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As concentrações e o mau uso dos recursos no futebol

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Só é possível jogar bem se concentrar?

Algumas verdades do futebol são, para muitos, inquestionáveis. A necessidade da concentração de todos os jogadores convocados de uma equipe na véspera de um jogo (ou até na antevéspera) é uma delas.

Para grande parte da diretoria, comissão técnica, torcedores e inclusive dos próprios jogadores, concentrar-se em hotéis, com conforto, mordomias, refeições à disposição, conexão à internet, TV por assinatura, entre outras regalias, é pré-requisito para o bom desempenho.

Esta prática, realizada empiricamente, é onerosa para os clubes e mesmo assim mantida em virtude da importância cultural de sua realização.

Como o futebol brasileiro vive um momento de constantes reflexões, seja pelo novo vexame do nível de jogo de muitas equipes brasileiras em relação ao futebol europeu (previsto, mas não ocorrido na Copa das Confederações e evidente nas recentes turnês das equipes brasileiras na Europa), ou até pela conduta do coordenador técnico das categorias de base da seleção, Alexandre Gallo, que pretende implantar uma nova mentalidade nas jovens promessas do país, o momento é pertinente para mais esta discussão.

Dos clubes grandes aos pequenos, dos que disputam competições nacionais aos que disputam somente as estaduais, da primeira a última divisão, as concentrações (mais ou menos custosas dependendo dos recursos do clube) sempre estão em pauta como despesas inevitáveis.

Como sabemos, as despesas de um clube de futebol são diversas em cada um dos seus departamentos. Fisioterapia, Nutrição, Fisiologia, Técnico, Administrativo, Financeiro, Operações e Marketing. Será que os gastos com concentração não seriam melhor alocados se investidos nos diferentes setores do clube?

Clubes pequenos sofrem com departamentos médicos em péssimas condições, mas não abrem mão da receita para concentração. Não oferecem suplementação, mas no Sábado tem uma delegação com 30 concentrados para o jogo de Domingo. Tem academias precárias, mas compensam com a hospedagem na véspera dos jogos. Não investem em recursos para o controle da carga de treinamento, porém gastam excessivamente com hotéis. Não possui psicólogo no corpo técnico, mas acredita na “concentração”. Existem ainda muitos outros exemplos: ônibus próprio, salários atrasados, manutenção do estádio, etc.

Se as implicações da prática da concentração tivessem impactos somente financeiros/estruturais, os prejuízos seriam reparáveis; no entanto, o principal problema é humano. Da ocupação do tempo e do nível de consciência dos nossos atletas.

O fato é que até o jogador de hoje das nossas categorias de base espera ansiosamente pelo momento em que, após o treinamento na véspera de um jogo, ele e toda a delegação se enfurnem num hotel para passarem horas e horas ociosas. Ou cometemos o ledo engano de pensarmos que os atletas ficam o tempo todo refletindo sobre o jogo do dia seguinte?

Vários são os motivos que perpetuam as concentrações. Como principais, apontam-se a pressão pelas vitórias (que não permite espaço para “pouca concentração”) e a conduta do jogador brasileiro, boêmio, “da noite” e descompromissado.

Os que apontam os motivos esquecem que preparar-se para jogar bem é um exercício que independe do quanto de conforto é oferecido ao atleta. Um simples espaço em que ele tenha condições de projetar imagens mentais positivas do confronto é suficiente. Além disso, ensiná-lo a controlar a respiração, a se conhecer, a sentir-se e a “esvaziar” a mente pode ser muito mais eficiente que um dia todo habitado num quarto de hotel amontoado de aparatos tecnológicos que lhe fazem passar o tempo.

Repetir um processo enraizado em todas as divisões do futebol brasileiro é mais simples que tentarmos buscar novas soluções, mais complexas, mais profundas e que exigem maior reflexão. Nossa e dos jogadores.

