tecnicoeduardobarros

Temas atuais relacionados ao Futebol

Posts Tagged ‘Opinião

Os exemplos dos treinadores brasileiros

leave a comment »

Como você agiria se estivesse na mesma situação?

A atuação e conduta dos técnicos profissionais do Brasil servem de exemplo para auxiliar a formação dos jovens e aspirantes a treinadores que trabalham nas categorias de base das equipes espalhadas pelo país.

Dentro do campo, pode-se aprender muito com a gestão dos 90 minutos. É possível observar a característica principal das substituições e os efeitos que elas resultam no jogo, o comportamento emocional frente às decisões do juiz, ao placar e aos erros e acertos da equipe. Além disso, o próprio desempenho de campo é um reflexo do que o treinador, enquanto líder, conseguiu transmitir aos seus comandados.

Fora de campo os exemplos continuam. Cada reportagem e entrevista coletiva vão construindo a imagem do treinador desde a descrição de como se preparou para o exercício do cargo, a justificativa das vitórias, os porquês das derrotas, até as respostas de acordo com os questionamentos (muitas vezes sutilmente agressivos) da imprensa. A construção final desta imagem (que jogo a jogo vai sendo reconstruída), na ótica do jovem profissional, permite classificar cada técnico (em cada uma das suas condutas) como um exemplo a ser ou não seguido, livre de julgamentos.

E nos últimos dias, alguns acontecimentos envolvendo os principais treinadores do país têm servido de ótimas possibilidades de aprendizado.

Você criticaria o grande ídolo da torcida e o apontaria como um dos principais motivos por sua saída do clube?

Você responderia a uma dura crítica após uma goleada com uma ofensa pessoal?

Você declararia abertamente que, talvez, por uma vaga na seleção seja necessário trocar de clube?

Como será que uma equipe lidera um dos campeonatos mais difíceis do mundo mesmo com salários atrasados?

Você assumiria a responsabilidade pela falta de resultados mesmo com pouco tempo no comando de uma equipe?

Se os gandulas não cumprissem com suas obrigações durante o jogo como você reagiria?

Se um atleta reclamasse publicamente que precisa jogar mais e mesmo com mais oportunidades não correspondesse, você o defenderia?

Após uma sequência de maus resultados, você afirmaria à imprensa que, caso você fosse o gestor, também demitiria?

Você assumiria que o principal motivo para uma pausa na atuação profissional se deu para um período de reciclagem, estudos e capacitação técnica?

Você assumiria, sendo um dos responsáveis pelo futebol nacional de alto nível, que o país está atrasado taticamente?

Ser treinador no país do futebol é exercer uma profissão com imensa exposição. Tentar compreender todo o cenário e saber que cada atitude repercute positiva ou negativamente na gestão de pessoas e dos conflitos relativos ao clube pode ajudar a ter sucesso num jogo que dura muito mais que 90 minutos.

O jogo dos jovens treinadores é menos complexo e envolve menos elementos, mas não deixa de ser um ambiente propício de reflexão e aprendizado para comportamentos e condutas futuras.

Pois nestes jogos, que duram mais que 90 minutos, como diria um companheiro de profissão: “dar treino é um mero detalhe…”

Abraços e até a próxima semana.

Anúncios

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:48

Uma pausa nas questões táticas

leave a comment »

Tempo de reflexões esta semana deve ser outro

Assuntos táticos não faltam para serem discutidos, especialmente neste período de Copa das Confederações. Porém, ter um espaço semanal para publicações num portal que tem um olhar transdisciplinar para o futebol e fechar os olhos para as manifestações da população brasileira que ocorreram nos últimos dias não me pareceu coerente.

É difícil falar de seleção brasileira, Neymar, Paulinho, Posse de Bola, Espanha, Momentos do Jogo, Itália, Modelo de Jogo, Periodização ou quaisquer outros temas num momento em que o povo vai à rua e expressa (nem sempre da melhor forma) tamanha indignação.

Como escrever sobre estes atos não compreendem a minha especialidade profissional, procurei em diversos posts, vídeos e reportagens uma visão que representasse parte da minha opinião.

