tecnicoeduardobarros

Temas atuais relacionados ao Futebol

Posts Tagged ‘Planejamento

Os bastidores da preparação para a Copa-SP

leave a comment »

A formação do elenco para uma das mais importantes competições de futebol junior

copa_sao_paulo_junioresFaltam poucos dias para o término do período de inscrição para a Copa São Paulo de Futebol Junior. Apesar de a competição ter início em Janeiro, acertadamente a federação antecipa a inscrição e publicação dos atletas no BID (Boletim Informativo Diário) para evitar (ou ao menos minimizar) a formação de elencos de última hora, privilegiando o planejamento e a organização dos clubes. Em Novembro, a pré-lista oficial com 30 atletas define quem serão os representantes de cada equipe.

Por enquanto, antes dos trabalhos técnicos preparatórios para a primeira competição de 2014, os treinadores têm inúmeras responsabilidades.

Muitas equipes estão em meio às competições sub-20, que permitem atletas nascidos em 1993, porém que excedem a idade limite para a disputa da Copa-SP. Pensando na formação do elenco, a comissão técnica deve ter ciência das carências originárias pela saída dos jogadores mais velhos e, além disso, definir se na suplência ou na promoção de atletas da categoria sub-17 a equipe terá condições de se manter competitiva. Outras possibilidades são a de abrir espaço para avaliações, ou então, para contratações de reforços.

E como culturalmente a Copinha é vista como a maior vitrine para exposição e negociação de atletas, vários interesses influenciam o que deveria ser óbvio, no entanto ainda é utópico em nosso futebol: a composição de um elenco em que os benefícios ao clube seja a prioridade.

A aproximação dos empresários ao clube, comum durante todo o ano, fica ainda mais evidente no período de inscrição para a Copa-SP. Juntos deles estão os jogadores que são as soluções para todos os problemas do clube e que estão desempregados somente pelas injustiças do futebol. È válido destacar que existem as exceções, que indicam jogadores sem grandes alardes ou falsas promessas.

Os grupos de investimento também surgem como opção no auxílio da formação do elenco. Detentores de direitos econômicos de atletas em potencial, realmente podem reforçar a equipe. Só que para o clube ficam as despesas com o atleta (financeiras, de alimentação, de moradia, médicas e esportivas) já para o grupo de investimento, a maior fatia do retorno financeiro numa possível negociação. Estes grupos aproveitam a situação econômica/estrutural/administrativa de muitos clubes brasileiros para esta fórmula que lhes é bem conveniente.

Outro procedimento comum neste período é a chegada de jogadores mediante uma recompensa financeira. Estes atletas, sempre “bem indicados” podem chegar ao clube através dos diferentes níveis do organograma da instituição. No nível que houver desvio de conduta ocorrerá o negócio.

Esqueçam a possibilidade de ser definida a fórmula ideal para a composição do elenco. Em todas as opções (promoção da base, suplência, avaliação, indicação, contratação) podem estar as reais soluções para a equipe. O indispensável é uma estrutura técnica-administrativa que trabalhe em benefício da instituição, que analise criteriosamente o elenco atual, que não seja influenciada pelo interesse de terceiros e que unifique a linguagem num ambiente em que muitos querem distorcê-la.

Este é o melhor caminho para o legado que a Copa-SP deve deixar ao clube: uma equipe pronta para o decorrer da temporada, com atletas e equipe que tenham o perfil de jogo do futebol moderno.

E no dia-a-dia dos treinadores, a busca pela excelência em todas as suas obrigações que vão além de pensar e executar o treino: a solução de conflitos, os relacionamentos, os contatos, a análise de materiais de jogadores, “os inúmeros não”, “os alguns sim” e a luta constante pela sobrevivência no mercado. E ainda insistem em dizer que é fácil ser treinador de futebol…

Anúncios

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 17:04

As concentrações e o mau uso dos recursos no futebol

leave a comment »

Só é possível jogar bem se concentrar?

Algumas verdades do futebol são, para muitos, inquestionáveis. A necessidade da concentração de todos os jogadores convocados de uma equipe na véspera de um jogo (ou até na antevéspera) é uma delas.