Nós, profissionais do futebol e inseridos nesta cultura, deveríamos fazer o melhor para ressignificar a modalidade, da gestão à área técnica. Para isso, uma mentalidade inovadora, transformadora e disposta a quebrar paradigmas é fundamental. Qual a sua opinião sobre a concentração?

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:34

Algumas propostas de calendário para as categorias de base de SP

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Adequações no modelo da federação paulista pode potencializar a formação competitiva dos atletas

FPFNo dia 26/03/2013 ocorrerá o Seminário Calendário do Futebol. Organizado pela Brasil Sport Market, com realização da Pluri Consultoria e Trevisan Escola de Negócios, o seminário irá debater algumas questões referentes à elaboração de um calendário mais adequado e eficiente para o futebol brasileiro.

Aproveitando a temática e com o intuito de estender a discussão às categorias de base, a coluna desta semana proporá adequações na disputa do Campeonato Paulista sub-15 e sub-17.

Nesta semana, foi divulgada no site da federação a proposta para a competição de 2013, que terá 78 equipes. Divididas em 8 grupos com 8 equipes e outros 2 com 7, neste formato, os clubes disputarão no mínimo 12 e no máximo 28 partidas.

Após o término da primeira fase, no dia 06/07, restarão 32 equipes, equivalente a 41% dos participantes.

Seis jogos compõem a segunda fase, classificando-se as duas melhores equipes de cada um dos 8 grupos formados. Na sequência da competição, disputam-se as oitavas, as quartas, as semifinais e a final.

O fato é que numa das melhores competições das categorias de base do país, em que muitos clubes (devido aos escassos recursos financeiros) jogam somente ela ao longo do ano, após o dia 06/07 teremos aproximadamente 1380 atletas em formação sem atividades competitivas de alto nível. Para compor este cálculo, basta multiplicar as 46 equipes eliminadas por 30, que é o número médio de atletas em um elenco.

Com as eliminações da primeira fase, fatalmente grandes atletas em potencial serão prejudicados, pois serão eliminados precocemente da competição. Para exemplificar, o grupo 7 (classificado por um companheiro de profissão como o “grupo da morte”) é formado pelas equipes Audax, Bragantino, Juventus, Guarani, Paulista, Red Bull, Atibaia e Palmeiras e somente 3 terão lugar na próxima fase. Como pode ser observado, por consequências do regulamento, equipes tradicionais nas competições das categorias de base não terão o que competir durante boa parte do segundo semestre.

Diante disso, será que é possível pensar num outro formato para a competição que além de manter a qualidade, dê maior oportunidade de jogos aos jovens atletas?

Sabemos da importância da competição para a formação esportiva, logo, nada mais coerente que proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento dos atletas com um maior número de jogos. Sob este viés, tentando privilegiar um maior número de equipes classificadas e/ou o número mínimo de jogos sem estender o calendário por muitas rodadas, seguem, abaixo, algumas propostas para as competições sub-15 e sub-17 da FPF, considerando as 78 equipes registradas em 2013.

Proposta 1

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 16 grupos de 2. Classifica-se a equipe com maior pontuação em dois jogos (ida e volta)

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), porém, o número mínimo de jogos sobe para 18 ou 19, dependendo do grupo. Este aumento proporciona, pelo menos, 28% mais jogos (para equipes que jogariam 14 jogos e passariam a jogar 18), chegando até a 58% (para equipes que jogariam 12 jogos e passariam a jogar 19). As equipes que chegarem à final terão disputado 28 ou 29 jogos.

Proposta 2

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo após dois turnos (ida e volta).

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta também se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), com o mesmo número mínimo de jogos da proposta anterior. Difere somente na segunda fase, em que ao invés de disputarem somente dois jogos, formam-se grupos de 4 e disputam um total de 6 jogos.

Proposta 3

Primeira Fase: 6 grupos de 10 e 2 grupos de 9. Classificam-se 5 equipes por grupo.

Segunda Fase: 40 equipes divididas em 10 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 4 por índice técnico.