E foi de um e-mail encaminhado pela minha esposa e escrito pela psicóloga Patrícia Gebrim que encontrei alguns parágrafos de imenso significado.

A Avenida Paulista virou um espelho

“Tenho acompanhado, com o coração apertado, as manifestações que vem acontecendo no Brasil. Moradora de São Paulo, não há como não sentir esse nó na garganta ao ver as imagens da Avenida Paulista tomada por fumaça e toda aquela agressividade. Ao mesmo tempo, a sensação incômoda de me sentir manipulada por informações desencontradas, e como muitos brasileiros, de achar muito difícil saber no que acreditar.
Assim, registro internamente tudo o que li, vi e ouvi na última semana, fecho os olhos e busco informações dentro de mim. Penso que é lá, dentro de nós, que encontraremos sempre a opinião mais sábia e sensata, e peço ajuda para ser capaz de escrever algo que faça algum sentido, algo que possa, de alguma maneira, aliviar essa sensação de impotência que anda tão presente em meu íntimo e servir de alguma ajuda neste momento.
Tenho vivido em um país onde os abusos tornaram-se o “pão nosso de cada dia”. Corrupção, péssima educação para nossas crianças, sistema de saúde ineficaz. Respeito e ética tornaram-se palavras que devem morar em algum museu. Os tais vinte centavos são um símbolo. Não estamos aguentando mais. Algo precisa mudar. E após tanto tempo calado, impulsionado por uma energia que vem se espalhando por todo o planeta, amparado pela comunicação facilitada pelas redes sociais, o povo resolveu falar, recuperar sua voz. Nada mais legítimo.
No entanto, quando ocorre um fenômeno de massa como o que está acontecendo, é muito fácil perdermos, na coletividade, aquela fagulha divina que validava o movimento dentro de cada um de nós. Corremos o risco de ter a alma engolida pelo animal que mora em nós, e quando isso acontece, a legitimidade de nossos atos desaparece.
Se, enquanto humanidade, já tivéssemos atingido um nível superior de consciência, os manifestantes iriam pacificamente às ruas, os policiais cuidariam para que a manifestação ocorresse de forma protegida e todos sairiam ganhando. No entanto, enquanto seres humanos, “não importa de que lado estejamos”, somos ainda muito falhos. Levamos ainda, em nosso íntimo, uma imensa sombra. Carregamos medos, raiva, ressentimentos, inveja, ódio. E de repente, no meio da multidão, nossa luz se esvai e essa parte mais densa se sobressai. Talvez isso não aconteça com todos, mas basta uma pequena fagulha para que um fogo se faça. Aqui e ali, de um lado ou de outro, nos tornamos animais, os animais que somos também. O animal que ainda não curamos.
Se existem atos de destrutividade por um lado, e resposta truculenta por outro _ e estou certa de que ambos existem _ isso está refletindo o conflito e a agressividade que ainda existe dentro de cada um de nós.
Deixo as considerações políticas aos políticos. As considerações sociais aos sociólogos. Cabe a mim, como ser humano, dizer que precisamos nos tornar maiores do que o animal que mora em nós.
Seja você um estudante cheio de paixão que caminha pelas ruas clamando por mais justiça social, seja você um policial que deixa um filho dormindo no berço para ir às ruas fazer o seu trabalho, vestindo sua farda com a intenção de preservar a ordem; não perca a sua essência, não perca a sua luz, não se perca na histeria das massas, não seja engolido por essa onda rubra que ensombrece nossa alma e amortece nossos corações.
Todos podemos perder nossa essência, e quando nos perdemos do que de belo existe em nós, todos perdem, e as cenas tristes dos últimos dias se repetem.
Assim, não estou aqui para julgar ninguém. Não estou aqui para dizer quem está certo ou errado, para nomear vítimas ou carrascos. Minha intenção é lembrar a todos do perigo intrínseco às generalizações.
Não se trata de “vândalos” versus “policiais truculentos”.
São pessoas. Seres humanos. De ambos os lados, muitas delas bem intencionadas. E muitas delas também tomadas por um lado animalesco, cheio de inconsciência e separatividade, que simplesmente destrói. E se existe algo que possa ser chamado de mal, esse mal estará incentivando a agressividade desmedida, o ódio generalizado por quem quer que more do outro lado da linha que traçamos.
Tudo é uma ilusão. Não há linhas. Somos todos irmãos.
Apenas peço, do fundo da minha alma, seja você quem for, que busque em si mesmo aquele lugar de sabedoria que lhe dirá que a pessoa que está lá, do outro lado, não é o inimigo.
O inimigo real só pode ser vencido dentro de cada um de nós.
Só teremos paz quando, cada um de nós, criarmos paz em nosso íntimo. Enquanto isso não acontecer, continuaremos a ver na tela da televisão o triste retrato de nossa própria distorção.
A Avenida Paulista é um espelho do que acontece dentro de cada um de nós.”
 