Para grande parte da diretoria, comissão técnica, torcedores e inclusive dos próprios jogadores, concentrar-se em hotéis, com conforto, mordomias, refeições à disposição, conexão à internet, TV por assinatura, entre outras regalias, é pré-requisito para o bom desempenho.

Esta prática, realizada empiricamente, é onerosa para os clubes e mesmo assim mantida em virtude da importância cultural de sua realização.

Como o futebol brasileiro vive um momento de constantes reflexões, seja pelo novo vexame do nível de jogo de muitas equipes brasileiras em relação ao futebol europeu (previsto, mas não ocorrido na Copa das Confederações e evidente nas recentes turnês das equipes brasileiras na Europa), ou até pela conduta do coordenador técnico das categorias de base da seleção, Alexandre Gallo, que pretende implantar uma nova mentalidade nas jovens promessas do país, o momento é pertinente para mais esta discussão.

Dos clubes grandes aos pequenos, dos que disputam competições nacionais aos que disputam somente as estaduais, da primeira a última divisão, as concentrações (mais ou menos custosas dependendo dos recursos do clube) sempre estão em pauta como despesas inevitáveis.

Como sabemos, as despesas de um clube de futebol são diversas em cada um dos seus departamentos. Fisioterapia, Nutrição, Fisiologia, Técnico, Administrativo, Financeiro, Operações e Marketing. Será que os gastos com concentração não seriam melhor alocados se investidos nos diferentes setores do clube?

Clubes pequenos sofrem com departamentos médicos em péssimas condições, mas não abrem mão da receita para concentração. Não oferecem suplementação, mas no Sábado tem uma delegação com 30 concentrados para o jogo de Domingo. Tem academias precárias, mas compensam com a hospedagem na véspera dos jogos. Não investem em recursos para o controle da carga de treinamento, porém gastam excessivamente com hotéis. Não possui psicólogo no corpo técnico, mas acredita na “concentração”. Existem ainda muitos outros exemplos: ônibus próprio, salários atrasados, manutenção do estádio, etc.

Se as implicações da prática da concentração tivessem impactos somente financeiros/estruturais, os prejuízos seriam reparáveis; no entanto, o principal problema é humano. Da ocupação do tempo e do nível de consciência dos nossos atletas.

O fato é que até o jogador de hoje das nossas categorias de base espera ansiosamente pelo momento em que, após o treinamento na véspera de um jogo, ele e toda a delegação se enfurnem num hotel para passarem horas e horas ociosas. Ou cometemos o ledo engano de pensarmos que os atletas ficam o tempo todo refletindo sobre o jogo do dia seguinte?

Vários são os motivos que perpetuam as concentrações. Como principais, apontam-se a pressão pelas vitórias (que não permite espaço para “pouca concentração”) e a conduta do jogador brasileiro, boêmio, “da noite” e descompromissado.

Os que apontam os motivos esquecem que preparar-se para jogar bem é um exercício que independe do quanto de conforto é oferecido ao atleta. Um simples espaço em que ele tenha condições de projetar imagens mentais positivas do confronto é suficiente. Além disso, ensiná-lo a controlar a respiração, a se conhecer, a sentir-se e a “esvaziar” a mente pode ser muito mais eficiente que um dia todo habitado num quarto de hotel amontoado de aparatos tecnológicos que lhe fazem passar o tempo.

Repetir um processo enraizado em todas as divisões do futebol brasileiro é mais simples que tentarmos buscar novas soluções, mais complexas, mais profundas e que exigem maior reflexão. Nossa e dos jogadores.

Nós, profissionais do futebol e inseridos nesta cultura, deveríamos fazer o melhor para ressignificar a modalidade, da gestão à área técnica. Para isso, uma mentalidade inovadora, transformadora e disposta a quebrar paradigmas é fundamental. Qual a sua opinião sobre a concentração?

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:34

A vertente física do jogo de futebol no treinamento com Jogos

leave a comment »

Gráficos apresentados podem auxiliar na elaboração do Microciclo

Caros leitores,

Sabidamente a vertente física tem papel fundamental no desempenho de um futebolista. Sendo assim, o planejamento de todas as sessões de treino deve levar em consideração quais são as adaptações esperadas para um máximo desempenho global, que também é físico, nas situações competitivas.