Terceira Fase: 24 equipes divididas em 6 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: 12 equipes divididas em 3 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 2 por índice técnico.

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

O número de equipes classificadas sobe para 40, representando um aumento de 10% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 16 ou 18, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 31 ou 33 jogos.

Proposta 4

Primeira Fase: 6 grupos de 11 e 1 grupo de 12. Classificam-se 6 equipes por grupo mais 2 por índice técnico.

Segunda Fase: 44 equipes divididas em 11 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 10 por índice técnico.

Terceira Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

Na última proposta o número de equipes classificadas sobe para 44, representando um aumento de 15% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 20 ou 22, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 34 ou 36 jogos.

Obviamente muitos fatores precisam ser considerados (administrativos, estruturais, financeiros, logísticos) tanto da federação, como dos próprios clubes, para que seja realizada alguma mudança. Somente para citar um exemplo caso um dia o calendário se modifique, talvez deva ser mais prudente inverter os jogos destas categorias (sábado de manhã) com os juniores (sábado à tarde), pois com o maior número de partidas e, por consequência, viagens, uma maneira de diminuir os custos é não gastar com hospedagem, logo, viajar no dia. Para a categoria sub-20, mais próxima do profissional, é pré-requisito um maior investimento.

Enfim, caso um dia o calendário se modifique, ganham os atletas que poderão fazer por mais tempo o que mais gostam no melhor ambiente de aprendizagem existente; os clubes, pois terão mais tempo para avaliar especificamente os seus jogadores; os gestores de campo, pois poderão permanecer empregados por mais tempo; e no longo prazo pode ganhar o futebol brasileiro, pois com bons trabalhos cada vez mais frequentes desenvolvidos nas categorias de base do estado, teremos como produto final atletas com excelência de formação e com muita experiência competitiva.

Aguardo opiniões e outras propostas.

Copa do Mundo de 2014: seremos campeões?

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Diante de todos os acontecimentos, como você se posiciona em relação ao cenário atual do nosso futebol? 

Copa 2014Para a maioria dos brasileiros a conquista do hexacampeonato mundial é uma obrigação. Jogando em casa e com Neymar no elenco, resta ao treinador convocar mais vinte e poucos jogadores e motivá-los, com seu espírito vitorioso, a fim de que o talento nato dos nossos atletas apareça. Precisamos desses talentos para decidir as partidas nos equilibrados jogos que, atualmente, só podem ser definidos através de jogadas individuais.

O trecho anterior é somente um exemplo dos milhares de equívocos que são pronunciados e praticados dia após dia em nosso futebol.

E você, profissional (ou não) da modalidade, como se posiciona diante desses equívocos? Colabora para que eles aconteçam? Simplesmente observa e caminha para a direção que lhe for mais conveniente em determinada situação? Ou defende e pratica, arduamente, mudanças em todos os âmbitos deste esporte?

O futuro do futebol depende, diretamente, do nosso posicionamento.

Optar pelo caminho da mudança, norteado pelo necessário processo de transformação do futebol brasileiro, é um dos desafios de quem pretende seguir carreira neste mercado que, como muitos outros, é influenciado constantemente por conflitos administrativos, políticos, de interesses e de disputa pelo poder.

Todos estes conflitos impactam na área técnica da modalidade. A demissão de Mano Menezes é um exemplo recente deste impacto, neste caso, de grande magnitude. O fato é que, maiores ou menores, tais impactos definem um cenário atual repleto de limitações e complicações que atrasam a evolução do nosso futebol. Como exemplos deste cenário, acompanhem os tópicos abaixo:

 

