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Os bastidores da preparação para a Copa-SP

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A formação do elenco para uma das mais importantes competições de futebol junior

copa_sao_paulo_junioresFaltam poucos dias para o término do período de inscrição para a Copa São Paulo de Futebol Junior. Apesar de a competição ter início em Janeiro, acertadamente a federação antecipa a inscrição e publicação dos atletas no BID (Boletim Informativo Diário) para evitar (ou ao menos minimizar) a formação de elencos de última hora, privilegiando o planejamento e a organização dos clubes. Em Novembro, a pré-lista oficial com 30 atletas define quem serão os representantes de cada equipe.

Por enquanto, antes dos trabalhos técnicos preparatórios para a primeira competição de 2014, os treinadores têm inúmeras responsabilidades.

Muitas equipes estão em meio às competições sub-20, que permitem atletas nascidos em 1993, porém que excedem a idade limite para a disputa da Copa-SP. Pensando na formação do elenco, a comissão técnica deve ter ciência das carências originárias pela saída dos jogadores mais velhos e, além disso, definir se na suplência ou na promoção de atletas da categoria sub-17 a equipe terá condições de se manter competitiva. Outras possibilidades são a de abrir espaço para avaliações, ou então, para contratações de reforços.

E como culturalmente a Copinha é vista como a maior vitrine para exposição e negociação de atletas, vários interesses influenciam o que deveria ser óbvio, no entanto ainda é utópico em nosso futebol: a composição de um elenco em que os benefícios ao clube seja a prioridade.

A aproximação dos empresários ao clube, comum durante todo o ano, fica ainda mais evidente no período de inscrição para a Copa-SP. Juntos deles estão os jogadores que são as soluções para todos os problemas do clube e que estão desempregados somente pelas injustiças do futebol. È válido destacar que existem as exceções, que indicam jogadores sem grandes alardes ou falsas promessas.

Os grupos de investimento também surgem como opção no auxílio da formação do elenco. Detentores de direitos econômicos de atletas em potencial, realmente podem reforçar a equipe. Só que para o clube ficam as despesas com o atleta (financeiras, de alimentação, de moradia, médicas e esportivas) já para o grupo de investimento, a maior fatia do retorno financeiro numa possível negociação. Estes grupos aproveitam a situação econômica/estrutural/administrativa de muitos clubes brasileiros para esta fórmula que lhes é bem conveniente.

Outro procedimento comum neste período é a chegada de jogadores mediante uma recompensa financeira. Estes atletas, sempre “bem indicados” podem chegar ao clube através dos diferentes níveis do organograma da instituição. No nível que houver desvio de conduta ocorrerá o negócio.

Esqueçam a possibilidade de ser definida a fórmula ideal para a composição do elenco. Em todas as opções (promoção da base, suplência, avaliação, indicação, contratação) podem estar as reais soluções para a equipe. O indispensável é uma estrutura técnica-administrativa que trabalhe em benefício da instituição, que analise criteriosamente o elenco atual, que não seja influenciada pelo interesse de terceiros e que unifique a linguagem num ambiente em que muitos querem distorcê-la.

Este é o melhor caminho para o legado que a Copa-SP deve deixar ao clube: uma equipe pronta para o decorrer da temporada, com atletas e equipe que tenham o perfil de jogo do futebol moderno.

E no dia-a-dia dos treinadores, a busca pela excelência em todas as suas obrigações que vão além de pensar e executar o treino: a solução de conflitos, os relacionamentos, os contatos, a análise de materiais de jogadores, “os inúmeros não”, “os alguns sim” e a luta constante pela sobrevivência no mercado. E ainda insistem em dizer que é fácil ser treinador de futebol…

Written by Eduardo Barros

15 de setembro de 2013 at 17:04

Outro novo horizonte e dois anos de Universidade do Futebol

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Novo ciclo profissional coincide novamente com o aniversário de publicações

Foto site NovA incerteza é uma constante em nossas vidas! Por mais que nos esforcemos em planejar para que tudo ocorra de uma forma organizada, a imprevisibilidade dita o ritmo dos nossos passos, dos nossos dias, do nosso futuro.

Nos últimos meses, planejei mentalmente distintos projetos profissionais e pessoais, visualizei os desdobramentos possíveis em cada cenário e aguardei os acontecimentos da vida real que, de certa forma, independem dos meus desejos, objetivos e metas.