Este procedimento parece simples de ser realizado, porém, corriqueiramente o vemos prejudicado por algumas limitações que afetam as comissões técnicas. Entre elas:

– Treinadores planejarem os treinamentos técnico-táticos e desconsiderarem as demandas físicas destas atividades;

– Preparadores físicos planejarem atividades com bola preocupados exclusivamente com uma ou duas vertentes do jogo e, por consequência, minimizarem o enriquecimento individual e coletivo da equipe;

Então, pensando em auxiliar as comissões que optam por uma atuação sistêmica e que tem o Jogo como elemento central da Periodização, apresento dois gráficos criados nos grupos de estudos do Paulínia FC em 2009 e que tenho utilizado no desenvolvimento dos microciclos de treino.

Na ocasião da criação dos gráficos, ainda com uma visão integrada, partia do físico para o jogo. Atualmente, com mais leituras, reflexões e discussões (e mais dúvidas também), o ponto de partida são os comportamentos que proporcionam a melhoria da inteligência coletiva de jogo e quais devem ser os estímulos para que eles sejam promovidos. Estes estímulos são distribuídos alternadamente ao longo de uma semana de treinamento e, metodologicamente, são feitos com modificações/adaptações no jogo de futebol, utilizando demandas físicas/metabólicas distintas.

Abaixo, o primeiro gráfico que aponta as exigências físicas predominantes nas atividades em função do tamanho do campo e do tempo do estímulo por série:

gf1

 

Na sequência, o segundo gráfico, que mostra o metabolismo predominante também em função do tamanho do campo e do tempo do estímulo por série:

gf2

 

A experiência, a prática, os erros e os acertos tornam a utilização do gráfico (e de todo Microciclo) cada vez mais assertiva. Para ser cada vez mais assertivo, é pré-requisito ter domínio na criação das REGRAS em cada uma das atividades.

Antes de apresentar alguns exemplos de como utilizo os gráficos na elaboração dos Jogos, deixarei uma semana para opiniões, sugestões, dúvidas e críticas.

Caso tenham ferramentas que utilizam para o desenvolvimento dos treinamentos, agradeço se puderem compartilhá-las. Enriquecerá a próxima discussão.

Enquanto isso, bons treinos e atenção na vertente física. Para muitos influentes do futebol, ela, e somente ela, é a responsável pelas vitórias e pelas derrotas! E você, o que acha?

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 16:27

Os treinos, os tipos de jogos e a manutenção da posse de bola

leave a comment »

Os jogos conceituais, os conceituais em ambiente específico e a evolução deste princípio de jogo

Footecon_ANIMAÇÃO 10A qualidade na manutenção da posse de bola é um comportamento coletivo pretendido pela grande maioria dos treinadores. Seja a equipe orientada para um ataque posicional, ou até mesmo um ataque rápido ou contra-ataque, é fato que se espera a eficácia na transmissão da posse de bola para que a ação ofensiva termine com possibilidade de finalização.

Posto isso, para aperfeiçoar a dinâmica coletiva da progressão em posse, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos.

Em minha atuação prática, como todos sabem, aplico um método de treino sistêmico em que toda atividade (jogo) é ao mesmo tempo física-técnica-tática-mental. Nesta semana, serão feitas algumas observações para quem escolhe este método e pretende evoluir na construção do comportamento de manutenção da posse de bola (não necessariamente um jogar predominantemente em posse).

É bem frequente a realização de jogos sem alvos para aperfeiçoar a manutenção da posse. Denominados jogos conceituais, por não terem as zonas de risco e finalizações, estes tipos de atividades são muito distantes do futebol formal e seguramente não traduzem no ambiente competitivo a posse de bola desejada. Nestas atividades, elementos indispensáveis para uma boa circulação como as coberturas ofensivas, a profundidade e as estruturas zonais fixas inexistem, logo, a dinâmica da construção da posse na sessão de treino não será a mesma daquela que se pretende evidenciar no jogo.

Outra situação muito utilizada é a dos jogos conceituais, agora com a presença de alvos, portanto, mais próximos do futebol formal. Por definição, os jogos conceituais são realizados em dimensões significativamente menores que o espaço formal de jogo. Com a distância entre alvos mais próxima, a atração pelas metam são ainda maiores e um equívoco não deve ser cometido: preocupados com a manutenção da posse, a solução encontrada por alguns treinadores (inclusive por este que vos escreve, anos atrás) é estipular um número mínimo de passes para permitir a finalização. Um crime contra a Lógica do Jogo!