Agradeço a sua compreensão, leitor, por dedicar alguns minutos do seu dia para uma reflexão que não é (será?) relativa ao futebol. Na próxima semana retorno com publicação sobre a Copa das Confederações.

 

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 15:56

Enfim, a negociação de Neymar

leave a comment »

Os desdobramentos táticos da venda do ex-atacante santista

NeymarO início de uma nova era! Esta foi a expressão utilizada pelo zagueiro e capitão da equipe do Santos, Edu Dracena, durante uma entrevista, para se referir à confirmação da negociação de Neymar, até então seu companheiro de clube, ao Barcelona-ESP.

Apesar de todos os esforços do clube santista para mantê-lo pelo menos até ao final da Copa de 2014, o fato é que a pressão externa realizada sobre o craque adiantou a esperada (e inevitável) transferência para a Europa.

Tal transferência é a oportunidade de ratificação das expectativas criadas em torno do atacante. Torcedores, imprensa, treinadores e especialistas esperam uma evolução do jogador que deverá solucionar problemas distintos dos que enfrentava no futebol brasileiro.

Com maior ou menor aprofundamento, muitos afirmam que a marcação na Europa é diferente da praticada no Brasil. Se por aqui ele estava acostumado a enfrentar marcações e pressões individuais, no velho continente encontrará linhas do adversário mais próximas, marcações zonais com ou sem pressing, coberturas e direcionamentos para setores de menor risco. Mecanismos defensivos comuns no futebol europeu que exigirão maior inteligência de jogo individual e coletiva de Neymar.

E não é só no momento ofensivo do jogo (para desorganizar o momento defensivo do adversário) que a evolução será necessária. A participação efetiva em todos os momentos, exigida de todos os jogadores, comum ao Barcelona e a todas as equipes taticamente evoluídas, seguramente lhe será exigida.

Nas transições defensivas, o Barcelona rapidamente apressa o adversário em espaço e tempo, enquanto no Brasil, o Neymar comumente perde segundos preciosos reclamando com a arbitragem. Quando reage mais rapidamente, faz uma ou duas pressões no adversário portador da bola sem um maior compromisso coletivo.

Defensivamente, para cumprir o Modelo de Jogo da equipe catalã, o jovem atacante deverá jogar orientado para a recuperação da posse de bola o mais rápido possível. Para isso, comportamentos de jogo habituais como estar à frente da linha da bola e andar enquanto compõe o balanço ofensivo deverão ser substituídos.

Já nas transições ofensivas, a evolução passa, principalmente, por jogar com menos toques na bola no setor tiki-taka da equipe espanhola e também saber ocupar espaço distante da bola, cumprindo a função determinada pelo Modelo e pelas circunstâncias do jogo. Tal evolução é necessária para evitar o excesso de jogadas individuais nas faixas intermediárias do campo de jogo e a demasiada centralização à bola.

A capacidade do jogador é indiscutível e sua adaptação ao futebol europeu seria mais rápida se ele saísse do país com mais competências, que lhe serão exigidas, já adquiridas. No entanto, no Brasil, tanto na formação, como no profissional, ainda estamos distantes de termos o futebol evoluído como realidade.

E como disse Edu Dracena, inicia-se uma nova era! Não para o Neymar, um grande talento que vai para uma das maiores equipes do futebol mundial, mas para o Santos, que segundo o zagueiro, estava acostumado a dar a bola ao atacante e esperar para ver o que acontecia.