Vislumbrava o comando da equipe juniores do clube que trabalho, na Copa São Paulo (disputada em Janeiro), porém, a oportunidade não aconteceu. Sonhava com o segundo acesso consecutivo, desta vez para a série A-2 do campeonato paulista profissional, no entanto, pela classificação atual (existem possibilidades matemáticas remotas de classificação ou descenso) o Novorizontino provavelmente permanecerá na mesma divisão em 2014.

Planejava-me para acompanhar o Footecon 2012 como espectador e recebi um convite inesperado para palestrar sobre um tema que tenho estudado. Foi um privilégio compor o grupo de palestrantes do fórum.

Existem muitos outros exemplos, como a dúvida da permanência no clube após a sequência de maus resultados no início da competição, que culminou na troca do comando técnico. Ou então, as reflexões sobre declarar (ou não) o interesse em participar de um processo seletivo, para uma vaga na área técnica nas categorias de base, de um grande clube do país. Em todos os exemplos, a mesma pergunta: como será o meu futuro após a escolha? È claro que não tenho a resposta!

Paralelamente aos meus sonhos, pensamentos e reflexões, surge mais um acontecimento da vida real: o convite para assumir a equipe sub-20 do Novorizontino no Campeonato Paulista da categoria. Uma proposta que esteve em meu plano mental meses atrás, não se concretizou e que algum tempo depois é oficializada e, como esperado, aceita.

É uma grande oportunidade de por em prática as minhas ideias de jogo, de comandar os treinos, as intervenções, de gerenciar conflitos, de ganhar “horas de voo” na área tracejada (vaga muito difícil para quem teve pouca experiência como atleta profissional), de refletir o porquê das vitórias e aprender com as derrotas.

Esta oportunidade reflete diretamente em minhas publicações no portal, que esta semana completam dois anos. A responsabilidade e o “peso” de escrever, agora na condição de treinador, serão aumentados. Expressões como “escrever é fácil, quero ver colocar em prática” já são esperadas num ambiente em que a sobrevivência depende diretamente das vitórias. E são elas que pretendo atrair.

O desafio está lançado e será cumprido, assim como qualquer outra função que eu desempenhe ao longo de minha carreira, com ética, profissionalismo e compromisso pedagógico de ensinar mais que futebol.

Agradeço a todos da Universidade por proporcionar um espaço em que por dois anos tenho tentado escrever além da tática. Agradeço também aos leitores, dos mais diferentes perfis, daqueles que leem e criticam silenciosamente aos que mantém contato e criam um ambiente de discussão e aprendizagem via e-mail. São vocês que dão sentido as minhas contribuições ao universo do futebol.

Abraços e até a próxima semana!

 

Written by Eduardo Barros

9 de abril de 2013 at 7:43

O que deve ser aperfeiçoado para evolução do jogar da seleção brasileira sub-20?

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De acordo com comportamentos apresentados no Mundial, confira algumas reflexões táticas da equipe comandada por Ney Franco

A seleção brasileira de futebol sub-20 conquistou o pentacampeonato mundial da categoria vencendo a equipe de Portugal, na prorrogação, por 3 a 2. Mesmo com as ausências de Lucas e Neymar, que serviram a equipe principal na Copa América, os atletas comandados pelo técnico Ney Franco fizeram uma excelente campanha com 5 vitórias, 2 empates, 18 gols marcados e 5 sofridos nos sete jogos que disputaram.

Diferentemente do ocorrido na Copa América, as críticas que foram amplamente distribuídas pela mídia ao treinador Mano Menezes, foram poupadas ao Ney Franco (e, consequentemente, a sua comissão técnica), devido à conquista do primeiro lugar. Porém, se quando se perde não significa que exatamente tudo está equivocado, quando se ganha, não significa que tudo está perfeito. Após as merecidas comemorações, é momento de reflexões do que precisa ser aperfeiçoado, ajustado, mantido e, até mesmo, modificado. Reflexões necessárias para que o potencial de supremacia da seleção brasileira seja confirmado não só como foi no Mundial, mas também, no Panamericano que acontecerá em outubro, nos Jogos Olímpicos de Londres no ano que vem e afim de que em cada competição que as categorias inferiores estejam envolvidas, comecem a ser observados os jogadores que, futuramente, poderão integrar a equipe principal (como já aconteceu com Danilo).