É preciso saber que jogos com dimensões reduzidas, por sua formatação, inviabilizam um trabalho de manutenção da posse de bola em quantidade de passes. O que não significa que tal referência operacional não possa ser treinada em tais dimensões.

Os jogos conceituais em ambiente específico, se corretamente planejados e aplicados, são os que proporcionam maior proximidade com o jogo de futebol. Neles, as regras de ação desempenhadas por cada um dos jogadores, derivadas das competências essenciais do jogo (estruturação do espaço, comunicação na ação e relação com a bola), são altamente específicas. Com os 22 elementos (ou a maioria deles) na mesma atividade, a densidade das situações-problema que surgem relativas à manutenção da posse (lembrando, independentemente do tipo de ataque utilizado) é elevada e tem grande relação com o ambiente competitivo uma vez que são exigidas a ampliação do espaço efetivo de jogo, a abertura de linhas de passe, as desmarcações, as movimentações com ou sem troca de posição, a ação dos fundamentos técnicos de transmissão da posse de bola, além das coberturas ofensivas, profundidade e estruturas zonais fixas (citadas no início do texto), indispensáveis para o sucesso do referido princípio de jogo.

É válido mencionar que a faixa etária e o nível de compreensão do jogo por parte da equipe influenciam a escolha que a comissão técnica fará sobre os jogos. Quanto mais próximos da profissionalização, aconselha-se maior quantidade de jogos conceituais em ambiente específico.

Para a evolução de cada princípio de jogo, os treinadores fazem uso de diversos treinamentos, atividades e recorrem à utilização de diferentes métodos. Qual o método você utiliza?

Aguardo sua resposta!

Algumas propostas de calendário para as categorias de base de SP

leave a comment »

Adequações no modelo da federação paulista pode potencializar a formação competitiva dos atletas

FPFNo dia 26/03/2013 ocorrerá o Seminário Calendário do Futebol. Organizado pela Brasil Sport Market, com realização da Pluri Consultoria e Trevisan Escola de Negócios, o seminário irá debater algumas questões referentes à elaboração de um calendário mais adequado e eficiente para o futebol brasileiro.

Aproveitando a temática e com o intuito de estender a discussão às categorias de base, a coluna desta semana proporá adequações na disputa do Campeonato Paulista sub-15 e sub-17.

Nesta semana, foi divulgada no site da federação a proposta para a competição de 2013, que terá 78 equipes. Divididas em 8 grupos com 8 equipes e outros 2 com 7, neste formato, os clubes disputarão no mínimo 12 e no máximo 28 partidas.

Após o término da primeira fase, no dia 06/07, restarão 32 equipes, equivalente a 41% dos participantes.

Seis jogos compõem a segunda fase, classificando-se as duas melhores equipes de cada um dos 8 grupos formados. Na sequência da competição, disputam-se as oitavas, as quartas, as semifinais e a final.

O fato é que numa das melhores competições das categorias de base do país, em que muitos clubes (devido aos escassos recursos financeiros) jogam somente ela ao longo do ano, após o dia 06/07 teremos aproximadamente 1380 atletas em formação sem atividades competitivas de alto nível. Para compor este cálculo, basta multiplicar as 46 equipes eliminadas por 30, que é o número médio de atletas em um elenco.

Com as eliminações da primeira fase, fatalmente grandes atletas em potencial serão prejudicados, pois serão eliminados precocemente da competição. Para exemplificar, o grupo 7 (classificado por um companheiro de profissão como o “grupo da morte”) é formado pelas equipes Audax, Bragantino, Juventus, Guarani, Paulista, Red Bull, Atibaia e Palmeiras e somente 3 terão lugar na próxima fase. Como pode ser observado, por consequências do regulamento, equipes tradicionais nas competições das categorias de base não terão o que competir durante boa parte do segundo semestre.

Diante disso, será que é possível pensar num outro formato para a competição que além de manter a qualidade, dê maior oportunidade de jogos aos jovens atletas?