Sem o Neymar, vamos precisar mais de Muricy, que trouxe os reforços que queria para a temporada 2013 e ainda assim continuou praticando o que muitos chamaram de “Neymardependência”. O treinador santista, pelas suas conquistas, pelo peso que possui no futebol nacional e pelo seu cargo é um dos responsáveis por acelerar (ou desacelarar) o processo de evolução do nosso futebol. De acordo com a declaração de Edu Dracena e os próximos jogos da equipe santista, agora sem o craque, vamos torcer para que a nova era não comece nos decepcionando.

Obs: Muricy Ramalho foi demitido no início da sexta feira e optei por não alterar o conteúdo da coluna. Que os votos feitos ao Muricy sejam estendidos ao novo treinador da equipe santista.

Written by Eduardo Barros

3 de junho de 2013 at 10:02

O jogador de futebol e o status de celebridade

leave a comment »

Conduta profissional de jovens jogadores demonstra a insuficiência da nossa formação

Há cerca de três anos, num Fórum de Futebol, Sandro Orlandelli, na ocasião scouter do Arsenal-ING, foi categórico ao afirmar Celebridadeque um dos grandes problemas dos jovens jogadores brasileiros é o status de celebridade. Nesta oportunidade, Sandro, que após passagem pelo Atlético-PR atualmente exerce a função de observador técnico no Santos FC, criticou a conduta dos milhares de atletas brasileiros em formação, que se comportam como jogadores consagrados, preocupam-se mais com o estilo/visual do que  com os treinamentos e aperfeiçoam, ano após ano, o jeito acomodado de agir, dependente do roupeiro, do treinador, da cozinheira e do empresário. Apenas como exemplo, afirmou que no clube inglês, influenciado por um modelo japonês de organização, cada atleta do clube (mesmo na categoria profissional) é responsável por limpar suas próprias chuteiras. Uma utopia para nossos mal-acostumados jogadores.

Como este espaço é dedicado para além da tática e uma vez que tudo está inter-relacionado, nesta semana as reflexões propostas se referem a um dos princípios pedagógicos propostos por Freire, em que os gestores de campo devem ter o compromisso de ensinar mais que futebol.

Muitos podem dizer que a missão é difícil (como é, de fato) para não dizer impossível de ser aplicada no atual cenário do nosso futebol. Entre os fatores que contribuem para esta aparente impossibilidade, pode-se destacar a mídia, que privilegia o individual em detrimento do coletivo, que reverencia pseudo-craques e que cria novas estrelas a cada rodada do final de semana. Já boa parte dos empresários, distribui jogadores em clubes e alimentam-nos com chuteiras, celular, notebook e roupas. Por sua vez, um livro é um mimo desnecessário! Os próprios familiares contribuem para estimular o ambiente nocivo em que o jovem constrói-se pessoal e profissionalmente. Espalham a todos que tem alguém na família que é jogador de futebol (quando na verdade são apenas potenciais jogadores), depositam a esperança (ou seria a pressão) da salvação financeira da família e o acompanhamento dos estudos, quando muito, fica em último plano, afinal, várias das celebridades do país não precisam de escola. Os profissionais de campo, vítimas (???) do sistema e pressionados pelos resultados de curto prazo, escalam os aspirantes a Neymar, Sheik, Fabuloso, Fred, pois são os caras que “resolvem” no final de semana. O imediatismo fecha as portas para boa formação, para a conduta profissional adequada e para o exercício de autoconhecimento, onde ser vale muito mais que parecer. Outro grande problema ocorre quando os profissionais de campo, mesmo não pressionados pelas vitórias a qualquer custo, optam pelos célebres jogadores. Muitas vezes, tal opção é oriunda da visão distorcida do papel do jogador, do treinador, do processo de formação e representa a visão de quem um dia esteve dentro das quatro linhas, também com o status de celebridade.

A boa notícia é que, como foi afirmado semanas atrás, o futebol brasileiro está mudando os rumos. E precisa mudar para além das concepções de treinamento. As transformações necessárias transcendem os métodos e apontam para jogadores, segundo Scaglia, inteligentes de corpo inteiro.