Individualmente, a seleção brasileira contou com peças-chave em diferentes jogos, tanto em ações defensivas como em ofensivas. O goleiro Gabriel falhou (e não foi sozinho) em um único lance frente à equipe portuguesa. Nos demais jogos, mostrou-se muito eficaz na ação de proteção do alvo e praticamente imbatível no 1×1. Bruno Uvini foi muito seguro na manutenção do posicionamento zonal, nas coberturas defensivas e combates, além de ter sido a grande referência de liderança da equipe. Casemiro, de volante pelo lado direito, zagueiro da sobra ou central, poupou diversas substituições de Ney Franco para posições mais defensivas de modo que Dudu e Negueba pudessem entrar em todos os jogos.

Oscar, desta vez utilizado em setores do campo em que melhor pensa o jogo (se você ler o artigo sobre o Modelo de Jogo da seleção brasileira no sul-americano sub-20, poderá observar que algumas regras de ação de Oscar eram de atacante, o que lhe custou a titularidade), fechava muito bem linhas de passe, posicionava-se rapidamente atrás da linha da bola na ação defensiva e tinha a componente tomada de decisão-ação para o passe acima da média. Um belo organizador.

Henrique, com finalizações de média distância, linhas de passe abertas na zona de risco ou ataque à bola, mostrou recursos ofensivos suficientes para a premiação de bola de ouro do Mundial. Defensivamente, pressionou alto, retardou, recompôs e nas transições atacou a bola como poucos no Brasil geralmente fazem.

Dudu-Negueba precisam evoluir tática, defensiva e coletivamente, porém, com a bola nos pés, a imprevisibilidade da ação ofensiva aumenta exponencialmente. Desconcertam, driblam, fintam, cruzam e, o primeiro ainda faz gols.

Coletivamente, a plataforma de jogo mais utilizada foi a 1-4-3-1-2 que, no segundo tempo, variava preferencialmente para a 1-4-3-3. A 1-3-4-3 contra a Espanha e 1-3-5-2 contra o México, também foram observadas. As variações estruturais do sistema aconteciam visando um melhor aproveitamento das características de Dudu e Negueba que têm melhores desempenhos pelas faixas laterais. Para utilizar três zagueiros, a solução encontrada por Ney Franco era recuar Casemiro entre Juan e Bruno Uvini.

Resumidamente, na fase defensiva, a organização zonal era melhor executada na plataforma que a equipe utilizava no primeiro tempo. Com bom equilíbrio defensivo, boa compactação, retardamento e flutuação, a superioridade numérica e a cobertura defensiva eram constantes. Na transição ofensiva, a ação vertical era a mais procurada. Na fase ofensiva, as ultrapassagens dos laterais eram constantes; com dois atacantes, um recuava entre linhas adversárias para procurar tabelas, pivô e finalizações; Philippe Coutinho buscava diagonais para as faixas laterais e Oscar procurava a melhor linha de passe. Já com três atacantes, a amplitude gerada tendia a abrir a linha defensiva dos adversários e a bola nas faixas implicava em jogada individual para cruzamentos. Nas transições defensivas, ocorria principalmente a tentativa de recuperação imediata da posse com devida recomposição dos demais jogadores.

As breves linhas apresentadas até aqui indicam muitos comportamentos que foram eficazes ao longo do mundial, no entanto, algumas ações individuais e coletivas necessitarão aperfeiçoamentos para evolução do jogar da seleção brasileira.

Como, por exemplo, as reposições de bola do goleiro Gabriel que, por muitas vezes resultaram em perda da posse e que remetem a um comportamento coletivo que não está bem internalizado. As falhas de posicionamento da dupla William e Henrique, onde o primeiro apresentava dificuldade de movimentação entre linhas quando Henrique buscava profundidade na zona de risco. A maior circulação da posse no campo ofensivo para desorganizar as organizações defensivas adversárias e a amplitude de Danilo que diminuía o campo efetivo de jogo em setores muito distantes do alvo. Sobre as transições defensivas, executá-las em maior velocidade poderá dificultar as transições ofensivas de seleções de qualidade. Em relação à organização defensiva, um melhor equilíbrio quando em três zagueiros, um melhor posicionamento de Juan, que tende a esquecer de proteger o alvo, sai para combates desnecessários nas faixas laterais e expõe significativamente seu setor, além de maior participação de Philippe Coutinho fechando as linhas de passe e limitando o tempo de ação dos jogadores próximos ao seu setor. Uma observação sobre Casemiro: resolveu o problema da seleção sub-20 como zagueiro, mas dificilmente exercerá esta função na seleção principal. Para finalizar, nas transições ofensivas, melhorar o passe vertical, especialmente de Fernando e Juan.