Sabemos da importância da competição para a formação esportiva, logo, nada mais coerente que proporcionar um ambiente que favoreça o desenvolvimento dos atletas com um maior número de jogos. Sob este viés, tentando privilegiar um maior número de equipes classificadas e/ou o número mínimo de jogos sem estender o calendário por muitas rodadas, seguem, abaixo, algumas propostas para as competições sub-15 e sub-17 da FPF, considerando as 78 equipes registradas em 2013.

Proposta 1

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 16 grupos de 2. Classifica-se a equipe com maior pontuação em dois jogos (ida e volta)

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), porém, o número mínimo de jogos sobe para 18 ou 19, dependendo do grupo. Este aumento proporciona, pelo menos, 28% mais jogos (para equipes que jogariam 14 jogos e passariam a jogar 18), chegando até a 58% (para equipes que jogariam 12 jogos e passariam a jogar 19). As equipes que chegarem à final terão disputado 28 ou 29 jogos.

Proposta 2

Primeira Fase: 2 grupos de 19 e 2 grupos de 20. Turno único e classificam-se 8 equipes por grupo.

Segunda Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo após dois turnos (ida e volta).

Terceira Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quarta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sexta Fase: Final (ida e volta)

Nesta proposta também se mantêm as 32 equipes classificadas (41%), com o mesmo número mínimo de jogos da proposta anterior. Difere somente na segunda fase, em que ao invés de disputarem somente dois jogos, formam-se grupos de 4 e disputam um total de 6 jogos.

Proposta 3

Primeira Fase: 6 grupos de 10 e 2 grupos de 9. Classificam-se 5 equipes por grupo.

Segunda Fase: 40 equipes divididas em 10 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 4 por índice técnico.

Terceira Fase: 24 equipes divididas em 6 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: 12 equipes divididas em 3 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 2 por índice técnico.

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

O número de equipes classificadas sobe para 40, representando um aumento de 10% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 16 ou 18, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 31 ou 33 jogos.

Proposta 4

Primeira Fase: 6 grupos de 11 e 1 grupo de 12. Classificam-se 6 equipes por grupo mais 2 por índice técnico.

Segunda Fase: 44 equipes divididas em 11 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo mais 10 por índice técnico.

Terceira Fase: 32 equipes divididas em 8 grupos de 4. Após três jogos (turno único), classificam-se as 2 melhores equipes de cada grupo.

Quarta Fase: Oitavas de Final (ida e volta)

Quinta Fase: Quartas de Final (ida e volta)

Sexta Fase: Semifinal (ida e volta)

Sétima Fase: Final (ida e volta)

Na última proposta o número de equipes classificadas sobe para 44, representando um aumento de 15% em relação à fórmula atual. O número mínimo de jogos é de 20 ou 22, dependendo do grupo. As equipes que chegarem à final terão disputado 34 ou 36 jogos.

Obviamente muitos fatores precisam ser considerados (administrativos, estruturais, financeiros, logísticos) tanto da federação, como dos próprios clubes, para que seja realizada alguma mudança. Somente para citar um exemplo caso um dia o calendário se modifique, talvez deva ser mais prudente inverter os jogos destas categorias (sábado de manhã) com os juniores (sábado à tarde), pois com o maior número de partidas e, por consequência, viagens, uma maneira de diminuir os custos é não gastar com hospedagem, logo, viajar no dia. Para a categoria sub-20, mais próxima do profissional, é pré-requisito um maior investimento.

Enfim, caso um dia o calendário se modifique, ganham os atletas que poderão fazer por mais tempo o que mais gostam no melhor ambiente de aprendizagem existente; os clubes, pois terão mais tempo para avaliar especificamente os seus jogadores; os gestores de campo, pois poderão permanecer empregados por mais tempo; e no longo prazo pode ganhar o futebol brasileiro, pois com bons trabalhos cada vez mais frequentes desenvolvidos nas categorias de base do estado, teremos como produto final atletas com excelência de formação e com muita experiência competitiva.

Aguardo opiniões e outras propostas.

O peso das derrotas

leave a comment »

Algumas reflexões a partir de um difícil momento profissional

Caros leitores,

DerrotaTrabalhar no futebol é conviver diariamente com a instabilidade profissional. Seja por questões políticas, administrativas ou técnicas, motivos (???) não faltam para que ocorram trocas constantes nas milhares de comissões técnicas espalhadas pelo país. Como sabemos, um motivo em particular potencializa tal instabilidade: as derrotas.