Com o novo perfil de jogador que se deseja formar, novas relações serão estabelecidas entre o atleta e a mídia/família/empresário. Se, por um lado, clube/treinador têm pouco poder de influência nestes três segmentos, com o atleta podem (e devem) definir diretrizes, procedimentos e promover somente aqueles que estiverem ajustados aos princípios e valores da instituição.

Ganha o clube, que forma o jogador que tem a identidade pretendida; a mídia, que poderá sair da superficialidade na relação imprensa-atleta; a família, que tem um ser humano que pode ou não exercer o papel de jogador de futebol e, inclusive, o empresário, que terá em sua carteira, profissionais cientes dos compromissos da carreira esportiva.

Quem sabe assim, aquele andar que representa a linguagem corporal do “boleiro” e que é facilmente reconhecida não tenha os passos destinados a um triste fim.

A tarefa é muito difícil, portanto, mãos à obra treinadores e demais gestores de campo.

O nosso futebol está mudando os rumos! E você?

leave a comment »

Profissionais atualizados tem cada vez mais espaço nos clubes do futebol brasileiro

ClubesCorinthians-SP, Mogi Mirim-SP, São José-SP, Penapolense-SP, Grêmio Osasco-SP, Fragata-RS, Paulínia-SP, Desportivo-SP, Portuguesa-SP, União Frederiquense-RS, Red Bull-SP, Atlético-MG, Grêmio-RS, Águia Negra-MS, Ypiranga-PE, SEV-SP, Nova Iguaçu-RJ, Audax-SP, Bragantino-SP, Joinville-SC, Ubaense-MG, Ituano-SP, Bahia-BA, São Paulo-SP, Serrano-RJ, Taubaté-SP, Caldense-MG, Barra-SC, Vasco-RJ, América-MG, Rio Preto-SP, Cabense-PE, Guarani-SP, Guarani-MG, Desportivo-MG, São Bento-SP, Coritiba-PR, Desportiva-ES, Pelotas-RS e Vitória-BA.

A lista acima se refere aos clubes brasileiros que possuem pelo menos um funcionário atualizado em relação às tendências do treinamento em futebol. Os contatos estabelecidos com cada um dos profissionais destes clubes vão de uma simples troca de cartões de visita numa apresentação pessoal a longas discussões por e-mail ou pessoalmente sobre a aplicação do treino na modalidade. Seguramente, existem outros clubes espalhados pelo país que possuem colaboradores com o mesmo perfil profissional, porém, que ainda não obtive nenhuma aproximação, mesmo que mínima.

Estamos acostumados a criticar severamente (com critérios) o futebol brasileiro e todo o ambiente que compreende a cadeia produtiva das equipes. Limitações gerenciais, estruturais, financeiras e técnicas atrasam o futebol brasileiro e limitam a qualidade atual do espetáculo quando comparado ao predominantemente evoluído futebol europeu. O fato é que este atraso e limitação qualitativa nos posicionam, merecidamente, na pior colocação no ranking de seleções de toda a história, o décimo nono lugar.

É fato também que a posição atual do ranking, apesar de representar o momento da nação, é reflexo do passado e do projeto de futebol do país nos últimos dez, quinze, vinte anos. Apesar do mau posicionamento atual, é preciso mencionar que os passos necessários para retomarmos o topo (em dez, quinze ou vinte anos) já começaram a ser dados. Não por todos aqueles que deveriam e tampouco na direção mais coerente, da gestão para o corpo técnico, no organograma dos clubes de futebol.

As quase quarenta equipes mencionadas no início da coluna dão segurança para a afirmação de que estamos mudando os rumos. Profissionais muito capacitados, que prescrevem treinos atualizados e constroem equipes atualizadas, estão presentes em diversos estados do país, divisões e categorias. Além disso, está cada vez mais frequente o posicionamento da imprensa (que aos poucos também tem se atualizado) sobre o atraso do nosso jogo. Inclusive grandes treinadores, como Autuori e Parreira em declarações recentes, têm exposto opiniões que refletem o processo de mudança que estamos inseridos.