Gostaria de postar vídeos, como geralmente faço, para identificar os comportamentos da seleção brasileira, acertos e erros acima descritos, porém, nesta semana, o tempo que tenho para produzir a coluna ficou ainda mais reduzido devido a uma viagem a Porto Alegre para participar do II Seminário de Futebol – Construindo os alicerces da formação nas categorias de base. Esta semana, o tempo que levo para editar os vídeos será dedicado para o meu aperfeiçoamento profissional.

Aguardem que compartilharei o conhecimento. Abraços e até a próxima semana!

Written by Eduardo Barros

28 de agosto de 2011 at 16:49

O MODELO DE JOGO DO BRASIL NO SUL-AMERICANO SUB 20

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Recentemente, encerrou-se o Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub 20, realizado no Peru, e que, após nove jogos sendo a equipe que mais venceu (sete vitórias, um empate e somente uma derrota), a seleção brasileira sagrou-se campeã e conquistou uma das vagas do continente para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Todos os jogos tiveram transmissão em canal fechado, porém, acredito que o horário dos mesmos dificultou o acompanhamento pela maioria da população. E este é o principal motivo da escolha deste tema para o artigo da semana, afinal, torcedores, treinadores, ou quaisquer outras pessoas que apreciam o futebol brasileiro precisam conhecer a dinâmica de jogo apresentada pelos possíveis integrantes da seleção olímpica ou, até mesmo, da principal, nos próximos anos.

Os resultados dos jogos da primeira fase foram:

 Brasil 4 x 2 Paraguai

Brasil 3 x 1 Colômbia

Brasil 1 x 1 Bolívia

Brasil 1 x 0 Equador

 No Hexagonal final, os resultados foram:

 Brasil 5 x 1 Chile

Brasil 2 x 0 Colômbia

Brasil 1 x 2 Argentina

Brasil 1 x 0 Equador

Brasil 6 x 0 Uruguai

 Além dos 81% de aproveitamento, o Brasil, comandado pelo técnico Ney Franco, conquistou outros números invejáveis:

  •  O melhor ataque da competição, com 24 gols marcados e o artilheiro do torneio:

               – 9 gols – Neymar

               – 4 gols – Lucas

               – 3 gols – Casemiro e William

               – 2 gols – Diego Maurício e Henrique

               – 1 gol – Danilo

  •  A segunda melhor defesa, por média de gols sofridos, por jogo. Sofreu somente 7 gols em 9 jogos (0,78 gol/jogo), contra 5 gols sofridos do Equador (0,55 gol/jogo);

 Todos estes números ratificam o desempenho superior obtido pela seleção brasileira ao longo da competição, porém, não explicitam como foi o futebol apresentado pela equipe nos Momentos do Jogo (Ofensivos, Defensivos e de Transição), durante as 9 partidas que a tornaram campeã do Sul-Americano Sub 20.

Nas próximas linhas, será feito um breve resumo do padrão de jogo da seleção brasileira, apontando as origens dos gols marcados, dos gols sofridos, além do comportamento coletivo nas ações ofensivas (após recuperar a posse e com a posse de bola) e nas ações defensivas (ao perder a posse de bola e ao tentar recuperá-la). Para finalizar, um breve apontamento dos jogadores que mais se destacaram na competição.

Como ponto de partida, será apresentada uma descrição das origens dos 24 gols feitos na competição, que podem traduzir pontos fortes da equipe (claro que não se deve desconsiderar as falhas do adversário) e, em contrapartida, a observação dos gols sofridos, lembrando que também ocorrem por potencialidades do adversário, mas também podem identificar eventuais falhas cometidas pela equipe brasileira.