E é sobre elas que discorrerei esta semana.

Sentar, refletir e escrever quando os resultados são favoráveis é muito mais simples. As ideias surgem com fluidez, os argumentos não faltam e as vitórias (para muitos, somente elas) respaldam cada parágrafo que vai sendo produzido.

Se na última temporada a equipe em que trabalho foi derrotada somente por três vezes em vinte e oito jogos, no cenário atual, após quatro partidas, os três resultados negativos consecutivos (3×0; 3×4 e 3×2) já se equivalem aos reveses de 2012.

Tais resultados negativos causaram reações diversas em todos (imprensa, diretoria, atletas, comissão técnica, torcida). Da insegurança dos jogadores à revolta da imprensa que já questionou a permanência do treinador, o momento pede que a derrota seja bem gerida. Para uma boa gestão do fracasso temporário, analisar TODO o ambiente e tentar ser preciso nos procedimentos até o jogo seguinte é fundamental.

Durante a análise do ambiente, muitas reflexões vêm à mente sobre o que fazer diante das derrotas. Eis algumas delas:

Será momento de mudar a maneira que o trabalho é conduzido? Será momento de achar culpados e transferir as responsabilidades do resultado negativo? Será momento de rebater as críticas que temos recebido? O momento pede (tentativas de) substituições significativas no Modelo de Jogo? O momento pede mudanças de jogadores? O momento pede cobranças excessivas aos jogadores? O momento pede contratações?

Além destas, inúmeras outras perguntas certamente renderiam horas e horas de discussão. Como no futebol não há muito tempo para conversa, após um bom diálogo com o treinador, iniciamos os trabalhos da semana cientes de nossas funções na tentativa de revertermos o quadro atual.

É uma semana de pressão, que deve ser amenizada pela comissão para que os jogadores não transportem esta carga para o jogo de domingo. É uma semana de muito trabalho, nem mais, nem menos que nas semanas anteriores, “apenas” muito trabalho. Semana de um maior número de intervenções, de reforços positivos, de feedbacks.

Semana em que a crise não pode ser instalada, a cobrança deve incentivar a melhora e que a vontade de vencer potencializada no ambiente de treino não se confunda com desespero ou desorganização.

É também uma semana de ouvir os jogadores, escutar o que estão pensando, como estão se sentindo e como estão lidando com a adversidade. Ouvir sugestões de melhorias para o desenvolvimento do trabalho pode deixá-los confortáveis para desempenharem o seu melhor.

Você que trabalha com futebol profissional provavelmente já deve ter passado por situações, sentimentos e sensações semelhantes. Como você se comportou? Para você que almeja trabalhar, prepare-se, pois lidar com as derrotas, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

A partir do dia 17/02 todos saberão se os primeiros passos para a reabilitação foram dados. Se sim, estejam certos que um grande peso (o das derrotas) terá saído das costas de todos. Se não, vamos erguer a cabeça e continuar buscando soluções cientes de que fizemos o melhor que poderíamos.

Encerro afirmando que o que escrevi referente à maneira de enfrentar/interpretar as derrotas advém de opiniões formadas por experiências profissionais e pessoais diversas. Leituras, relacionamentos, acertos, erros, práticas, vivências, estudos, formam a totalidade que é a minha existência, expressa, neste caso, na minha atuação profissional.

Que as minhas opiniões não sejam consideradas uma verdade absoluta e que as derrotas nos sirvam, no mínimo, de aprendizado.

Até a próxima semana!

Written by Eduardo Barros

18 de fevereiro de 2013 at 13:17

O treinamento da organização defensiva

leave a comment »

Confira algumas possibilidades de treino para este momento do jogo

defA construção dos comportamentos coletivos de organização defensiva pode ser feita de diversas maneiras. Com um treinamento em forma de situações de jogo, os atletas vivenciam um ambiente semelhante ao da competição e, dessa forma, podem estar mais preparados para responderem adequadamente a imprevisibilidade, inerente ao futebol.

Estudiosos da modalidade afirmam que defender organizadamente é pré-requisito para atacar bem, afinal, ao se cumprir com o objetivo da organização defensiva (recuperação da posse de bola) a equipe deve estar distribuída espacialmente de forma a facilitar a transição e organização ofensivas.