  • Pouquíssimos profissionais do futebol foram      formados no ano de 2012. Num país que possui milhares de treinadores,      quais são as políticas educacionais para capacitarmos os gestores de      campo?  Entendam que a solução não      está nos cursos de graduação em educação física. Precisamos de iniciativas      e formações específicas (de qualidade) para a modalidade.
  • Alguém que pretende trabalhar com futebol,      mas não está inserido no mercado por não ter sido ex-atleta, não teve (ou      teve mínima) oportunidade de entrevista de emprego no presente ano. Seguramente      seu CV não faz parte do banco de dados da maioria dos clubes de futebol      brasileiros, pois tudo isso é desnecessário, uma vez que as contratações      acontecem quase que exclusivamente por indicações e influências.
  • Os trabalhos de pré-temporada para os      estaduais 2013 já começaram e muitas equipes negam-se a fazer amistosos,      pois estão em períodos de somente treinos físicos. Dentre esses treinos,      encontram-se os tiros de 1000 metros e os treinos na “caixa de areia”.
  • Clubes tradicionais do futebol brasileiro      ainda não contam com um departamento de análise de jogo e participam de      uma das melhores competições do futebol nacional sem um conhecimento      aprofundado do adversário e, inclusive, da própria equipe.  Equipes vencem, empatam e perdem sem      conhecerem os reais motivos para os respectivos resultados.
  • Em tempos de gestão eficaz, na busca por      melhores resultados mesmo com redução de custos, clubes gastam milhares de      reais acomodando jogadores em hotéis de luxo como única alternativa      possível para aumentar o nível de concentração dos jogadores na tentativa      de escaparem do rebaixamento.
  • Por mais que um determinado profissional      estude, se capacite, faça estágios, cursos e dirija uma equipe com      sucesso, um ex-jogador sempre, mesmo sem qualquer capacitação além de ter      sido atleta, está mais credenciado para uma função técnica.
  • Na grande maioria dos clubes, em todas as      categorias, o único valor considerado é o do resultado de campo. Egos      “inflados”, incapacidade administrativa e pressão criada pela nossa      cultura, são elementos que contribuem para a valorização excessiva da      vitória.
  • Elencos inteiros são formados a partir de      interferências diretas de agentes, empresários e dirigentes em função de      benefício financeiro próprio e não na busca do melhor para o clube.
  • A troca de comissões é uma constante e      raríssimos são os clubes que oferecem plano de carreira. O seu trabalho      pode ser interrompido (e será em algum momento) ainda que as vitórias      apareçam.

 

Entender o cenário e ainda assim estabelecer um posicionamento favorável às mudanças é tarefa para poucos. Ter resiliência e persistência são características indispensáveis na tentativa de sobrevivência que compreende a luta diária de quem opta por esse caminho.

Felizmente, neste mesmo cenário (composto por limitações e complicações) é possível “enxergar uma luz no fim do túnel”, pois projetos de sucesso, mesmo que isolados, surgem no heterogêneo futebol brasileiro. Enderson Moreira, Ricardo Drubscky, Ney Franco e Tite são bons exemplos para identificar tais projetos. Bons argumentos, bons estudos e, principalmente, bom futebol!

Voltando à seleção brasileira, é melhor evitar qualquer opinião a respeito do substituto de Mano Menezes. O tempo (sempre ele) dirá se o preferido pelo povo era a melhor opção.

E para todo o povo, fiel torcedor e assumido treinador, pouco importa o que faremos até junho de 2014. Se após a competição o título for brasileiro, do alto da nossa arrogância, ostentaremos a hegemonia do futebol com seis títulos mundiais. Não terá importância o como, com quais métodos (se novos, ou novos-velhos) ou com qual treinador.

Já para os profissionais do futebol, que se importam muito com os acontecimentos até a próxima Copa e também com os acontecimentos futuros, deixo uma reflexão análoga aos conhecimentos sobre o jogo. Se nele tentamos dar maior previsibilidade a um ambiente que, por característica, é imprevisível, a fim de que nos aproximemos das vitórias, o conhecimento sobre o atual cenário nos permite opinar sobre o desempenho previsto do Brasil na Copa de 2014:

Fica, então, a questão: seremos campeões?

Written by Eduardo Barros

2 de dezembro de 2012 at 17:35

A várzea forma melhor que os clubes brasileiros?

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Questão polêmica nos permite reflexões e aprendizados. Qual a sua opinião?