Segue, abaixo, a origem de todos os gols marcados pelo Brasil, no torneio, com a identificação da ação prévia ao gol:

  • 6 gols (25%) por Posse de Bola em progressão, dentre eles:
    • 2 gols a partir de cruzamento /

    www.youtube.com/watch?v=2ccu8meGvrY

    • 1 gol a partir de penetração
    • 1 gol a partir de um passe horizontal
    • 1 gol a partir de um drible
    • 1 gol a partir de rebote do goleiro
  • 5 gols (20,8%) por Transição Ofensiva, dentre eles:
    • 2 gols a partir de assistências
    • 1 gol a partir de cruzamento
    • 1 gol a partir de lançamento

    www.youtube.com/watch?v=c9UHB0a135E

    • 1 gol a partir de interceptação com chute longo
  • 5 gols (20,8%) por Bolas Paradas, dentre eles:
    • 2 gols a partir de escanteios
    • 1 gol a partir de uma falta lateral

    www.youtube.com/watch?v=5HxbIG1aaEw

    • 1 gol a partir de uma falta frontal
    • 1 gol de pênalti
  • 4 gols (16,6%) por Jogadas Individuais, dentre eles:
    • 2 gols a partir de transição ofensiva

    www.youtube.com/watch?v=wCcQD081AXc

    • 1 gol partir de um passe vertical
    • 1 gol a partir de posse em progressão
  • 2 gols (8,3%) por Transições Defensivas, dentre eles:
    • 2 gols a partir de cruzamento

              www.youtube.com/watch?v=t2lCINtS-hw

  • 2 gols (8,3%) por Reposições de bola em jogo, dentre eles:
    • 1 gol a partir de tiro de meta
    • 1 gol a partir de lateral

              www.youtube.com/watch?v=6Gkm-Tat5EU

 Na sequência, a origem dos gols sofridos pela seleção, também com a identificação da ação anterior que resultou em gol: 

  • 3 gols (42,8%) por Bola Parada, dentre eles:
    • 2 gols a partir de pênalti
    • 1 gol a partir de escanteio
  • 1 gol (14,2%) por falha no Balanço Defensivo
    • A partir de transição ofensiva do adversário

                  www.youtube.com/watch?v=9eAYQ2E3caQ

  • 1 gol (14,2%) por falha na Organização Defensiva:
    • A partir do erro na transição defensiva da equipe
  • 1 gol (14,2%) por falha do goleiro e 1ª linha de defesa da equipe:
    • A partir de reposição de bola pelo adversário
  • 1 gol (14,2%) por falha da 1ª e 2ª linha da equipe:
    • A partir de jogada individual do adversário

 Após a descrição dos gols, é momento de apresentar, sob minha ótica, o Modelo de Jogo da seleção brasileira, que fora aplicado ao longo da competição e que jogo a jogo se aperfeiçoou.

 Plataforma de Jogo e Regras de Ação

 A Plataforma de Jogo 1 x 4 x 3 x 3 foi utilizada durante toda a competição.

Após o goleiro, com participação exclusiva de proteção do alvo, a primeira linha da equipe foi formada por dois zagueiros e dois laterais. Tal linha tinha regra de ação defensiva de marcação zonal e, ofensivamente, dois laterais que apoiavam bastante o ataque, pelas faixas laterais do campo.

A segunda linha, composta por dois volantes, em que, em alguns jogos um deles tinha uma regra de ação mais ofensiva, ocupando o espaço à frente da linha da bola, sendo mais uma opção de ataque e, em outros jogos (geralmente os que a exigência defensiva era maior) a regra de ação com a equipe em posse de bola, era mais recuada. Defensivamente, exerceram muitos combates à frente da linha de defesa e ofensivamente alternavam jogo vertical e horizontal utilizando recursos de passes curtos e longos.

A terceira linha da equipe era formada por um meia ofensivo, com liberdade de movimentação e responsabilidade de ocupação de espaços entre linhas do adversário. Com a posse de bola, a ação era de busca de linha de passe com um dos três atacantes, ou então, de jogada individual. Defensivamente, o meia posicionava a frente dos volantes, geralmente do lado em que se encontrava a bola.

 Para terminar, a última linha da equipe, composta por três atacantes, sendo um mais avançado e centralizado, caracterizando uma estrutura mais fixa, e outros dois, mais móveis, atuando por cada uma das faixas laterais do campo, com trocas de posição entre si e com o meia ofensivo. Defensivamente, marcavam por setor retardando/dificultando a saída de bola do adversário.

