limitações gerenciais, estruturais, financeiras e técnicas atrasam o futebol brasileiro e limitam a qualidade atual do espetáculo quando comparado ao predominantemente evoluído futebol europeu. O fato é que este atraso e limitação qualitativa nos posicionam, merecidamente, na pior colocação no ranking de seleções de toda a história, o décimo nono lugar.

É fato também que a posição atual do ranking, apesar de representar o momento da nação, é reflexo do passado e do projeto de futebol do país nos últimos dez, quinze, vinte anos. Apesar do mau posicionamento atual, é preciso mencionar que os passos necessários para retomarmos o topo (em dez, quinze ou vinte anos) já começaram a ser dados. Não por todos aqueles que deveriam e tampouco na direção mais coerente, da gestão para o corpo técnico, no organograma dos clubes de futebol.

As quase quarenta equipes mencionadas no início da coluna dão segurança para a afirmação de que estamos mudando os rumos. Profissionais muito capacitados, que prescrevem treinos atualizados e constroem equipes atualizadas, estão presentes em diversos estados do país, divisões e categorias. Além disso, está cada vez mais frequente o posicionamento da imprensa (que aos poucos também tem se atualizado) sobre o atraso do nosso jogo. Inclusive grandes treinadores, como Autuori e Parreira em declarações recentes, têm exposto opiniões que refletem o processo de mudança que estamos inseridos.

Somam-se a todos estes profissionais, centenas de estudantes, recém-formados, professores de escolinhas, de futsal e quem sabe ex-jogadores, devidamente atualizados e ávidos por uma oportunidade profissional no futebol de campo.

Peço desculpas se deixei de mencionar algum clube em que eu conheça, mesmo que minimamente, um profissional atualizado em relação ao treinamento em futebol. Se você acredita que está atualizado e ainda não estabelecemos nenhum contato profissional, não deixe de me escrever, pois temos uma longa missão em prol do futebol brasileiro e, por fim, se você acha que tudo isso é bobagem e que os rumos do nosso futebol não vão mudar, cuidado. Quando você notar poderá ser tarde demais…

Written by Eduardo Barros

23 de abril de 2013 at 13:54

Desenvolvendo um microciclo de treinamento

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Elementos centrais no planejamento e operacionalização da periodização com jogos

MicrocicloFrequentemente sou questionado pelos leitores sobre qual a melhor maneira de construir/planejar os treinos. Com o objetivo de desenvolverem grandes equipes e obterem êxito no futebol, professores e treinadores em diferentes áreas de atuação questionam-me sobre as sessões de treinamento, os tipos de exercícios, as características e objetivos das atividades, além de perguntas sobre a quantidade e finalidade de algumas regras.

Quem acompanha minhas publicações, sabe que sou adepto a uma periodização de jogos embasada na metodologia sistêmica.  Neste modelo de periodização, com exceção dos exercícios funcionais e proprioceptivos (aplicados em sessões independentes do trabalho de campo), todo exercício criado é jogo. Para desenvolvê-los, alguns elementos são indispensáveis e serão apresentados na sequência desta coluna.

1- Nível de jogo atual

É ele quem norteia a semana de atividades. Geralmente estabelecido a partir do último jogo oficial, onde os comportamentos individuais e coletivos podem ser analisados qualitativa e quantitativamente, evidenciando pontos fracos e pontos fortes do sistema/equipe nos diferentes momentos do jogo.

2- Nível de jogo pretendido

Determinado pelas (utópicas) ideias de jogo do treinador. A partir do “jogo jogado na cabeça do treinador” e daquele apresentado anteriormente, é possível planejar quais são as necessidades da equipe e como elas serão trabalhadas através das sessões de treinamento.

3- Próximo adversário

Conhecer o Modelo de Jogo do adversário para inserir, ao longo do microciclo, situações-problema semelhantes as que serão encontradas no jogo.

4- Conteúdos do Currículo

Compreensão dos conteúdos práticos do Currículo desenvolvido no Paulínia FC em 2009 (Lógica do Jogo, Competências Essenciais do Jogo, Referências do Jogo, Conteúdo Estratégico-Tático, Funções no Jogo e Relação com companheiros). Os jogos são elaborados a partir de cada um dos conteúdos, temas e sub-temas.

5- Objetivo de cada jogo

Apesar de cada atividade manter a totalidade do jogo, logo, manter os seus quatro momentos, é fundamental saber o que se quer com o treino para direcionar as intervenções e as resoluções dos problemas ao que precisa ser aperfeiçoado. Espera-se o domínio da intervenção pretendida com a atividade, seja ela individual, grupal, setorial, intersetorial ou coletiva. Não há problema algum ter vários objetivos numa mesma atividade. Irá depender, obviamente, do nível de compreensão/aplicação em que a equipe se encontra em cada conteúdo do jogo.

6- Criação dos Jogos

A criação do jogo implica a definição das regras, que modificarão a Lógica do Jogo se comparada ao futebol; do número de participantes, que deixará a atividade mais ou menos complexa; além do espaço; do tempo e do metabolismo predominante, que poderá ser alático, glicolítico ou aeróbio.

A partir destes elementos, está preparada a sessão de treino. Seu resultado será o produto da aplicação do jogo, das suas intervenções ao longo da atividade e do feedback pós-treino. O começo, o meio e o fim da sessão devem fazer sentido e os jogadores terem a total compreensão dos porquês de cada atividade. Caso contrário, tudo não terá passado do jogo pelo jogo, ou seja, um ambiente pobre de aprendizagem num cenário em que treinar jogando deixará de maximizar os benefícios e potencializará os riscos. Falemos sobre isso numa outra oportunidade.

Para concluir, os itens supracitados compreendem o pré-requisito para a discussão de colunas futuras que abordarão uma proposta de microciclo de periodização com jogos para ser aplicada em equipes sub-20 e profissionais.

Aguardo a opinião dos leitores sobre estes elementos, elencados a partir de inúmeras leituras direta ou indiretamente relacionadas ao futebol, e também aceito sugestões para o aperfeiçoamento diário que deve ser nossa atuação profissional.

Bons treinos a todos!

Written by Eduardo Barros

3 de abril de 2013 at 10:48