Certa vez encerrei uma de minhas colunas com a seguinte pergunta: a várzea forma melhor que os clubes brasileiros?

Na ocasião já deixava em pauta (para reflexão) um tema que tem, com os Jogos Olímpicos de Londres, um momento bem pertinente para abordá-lo.

No futebol masculino, dois atletas brasileiros tem se destacado na campanha que levou a seleção à final dos jogos diante do México.

O primeiro deles é Leandro Damião, que até a final havia marcado seis gols e estava isolado na artilharia da competição. Numa busca da história profissional do atleta, que tem 23 anos, podem ser extraídas algumas informações interessantes.

Reprovado em diversas peneiras de grandes clubes do futebol brasileiro, o atacante conseguiu espaço no futebol catarinense e foi uma das revelações do campeonato estadual de 2009 pelo Atlético de Ibirama-SC.

Havia ingressado no clube aos 18 anos, já em fase final de formação, e em menos de duas temporadas foi negociado junto ao Internacional-RS. Com a manutenção de seu desempenho e dos gols, num curto espaço de tempo chegou à seleção brasileira.

Com seu poder de posicionamento-remate, Leandro Damião integra a reduzida lista dos melhores centroavantes do futebol brasileiro na atualidade (que ultimamente, além de meias, também tem recorrido a atacantes estrangeiros).

Ver que um atleta chegou à seleção brasileira sem ter passado um período de formação em qualquer categoria de base (ao menos assim é a informação divulgada) permite alguns questionamentos e reflexões:

Será que os clubes brasileiros não estão conseguindo formar jogadores de alto nível para compor seu elenco principal e, inclusive, o da seleção?

Quais competências de Leandro Damião foram adquiridas na várzea que permitem que o atacante seja um dos melhores da função no futebol nacional?

É possível sistematizar o ensino de tais competências na base para aumentar o número de jogadores com potencial para servir à seleção brasileira?

Será que os clubes brasileiros, muitas vezes, retiram o Jogo dos nossos atletas e fragmentam o futebol (e os treinamentos) em suas quatro vertentes, distantes da realidade competitiva? Será que este não pode ser um dos grandes motivos da ausência de melhores jogadores no nosso futebol?

Mudando de assunto para o segundo atleta, menciono Neymar e suas atuações nos jogos olímpicos. Após um período de desempenho não excepcional, em que foi bem marcado na Libertadores pelos adversários estrangeiros das fases finais e pelo Corinthians (que tem os melhores princípios de jogo defensivos do futebol brasileiro), mais de um veículo de comunicação elogiou o atleta. Segundo a mídia esportiva, mesmo diante da sua limitação de análise de jogo, mas respaldada pela opinião de Mano Menezes, o jogador está mais coletivo, solidário e evitando o drible (e a consequente perda) quando bem marcado.

O fato é que muitos têm afirmado que o período que Neymar tem passado com a seleção tem feito bem para o seu crescimento profissional.

Sabemos que o tempo em que os atletas ficam com as seleções, seja de base ou principal, são curtos e que muitas vezes o tempo de preparação para as competições são insuficientes. Diante disso, no tempo que está no cargo, Mano Menezes tem tentado desenvolver uma cultura de jogo que seja aplicada do sub-15 à seleção principal. Em médio-longo prazo este trabalho pode trazer resultados (não me refiro somente às vitórias). Enquanto isso, Neymar logo voltará ao seu clube e, se mal orientado, velhos comportamentos de jogo podem vir à tona.

Para facilitar o trabalho de Mano (e ele já afirmou isso em várias oportunidades), é urgente o desenvolvimento nos clubes de uma Filosofia condizente com os princípios de jogo do futebol moderno. Infelizmente, ainda vemos vários exemplos de projetos embrionários, ou então, inexistentes.

Se o cenário dos clubes assim permanecer, logo terei que publicar outra coluna. Desta vez, intitulada:

A seleção forma melhor que os clubes brasileiros?