Somente em um dos jogos a seleção brasileira modificou estruturalmente a plataforma. Na quarta partida do Hexagonal, contra o Equador, em que, após uma sequência de ações ofensivas perigosas do adversário, Ney Franco recuou um dos volantes nos minutos finais da partida, compondo a 1ª linha de defesa com 5 jogadores.

                          www.youtube.com/watch?v=fmSo2nrIE9w

Organização Defensiva

Sem a posse de bola, a seleção brasileira iniciava sua linha de marcação predominantemente na linha 2 do campo (intermediária defensiva do adversário). Em alguns jogos, porém, em menor incidência, alternou marcação na linha 1 (grande área adversária), ou então, na linha 3 (meio-campo).

A compactação entre linhas da equipe foi muito boa ao longo da competição, o que possibilitava coberturas imediatas em todos os setores do campo.

                       www.youtube.com/watch?v=RStnYai6AEM

No campo de defesa, a ação de combate em busca da recuperação da posse era constante, com boas recomposições atrás da linha da bola dos demais jogadores. Dificilmente, nas ações ofensivas do adversário, o Brasil tinha menos do que 8 jogadores atrás da linha da bola, o que gerava superioridade numérica defensiva com frequência.

Com uma linha defensiva bem equilibrada, a recuperação da posse em inversões ou chutes longos do adversário foi satisfatória.

Nas bolas paradas, somente uma falha, no jogo de estreia contra o Paraguai, resultou em gol. Nos demais jogos, a equipe esteve sempre bem postada, com marcação individual e pelo menos 7 jogadores dentro da grande área.

Defensivamente, uma ressalva somente em relação à flutuação, que também foi bem executada pela 2ª linha da equipe (zagueiros e laterais), porém, perdia organização zonal nas linhas dos volantes e meia.

Transição Ofensiva

A transição ofensiva foi uma arma poderosa do Brasil no Sul-Americano. Responsável por 20,8% dos gols feitos, a retirada vertical da bola, da zona de recuperação, foi a ação coletiva mais utilizada.

Na primeira etapa do primeiro jogo, contra o Paraguai, por pouca mobilidade dos volantes, a transição ofensiva não acontecia com qualidade, pois obrigava o recurso do chute longo dos zagueiros ou laterais. O outro jogo em que a transição ofensiva do Brasil não ocorrera de forma eficiente foi contra a Argentina, pois, com superioridade numérica em campo (devido à expulsão de um jogador brasileiro no pênalti a favor da Argentina) e à frente no placar durante grande parte do jogo, tal seleção se expôs pouco ao ataque e se apresentou muito bem organizada defensivamente.

Nos demais jogos, muitas ações de perigo do ataque brasileiro ocorreram em jogadas de contra-ataque e, como foi mencionado, 5 delas terminaram em gols, sendo estes contra Paraguai, Colômbia e Chile.

                www.youtube.com/watch?v=-YPFUy1XicM

Um destaque em relação à transição defesa-ataque brasileira foi sua ótima execução por todas as linhas (jogadores) da equipe, demonstrando ser um comportamento coletivo muito bem estabelecido pelo técnico Ney Franco.

Organização Ofensiva

O Brasil, no Momento Ofensivo do jogo, demonstrou seu grande diferencial em relação às demais equipes. Com jogadas individuais, ações imprevisíveis, tabelas, fintas e dribles, em sua grande maioria buscando o alvo, as jogadas que possibilitavam situações de gol foram diversas.

A evolução ofensiva do Brasil, na sequência dos 9 jogos, foi extremamente nítida, sendo observada pelos seguintes pontos:

  • Melhora da ocupação de espaço dos volantes com a equipe em posse de bola. No início da competição, o posicionamento se dava muito próximo aos zagueiros, o que resultava em menos opções de linhas de passe no setor intermediário.
  • Melhora da ocupação de espaço dos laterais, que ao longo da competição deram maior amplitude à equipe, ampliando espaço efetivo de jogo.
  • Melhora da ocupação de espaço dos atacantes, que, assim como os laterais, deram maior amplitude à equipe, fazendo um campo grande a atacar.

                             www.youtube.com/watch?v=N1U3l8cMyaU

 Apesar do alto percentual de gols com posse de bola em progressão, 25%, grande parte deles foi marcado somente no último jogo contra o Uruguai, que após sofrer 2 gols nos minutos finais do primeiro tempo e perder um pênalti no início do segundo tempo, “desistiu” de recuperar a posse coletivamente e permitiu que o Brasil circulasse a bola no campo de ataque com facilidade, resultando em mais 4 gols no segundo tempo, sendo três deles com posse de bola em progressão e um com jogada individual.