Somam-se a todos estes profissionais, centenas de estudantes, recém-formados, professores de escolinhas, de futsal e quem sabe ex-jogadores, devidamente atualizados e ávidos por uma oportunidade profissional no futebol de campo.

Peço desculpas se deixei de mencionar algum clube em que eu conheça, mesmo que minimamente, um profissional atualizado em relação ao treinamento em futebol. Se você acredita que está atualizado e ainda não estabelecemos nenhum contato profissional, não deixe de me escrever, pois temos uma longa missão em prol do futebol brasileiro e, por fim, se você acha que tudo isso é bobagem e que os rumos do nosso futebol não vão mudar, cuidado. Quando você notar poderá ser tarde demais…

Written by Eduardo Barros

23 de abril de 2013 at 13:54

Outro novo horizonte e dois anos de Universidade do Futebol

leave a comment »

Novo ciclo profissional coincide novamente com o aniversário de publicações

Foto site NovA incerteza é uma constante em nossas vidas! Por mais que nos esforcemos em planejar para que tudo ocorra de uma forma organizada, a imprevisibilidade dita o ritmo dos nossos passos, dos nossos dias, do nosso futuro.

Nos últimos meses, planejei mentalmente distintos projetos profissionais e pessoais, visualizei os desdobramentos possíveis em cada cenário e aguardei os acontecimentos da vida real que, de certa forma, independem dos meus desejos, objetivos e metas.

Vislumbrava o comando da equipe juniores do clube que trabalho, na Copa São Paulo (disputada em Janeiro), porém, a oportunidade não aconteceu. Sonhava com o segundo acesso consecutivo, desta vez para a série A-2 do campeonato paulista profissional, no entanto, pela classificação atual (existem possibilidades matemáticas remotas de classificação ou descenso) o Novorizontino provavelmente permanecerá na mesma divisão em 2014.

Planejava-me para acompanhar o Footecon 2012 como espectador e recebi um convite inesperado para palestrar sobre um tema que tenho estudado. Foi um privilégio compor o grupo de palestrantes do fórum.

Existem muitos outros exemplos, como a dúvida da permanência no clube após a sequência de maus resultados no início da competição, que culminou na troca do comando técnico. Ou então, as reflexões sobre declarar (ou não) o interesse em participar de um processo seletivo, para uma vaga na área técnica nas categorias de base, de um grande clube do país. Em todos os exemplos, a mesma pergunta: como será o meu futuro após a escolha? È claro que não tenho a resposta!

Paralelamente aos meus sonhos, pensamentos e reflexões, surge mais um acontecimento da vida real: o convite para assumir a equipe sub-20 do Novorizontino no Campeonato Paulista da categoria. Uma proposta que esteve em meu plano mental meses atrás, não se concretizou e que algum tempo depois é oficializada e, como esperado, aceita.

É uma grande oportunidade de por em prática as minhas ideias de jogo, de comandar os treinos, as intervenções, de gerenciar conflitos, de ganhar “horas de voo” na área tracejada (vaga muito difícil para quem teve pouca experiência como atleta profissional), de refletir o porquê das vitórias e aprender com as derrotas.

Esta oportunidade reflete diretamente em minhas publicações no portal, que esta semana completam dois anos. A responsabilidade e o “peso” de escrever, agora na condição de treinador, serão aumentados. Expressões como “escrever é fácil, quero ver colocar em prática” já são esperadas num ambiente em que a sobrevivência depende diretamente das vitórias. E são elas que pretendo atrair.

O desafio está lançado e será cumprido, assim como qualquer outra função que eu desempenhe ao longo de minha carreira, com ética, profissionalismo e compromisso pedagógico de ensinar mais que futebol.

Agradeço a todos da Universidade por proporcionar um espaço em que por dois anos tenho tentado escrever além da tática. Agradeço também aos leitores, dos mais diferentes perfis, daqueles que leem e criticam silenciosamente aos que mantém contato e criam um ambiente de discussão e aprendizagem via e-mail. São vocês que dão sentido as minhas contribuições ao universo do futebol.