Seria somente mais uma inversão de valores do nosso, muitas vezes, confuso futebol!

Dirigentes e investidores: aprendam sobre a (boa) formação

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“Coincidências” trazem algumas lições sobre o trabalho de longo prazo

Três notícias futebolísticas dos últimos dias, aparentemente desconexas, têm uma significativa relação. Por terem ocorrido coincidentemente em uma mesma semana motivaram-me a escrever sobre o que elas representam.

A primeira diz respeito à convocação de um atleta para a seleção brasileira sub-15, formada por jogadores nascidos em 1998, que se reuniu na Granja Comary para um período de treinamentos. É o início da preparação da categoria comandada por Emerson Ávila que, em 2013, estará no “ano bom”.

A outra notícia se refere à opinião de Seedorf em relação a um dos seus companheiros no Botafogo-RJ. Após orientá-lo defensivamente quanto à sua tomada de decisão para desarmes, o jogador holandês elogiou-o publicamente quanto ao seu jogo ofensivo: “é muito dinâmico e não enrola com a bola no pé”.

Por último, a contratação de um lateral direito pela equipe do Real Madrid. A princípio a contratação é para a equipe B, porém, como nem todos os atletas iniciaram a pré-temporada, o jogador, que tem sido convocado para os últimos jogos da seleção brasileira sub-20, está treinando com a equipe principal.

O primeiro atleta ainda é um adolescente e fez parte somente de uma convocação. No entanto, ter oportunidade de ser lembrado num momento em que a CBF tem divulgado a importância de um trabalho de base em longo prazo, que reflita positivamente no elenco principal, é considerável.

O segundo, em fase final de formação com apenas 20 anos, busca um espaço na equipe carioca. Neste momento, poder ter como conselheiro o experiente Seedorf pode cortar-lhe bons caminhos na busca pela titularidade.

Já o último, igualmente jovem, viveu em pouco mais de um ano uma ascensão profissional meteórica. Após a Copa São Paulo de 2011, o atleta foi negociado com o Fluminense-RJ, disputou as competições juniores daquele ano, a Copa São Paulo de 2012 e após a disputa do torneio Oito Nações pela seleção, foi transferido para o Rio Ave-POR. Não ficou nem um mês em Portugal antes de ser emprestado por seis temporadas ao clube que tem Mourinho como treinador.

José Marcos, Gabriel e Fabinho. Três atletas em clubes e momentos distintos da carreira, mas com um ponto em comum: tiveram importante passagem pelo mesmo clube formador.

O primeiro por dois anos, durante 2010 e 2011 e os outros dois, por seis anos, de 2005 a 2010.

Frutos de uma boa formação, claro que sem desconsiderar as passagens pelos seus respectivos clubes posteriores, o posicionamento que cada um destes atletas tem atingido em suas carreiras evidencia o que é urgente e sabido por alguns profissionais do futebol, porém, desconsiderado pela grande maioria dos dirigentes e investidores.

Como nos orgulhamos em afirmar, no Brasil, somos cerca de duzentos milhões de treinadores. Entre esses duzentos milhões encontram-se muitos dirigentes e investidores que creem ter a fórmula certa para prosperar no futebol.

A partir dessa visão, contratam, dispensam, gerenciam, gastam, competem e investem sem critérios eficazes, o que em médio-longo prazo leva para a insustentabilidade.

A solução seria buscarem informações do que é tendência na Ciência do treinamento em futebol para formarem equipes de trabalho capazes de agregar valor a cada um dos atletas em formação num determinado clube. Com um trabalho qualificado, invariavelmente, os resultados (promoção de jovens valores, negociações, sustentabilidade, retorno financeiro) apareceriam.

Como a solução praticada não é essa, temos que observar exemplos quase que cotidianos de equívocos técnicos permitidos por deficiências administrativas. Por exemplo, a opinião de Zinho ao mencionar uma das justificativas ao demitir Joel Santana. O dirigente disse que o Flamengo precisa de um treinador com ideias novas. A ideia nova não deve partir do treinador e sim da gestão da instituição. É ela quem deve saber o que é ou não atual.