Dando continuidade às sugestões de regras para treinamentos que favoreçam um jogar de qualidade, tema abordado em quatro colunas ao longo do ano passado (parte I, parte II, parte III, parte IV), nesta semana as regras propostas pretendem levar ao aperfeiçoamento da fase defensiva.

Para aperfeiçoar o pressing setorial, lembrando da importância da manutenção da plataforma de jogo da equipe durante esta ação coletiva, seguem as sugestões de regras:

  • Marcar o campo com diversos gols-caixote e dar ponto a equipe que conseguir efetuar um passe certo, ou então conseguir passar com a bola dominada, entre o gol caixote. Distribuir pelo menos quatro gols-caixote ao longo da mesma linha horizontal do campo de jogo. Na medida em que a equipe aperfeiçoar o mecanismo de pressão espaço-temporal, deve-se diminuir a distância vertical entre os gols-caixote. Proteger diversos gols caixote além do gol oficial induz os jogadores a subirem a linha de marcação de acordo com o setor em que iniciará as pontuações;
  • Demarcar setores do campo em que, obrigatoriamente, o adversário deverá ter sido pressionado por mais de um jogador antes de efetuar o passe ou sair do setor com a bola dominada. Caso a pressão (espaço-temporal) não aconteça, a equipe que tem a posse de bola pontua;
  • Demarcar setores do campo que, estrategicamente, são regiões em que a equipe tentará a recuperação da posse de bola. Recuperar a posse nestas regiões, ou o adversário errar um passe com ao menos um defensor na região (na tentativa de forçar o erro) no momento do passe, vale ponto para a equipe que defende;
  • Qualquer troca de passe pra frente vale ponto para equipe que ataca. Se houver quatro passes consecutivos, a pontuação é dobrada. Esta regra pode ser realizada em toda a extensão do terreno de jogo, porém, aconselha-se utilizar a regra, inicialmente, em áreas menores;

Muitas vezes, as ações de reposição e bolas paradas relativamente distantes do gol geram surpresas fatais (que terminam em gols) à equipe que está se defendendo, pois a mesma demora a se organizar após a interrupção do jogo, seja pelo apito do árbitro, seja pela saída da bola. A equipe ter um mecanismo coletivo defensivo que aumente a incidência de recuperações da posse neste tipo de situação pode ajudá-la a cumprir a Lógica do Jogo. Sendo assim, nos treinamento, deve-se punir a ineficiência desta ação defensiva, pois, com o jogo interrompido, a equipe tem condições de partir da organização no caótico sistema-jogo. E como defender é mais fácil do que atacar, a referida organização deve recuperar a posse de bola ou, no mínimo, afastar a bola do próprio alvo.

Abaixo, alguns exemplos de regras:

  • Toda reposição no campo de defesa em que a equipe que estiver com a posse de bola conseguir ultrapassar o meio campo com a bola dominada, por condução ou passe é ponto. Esta regra obriga o rápido posicionamento da equipe sem bola próximo ao setor da reposição, neutralizando adversários e regiões perigosos;
  • Toda reposição de lateral cobrada no campo de ataque verticalmente (no sentido da meta adversária) em que a equipe que está com a posse conseguir dominar a bola, vale ponto;
  • Toda cobrança de falta na região intermediária de ataque (entre as linhas 2 e 3) em que a equipe conseguir trocar dois passes verticais, invadindo o último quarto do campo, equivalem a ponto. Esta regra induz à rápida organização defensiva, evitando cobranças curtas que terminem em cruzamentos ou finalizações.
  • Aumentar a pontuação do gol sofrido a partir de situações de reposição e bolas paradas;

Todo treinamento deve promover o enriquecimento do nível de desempenho coletivo apresentado pela equipe. Com isso, pretende-se que todos os atletas consigam interpretar os problemas que acontecem no jogo da mesma forma e que as interpretações coincidam com aquilo que são suas ideias de jogo. Para facilitar a interpretação dos problemas defensivos por parte dos jogadores, dominar as referências como, regiões do campo, adversários, bolas paradas, reposições e própria meta, será indispensável.

Se este processo for respeitado, seguramente, passos importantes para a vitória estarão sendo dados, pois, ratificando, defende-se bem para atacar melhor!