Abraços e até a próxima semana!

 

Written by Eduardo Barros

9 de abril de 2013 at 7:43

O peso das derrotas

leave a comment »

Algumas reflexões a partir de um difícil momento profissional

Caros leitores,

DerrotaTrabalhar no futebol é conviver diariamente com a instabilidade profissional. Seja por questões políticas, administrativas ou técnicas, motivos (???) não faltam para que ocorram trocas constantes nas milhares de comissões técnicas espalhadas pelo país. Como sabemos, um motivo em particular potencializa tal instabilidade: as derrotas.

E é sobre elas que discorrerei esta semana.

Sentar, refletir e escrever quando os resultados são favoráveis é muito mais simples. As ideias surgem com fluidez, os argumentos não faltam e as vitórias (para muitos, somente elas) respaldam cada parágrafo que vai sendo produzido.

Se na última temporada a equipe em que trabalho foi derrotada somente por três vezes em vinte e oito jogos, no cenário atual, após quatro partidas, os três resultados negativos consecutivos (3×0; 3×4 e 3×2) já se equivalem aos reveses de 2012.

Tais resultados negativos causaram reações diversas em todos (imprensa, diretoria, atletas, comissão técnica, torcida). Da insegurança dos jogadores à revolta da imprensa que já questionou a permanência do treinador, o momento pede que a derrota seja bem gerida. Para uma boa gestão do fracasso temporário, analisar TODO o ambiente e tentar ser preciso nos procedimentos até o jogo seguinte é fundamental.

Durante a análise do ambiente, muitas reflexões vêm à mente sobre o que fazer diante das derrotas. Eis algumas delas:

Será momento de mudar a maneira que o trabalho é conduzido? Será momento de achar culpados e transferir as responsabilidades do resultado negativo? Será momento de rebater as críticas que temos recebido? O momento pede (tentativas de) substituições significativas no Modelo de Jogo? O momento pede mudanças de jogadores? O momento pede cobranças excessivas aos jogadores? O momento pede contratações?

Além destas, inúmeras outras perguntas certamente renderiam horas e horas de discussão. Como no futebol não há muito tempo para conversa, após um bom diálogo com o treinador, iniciamos os trabalhos da semana cientes de nossas funções na tentativa de revertermos o quadro atual.

É uma semana de pressão, que deve ser amenizada pela comissão para que os jogadores não transportem esta carga para o jogo de domingo. É uma semana de muito trabalho, nem mais, nem menos que nas semanas anteriores, “apenas” muito trabalho. Semana de um maior número de intervenções, de reforços positivos, de feedbacks.

Semana em que a crise não pode ser instalada, a cobrança deve incentivar a melhora e que a vontade de vencer potencializada no ambiente de treino não se confunda com desespero ou desorganização.

É também uma semana de ouvir os jogadores, escutar o que estão pensando, como estão se sentindo e como estão lidando com a adversidade. Ouvir sugestões de melhorias para o desenvolvimento do trabalho pode deixá-los confortáveis para desempenharem o seu melhor.

Você que trabalha com futebol profissional provavelmente já deve ter passado por situações, sentimentos e sensações semelhantes. Como você se comportou? Para você que almeja trabalhar, prepare-se, pois lidar com as derrotas, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

A partir do dia 17/02 todos saberão se os primeiros passos para a reabilitação foram dados. Se sim, estejam certos que um grande peso (o das derrotas) terá saído das costas de todos. Se não, vamos erguer a cabeça e continuar buscando soluções cientes de que fizemos o melhor que poderíamos.

Encerro afirmando que o que escrevi referente à maneira de enfrentar/interpretar as derrotas advém de opiniões formadas por experiências profissionais e pessoais diversas. Leituras, relacionamentos, acertos, erros, práticas, vivências, estudos, formam a totalidade que é a minha existência, expressa, neste caso, na minha atuação profissional.

Que as minhas opiniões não sejam consideradas uma verdade absoluta e que as derrotas nos sirvam, no mínimo, de aprendizado.

Até a próxima semana!

Written by Eduardo Barros

18 de fevereiro de 2013 at 13:17