Quanto àquele clube formador, que os resultados continuem aparecendo e os referidos atletas, além de outros também, se destaquem no mercado do futebol para que sirvam como bons exemplos aos questionamentos feitos por aqueles que são avessos ao conhecimento.

Espero, somente, que esses que são avessos ao conhecimento não digam que foram meras coincidências…

Para ampliar a discussão e acelerar a evolução do futebol brasileiro

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Temática levantada pelo zagueiro Paulo André deve ser amplamente discutida para impulsionar mudanças na formação do atleta brasileiro

Na semana passada, a Universidade do Futebol publicou na íntegra o post feito pelo zagueiro do Corinthians Paulo André, em seu blog oficial, a respeito das Categorias de Base, mais especificamente em relação ao clube que atua. Uma semana depois, um importante canal de televisão brasileiro, em seu portal de notícias, promoveu uma matéria com um atleta corintiano recém-contratado, em que o tema principal era a qualidade da “resenha” do jogador e as mais de 500 mulheres com as quais ele já saiu.

Como devemos respeitar as diferentes interpretações/visões da realidade, feitas por cada indivíduo/sociedade, e compreender que questões como estas, ou então, de Luiza, do Michel Teló, além do episódio no BBB, são mais atrativas do que questões ideológicas e revolucionárias, prefiro, ao invés de criticar a referida matéria, divulgar a louvável iniciativa do zagueiro Paulo André e “brigar” para que ela ganhe maiores dimensões.

Há alguns dias, participei de uma matéria feita pelo canal SporTV que abordava a perda de prestígio dos treinadores brasileiros no cenário mundial. De uma maneira simplificada, a reportagem permitiu a compreensão de somente um pequeno fragmento do todo que tem desprestigiado nossos treinadores e, é claro, nosso futebol. A repercussão da matéria: mínima!

Da grande parte das ideias que tentei transmitir em cerca de 5 minutos de entrevista, somente alguns segundos foram ao ar. Estou certo de que muitas, senão todas as ideias que mencionei à jornalista já foram bastante discutidas/exploradas/evidenciadas na Universidade do Futebol. Porém, estas ideias (as minhas, as suas, as dos demais colunistas e colaboradores) não podem ter suas divulgações restritas somente a este espaço.

E é neste ponto que o atleta Paulo André pode contribuir com nossas reflexões diárias acerca do futebol. Atleta profissional de um clube de massa, com respeito de diretoria, torcedores e mídia em geral, o valor simbólico da sua opinião é infinitamente superior a minha, colunista semanal e técnico adjunto do pequeno Paulínia FC.

Ao ler o post de Paulo André, redigi a seguinte opinião: 

“Qualquer comentário sobre a atual situação do futebol brasileiro pode parecer pobre quando comentada em poucas linhas, ainda mais quando o assunto se refere às Categorias de Base, ou melhor, ao FUTURO do nosso futebol.

Já mencionei em uma das minhas publicações na Universidade do Futebol que o Brasil tem material humano suficiente para ter pelo menos um Barcelona (clube modelo de formação) por Estado. Para isso, falta o principal: gestão competente do departamento de futebol profissional dos mais de mil clubes espalhados pelo país.

Poderia comentar a visão da Gestão para os diferentes perfis de clubes (formadores, clubes de massa, clubes pequenos) e também sobre os diferentes perfis de administração (terceirização, abandono, descaso, investimentos exorbitantes), que possibilitaria uma maior visão sobre as Categorias de Base no Brasil, porém, como você relata o case Corinthians (clube de massa com investimento anual exorbitante na Base), é nele que irei me prender.