Muito bem nas bolas paradas, que originaram 20,8% dos gols do Brasil o ataque à bola e até uma jogada ensaiada contribuíram para vitórias importantes na competição.

O jogo vertical foi predominantemente aplicado pela equipe de Ney Franco. Jogo a jogo, a eficiência nas trocas de posições das estruturas móveis, com mobilidade e desmarques do meio-campista e dos atacantes, as linhas de passe constantes, a regra de ação de pivô do atacante de referência, o apoio com ultrapassagens dos laterais e o surgimento de um volante como elemento surpresa, confirmaram a seleção brasileira como a melhor equipe ofensiva da competição, com predomínio de finalizações na maioria dos jogos e, como descrito anteriormente, o melhor ataque do Sul-Americano.

 Transição Defensiva

 O comportamento coletivo predominante após a perda da posse de bola era o ataque imediato a ela em busca da recuperação. Demais jogadores, distantes da bola, ocupavam espaço em marcação zonal de acordo com sua função.

Em uma das ações de recuperação imediata, contra a Colômbia, originou-se um dos gols do Brasil.

Neste momento do jogo, em minha opinião, o Brasil se apresentou mais vulnerável. Pois, quando a ação de recuperação imediata não ocorria e a transição ofensiva do adversário era eficiente, a seleção apresentava problemas no Balanço Defensivo (estrutura geométrica dos defensores da equipe que ataca). Com igualdade numérica ao adversário, e consequente falta de coberturas, os oponentes geravam situações claras de gol. Bolívia, Paraguai, Colômbia e Equador foram seleções que tiveram oportunidades de aproveitar as falhas brasileiras. Destas, somente a Bolívia converteu em gol a oportunidade criada.

Destaques Individuais

Até o momento não foram mencionados jogadores na apresentação do Modelo de Jogo da seleção brasileira SUB 20. Para jogadores diferentes, obviamente, características e comportamentos diferentes, que refletem em padrões de jogo distintos na aplicação do Modelo de Jogo.

Abaixo, para finalizar o artigo, uma breve opinião de jogadores que se destacaram no torneio e que favoreceram o cumprimento do padrão de jogo da seleção brasileira.

 Juan – Zagueiro do Internacional-RS

Excelente posicionamento defensivo, estruturou zonalmente a linha de defesa sendo “imbatível” no 1×1 e muito eficaz em bolas aéreas. Quando o volante se distanciou na estruturação de espaço, demonstrou bom passe para sair jogando.

Oscar – Meio-campo do Internacional-RS

O “cérebro” da seleção brasileira. Fez uma má estréia diante do Paraguai por não conseguir se adaptar ao posicionamento de atacante nas trocas de posição com o Lucas. Ao voltar à equipe titular, a qualidade do passe foi seu diferencial. Um dos poucos jogadores da seleção que soube desacelerar o jogo, jogando horizontalmente. Como meia moderno, ajudou muito a equipe sem a posse de bola.

Vindo desde a intermediária, pensava situações para suas assistências perfeitas, em uma delas, com um passe de calcanhar, deixou Henrique de frente para o gol.

Lucas – Meia/Atacante do São Paulo-SP

O mais versátil dos selecionáveis. Atuou como meia, atacante, pela esquerda, pela direita. Em todos os setores ofensivos, sabe o que fazer com a bola nos pés. Quando a equipe perde a posse de bola, apresentou uma transição defensiva muito rápida.

Com habilidade ímpar, fez dribles, fintas de corpo, passes, cruzamentos, lançamentos e gols. Jogou para a equipe durante todos os jogos. O melhor!

Neymar – Atacante do Santos-SP

Parece não entender o jogo coletivamente. Troca pouco de posição, joga por vezes centrado na bola, mas, com pequenos espaços, faz absurdos.

Apresenta muitas qualidades que podem definir um jogo: cobrança de faltas frontais, dribles precisos, finalizações ambidestras e capacidade de fazer o… IMPREVISÍVEL, que é característica do jogo de futebol e que encanta a todos!

Abraços e até a próxima semana!!!

Written by Eduardo Barros

27 de fevereiro de 2011 at 17:10