Concordo plenamente que poucos jogadores estão maduros (fisica-técnica-tática-emocionalmente) aos 18 anos para ingressarem em alto nível no Depto. Profissional, porém, emprestar jogadores penso que não é a alternativa mais viável. Disputar competições com uma equipe B é uma opção plausível. O elenco principal teria mais tempo para a pré-temporada (e você mais tempo de preparação que tanto deseja) se vocês jogassem somente alguns jogos do Campeonato Estadual. Num ano em que vale o título ainda não conquistado (Libertadores), Campeonato Paulista não deve ser prioridade de título da diretoria. Eis um momento importante para jovens jogadores amadurecerem!

Sobre a mudança de idade da Copa SP, na minha visão, é indiferente. Clubes bem planejados, não devem fazer deste torneio o divisor de águas sobre um bom ou um mau trabalho. O São Paulo foi Campeão Paulista sub-20 e eliminado na 1ª fase da Copinha; sinal que está tudo errado e que alguém deve pagar por isso? De maneira alguma…

Caso o Corinthians seja campeão (assim como foi), também não significa que muitos estarão em condições de jogar no profissional. Com diversas competições nacionais e internacionais de categorias de base, a Copa SP é somente mais uma com mais visibilidade do que as demais devido ao recesso do futebol profissional.

Desfazer-se da categoria de base, no caso do Corinthians, é desfazer-se da grande identidade futura do clube. Qual o melhor ambiente para a raça corintiana (idolatrada pela torcida) ser adquirida que não no depto de formação do clube? Será que, ao longo do tempo, todos os jogadores contratados viriam com este sentimento/atitude?

Será que as contratações se encaixariam perfeitamente no Modelo de Jogo do clube (e não no Modelo do treinador)?  Se tal Modelo estiver sendo desenvolvido desde o Dente de Leite (como faz o Barça) ao sub-20/sub-23, pouquíssimos jogadores precisariam ser contratados.

Este meu argumento poderia ser facilmente batido ao mencionar que o Real Madrid quase não tem jogadores da Base. É fato, como também é certo que é muito custoso (muito mais que R$ 15 milhões) e que não é garantia de título. Faz anos que o Real não disputa uma final de Champions.

Concluindo, passa tudo pelo principal: gestão competente do depto de futebol profissional que deve estreitar a comunicação com a Base, contratar profissionais capacitados para o depto. de formação, aproveitar as mudanças da lei Pelé que privilegiam o clube formador com um contrato, transmitir uma Filosofia desejada e supervisionar sua aplicação, profissionalizar com salário coerente atletas em potencial e preparar os jogadores (fisica-técnica-tática-emocionalmente) com o que há de mais atual em relação à metodologia de treinamento e se desvincular de agentes/empresários que limitam a evolução do futebol brasileiro e prejudicam os clubes.

Enfim, é um processo demorado, trabalhoso, mas que pode dar sentido (lucro e sustentabilidade) à existência das categorias de base dos clubes de massa.

Talvez, com a operacionalização de tudo isso, jogadores mais “maduros” (atletas e não boleiros) apareçam em maior número e já nas idades de transição da categoria Júnior.”

 O Paulo André ainda irá fazer mais três publicações sobre o mesmo tema. Irá, inclusive, contrapor a opinião da postagem inicial.

Não deixe de se posicionar! Entre no blog do atleta e o instigue com reflexões, questionamentos e comentários. Enfim, faça sua parte. Quanto mais pessoas pensarem e intervirem nas questões do futebol de formação, mais rápida será nossa evolução.

Por enquanto, agradeço ao Paulo André pela iniciativa.

Bem que poderíamos ter um jogador (atleta e não boleiro) como este por clube grande do futebol brasileiro…

Entrevista para o canal SporTV

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Matéria publicada no último dia 12, no programa SporTv News:

http://sportv.globo.com/videos/sportv-news/t/ultimos/v/tecnicos-de-futebol-brasileiros-perdem-prestigio-na-europa-e-no-mundo/1766275/

Agradeço ao Coordenador do Curso de pós graduação da Universidade Gama Filho, Roberto Banzé, pela oportunidade.

Written by Eduardo Barros

18 de janeiro de 2012 at 22:06